Archive for segunda-feira, setembro 23

  • Uzumaki

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    Uzumaki
    Junji Ito
    Manga - 19 Capítulos/3 Volumes
    1998
    6 em 10
    O primeiro livro que leio do mestre do terror, no universo do manga japonês.

    Uma certa cidade começa a receber fenómenos muito estranhos. As pessoas começam a ficar fascinadas com espirais. E começam a transformar-se em espirais. O que significa a espiral? Qual o motivo da obsessão com ela? São tudo perguntas sem resposta, mas isso não é o mais importante.
     
    O manga é impressionante, aterrorizante, absurdo. A estética é grotesca e as situações são cada vez mais desesperadas, o que torna a narrativa muito perturbadora e, atrevo-me a dizer, assustadora.
     
    Uma história original e arrepiante.

  • Almanaque Steampunk 2017

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    Almanaque Steampunk 2017
    Vários
    2017
    Vários
    Comprei o último Almanaque Steampunk porque achei que este ano queria também participar. Assim, era forma de ficar a conhecer um pouco melhor o universo e entrar numa espécie de imersão.

    Nota-se que este volume foi feito com toda a boa vontade da Liga Steampunk de Lisboa. Temos várias secções: notícias, contos, anúncios, ilustrações, poemas... No entanto, o processo editorial parece ter sido atribulado, pois existem diversos erros de tipografia e de formatação, que tornam a leitura um pouco desagradável.

    Também houve a estranha opção de inserirem na colecção contos que estão incompletos ou que foram cortados, certamente para poupar espaço.

    A qualidade do material é muito variada, entre coisas muito divertidas e outras de qualidade algo duvidosa. Nota-se que existe muito amadorismo, mas acho que isso faz parte do charme.

    Peço apenas que não façam de todas as mulheres do steampunk ruivas de olhos claros com corpetes castanhos e óculos por cima de um chapéu. Um pouco vulgar.
  • An Electric Sheep Jumps to the Greener Pasture

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    An Electric Sheep Jumps to the Greener Pasture
    Tyler Atwood
    2014
    Poesia
    Um livro de poemas que recebi através do BookCrossing.

    Há muito tempo que não lia poesia e este encheu-me as medidas. Penso que é o livro de poesia mais recente que li até agora, apesar de já ter cinco anos, e nota-se pelo conteúdo. Dotado de uma modernidade acutilante, cada poema fala-nos do âmago do autor, das suas dúvidas relativamente a si próprio e ao mundo. E isto de uma maneira plena de humor e ironia, que torna cada poema único e unicamente só.

    Existem referências ao passado próximo, isto é, ao passado da infância do autor que não é assim tão remota. Outros falam do presente, sempre actualizado, com referências ao mundo digital e àquilo que as pessoas fazem dele. Ainda outros falam do futuro e de como este é pessimista, tecnológico e pleno de brutalismo.

    Gostei imenso deste livro e gostaria de o recomendar a todos.
  • O Elo Invisível

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    O Elo Invisível
    Patrícia Maia Noronha
    2019
    Contos

    Conheci a Patrícia num pequeno curso de Escrita Narrativa, ministrada por Rafael Dionísio, em que criámos um conto baseados numa série de exercícios. Mais tarde publicados sob forma de uma zine (“Não Metas um Poeta Dentro de Água”), eram contos sobre a vida normal das pessoas e sobre o que as pessoas têm a dizer sobre as suas próprias vidas. Patrícia escreveu um conto sobre um pintor e a sua idosa estudante, que agora se encontra neste volume de contos fantástico: “O Elo Invisível”.

    Movidos por uma força interna e visceral, estes contos mostram de tudo o pior que cada pessoa tem dentro de si, como espirais desconcentradas que caminham para o âmago das personagens. Patrícia Maia Noronha conta-nos uma série de episódios de pessoas normais, pessoas que estão ligadas por um fino fio de lã, esse elo vermelho que nos liga a todos uns aos outros.

    Mas essas pessoas, as personagens destes contos, dentro de toda a sua normalidade, dentro do seu dia a dia que se move regularmente, têm dentro de si um pequeno monstro que vai crescendo com o desenvolvimento dos contos, revelando-nos situações tragicamente dolorosas. Ainda assim com uma pitada de humor que quase nos aterroriza, perante a estranheza.

    Este é um volume de uma nova autora ao qual devemos dar alguma atenção. Recomendo que se o encontrarem, em feira ou em loja, o levem para casa. Para ficarem a conhecer todas estas pessoas que podiam ser como nós.
  • A Nossa Alegria Chegou

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    A Nossa Alegria Chegou
    Alexandra Lucas Coelho
    2018
    Romance 

    Um romance algo estranho que me chegou através do Bookcrossing.

    Num país inventado, de águas claras e belas praias, todos trabalham para os matadouros de um certo autoproclamado Rei. Três jovens amigos, com uma relação de sexualidade um pouco estranha, decidem mudar um pouco o rumo das coisas. A isto assistem dois turistas, que vieram fazer os últimos rituais funerários do seu pai e marido.

    Se a ideia é bastante boa, e a autora se esforça por inventar frutas, plantas e animais, até uma língua exclusiva deste país bizarro, existem alguns elementos que são me causaram uma certa estranheza. A relação entre os três amigos, muito ligada a uma sexualidade evidente e que me deixa um pouco desconfortável, é estranha e improvável, assim como o desenlace da história. A mistura da tecnologia com a tradição não corresponde muito bem ao que esperávamos, sendo que parece estranho como um país tão pouco evoluído tem tantas coisas especialmente modernas.

    Também é incompreensível o envolvimento do empresário asiático, que recebe um fundo para a sua personagem mas que no fundo só está ali para que o desenlace possa acontecer.

    Todo este livro é muito esquisito e, por isso, não tenho a certeza se gostei ou não.

  • Os Sete Samurais

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    Os Sete Samurais
    Akira Kurosawa
    1954
    Filme
    9 em 10
    Faltava-me ver este clássico do cinema mundial. Ainda bem que o vi, pois foi uma experiência brilhante!

    Uma aldeia no Japão feudal vive atormentada pela chegada de bandidos que vêm regularmente roubar as suas colheitas. Decidem contratar um samurai para os proteger, mas não têm como pagar. No entanto, reúnem sete samurais bem intencionados, que nada mais desejam senão proteger os camponeses a troco da sua honra.

    Cada personagem é única e cada uma tem um papel muito definido na história. A própria aldeia, com os seus camponeses, é uma personagem única. Temos momentos terrivelmente trágicos, mas também temos momentos de pura candura, humor e paixão arrebatada. É uma história completa, triste na sua conclusão e também muito revelador da própria natureza humana.

    As imagens são lindíssimas, de cortar a respiração. O olho do realizador mostra-nos uma natureza luxuriante e em fúria, tão brilhante quanto o preto e branco o permite. A montagem de cada cena é pensada ao mínimo detalhe, na estrutura e na forma. Temos uso de técnicas absolutamente revolucionárias na história do cinema. Já em 54 Kurosawa nos mostrava a luz do sol através da sua lente.

    Um filme maravilhoso, que me levou às lágrimas - de tristeza e também de alegria. Mas, como diz o velho samurai "no final perdemos nós". Espero que este filme nunca se perca.
  • Kingdom 2nd Season

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    Kingdom 2nd Season
    Iwanaga Akira - Studio Pierrot
    Anime - 39 Episódios
    2013
    5 em 10
    A segunda season de Kingdom pega exactamente onde a primeira nos deixou. Assistimos à guerra entre clãs chineses, observando as suas estratégias.

    Este é um anime de guerra que se foca bastante no tema da "arte", isto é, como concretizar batalhas de forma a ter uma elevada taxa de sucesso. Não gostei que disfarçassem grande parte delas sob uma máscara de justiça e moral: como sabemos, as guerras da época eram sangrentas e muitas vezes egoístas. As estratégias propostas são também um pouco difíceis de entender, assim como a motivação dos personagens, porque há muita gente envolvida e torna-se tudo um pouco confuso, na medida do seguimento da história.

    A animação é bastante fraca, sendo que os designs com traços fortes nem sempre funcionam, sobretudo nas poucas cenas mais delicadas. As cenas de batalha são confusas e nada claras, sendo que é difícil perceber quem está de que lado do muro.

    Musicalmente, a OP não corresponde em nada ao tema e o resto da banda sonora não se dá por ela.

    Uma boa ideia, mas mal concretizada.
  • Bizarra Locomotiva

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    Bizarra Locomotiva
    Concerto
    Fomos à Feira de Corroios. Entre muitas coisas, em que comi churros e joguei em rifas, vimos esta banda clássica do industrial. Vou agora falar um pouco sobre isso.

    Com um som violento, esforçando-se por arrancar a alma tanto do público como dos performers, em gritos e riffs de guitarra acessórios, a banda apresenta-nos um conjunto de temas com significados difíceis de entender.

    O screamo patente em quase todas as músicas, intercalado com algum spoken word (nada de mais) tornou o concerto divertido, porque não percebi nada, mas também algo estranho, porque dava vontade de abanar a cabeça e gritar ao mesmo tempo.

    O concerto sucedeu-se sem interrupções, sem conversas e sem interacções pela fala, mas com uma atitude muito disponível do vocalista, que muitas vezes saltava para o meio do público e agarrava nas pessoas. Chegou mesmo a levar uma criança aos ombros, uma criança metaleira, claro.

    Foi um concerto curioso que me deixou com vontade de ouvir mais desta banda.
  • Claymore

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    Claymore
    Yagi Norihiro
    Manga - 159 Capítulos/27 Volumes
    2001-2014
    7 em 10
    Desde que vi o anime de Claymore que queria muito fazer cosplay da Clare. Então, para saber a história completa e ter mais sumo na minha personagem, fui ler o manga. Surpreendentemente, já não quero fazer cosplay da Clare. Agora quero fazer cosplay da Cynthia ou da Tabitha... Com outro fato, com outro design. Enfim, coisas que mudam. :)

    Este universo, em que se passa o manga, é assombrado por criaturas carnívoras, os Yoma, com especial gosto pelas entranhas humanas. Para lutar contra elas, existem as Claymore, guerreiras de cabelo claro e olhos prateados. Seguimos a história de Clare, a claymore mais fraca, e de um conjunto de outras guerreiras enquanto elas lutam para salvar as suas próprias vidas e o mundo em que vivem de criaturas ainda mais poderosas que os Yoma: as Criaturas Despertas.

    A história é emocionante, dirigindo-se para uma conclusão muito bela, com muitas cenas de acção em que estas guerreiras, todas diferentes mas todas iguais, defrontam monstros cada vez mais complexos, fortes e aterrorizantes. À medida que vamos conhecendo cada uma delas e os seus percursos, ficamos tocados pelo que lhes aconteceu e pela união que demonstram com as suas companheiras.

    Os designs são fascinantes: cada guerreira tem o seu próprio estilo, que nem sempre reflecte a sua personalidade, e os monstros são muito detalhados, demonstrando grande originalidade na sua concepção e mostrando um pouco das características da pessoa que foram originalmente. Temos uma arte clara, sem grandes cenários, em que o foco é sobretudo colocado na acção que, muitas vezes, é brutalizante.

    Foi um manga longo mas que me deu muito gosto ler!
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