Archive for segunda-feira, fevereiro 15

  • Non Non Biyori Repeat

    0
    Kawatsura Shinya - TV Tokyo
    Anime - 12 Episódios
    2015
    6 em 10

    Depois da Primeira Season talvez não fosse inesperado que esta segunda instância aparecesse para ver no meu clubezinho elitista. No entanto, fiquei extremamente desapontada com o que fizeram: porque esta segunda season não é uma sequela, mas antes um reinventar da primeira, com novas situações e alguns personagens diferentes.

    No entanto, em imitação das típicas séries americanas dos anos 90 (10 seasons e nada acontece), não há qualquer tipo de desenvolvimento narrativo ou das personagens que faça esta série valer a pena. São todos exactamente iguais ao que conhecíamos e não existe nenhuma nova situação inusitada neste anime da vida diária que demonstre que os personagens crescem de alguma forma durante as suas actividades. Não há nenhuma nova descoberta ou aprendizagem que seja extremamente diferente da primeira instância e, assim, o anime vive exclusivamente das belas imagens reveladas pela arte.

    Esta, continua exemplar, mas não há nenhuma diferença nas paisagens que demonstre que houve uma evolução, física ou outra, o que acaba por tornar a beleza e o brilho obsoletos.

    Musicalmente, temos temas semelhantes que são evocativos de uma vida em paz no campo.

    Assim, posso garantir que esta segunda season é bastante inferior à primeira, na medida em que é exactamente igual. Por isso, aquando a nossa votação, será um rotundo não.

  • Morangos Silvestres

    0
    Morangos Silvestres
    Ingmar Bergman
    1957
    Filme
    7 em 10

    Mais à noite vimos este filme, a minha estreia com o famoso autor. Um poema a preto e branco, uma exploração da memória.

    Um homem velho vive apenas com a sua governanta. Vai ser premiado por ter feito 50 anos ao serviço da medicina, mas decide ir sozinho de carro. Acompanha-o a sua nora. Mas, o que se passa com este homem, que se vê atormentado por pesadelos?

    O autor coloca em cheque as diferenças inter-geracionais de forma pungente e bela, contrastando a inocência descerebrada da juventude com o terror da velhice, o terror da incapacidade. E, ao mesmo tempo, desenvolve-se a história do seu filho que, afinal, sofre como um idoso prematuro e não encontra nada de bom na vida. Assim, o personagem encontra uma espécie de felicidade final, uma aceitação da vida perante a juventude perdida, apenas encontrada pelo confronto entre este e os os jovens que encontra pelo caminho.

    As imagens podem ser a preto e branco, mas há um uso fascinante da luz e sombra, sendo que - não vendo cores - podemos imaginar todo um ambiente gráfico de beleza extraordinária. Este grafismo é sempre mais evidente nas sequências dos sonhos, que podem mesmo ser aterrorizantes.

    Ao mesmo tempo, existem alguns momentos de humor, sobretudo sobre ideias religiosas ultrapassadas. Infelizmente, muitos deles são também sobre a figura feminina, retratada como passiva e estupidificante, o que não é muito interessante para o momento actual em que vivemos.

    Ainda assim, gostei muito do filme e fiquei muito curiosa para ver outros do autor, sobretudo aquele em que a Morte joga xadrez com um homem.

    O Dia Seguinte
     
     
    Mas a viagem ainda não terminou! No dia seguinte, apesar de perdermos o pequeno almoço, fomos almoçar a um desses restaurantes à beira da estrada onde se come sempre lindamente. Comi choco frito. Depois, seguimos até Palmela para vermos as suas atracções, nomeadamente o castelo. No entanto, lá chegados, começou a chover torrencialmente, uma chuva muito fria, pelo que nos recolhemos dentro do carro. Fomos também ver o miradouro, que era mesmo ao pé. Palmela parecia estar desabitada, mas parecia também uma vila muito simpática!

    Deixo-vos umas fotofotos, para ficarem com vontade de visitar :)







  • A Culpa é das Estrelas

    0
    A Culpa é das Estrelas
    Josh Boone
    2014
    Filme
    5 em 10

    Este fim de semana foi dia dos namuraduhs e, por isso, aproveitei um voucher da Odisseias para ir passear com o Qui. Fomos a Palmela, onde ficámos instalados num complexo turístico, num quarto com uma cama, uma mesa e um microondas. Também tinha uma varanda!

    Vista da Varanda
     
    Pois então fomos ao bar do complexo beber um café e umas jolans e, depois de uma luta dos empregados contra a box da televisão, apanhámos este filme a um terço da sua duração. Por isso, acho justo comentá-lo, sobretudo porque já tinha lido o livro.

    Comparativamente, a história é mantida na sua totalidade, com excepção daqueles momentos em que os personagens fazem gráficos um para o outro. No entanto, a performance de todos os participantes torna este filme menos que mediano. Para começar, os personagens deveriam estar doentes, muito doentes. No entanto, os actores actuam como se fossem adolescentes normais e cheios de energia, com excepção de um ou dois momentos. Também há vários erros de edição e montagem, sobretudo aqueles relacionados com o transporte da garrafa de oxigénio.

    O tema é forte, mas um dos momentos fulcrais (o encontro final com o autor mau) é resumido por forma a tornar-se mais um elemento da história de amor. Esta, é triste mas acaba por não impressionar pois não conseguimos acreditar que estas pessoas estão realmente perto da morte.

    Achei curiosa a forma como eles mostram as mensagens que foram escritas, mas isto também infantiliza um filme que, sendo sobre adolescentes, tem um tema demasiado forte para ser levado de forma tão leve.

    E depois acabou o filme e começaram as notícias que relatavam uma tempestade imensa e cheias por todo o país. As outras pessoas que estavam lá ligaram o rádio, que eu depois mudei para a Antena 2, que estava a dar ópera.

  • As Cidades Invisíveis

    0
    As Cidades Invisíveis
    Italo Calvino
    1972
    Romance (?)

    Tinha muita curiosidade em ler este livro e, por um golpe de sorte, apareceu disponível para um RABCK no BookCrossing. Ainda demorei um pouco a chegar até ele (maldita lista de leitura!) mas agora já o li. Foi um instante, bastaram duas viagens de autocarro!

    Marco Polo e Kublai Khan estão nos jardins suspensos deste e falam sobre a vida. Ao início não se percebem muito bem, mas depois começam a saber a língua um do outro. E de que falam? Das cidades do reino que Marco Polo visitou nas suas viagens. E são muitas cidades, todas diferentes, com curtas descrições.

    São simplesmente fascinantes. Cada cidade contém em si uma crítica para a sociedade actual, cada cidade é única e cada cidade são todas as cidades que existem no nosso mundo. Nelas, as pessoas vivem com mais ou menos felicidade, mas revela-se que é tudo um mito e que muitas delas têm gémeas, espelhos, onde as pessoas têm outra visão da vida, oposta, irreal. Nesse aspecto, talvez o autor se tenha prolongado um pouco demais nesta divisão indivisível, nas cidades do fim.

    Algumas são muito belas, outras são muito feias. Mas nenhuma parece um sítio muito bom para se viver. A minha preferida foi a cidade onde só há canalizações e banheiras, sem edifícios, onde mulheres tomam banho a toda a hora.

    Pelo meio das descrições destas cidades que também são nossas, existem momentos filosóficos nas conversas de Marco Polo com o seu patrão. Estes momentos são densos, mas ajudam muito a explicar a visão do autor sobre a vida e sobre a polis em si.

    Por outro lado, o Qui reparou que todos os nomes das cidades são de mulheres e que, por isso, talvez estas cidades sejam uma visão do autor sobre as mulheres que ele algum dia conheceu. Se assim for, torna o livro muito mais romântico do que se poderia esperar.

    Foi uma leitura muito interessante e fiquei fascinada. Só não roubo o livro para mim porque o meu pai já o tem, portanto é como se o tivesse também. :p

  • Poesia Ortónima

    0
    Poesia Ortónima
    Fernando Pessoa
    Anos 20 
    Poesia

    Esta colecção de livros saiu com o Jornal Expresso, mas só fiquei com alguns (o meu StepFather só compra o jornal de vez em quando). Trata-se de uma colecção com a obra essencial do nosso muito querido Fernando Pessoa.

    Com este volume, vemos alguma da sua poesia, aquela que foi escrita por ele e não por nenhum dos outros malucos. De qualquer forma, ficamos a saber um pouco mais sobre o autor através dos seus poemas e a conclusão a que chego é que ele estava completamente doido ou, pelo menos, extremamente deprimido.

    Pois todos os poemas falam de uma vida sofrida e de um desejo de morte. Diz ele que "O Poeta é um fingidor", mas não me parece que ele esteja a fingir quando fala do horror emocional que sente. Os poemas são muitas vezes belos, outras vezes indiferentes. Um ou outro chega a ser cómico. Mas todos eles falam da infelicidade do autor, o que me deixa um pouco triste porque ele haveria de ter sido boa pessoa e ninguém merece estar envolvido neste spleen
     
    Deixo aqui o poema que mais gostei, que é parte de um poema um pouco maior.

    Chuva Oblíqua - II
     
    Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
    E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
     
    Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
    E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
     
     O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
    Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
    Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
    E sente-se chiar a água no facto de haver coro....
     
    A missa é um automóvel que passa
    Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
     
    Súbito vento sacode em esplendor maior
    A festa da catedral e o ruíd da chuva absorve tudo
    Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
    Com o som de rodas de automóvel...
     
    E apagam-se as luzes da igreja
    Na chuva que cessa...
  • O Exótico Hotel Marigold

    2
    O Exótico Hotel Marigold
    Deborah Moggach
    2004
    Romance

    Livro que recebi num BookRing, pelo BookCrossing.

    Famoso por se ter rapidamente tornado num filme, é um romance que se processa precisamente dessa forma: como num filme. E isso, penso eu, não é de todo agradável.

    Um médico indiano em Inglaterra está farto da vida e decide, com um primo, abrir um lar de idosos na sua terra natal. Para lá vão diversos idosos ingleses, cada um pelas suas razões. Supostamente o livro falaria de como a terceira idade é uma nova vida, mas isso não é enfrentado pelos personagens, que continuam a agir exactamente da forma como o fariam no seu lugar de origem. Existem muitas pessoas neste livro, que está constantemente a mudar de perspectiva, sendo que todas as descobertas e acasos parecem extremamente improváveis: há um limite real para as coincidências.

    Num livro passado na Índia, gostaríamos de ter algumas descrições efusivas da vida nesse país longínquo, mas tudo se limita a uma perspectiva de pobreza extrema e descrições de mendigos e como a juventude desse país está fascinada com Inglaterra, origem dos outros personagens. No entanto, o livro acaba por mostrar a cultura indiana numa perspectiva pouco racista, o que é um erro em que é fácil cair, o que se traz um certo alívio ao leitor. Ainda assim, as pessoas e as suas atitudes são extremamente cinematográficas, o que também é frustrante. Para termos noção, o ponto alto do livro é o final em que todos cantam uma musiquinha, o que no filme deve funcionar muito bem mas que aqui é um pouco pindérico.

    Ainda assim foi uma leitura muito simples e muito rápida.

  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan