Archive for terça-feira, fevereiro 09
O Domador da Voz
O Domador da Voz
Ricardo Espírito Santo
2021
Documentário
6 em 10
Um amigo está na ficha técnica deste documentário da RTP, portanto aproveitámos que estava a dar para o vermos.
Sempre admirei João Villaret como declamador, mas não sabia que ele tinha tido tanto sucesso enquanto actor. Assim, foi muito interessante poder aprender sobre o seu percurso, de como começou sem que nenhum professor acreditasse nele, para se tornar uma estrela tão luminosa que tem um teatro com o seu próprio nome.
O filme é simples, por vezes com uma edição um pouco infantil, quase como um power point, e com alguns detalhes que são deixados de fora. Por exemplo, quando dizem que ele era um excelente imitador, fez falta ver alguma das suas imitações como contra prova.
De resto, é um filme que cria a curiosidade sobre a personagem e que dá vontade de ver mais da sua obra.
Disenchantment Season 3
Disenchantment Season 3
Matt Groening
2021
Animação
Num instante comemos com molho a terceira parte (season?) de Disenchantment. Acompanhando Bean, Elfo e Lucy nas suas aventuras pelos diversos países deste universo maluco, ficamos a conhecer novos personagens e a conhecer novas facetas dos antigos.
Interessante ver o desenvolvimento de Steamland, porque não há muitas séries com o tema steampunk. Interessante também ver como os autores exploram a sexualidade, de forma divertida e inocente, demonstrando que ela existe de todas as maneiras, neste mundo e no outro.
Nesta season houve maior influência de animação CGI, que nem sempre foi discreta, o que pode ser um defeito.
De resto, aguardamos ansiosamente pela próxima parte.
Fate/stay night: Unlimited Blade Works 2nd Season
Fate/stay night: Unlimited Blade Works 2nd Season
Iwakami Atsuhiro - ufotable
Anime - 13 Episódios
2015
6 em 10
Se ao início esta segunda season parecia promissora, o final tornou-a em apenas mais um shounenesco do género dos shounenescos.
Saber está prisioneira, os espíritos heróicos lutam uns contra os outros, e desta feita sofrem até um bom desenvolvimento, em termos emocionais e narrativos. No entanto, o facto de o menino de sempre se envolver nas lutas e de as resolver, essencialmente, à chapada, torna tudo um pouco idiótico.
A animação não está má, embora a estrutura das lutas (resolver à chapada) a possa tornar um pouco aborrecida.
Enfim, um anime que certamente agradará aos fãs da saga, mas que me chateou pela sua vulgaridade.
New Battles Without Honor or Humanity
Kinji Fukasaku
1974
Filme
6 em 10
Depois do primeiro filme desta pentalogia, parece lógico vermos o segundo, que foi o que fizemos. Este filme não tem qualquer relação com o anterior, excepto que trata do mesmo universo yakuza, do mesmo gangue.
Um yakuza esteve preso durante uma série de anos para se descobrir liberto e sem um objectivo definido. Se por um lado lhe agrada a ideia de se reformar, pois não há um lugar para ele, constantemente surge a pressão para que ele assassine um opositor do chefe principal. Nesta dicotomia encontramos o personagem, que se mantém sempre fiel a si próprio, através do seu próprio código de honra, não permitindo que o enganem e não se permitindo a perder o lugar nesta sociedade selvagem.
O filme tem um ritmo frenético, por vezes tornando o filme difícil de compreender, porque os personagens estão caracterizados de forma semelhante, assim como no filme anterior. É um filme de acção puro, em que os dilemas pessoais são deixados para trás para serem substituídos por uma série de tiros, que nem sempre atingem o alvo.
Violento, é também um filme divertido. Espero que possamos ver os seguintes.
A Biblioteca à Noite
A Biblioteca à Noite
Alberto Manguel
2006
Não-Ficção
Recebi este livro através do BookCrossing. É um livro precioso. Neste volume, Alberto Mangel fala-nos da história das bibliotecas, no mundo e no espaço-tempo. Leva-nos numa viagem aos lugares mais escondidos e interessantes destes paraísos livrescos, falando sobretudo dos dilemas da organização e dos significados presentes e passados destes lugares.
Com exemplos luminosos e histórias castiças, o autor mostra-nos a importância da biblioteca enquanto espaço, físico e emocional, e quantas vezes as bibliotecas salvaram vidas (ou, por outro lado, as atormentaram com os desígnios da sua infinitude).
Talvez o livro esteja um pouco desactualizado no aspecto relativo ao livro digital, a biblioteca digital, que como sabemos agora – 2021 – é uma potência crescente, útil, inacabável e plenamente acessível por todos. Penso que o autor ainda terá o vício dos livros físicos, sempre amados e nunca substituíveis, mas hoje em dia relativizados em relação ao infinito da internet.
De resto, um livro muito bem escrito que nos leva até à fantasia da realidade: a biblioteca enquanto lugar de amor.

