Archive for quarta-feira, setembro 08
Sapiens: Uma Breve História da Humanidade
Sapiens: Uma Breve História da Humanidade
Yuval Noah Harari
2011
Não-Ficção
Este livro foi-me altamente recomendado por um amigo, que afirmou que o livro "mudou a sua vida". É um livro engraçado, fácil e aparentemente pouco ortodoxo, mas não diria que mudou a minha vida.
O autor apresenta-nos a história da humanidade enquanto espécie, apresentando uma série de teorias para a nossa evolução e para a extinção dos outros membros do género Homo. Sobretudo curiosas são as suas teorias da "fantasia colectiva" que nos levou a abandonar o prazer de ser caçadores-recolectores, para investirmos toda a nossa evolução no pastoreio e agricultura, segundo o autor a grande causa para todos os nossos problemas actuais.
A revisão histórica é bem feita, mas é um pouco elástica a forma como a "fantasia colectiva" serve - nesta perspectiva - para maltratar a espécie. Se assim fosse, porque teríamos evoluído desta forma? Talvez nos volumes seguintes o autor nos fale da crise cerebral humana ou algo do género.
Um livro bastante acessível que faz uma revisão da nossa evolução enquanto espécie, mas apesar de tudo pouco atrevido.
The Handmaid's Tale Season 4
The Handmaid's Tale Season 4
Bruce Miller
2021
Série
Se a terceira season de Handmaid's Tale foi frustrante e inútil, a quarta season compensa por todos os excessos narrativos e, finalmente, temos um avanço valioso na história. Também existem alguns episódios dirigidos pela própria Elizabeth Moss, que nos mostra uma visão cinematográfica muito interessante.
Começamos onde a última série nos deixou, com Ofred (June) ferida e quase morta, ajudada pelas suas amigas de vermelho. A perseguição às handmaids inicia-se e a personagem revela-se cada vez mais forte e cada vez mais agressiva, com um sentido de justiça totalmente alterado pela situação em que foi forçada a viver. Conhecemos algumas novas personagens, que são aparentemente transitórias, e a história evolui para a liberdade do Canadá, onde começará nova vingança.
Apesar de a personagem de June se esteja a tornar numa criatura bastante desagradável, o sentido dado a todo o trauma torna-a extremamente realista.
Agora, teremos uma quinta season e o avançar para o The Testaments, conforme pedido por Margaret Atwood. Estou ansiosa por ver a conclusão!
Pig
Pig
Michael Sarnoski
2021
Filme
6 em 10
Um novo filme com Nicholas Cage, em que o actor aparece completamente diferente das suas últimas actuações.
Um homem vive sozinho numa cabana, apenas com a sua porca de estimação. Os dois caçam trufas na floresta e vendem-nas por um bom valor. Até ao dia em que a porca é roubada e o homem, Nicholas Cage, enceta uma busca para a recuperar. Aí entramos no universo da cozinha especializada, chique e molecular, um mundo de que esta personagem fugiu, e começamos a conhecê-lo um pouco melhor.
Este filme é quase uma análise a esta personagem curiosa e misteriosa, impulsionada pela culinária e pelo desenvolvimento dos que o acompanham. O actor faz um excelente trabalho, muito diferente daquele a que estamos habituados. No entanto, o filme acaba por terminar numa nota solitária, triste e frustrante, em que sentimos que a aprendizagem não serviu de nada.
Ainda assim, recomenda-se, para vermos Cage num papel adequado ao seu talento.
Youjo Sachou
Youjo Sachou
Iwata Kazuya - Project No.9
Anime - 13 Episódios
2021
4 em 10
É daqueles animes curtinhos para rir, em que nos é proposta a ideia de que a chefe de uma empresa possa ser uma criança de cinco anos.
Pois bem, não achei graça nenhuma, não me ri uma gota. As piadas são stale, com gags usados 30000 vezes em animes uma e outra vez, sem nada de original. Também detestei as dicas racistas.
Por isso, tenho pena, mas vou dar-lhe um 4 em 10
Vivy: Fluorite Eye's Song
Vivy: Fluorite Eye's Song
Ezaki Shinpei - Wit Studio
Anime - 13 Episódios
2021
5 em 10
Vivy é o Terminator, só que em vez de termos o Arnold temos uma rapariga robot toda gira que canta. A história é exactamente a mesma, o conceito é perfeitamente decalcado. Mas como temos uma rapariga toda gira com olhos muito bem animados, ninguém nota, não é?
É certo que a animação é bastante boa, com grandes cenas de acção, mas também o Terminator tinha grandes cenas de acção. Fazerem um anime decalcado de um filme pop não é invulgar, mas disfarçarem-no tão bem parece-me um pouco ridículo.
De resto, para um anime cuja principal personagem é um robot que canta, as músicas não são nada de especial. Por isso, considere-se esta season de Primavera como uma das piores Primaveras de sempre.
Super Cub
Super Cub
Fujii Toshiro - Studio Kai
Anime - 12 Episódios
2021
5 em 10
Uma rapariga está farta de andar de bicicleta para ir à escola. Assim, compra uma mota em promoção, uma Honda Super Cub. Depois faz uma amiga que tem uma mota parecida. E vão andar de mota.
Tudo isto seria muito bom se o anime mostrasse mais coisas além de acessórios para Hondas Super Cub e Hondas Super Cub a andar na estrada ao som de clássicos para piano. Banda sonora bonita, mas em termos de conteúdo nada. As personagens continuam sempre iguais a si próprias, não existe conflito, não existe evolução. Só Hondas Super Cub a andar de um lado para o outro e, o mais extraordinário, a cumprir todas as regras de trânsito a 60km/hora.
Depois há coisas que não fazem muito sentido, por exemplo... Onde estão os serviços sociais para esta rapariga, onde estão os pais dela, onde está a família, porque é que ela não trabalha se não tem dinheiro, coisas desse género.
Mas para quem quer ver um anime relaxante de Hondas Super Cub a navegar, há sempre esta oportunidade.
Shadows House
Shadows House
Oohashi Kazuki - CloverWorks
Anime - 13 Episódios
2021
5 em 10
Este anime aparentava vir a ser um excelente anime de terror. Mas não é. Não tem nada a ver com terror. Este anime é uma exploitation lolita, em que designs bonitos não chegam para salvar uma narrativa confusa e infantilóide.
Numa casa de sombras, as sombras precisam de caras e por isso estão a educar umas crianças, que supostamente são bonecos. Até aqui tudo bem, com uma aura de mistério. Mas depois existe uma espécie de competição para ver quem são os bonecos superiores e as sombras mais adequadas, e isso acaba por ser bastante parvo, porque não tem nada a ver com nada.
Vamos destrinçando o mistério à medida que a série decorre, mas existem elementos que parecem escondidos, mesmo para os próprios criadores da série, que se referem a várias coisas como inatingíveis ou inexistentes.
Por isso, esta série falha no seu conceito, e não quero ver a segunda season.
Estudos sobre Teatro
Estudos sobre Teatro
Bertolt Brecht
1972
Teoria do Teatro
Continuando no meu exercício de ler sobre teatro, cheguei a este clássico de um grande artista, Brecht. E as conclusões a que chego trazem-me um certo alívio. Após alguns anos em que me dizem "isto não pode ser feito" ou "já ninguém faz isto", chega um dos nomes mais importantes do teatro moderno para me dizer "podes fazer o que quiseres".
Neste livro Brecht apresenta, resumidamente, a sua teoria sobre o Teatro Épico, utilizando para o explicar a análise de uma série de peças de teatro e da forma como estas foram trabalhadas. Infelizmente, não tenho um conhecimento profundo sobre elas para poder avaliar os detalhes do trabalho de encenação realizado. Mas a conclusão a que chego é que Brecht propõe um teatro livre, livre de amarras e livre de preconceitos.
E considerando isto, penso que tenho feito um trabalho preconceituoso. Isto ajuda-me no processo decisório.
Fruits Basket: The Final
Fruits Basket: The Final
Ibata Yoshihide - TMS Entertainment
Anime - 13 Episódios
2021
7 em 10
Quem me conhece saberá certamente que uma das primeiras séries de anime que vi, fora as que passaram na televisão, foi Fruits Basket. Assim, é natural que durante estes anos todos tenha nutrido uma grande simpatia por esta série. Quando finalmente saiu o tão esperado remake, e agora esta parte final, a minha ansiedade para saber o que era feito de personagens tão amadas talvez tenha alterado um pouco a minha percepção do que realmente é o conteúdo de Fruits Basket. Porque a verdade é que fiquei bastante desapontada com o rumo que as coisas tomaram, e com esta conclusão.
A introdução de novos personagens foi confusa e parecia de todo inútil. Se já tinhamos personagens tão bons, porque acrescentámos mais, porque acrescentámos interesses amorosos onde eles poderiam não existir, não contribuindo em nada para o desenvolvimento das que já existiam. O desaparecimento absoluto de outras personagens da narrativa também foi surpreendente, como se o autor se tivesse esquecido de outros elementos do zodíaco que, simplesmente, não interessavam mais.
Também as relações estabelecidas entre as personagens que se mantiveram pareceram forçadas e estranhas, nomeadamente Shigure e Akito (e Shigure é uma das minhas personagens preferidas de sempre!). A resolução da maldição também aparece estranha. Afinal, quem é esta Tohru Honda que consegue partir uma maldição milenar com a força da sua boa vontade?
Assim, este final, apesar de bastante bonito, só me causou estranheza.






