Archive for quinta-feira, novembro 24
Dream Girls
Dream Girls
Kim Longinotto
1994
Documentário
6 em 10
Depois de me ter fascinado por Kageki Shoujo!! sugeriram-me este documentário sobre as artistas Takarazuka reais. O documentário não me podia ter impressionado mais, até me causou uma certa indisposição.
A tradição mantém-se tal e qual como no anime, e isso não era novo, mas o que me chocou foi o final da carreira destas meninas. Elas estão dez anos livres, a cantar e a dançar, a serem o que quiserem, para aos 25 anos serem expulsas e obrigadas ao casamento.
Fiquei também a compreender um pouco melhor a fantasia oferecida por este tipo de teatro, que é realmente uma coisa mesmo bonita. A fantasia de que há homens diferentes dos do Japão, homens cuidadosos, que pensam nos sentimentos femininos. Mas uma fantasia à custa do sonho de um conjunto de raparigas que, no final, ficam sem saber o que hão-de fazer, e o que lhes reserva o destino.
Isto chocou-me profundamente e, por isso, acho que já não tenho vontade de ver isto ao vivo.
Conversas à Quinta Feira
Conversas à Quinta Feira
Luís Machado
1997
Entrevistas
Um livro de entrevistas que estava literalmente cheio de bolor. As entrevistas em sim, também com um pouco de bolor.
Houve alguns entrevistados que gostei muito de ler, nomeadamente o Saramago, o Eusébio e o Álvaro Cunhal. Pelo menos foram os que me pareceram mais sinceros e com um discurso mais lógico. Todos os políticos, quase todos envolvidos com o PSD e governo Cavaco, tinham opiniões que hoje em dia seriam muito disruptivas, sobre assuntos tão variados como o aborto e o transsexualismo.
Achei bizarro que em todas as entrevistas se perguntasse sobre os Amoreiras e o CCB, como grandes monstruosidades arquitectónicas de que ninguém gosta. Soubessem eles que já há monstros maiores.
Foi uma leitura interessante, desafiante por causa do bolor, mas é mais um objecto histórico do que outra coisa.
Horns
Horns
Alexandre Aja
2013
Filme
5 em 10
Já tinha lido o livro, por isso estava numa grande expectativa para este filme. Ora, se o livro é puro terror, este filme acaba por ser um policial com um misto de fantasia.
O filme retira detalhes muito importantes do livro, nomeadamente toda a caracterização de Lee. Devido a isso, o facto do crime ser tão pavoroso não passa bem para o espectador, e torna-se tudo bastante previsível.
Também o final diferente me chateou bastante, porque o pavor que era transmitido pelo livro não passou através do filme, e acabou por ser um final feliz mas meio agridoce.
De resto, não há mais nada de especial, nem os actores estão muito bem.
Passemos ao próximo.
Heavy Metal
Heavy Metal
Gerald Potterton
1989
Animação
6 em 10
Uma sequência de curtas de animação baseadas em comics da revista de mesmo nome, todas sobre o tema de uma bola verde que é a fonte de todo o mal.
Cada animação tem as suas características, sendo algumas de qualidade superior às outras, mas no fundo o que realmente gostei foi como todas juntas se manifestam numa conclusão cheia de esperança e fantasia. São histórias fantásticas, misturando também com ficção científica, muitas vezes violentas mas outras vezes engraçadas, e quase todas elas com figuras femininas inúteis e provocadoras.
Talvez o foco principal deste filme seja a variedade musical, que realmente é muito "Heavy Metal".
Foi realmente um gosto ver este clássico do início ao fim, e recomendo.
Lisboa Games Week 2022
Lisboa Games Week 2022
Evento
Como alguns saberão acabei por não ir nem ao Aniaki nem ao Iberanime OPO por motivos de saúde e, por isso, tinha dois skitinhos prontinhos a usar. Então aguardei pacientemente pelo concurso de skits do LGW e, apesar de terem demorado a anunciar, lá me inscrevi para ir A Caminho de Veridian com o meu Rapidash.
Ora, estava eu preparadíssima para me apresentar lá com o meu Helper às 8 da manhã quando, às 00:40 recebo um e-mail a dizer que não há helpers para ninguém. "Por motivos de espaço" teria de ir sozinha para um concurso, o que é uma coisa complicada, pois estou bastante dependente do meu acompanhante para coisas básicas, desde obter água até carregar o meu telemóvel. Por isso tirei tão poucas fotos, e nenhuma no backstage, porque estava sem nada excepto o meu fato e a minha peruca e o meu corno. Passado alguns momentos, às 1:25 recebi uma mensagem no meu telefone a dizer que afinal era só para estar lá às 9 e que não era obrigatório ensaiar. Portanto, apresentei-me no evento ao meio dia e pronto.
À chegada informa-me um segurança que a entrada é do lado oposto, quase ao pé do Campus da Justiça, pelo que fiz uma corrida a cantar o meu skit até lá. Na entrada propriamente dita, vem uma menina da organização buscar-me, e reparo que o desespero já está patente na sua pálida face. Tem de me levar rapidamente porque de seguida terá de ir em busca da segurança para expulsar um Ghostface que andava a assustar as pessoas, causando um ataque de asma a uma menina nervosa.
A toda a velocidade, visto-me e - com ajuda dessa mesma menina organizacional - concluo que engordei NOS SUVACOS e que o fato não fecha nas costas. Felizmente tenho uma estola toda em pêlo para tapar o defeito, ninguém reparou por isso não existe. De seguida chamam-me para as fotografias, que correram optimamente e ficaram simplesmente giríssimas. Aguardo ansiosamente o seu envio.
Não há muito para fazer quando não se tem helper, portanto assim que nos disseram para descer lá fui eu. Conversa puxa conversa, descubro que há pessoas que me conhecem e que eu não conheço, o que me enche de vergonha. Estamos todos lá atrás a rir, a chorar, com bem ou mal estar, e a canção está no ar e eu canto "na cabanaaa junto à praiaa", porque já vai uma hora passada do horário previsto e ainda não começámos nada.
Um membro da organização diz algo sobre os jurados terem ido almoçar, ao que eu me enfureço porque almocei apenas dois croquetes e uma empada (por sinal horrorsa, não recomendo a empada de vitela do Pingo Doce). Lã vou fazendo conversa com pessoas que conheço na altura e pessoas que já não via há uma porrada de anos. Toco nas pessoas de quem tinha saudades, na verdade desejo até abraçá-las e dar-lhes uma lambidela, mas contenho-me pois "cosplay is not consent".
Começamos o concurso finalmente e.... Começa logo mal. No primeiro skit puseram um audio errado apenas com 20 segundos (depois a cosplayer pode repetir no final, mas foi má onda) e devido ao facto de não terem ensaiado no palco, os técnicos demoraram a ajustar os níveis do som até que se pudesse ouvir qualquer coisa. Nisto tudo, música incessante e histérica retumba por todas as direcções à nossa volta.
Sou a quinta a entrar e o público está falecido. Tenho de fazer algo e por isso faço a minha coreografia com toda a energia, salto e pulo e quando finalmente grito AQUI VOU EU todos começam a bater palmas para irem A CAMINHO DE VERIDIAN. Fiquei muito feliz que o público se tivesse animado, e apesar de ser um skit muito simples, adorei fazê-lo e foi super divertido! Obrigada malta, por se terem motivado com o meu Rapidash!
Segue-se a atribuição dos prémios. Infelizmente apenas um solo e um grupo irão receber prémio, o que mais uma vez me espanta. Porque não distribuir o mesmo valor em somas menores, mas a mais pessoas? Isso tornava a competição mais saudável, e ao menos sentíamos que todos tinhamos a mesma oportunidade. Enquanto aguardávamos a complexa decisão do júri reparei que a organização estava toda sentadinha em cadeiras de gamer, enquanto nós estávamos ali no palco a responder a perguntas improvisadas e (pelo menos eu) a fazer palhaçadas. De imediato requeri que me fossem buscar um café, para não estarem para ali sem fazer nada, mas era só uma piada, ninguém levou a sério e não ganhei café. Infelizmente houve um erro daqueles bem horrendos: os jurados deram um papel que dizia a vencedora (Jinx de League of Legends) e havia duas versões da personagem. Quando chamaram a primeira versão a pobre menina quase chorava, porque aquilo não era real. Depois chamaram a versão certa, e aí já estávamos todos a olhar com um ar de funeral.
Procedo a retirar o fato opressivo, suei tanto que até tinha chulé nos braços e no peito. E de seguida visito o evento, em busca de mais pessoas amigas.
Confesso que não consegui ver *nada*. O evento estava tão cheio que nem cabia mais uma agulha, e isso impedia uma circulação arejada. Depois descobri que ainda havia imensos sítios para fazer actividades e tirar fotos, mas - sem helper - não encontrei nada disso. Fiquei apenas a namorar um tapete de Sailor Moon, porque tenho alimentado a ambição de ter um tapete geek, para por nem sei onde.
Portanto, resumindo e concluindo, passemos ao mais importante! FOTOS DE COSPLAYERS
Estas meninas ficaram espantadas por eu só as querer a elas em vez de uma selfie. E vejam que bem ficou a foto, é a minha preferida deste evento! Ainda bem que não incluí a minha fronha de cão cansado nela ne :)
Fiquei muito contente por ter apanhado este cosplayer, pois tinha acompanhado o processo da feitura da sua máscara via Discord. Apesar de eu ter sido a sua primeira crítica, devo dizer que o resultado final ficou brutalóide! Parabéns!
Romeo + Juliet
Romeo + Juliet
Baz Luhrmann
1996
Filme
5 em 10
Este filme é a prova cabal de que um texto clássico funciona em qualquer contexto. Mesmo que o contexto seja exasperantemente irritante.
A história já todos sabemos, mas o realizador situou-a em Venice algures nas américas e numa luta de gangues com pistolas especiais da marca "Sword". De resto, os elementos da história estão lá todos.
O grande problema aqui não são os actores (embora haja alguns melhores e outros menos bons), mas a forma como o filme está editado, que parece um monumental ataque de epilepsia. O realizador simplesmente não consegue estar *parado* a filmar uma coisa, está sempre a meter outras imagens umas em cima das outras e o efeito, apesar de espectacular, é confuso e alarmante.
Assim, este filme é também a prova de que mesmo tendo um texto clássico, se não tivermos os outros elementos... Boca.
Bastardos do Sol
Bastardos do Sol
Urbano Tavares Rodrigues
1959
Romance
Nunca tinha lido nada deste autor e fiquei muito bem impressionada. Este volume contém o romance "Bastardos do Sol" e a novela "Os Pregos".
Em "Bastardos do Sol" temos um retrato do Portugal rural profundo, tendo por foco dois irmãos. A irmã está apaixonada, o irmão é violento e irascível. A partir daqui desenvolve-se uma trama que, sendo simples, está plena de significado. O significado do que é a figura feminina na época, o significado do que é a figura do homem rico na época. E a procura por uma vida diferente, nem sequer melhor, mas diferente, a fuga, o enfrentar das consequências. A narrativa é absolutamente viciante e muito vívida, conseguimos realmente situar-nos nas paisagens abrasadoras do Alentejo, e sentir tal como estes personagens sentem.
Em "Os Pregos", temos um relato da prisão, um manifesto do aborrecimento, do desespero, da tortura e do horror, pontuado pela dúvida da saudade, e pela dúvida da traição amorosa. Não gostei tanto desta novela como do texto anterior, mas ainda assim é um precioso relato.
Recomendo vivamente este livro!
Daisy Miller
Daisy Miller
Henry James
1879
Novela
Uma novela curta mas que custou a ler.
Um bacharel está instalado na Suiça, onde conhece uma Americana giríssima de férias. Ela além de giríssima é também atrevida, pateta e irresponsável. Depois volta a encontrá-la em Roma, onde não corrigiu os seus vergonhosos hábitos.
Este livro é um pouco aborrecido, porque está tão datado, mas acaba por ser um bom retrato do que é expectável das mulheres daquela época. Infelizmente, o que é expectável não corresponde à realidade que conhecemos hoje em dia, e por isso é muito difícil de nos colocarmos no lugar do protagonista, que observa a tal Daisy Miller como se fosse um bicho muito raro.
O desfecho é trágico, mas a desgraçada da rapariga foi caracterizada de forma tão aversiva que nem sequer temos muita pena.
Não recomendo.
Música, Só Música
Música, Só Música
Haruki Murakami & Seiko Ozawa
2011
Entrevistas
Como é tradicional, alguém sempre me oferece um livro do Haruki Murakami pelo aniversãrio, embora eu não seja a maior fã deste autor. Felizmente, este livro é bastante diferente do habitual, e pude apreciá-lo melhor.
Trata-se de um conjunto de conversas/entrevistas que Murakami fez ao maestro Seiji Ozawa, ao longo de poucos anos. Falam sobretudo de Mahler, e ouvem as várias interpretações das orquestras, que depois discutem. Ora, isto é um exercício muito interessante, que nos permite lançar um breve olhar sobre como funciona uma orquestra, sobre a função do maestro e sobre a pedagogia da música.
As conversas são num tom leve, e devo dizer que Ozawa tem umas tiradas muito divertidas, usualmente relacionadas com não se lembrar do que estão a falar.
Foi quase como "ler" um programa da Antena 2, e por isso gostei bastante.
Ousama Game
Ousama Game
Sasaki Tokihiro - Seven
Anime - 12 Episódios
2017
5 em 10
Um anime de terror que consiste no seguinte: um dia toda uma turma da escola recebe uma mensagem a dizer que estão a participar o Jogo do Rei. Ninguém pode parar o jogo se não é castigado, e têm de obedecer às ordens do Rei se não são castigados também. Os castigos são mortes horríveis.
Embora seja bastante divertido ver bonecos a sofrer mortes horríveis, do enforcamento à decapitação, esta anime não tem muito por onde pegar. Por um lado, afirmam que o Jogo do Rei "é um vírus" (???). Por outro, as suas mortes são totalmente inconsequentes.
A animação também é bastante fraca, e os designs simples não ajudam. Temos diversos momentos traumáticos que poderiam ter dado mais sumo aos personagens, mas no fundo são todos estereotipados.
Por isso, apesar de ter sido um anime divertido, não lhe dou grande nota.
UHF
UHF
Jay Levey
1989
Filme
5 em 10
Continuando na nossa onda de Weird Al, vimos o seu único filme oficial, onde ele faz o papel de um jovem cheio de imaginação que ganha a presidência de uma pequena estação de televisão. Com isso, ele irá criar novos programas e inserir-se numa comunidade exigente, que quer concursos geniais como A RODA DO PEIXE (ganhe o seu peso em peixe)
Apesar do filme ser muito engraçado e de me ter fartado de rir, a maior parte das piadas são referências a outros filmes, e penso que isso não é um tipo de comédia muito eficiente. Weird Al consegue sempre ser engraçado sem ser vulgar, e isto mantem-se neste filme
Tive pena que não houvesse mais momentos musicais, gostaria de ter visto pais acordeão.
De resto, foi um bom filme para um serão divertido.
Daqui a Nada
Daqui a Nada
Rodrigo Guedes de Carvalho
1992
Romance
Quem diria que o nosso pivot de televisão teria escrito um romance nos anos 90? Aqui está ele.
Rodrigo Guedes de Carvalho conta-nos com mestria um drama familiar, tendo por base um casal e a sua filha, cada um narrando a sua versão dos acontecimentos que, devido ao trauma da guerra, devido ao trauma da ausência, se tornam trágicos e contundentes.
Numa realidade da cidade do Porto, vista pelos olhos tanto do jovem como do maduro, este casal irá contemplar as suas opções passadas e tentar tomar decisões para que a sua vida futura seja o mais feliz possível. Mas talvez não o seja.
O livro está bem escrito e as visões da guerra são perturbadoras. No entanto, o drama familiar propriamente dito é tão vulgar que talvez o interesse por esta história não seja aquele que se pretendia.
De todos os modos foi uma leitura rápida e fluída.


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