Archive for domingo, dezembro 14
Canaan
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Canaan
Ando Masahiro - Lantis
Anime - 13 Episódios
2009
6 em 10
Canaã é o nome de uma terra bíblica. Mas este anime não tem nada sobre a bíblia. Na verdade, Canaan é o nome de uma rapariga. Uma rapariga com poderes especiais que trabalha para uma organização. Quando conhece novas pessoas e faz amigos, acaba lutando contra uma antagonista homónima que lidera uma organização terrorista.
Este é um anime seinen, que toca assuntos mais maduros e complexos. Fala sobre a morte e o ataque às instituições de poder, acompanhando esses temas com muitas cenas de acção, com muitos tiros e muitos pontapés fornecidos por raparigas em roupas justas (mas nada de atrevido). É uma história simples, que envolve uma certa dose de fantasia, mas que é interessante o suficiente para nos manter atentos ao seu decorrer.
As personagens estão definidas pelos seus poderes especiais, que variam entre uma voz de ultrasons e dois apêndices (uma coisa bastante chata e inútil, digo eu). Achei muito interessante a história dessa rapariga da voz, pois ela não podia falar e o seu destino final foi bastante comovente. Quanto aos personagens principais, Canaan tem muito pouco que se lhe diga. Maria dá um toque de inocência à história, mas a sua personalidade infantil retira muito do realismo que a produção gostaria de ter. Temos também uma jovem psicopata, mas cujas acções contribuem muito pouco para o desenrolar da narrativa e que poderia ter sido eliminada facilmente.
Como disse, este anime está recheado de cenas de luta, das mais variadas formas. Para isso, esperaríamos um orçamento muito elevado para elas, o que não acontece. As coreografias estão bem feitas, ainda que simplificadas nos movimentos, mas - no geral - pareceu-me que uma animação mais espectacular teria ajudado a melhorar a qualidade global.
Musicalmente, temos uma OP e ED que colocam um tom grave em todo o anime. A música pop recorrente no táxi foi um bom toque de humor. De resto, não temos nada de extraordinário na banda sonora.
Foi um anime simpático para ver ao longo do dia de hoje, mas não o recomendaria. Com o mesmo tema, creio que no passado se produziram melhores histórias.
By : ladyxzeus
A Arte da Caligrfia Japonesa
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Trata-se de uma exposição com vários textos escritos em Japonês, com técnicas da caligrafia tradicional aplicadas. Os textos variam, existindo muitas coisas diferente, desde haiku a citações de Confúcio. E cada texto é único em si mesmo, pois cada um está escrito (ou será desenhado) de forma própria, sob um fundo de tecido relacionado com o tema. Isto tem resultados que são de grande beleza e que chegam a emocionar. Houve um que gostei especialmente: não me lembro o que estava escrito, mas eram caracteres curtos, duros, rudes, num fundo inteiramente branco, sem qualquer tipo de textura distintiva. Com esse, senti até um arrepio, aquele arrepio que se sente quando se vêem grandes obras de arte.
A entrada é gratuita e a exposição está patente até dia 28 de Dezembro, pelo que se tiverem oportunidade façam o favor de a ir visitar. Eu irei de novo assim que puder, até porque fiquei com vontade de comprar o catálogo, para ficar com as traduções dos textos e poder lê-las com mais cuidado. Ora aí está uma prenda de Natal gira para me oferecerem :)
A Arte da Caligrafia Japonesa
Exposição
Correndo contra o tempo, de Almada até Lisboa, consegui ir ter com a Ana-san e a Mafalda-san à Gulbenkian para vermos esta exposição.
Infelizmente, chegámos um pouco tarde e faltavam apenas dez minutos para o seu encerramento (não definitivo, apenas para o dia), pelo que apenas conseguimos ver metade das coisas expostas. Terei de ver a outra metade numa outra ocasião, que certamente se proporcionará.
Ora, o que é isto? Citemos o site da Gulbenkian:
Obras-primas da caligrafia japonesa contemporânea vão estar reunidas em Portugal a partir do dia 10 de outubro e até 28 de dezembro, numa mostra organizada pela Academia de Arte Caligráfica do Japão, em parceria com a Embaixada do Japão e a Fundação Calouste Gulbenkian. A exposição, apresentada na Sala de Exposições Temporárias da Sede da Fundação (piso 01), é composta por cerca de uma centena de obras maiores dos mais conhecidos calígrafos contemporâneos japoneses. Mais do que um gesto de escrita, a caligrafia tem sido desenvolvida, ao longo dos anos, como uma forma de arte criativa para expressar a profundidade e a beleza espiritual, fazendo parte integrante da história e do quotidiano do povo japonês
Trata-se de uma exposição com vários textos escritos em Japonês, com técnicas da caligrafia tradicional aplicadas. Os textos variam, existindo muitas coisas diferente, desde haiku a citações de Confúcio. E cada texto é único em si mesmo, pois cada um está escrito (ou será desenhado) de forma própria, sob um fundo de tecido relacionado com o tema. Isto tem resultados que são de grande beleza e que chegam a emocionar. Houve um que gostei especialmente: não me lembro o que estava escrito, mas eram caracteres curtos, duros, rudes, num fundo inteiramente branco, sem qualquer tipo de textura distintiva. Com esse, senti até um arrepio, aquele arrepio que se sente quando se vêem grandes obras de arte.
A entrada é gratuita e a exposição está patente até dia 28 de Dezembro, pelo que se tiverem oportunidade façam o favor de a ir visitar. Eu irei de novo assim que puder, até porque fiquei com vontade de comprar o catálogo, para ficar com as traduções dos textos e poder lê-las com mais cuidado. Ora aí está uma prenda de Natal gira para me oferecerem :)
By : ladyxzeus
Blue Jasmine
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Blue Jasmine
Woody Allen
Filme
2013
7 em 10
Será certamente conhecido de todos vós que eu não sou grande apreciadora da obra do Woody Allen. Pelo menos dos filmes onde ele aparece. Parece-me, a mim, que o senhor se transfere para todos os personagens e que todos eles são retratos dele próprio. Todos os seus personagens têm uma neurose própria e, no caso daqueles que são interpretados por si próprio, não têm a sua identidade: todos os personagens são Woody Allen e, assim, Woody Allen está sempre a fazer dele próprio. Nesta sua sequência de filmes sobre cidades, o autor encontra uma nova maneira de se expressar, que me parece muito mais única e muito mais original, pois faz uso de outros actores que, por sua vez, têm a sua própria forma de interpretar as psicoses do realizador. E neste filme, em que seguimos as tentativas de recuperação de uma mulher à beira de um ataque de qualquer coisa, parece-me que isso é, finalmente, conseguido.
Jasmine era muito, muito rica. Por sua própria mão, perde tudo o que tinha e viaja até São Francisco para tentar fazer uma vida nova, tendo como ponto de partida a casa da sua irmã - uma pessoa completamente diferente. No entanto, a nova vida na nova cidade colocará à prova a sua capacidade de adaptação. Enquanto isso, tem de lutar contra as constantes memórias e o sentimento de opressão e paranóia e tentar manter-se equilibrada.
Esta neurose é muito diferente daquilo que vemos nos outros filmes do autor. Desta vez, temos uma pessoa que está realmente à beira de perder completamente o controlo e que não está a conseguir encontrar-se e colocar um pouco de lógica na sua vida para que as coisas corram melhor. As situações em que se encontra também não ajudam. Rodeada de personagens únicos e que têm os seus motivos para a perturbarem de todas as formas, Jasmine é uma personagem perdida e desesperada. Coloca-se aqui então o trabalho da actriz, Cate Blanchett, que transmite este sentimento de forma perfeita, fazendo-nos ao mesmo tempo odiar e amar a personagem, ter pena dela e ao mesmo tempo tentar compreender como pode ser tão difícil mudar de vida. E na verdade é, pois a personagem está feita de forma a nunca ter conhecido nada para além de uma vida perfeita.
Apresenta-se, então, um filme extremamente negativo, apesar de ter o seu lado cómico dependendo das situações. A história tem tudo para terminar num bom tom, mas a vida não costuma ser assim e todas as coisas acontecem para que a personagem acabe num beco sem saída, numa nota extremamente trágica se olharmos para a sua situação final.
É também uma análise muito interessante à vida socialite das duas cidades, Nova York e São Francisco. Mostra também o lado mais normal, o das pessoas vulgares. Tudo isto recheado com bonitas imagens paisagísticas da cidade onde ocorre a acção. Será mais um filme publicitário?
Creio que Woody Allen, agora idoso, chegou a um ponto de maturidade em que consegue analisar os seus problemas de forma mais séria. Neste filme é-nos apresentado um Woody Allen que perdeu toda a esperança, mas que não perdeu a vontade de fazer rir as pessoas. Talvez seja a sua derradeira grande obra.
By : ladyxzeus