Archive for terça-feira, outubro 02
The Old Capital
0
The Old Capital
Yasunari Kawabata
1962
Romance
Um delicado romance japonês, de um laureado Nobel, sugerido pelo grupo Eden.
O narrador é apenas um olhar. Um olhar sobre a velha capital, a antiga cidade de Kyoto. Nesta antiga realidade, também as pessoas, os hábitos, as visões, tudo é revestido de uma idade que normalmente dignamos apenas às plantas.
Com uma história muito simples, mas ainda assim cativante na sua falta de conclusão, o autor dedica-se a seguir os passos das nossas personagens, mostrando-nos através das suas contemplações como é a cidade na verdade. E é de uma beleza extrema, fulgurante e quase comovente. A observação das estações, da luz do sol, da cor das flores e do seu perfume. A admiração da sabedoria das ~´árvores e das pedras, a definição do templo, tanto o divino como o profano.
Tudo isto feito de uma forma tão discreta que quase que não parece propositada.
Um livro muito equilibrado, calmo e simples, uma leitura de puro prazer. Recomendo!
By : ladyxzeus
BLACKkKLANSMAN
0
BLACKkKLANSMAN
Spike Lee
2018
Filme
7 em 10
Fomos ao cinema em busca deste filme: o trailer deixou-me fascinada!
Um jovem negro entra para um departamento de polícia onde, após algumas complicações, o deixam ir para o serviço de agentes undercover. Da forma mais improvável possível, este jovem inexperiente encontra-se infiltrado dentro dos anais do Klu Klux Klan. E agora?
Este filme é uma forte mensagem para a actualidade, uma espécie de reflexão do autor sobre a situação que a comunidade afro-americana tem sofrido sob o regime neo-fascista vigente hoje no seu próprio país. Essa mensagem, tanto mais reforçada pela improbabilidade da história que está a ser contada, é especialmente pungente nos discursos de ódio proferidos ao longo do filme, em oposição à frieza dos agentes que não podem nunca deixar cair a sua máscara.
Fazendo recurso a várias técnicas divertidas de filmagem e edição, temos um filme fiel às suas origens e também uma espécie de homenagem ao passado cinematográfico protagonizado pelas estrelas dos filmes: BLACK
Também a música, guarda roupa e a própria interpretação dos actores nos remetem para este passado, que não é assim tão remoto, enchendo o campo de visão da referência funk e pop da época em assim caracterizando na perfeição as acções.
Apesar de dizerem que a história é real, fiquei bastante desapontada com o final. Penso que poderia ser mais positivista, apesar dessa não ser a realidade. É uma dúvida que fica mas, ainda assim, recomendo bastante que vejam este filme!
By : ladyxzeus
Festival Iminente 2018
0
Festival Iminente
Música
Fui convencida a ir este festival, atraída pela presença da coisa musical que mais gosto no momento, que é o Conan Osiris. Este festival decorreu no outro fim de semana, num lugar misterioso para muitos mas que entretanto se tornou no "hub criativo" do Vhils.
Que, por sinal, detesto tanto em conceito como em execução, mas deixem estar.
Ora, este local é o Panorâmico de Monsanto, antigo restaurante que - falido - deu lugar a um ponto de encontro de mitra pintora no geral, que decorou as paredes com a sua melhor arte, por vezes muito bonita, muitas vezes muito doentia. Vhils fez o "excelente" trabalho de depurar tudo e fazer o lugar um sítio seguro, sem cantos escuros a cheirar a xixi e cheio de arte bonita, filosófica e altamente produzida, que de streetart só tem a característica de estar numa parede. Portanto, gosto de algumas coisas que estão pelo pequeno recinto, mas o ver as grandes produções da arte urbana deixa-me doente.
O lugar era bastante pequeno e a oferta musical um pouco apertada, apesar de variada. Esperava que o festival tivesse mais actividades para além da música, pelo que depois dos concertos que queríamos ver ficámos todos um pouco perdidos sobre o que fazer.- Deu-se a conclusão de irmos embora mais cedo, perdendo assim o espectáculo surpresa protagonizado por Fat Boy Slim! AAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Vimos os dois primeiros concertos do palco exterior (o da cave era claustrofóbico e agonizante) . Conan Osiris foi o primeiro e, sem dúvida, um nome para tomar atenção. Um concerto cheio de energia e danças bizarras, com uma potência na palavra e na acção, com um sentimento estranho de pertença e afastamento ao mesmo tempo. A presença em palco de quem nem tem um album oficial é surpreendente e a resposta aos desafios do artista sempre mais exigente, o que fez com que o concerto fosse uma experiência brutal de dança e agressividade concordante nas letras das músicas.
O segundo foi o Bonga, um concerto muito divertido porque o próprio senhor é muito divertido. Com o seu reco-reco mágico, pôs toda a gente sob o efeito dos venenos da tarântula, em que a impossibilidade de nos pararmos de mexer estava igualada à vontade de praticar uma maior expansão corporal, vocal e - diria mesmo - mental. A disponibilidade do senhor para nos aturar motivava a que o público se sentisse em casa, na casa do Bonga.
Depois fomos comer um cachorro. Zona de alimentação bastante bem feita, com muita variedade e muita variedade vegetariana. Um pouco demorado, é verdade, mas um lugar agradável para comer.
Um festival engraçado, com uma boa oferta, embora a filosofia por trás da ideia seja um pouco torta demais para o meu gosto. A voltar.
By : ladyxzeus


