Archive for quarta-feira, março 29
A Invenção do Dia Claro
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A Invenção do Dia Claro
Almada Negreiros
1921
Ensaio
Este livrinho, com menos de quarenta páginas, é um pequeníssimo ensaio introdutório a algumas ideias do autor sobre variados assuntos culturais, nomeadamente a literatura e a pintura.
De uma maneira simples e com muito humor, Almada Negreiros conta-nos pequenas reflexões sobre a sua vida, sempre relacionadas com a sua forma de observar a arte e, muitas vezes, como esta o pode observar a ele.
Nesta obra existem muitos textos e frases frequentemente citados por aí nas redes sociais. Por exemplo, aquela de a vida ser demasiado curta para se lerem todos os livros da livraria. Ou aquela do "qual a sua profissão? Poeta" No entanto, dentro do contexto desta obra, as tais citações acabam por se tornar menos relevantes do que as querem querer parecer.
Um livrito rápido e com a sua graça.
By : ladyxzeus
O Silêncio dos Inocentes
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O Silêncio dos Inocentes
Thomas Harris
1988
Romance
Confesso que sempre tive um medo imenso de ver este filme. Portanto, li o livro! E o livro não me assustou nada, portanto já tenho mais coragem para ver essa obra prima do cinema. :)
Clarice é uma investigadora novata, ainda na academia de polícia, a quem pedem que entreviste o famosos psicopata Hannibal Lecter. A partir daí, envolve-se na resolução do caso de um outro serial-killer, um anónimo apenas conhecido por Buffalo Bill, contando com a estranha ajuda de Lecter, que partilha conselhos em troca de coisas interessantes em que pensar.
Este livro é um policial bem estruturado, revelando um certo cuidado na caracterização dos personagens e dos seus problemas mentais e emocionais. Existem muitos detalhes sobre investigações policiais mas, sobretudo, sobre a caracterização das doenças do comportamento que os criminosos possuem. Certamente que houve uma investigação bem cuidada no planeamento deste livro, o que se nota bastante nos detalhes das descrições e, sobretudo, na forma como Clarice tira conclusões, apesar de sempre ajudada por Hannibal Lecter. A dinâmica entre os dois é bastante forte e pode ser lida em diversas camadas, cada uma igualmente profunda.
Apenas achei que a conclusão foi um pouco precipitada e muito casual. Por mero golpe de sorte Clarice resolve os dilemas e, de certo modo, isso retira muito do realismo que tinha vindo a ser construído ao longo do livro.
Não fiquei inspirada a ver o resto da série, mas agora gostaria de ver o filme e comparar. ;)
By : ladyxzeus
I, Daniel Blake
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I, Daniel Blake
Ken Loach
2016
Filme
6 em 10
Este filme estava no cinema aqui perto, mas não calhou ir ver e, por isso, acabámos por fazer a sessão cinematográfica em casa.
Quando não se pode trabalhar, a vida torna-se complicada. Daniel Blake é um senhor que foi vítima de um ataque cardíaco e, por isso, se está a candidatar a receber o equivalente à segurança social do Reino Unido. Quando não aprovam a sua candidatura, aparentemente por má vontade dos empregados, ele procura alternativas. Acaba por conhecer uma rapariga com duas crianças e tornam-se amigos.
Este filme é o retrato de uma realidade cada vez mais evidente, que pelos vistos se torna transversal a todos os países. Mostra o quão burocráticos são os elementos para que se possa receber uma ajuda no estado e como, muitas vezes, os utentes são vítimas de injustiças indiscriminadas devido à falta de disponibilidade e compreensão dos empregados do governo.
Este filme torna-se uma espécie de pequeno ataque de ansiedade, à medida que a narrativa se vai desenvolvendo. Temos um trabalho aceitável pela parte dos actores, mas a verdade é que os personagens não puxam muito ao seu desenvolvimento. Também o final foi por demais evidente e pouco emotivo dentro do contexto.
Um filme que vale o que vale pelo seu retrato social.
By : ladyxzeus
