Archive for quarta-feira, setembro 15

  • A Ideia do Teatro

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    A Ideia do Teatro
    José Ortega y Gassét
    1966
    Teoria do Teatro

    Este livro é curioso porque é a transcrição de uma palestra que o autor deu em Lisboa. Assim, tem uma série de referências à cidade que são muito engraçadas.

    O autor usa esta palestra para falar um pouco da definição e história do teatro, definição esta material, emocional e activa. No entanto, os exemplos que utiliza são antiquados e - isso foi o que mais detestei - profundamente machistas.

    Mais interessante é o Anexo I, em que o autor relaciona a existência da arte dramática com a religião dionísica, em que o teatro seria uma festa e a festa seria a celebração religiosa.

    Um livro interessante, que peca muito pela sua data.

  • Out of Oz

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    Out of Oz
    Gregory Maguire
    2011
    Romance

    O quarto e último volume de "Wicked Years". Sinto que os dois últimos volumes existem apenas para dar contexto a este, que é significantemente melhor mas que ainda assim me desaponta.

    Desta vez temos mais uma geração, a filha verde de Liir, a quem deram o nome de Rain. Oz está em guerra, e esta guerra é o foco principal do livro. Já não interessa ao autor falar das mitologias de Oz, dos hábitos e da geografia. Interessa falar da guerra megalómana. E isso é muito pouco interessante, porque tem muito pouca magia.

    Também é estranho as personagens andarem de um canto para o outro do mundo tão rápido, demorando muito pouco tempo a chegar ao seu destino quando, nos livros anteriores, a distância era muito grande.

    O final desaponta, porque acabamos por não ter uma conclusão concreta para os acontecimentos, quase como um resumo que foi feito à pressa mas de forma muito verbosa.

    Assim, esta colecção vale sobretudo pelo seu primeiro volume.

  • The Green Knight

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    The Green Knight
    David Lowery
    2021
    Filme
    7 em 10

    Fomos ver este filme ao cinema, por recomendação de uma amiga que já o tinha visto no grande ecrã.

    Baseado num poema de cavalaria, este filme conta a história de Sir Gaiwan, um jovem que gosta de aproveitar as coisas da vida que é desafiado por um misterioso cavaleiro verde para um jogo: se ele o vencer em duelo, poderá ficar com a sua arma e ter grandes riquezas. No entanto, no Natal seguinte, terá de o visitar na Capela Verde, onde o cavaleiro verde devolverá o golpe que recebeu, seja um arranhão ou uma ferida no coração. Ora.... Sir Gaiwan corta-lhe a cabeça. E agora?

    Seguimos este jovem, que ainda nem sequer é um cavaleiro a sério, numa viagem de 6 noites pelos campos verdejantes de Inglaterra. Durante a viagem, ele perderá muitas coisas, materiais e não, e encontrará fantasmas, figuras estranhas e pessoas com discursos bizarros. Este filme é pleno de simbolismo pagão e, confesso, houve muitas coisas que não consegui compreender. No entanto, penso que a ideia geral é que para obter um crescimento completo e a glória, devemos livrar-nos dos pesos do passado e enfrentar o destino de forma sincera e nua.

    A conclusão é fantástica, embora estranha, e os vários símbolos reforçam esta minha ideia. Em termos cinematográficos temos paisagens fantásticas, numa mistura do real com o digital, embora os animais digitais não estejam tão bons como gostaria. Os efeitos práticos também são surpreendentes, assim como as referências arquitectónicas.

    Um filme de fantasia perfeito, que só poderia melhorar se os efeitos digitais fossem, por vezes, menos evidentes.

  • 91ª Feira do Livro de Lisboa

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    91ª Feira do Livro de Lisboa
    2021
    Feira

    Como já é hábito, lá me fui perder no meio dos livros. Desta vez com extra-dor nas unhas dos pés, porque subimos a Avenida da Liberdade a pé desde o Cais do Sodré (e depois descemos, ao contrário).

    Talvez por causa da pandemia, as entradas estavam limitadas e, por isso, havia uma fila que quase dava a volta ao parque. Felizmente andou bem rápido e logo entrámos. Rapidamente descobri a razão da fila: estava lá uma rapariga chamada Joana Criativa (ou algo assim) que escreveu um livro chamado "Guia para uma Adolescente em Pânico" (ou algo assim) e estava uma MULTIDÃO de crianças com o livro nas mãos para receber o autógrafo. Nenhum adolescente e penso que a tal Criativa deva ter a minha idade. Mas bom para ela, ter um mar de criancinhas a comprar o seu livro! Wow!

    Desta vez decidimos entrar na Feira pelo lado oposto, isto é, pelas bancas C. Foi bom, porque assim fugi aos alfarrabistas e vi livros mais interessantes. Só comprei dois: "A Guerra dos Mundos", de H.G.Wells (5€!) e um pulp tão horroroso que tive de o ter: "O Estripador de Lisboa". Também só custava 50 cêntimos.

    Talvez por ser o último dia, a zona das comidas estava muito cheia. Comi um churro com oreo, que estava muito bom, e bebemos uma cerveja, mas até achar lugar para sentar foi um filme. A variedade de comidas também era muita este ano, e diferente dos usuais hamburgueres no pão. Mas nós fomos comer ao Burger King, que é ao lado.

    Fiquei satisfeita com esta feira, porque não comprei livros demais!

  • Feira Internacional de Artesanato 2021

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    Feira Internacional de Artesanato
    2021
    Feira

    Ganhei bilhetes num giveaway, então fomos à FIA. 

    Já não ia há imensos anos e fiquei espantada por estar tão pequenina. Era no pavilhão 3 da FIL, não um dos maiores, e tinha muito poucas bancas. A maioria das bancas tinham objectos tradicionais em madeira e aquelas coisas horrorosas para bebés horríveis. No entanto, havia também alguns artesãos com peças muito interessantes, como a Lã do Burel, jogos de tabuleiro tradicionais e marionetas.

    A zona internacional desapontou-me bastante, porque era essencialmente Marrocos, Índia, e a Etiópia ali bastante solitária. Tinham quase todas as mesmas coisas, tapetes e chinelinhos. Ainda comprei um lenço de caxemira para os anos da minha avó, o que foi muito bom!

    Comprei também uma tote bag à menina que me deu os bilhetes, a Mia Project, que tinha a Luna e o Artémis, de Sailor Moon. Era a única banca com coisas moderadamente geeks, e realmente era muito original.

    Em termos de comidas, só havia umas quatro coisas, todas com sandes de presunto e queijo da serra. As instalações para as pessoas comerem eram muito pequenas e estava tudo amontoado.

    Ainda assim, foi divertido passar por lá e ver o que os artesãos andam a fazer neste tempo de confinamento!

  • Festa do Avante! 2021

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    Festa do Avante!
    2021
    Festa

    Beeeem..... Há quantos anos é que eu não ia ao Avante? Muitos! E desta vez foi uma experiência totalmente distinta, porque pela primeira vez... Vi as coisas!

    O espaço do Avante está maior, melhor organizado, com medidas de protecção para a pandemia que estavam exemplares. Cadeiras para todos, casas de banho impecáveis. Com papel higiénico e tudo! Viam o certificado à porta, embora não fosse muito certo, porque... Seguranças Militantes vão sempre militar.

    Então falemos primeiro de Sábado! Como eu trabalhava nesse dia de manhã decidimos ir só nos últimos dois dias, sendo que cedemos as nossas EPs a uns amigos que só iam na sexta. À chegada, após grande caminhada pelas arcadas inclinadas, fomos de imediato para o palco principal onde, à sua beira, vimos GDM, um rapper brasileiro que na fotografia parecia grande mangas. Apesar disso, cantava sobre coisas bem bonitas, com beats bastante clássicos e rimas muito interessantes e motivadoras. Tinhamos planos para depois ver um outro concerto, mas acabámos por desistir porque já andávamos por lá a passear. Então ficámos no Lago, que ainda existe, e fui totalmente picada por bichos até me tornar num passador humano.

    Mais à noite, fomos para o ex-palco-do-lago, agora noutro local e fora da tenda maléfica que o caracterizava, para ver Maria João e Buddha Power Blues. Mantivemo-nos fora da festa que estava lá em baixo, mas pudemos ouvir o concerto perfeitamente e foi óptimo. Maria João é uma das maiores performers de jazz do nosso tempo e foi um prazer poder ouvi-la ao vivo pela primeira vez! Depois ficámos a ver uma DJ que mixava kuduru com algo progressivo e reparámos que estava a haver uma rave gigantesca junto ao palco, contra todas as expectativas de protecção contra o covídeo... Bem, quem dança seus males espanta, é assim?

    Entretanto fomos à procura de comida e eu converti-me numa barriguda porque comi não um, nem dois, mas três hamborguesas. Estavam muito boas!

    Passemos a Domingo! Tentámos ir um pouco mais cedo e, mais uma vez, fomos para a lateral do palco principal, desta feita para ver Brigada Victor Jarra com Zeca Medeiros. Foi um concerto muito interessante, com músicas tradicionais tocadas de forma muito pouco ortodoxa. Amei bater palmas e cantar com o "Põe aqui o teu pezinho devagar devagarinho...!"

    No entretempo, pois só havia mais um concerto que queríamos ver (já lá vamos) fomos ver a Bienal de Arte do Avante, que tinha pinturas muito interessantes. Podiamos comprá-las e até havia uma, que se parecia um pouco com neutrófilos corados com azul de metileno, que eu tinha dinheiro para adquirir. Mas lá ficou e é menos arte que tenho em casa. Havia também uma pintura muito otaka, com uma school girl japonesa a atravessar a rua! Ri muito! Fomos também ao Espaço Ciência, que não tinha graça nenhuma. Era só uma sucessão de grandes comunistas famosos, que estudaram. Estranho que incluiram coisas como literatura neste espaço. Depois passámos à Feira do Disco e Feira do Livro, que tinham objectos interessantes, mas bastante caros para a minha carteira.

    Finalmente, fomos ver Linda Martini, que nos apresentou um concerto recheado de novos sons que eu não conhecia. No caminho ainda dancei a Carvalhesa, fiquei mesmo contente! Enfim, Linda Martini é uma banda que eu gosto bastante, mas o som pesado, sentados nas cadeirinhas, começou a dar-me a volta a cabeça e decidi sair. Fomos para o Algarve e lá ficámos até ao fim da Festa!

    Enfim, foi muito divertido! Para o ano gostava de experimentar as comidas do mundo!

  • pink

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    pink
    Okazaki Kyoko
    Manga  - 20 Capítulos / 1 Volume
    1989
    6 em 10

    Este manga foi-me recomendado na Roleta da Geringonça.

    Ao início fiquei muito contente por poder ler este manga, Pink, porque parecia mesmo a minha onda. Papei todo à hora de almoço do trabalho.

    Se este manga aparece como uma espécie de crítica pessoal à rapariga "moderna", a gal que dedica o seu tempo ao aspecto e a coisas bizarras, a personagem que a autora escolheu para caracterizar as gals é tão oca, tão vazia e tão destituída de conteúdo que é impossível encontrar qualquer ponto de identificação com ela. Ela na verdade não ama, não gosta, não faz nada. Só faz porque pode. E porque pode, será que quer? Esta dicotomia também é uma crítica, mas é muito difícil de compreender uma personagem que não tem nada onde pegar.

    Achei curiosa também a "patada" que a autora dá aos escritores literários: afinal aquele rapaz não faz um livro, ele junta bocados de outros e acaba por ganhar o prémio. No fundo, é uma maneira muito ácida e picante de dizer ao mundo que a grande cidade está toda ao contrário.

    Apesar de tudo isso, aliado à transparência de Yumi, a autora usa referências sexuais estranhas e perturbadoras, que não parecem corresponder a uma realidade física. 

    Assim, todo o manga passa como se nada estivesse a acontecer, como se tudo fosse um género de fantasia. O recurso do crocodilo perde-se no vazio de Yumi. 

    Apesar de ser um manga muito curioso pelos temas que apresenta, a forma como está construído dá-lhe a montra final de 6/10. Obrigada!

  • A Lion among Men

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    A Lion among Men
    Gregory Maguire
    2008
    Romance

    Este foi sem dúvida o livro que mais me desapontou da série "Wicked Years", que agora terminei.

    Este volume fala de Brrr, o Leão Cobarde, que agora é funcionário público em busca de um livro misterioso. Conta-nos o seu passado, desde que ele se recorda, as aventuras que teve e que lhe deram o ápodo de cobarde. E isto é, simplesmente, muito estranho.

    Porque este leão é humano. 

    É certo que ele é um Leão, isto é, um leão que fala. Mas mesmo assim os seus comportamentos não são de animais. Nesta narrativa ele perde as suas características físicas animais, como os sentidos apurados, a força bruta, tudo o resto, apenas se lembrando delas ocasionalmente.

    Para além disso, existe uma perturbadora cena de sexo entre felinos de grande porte.

    A trama política adensa-se e começa a tornar-se extremamente desagradável. Porque, como toda a fantasia, tudo culmina em guerra megalómana. Qual a necessidade disto?

  • O Discípulo

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    O Discípulo
    Chaitanya Tamhane
    2020
    Filme
    7 em 10

    Quando vi o trailer deste filme achei que seria uma história de superação artística, um coming of age daqueles que me emociona. Afinal, foi bastante diferente, mas mesmo assim é um filme com uma qualidade delicada e memorável.

    Um rapaz, educado no seio da música tradicional indiana, segue os ensinamentos de uma misteriosa mestra e procura obter sucesso musical através do seu canto e do toque da sua cítara. Tem uma relação muito forte com o seu mestre directo, que aprendeu com a tal senhora misteriosa, mas nem tudo corre conforme ele espera. Afinal, qual é o seu verdadeiro talento?

    Em vez de uma história de superação, este filme forma raízes num realismo muito profundo, em que os sonhos nem sempre se tornam realidade. O personagem principal vem a revelar-se como o discípulo ideal, não aquele que consegue o sucesso mas aquele que mantém vivo o legado dos seus mestres. Assim, é um filme agridoce e melancólico, que obriga o espectador a vergar-se àquilo que é real.

    De resto, a música é maravilhosa, embora para mim seja difícil compreender quais os artistas mais talentosos do grupo, porque não conheço as "ragas" que são tocadas. É uma grande lição sobre este tipo de música!

    Recomendo!

  • Wanpaku Ouji no Orochi Taiji

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    Wanpaku Ouji no Orochi Taiji
    Serikawa Yuugo - Toei Animation
    Anime - Filme
    1963
    7 em 10

    Este filme foi-me recomendado na Roleta da Geringonça e penso que é o anime mais antigo que vi até agora (em termos de longa metragem)

    Wanpaku Ouji no Orochi Taiji é um clássico que me falhou, e foi uma óptima recomendação! 

    Fiquei absolutamente abismada com a arte, com a forma como utilizaram as cores e os cenários, como com quão tão pouco conseguiram fazer algo tão impressionante! Foi um verdadeiro regalo visual e foi óptimo termos visto na tv grande.

    Agora, relativamente ao resto, gostei bastante da forma como misturaram os vários mitos e lendas do Japão para tornar uma história coesa. No entanto, o personagem principal nunca sai do mesmo, continua sempre a recorrer à violência para resolver os seus problemas, mesmo quando todos lhe dizem que não é assim que se faz. Pensei que se fosse redimir na luta final, tendo de utilizar a cabeça para a resolver, mas não, foi tudo à base de força bruta. Nesse aspecto acho que a narrativa foi pelo caminho fácil.

     Foi uma óptima recomendação e a montra final é 7/10 :>

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