Archive for terça-feira, novembro 13

  • Imawa no Kuni no Arisu

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    Imawa no Kuni no Arisu
    Tachibana Hideki - Silver Link
    Anime OVA - 3 Episódios
    2014
    5 em 10

    Tenho alguns OVAs guardados há algum tempo para ver e parece-me que agora é o momento certo. Começamos por este, um anime de três episódios que aparece numa linha muito "Gantziana", se é que podemos falar disso.

    Três rapazes mal encarados vêm-se num mundo maravilhoso em que, para sobreviverem, têm de jogar jogos. São jogos de sorte e azar, de apanhada, das escondidas, assim por diante. Para sobreviverem têm de usar os seus dotes físicos e os seus dotes intelectuais. O que é muito semelhante a Gantz, como dizíamos. Mas adiante.

    As personagens que nos são apresentadas neste OVA têm um fim inútil e servem apenas para caracterizar Arisu (Alice) e permitir um pouco do seu desenvolvimento. O facto de elas terem estado envolvidas nisto desde o início parece, então, um pouco inconsequente e não toca o espectador de forma alguma.

    Temos uma animação satisfatória mas incongruente, com momentos de qualidade mediana intercalados com erros de design bastante óbvios que tornam os movimentos feios e com pouco sentido. Os cenários são interessantes mas pouco desenvolvidos. O mesmo acontece com os jogos, que parecem bastante mais simples do que - penso - o autor gostaria.

    De certa forma, penso que este é apenas um teaser para o manga e pouco mais. Não fiquei com grande vontade de o ler.
  • Yuru Camp △

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    Yuru Camp △
    Kyougoku Yoshiaki -  C-Station
    Anime - 12 Episódios
    2018
    6 em 10

    Há algum tempo que não via nada recomendado pelo meu clube e calhou ver este fatia-de-vida sobre campismo.

    O que podemos dizer sobre campismo. Pessoalmente, é uma actividade que detesto, tendo por prova as muitas Festas do Avante a que fui. Mas este anime mostra as coisas de forma um pouco diferente. Acompanhando algumas raparigas que gostam de estar ao ar livre e fazer actividades do género comer e beber chá, quase que parece que é uma coisa agradável!

    Talvez fazer uma actividade que pode ser irrelevante parecer algo agradável seja uma pouca razão para gostar de um anime, mas a verdade é que me senti muito bem enquanto o via e gostei muito de acompanhar as pequenas aventuras destas meninas, tão bem agasalhadas, enquanto viam novas paisagens e encontravam novos lugares para acampar.

    Não temos uma animação espectacular e o principal valor da imagem está nos cenários. Mas acompanhando estas personagens - simples e directas, sem grande desenvolvimento, - acabamos por nos sentir no mesmo grupo do campismo. Pontuado com algumas músicas bonitas, ficamos a ver como é bom dormir ao relento!

    Não é que vá acampar voluntariamente no futuro, mas quase quase quase que deu  vontade!

  • Mahou Shoujo Madoka★Magica Movies

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    Mahou Shoujo Madoka★Magica Movies
    Urobuchi Gen - Shaft
    2012
    Filmes - 1+1+1
    6 em 10

    Apesar de não ser a maior fã das Megucas, acho que é essencial ver estes filmes. Afinal, Madoka Magica (doravante conhecida por Meguca) é uma espécie de análise e desconstrução do género mahou shoujo. Já houve algumas tentativas, mas esta foi se dúvida a mais popular até agora.

    Os dois primeiros filmes são um resumo da série, com um valor de produção um pouco mais elevado e maior atenção aos detalhes, enquanto que o terceiro filme é uma espécie de sequela que desenvolve um pouco melhor o conceito do divino neste mundo das megucas. Falando deles como um todo, devo dizer que foi uma experiência muito satisfatória, quem sabe até mais do que a série original.

    Com uma animação surpreendente, cheia de detalhes plenos de textura, designs originais e assustadores e um conjunto de sequências que misturam o horror do pesadelo com a cor da magia, temos de admitir que estes filmes são do melhor que se fez nestes últimos anos em termos de animação.

    Em termos narrativos, temos uma história que - sendo um pouco simples - é também bastante original e tem uma conclusão inesperada (excepto talvez, no último arco do terceiro filme, que me pareceu muito longo). As teorias maléficas por trás do que está a acontecer acabam por ser irrelevantes para o contexto que, neste caso, é o do desenvolvimento das personagens. Estas, recebem em vários momentos uma abordagem sedutoramente irónica do que deveria ser uma verdadeira menina mágica, com cenas de transformação, temas de abertura e encerramento e tudo e tudo completo.

    Infelizmente, penso que o desenvolvimento do terceiro filme foi demasiado longo e que algumas secções poderiam ter sido suprimidas para uma composição um pouco mais concreta e arredondada.

    De resto, foi uma boa viagem e recomendo vivamente! Talvez não seja um anime tão espectacular quanto tantos dizem, mas marca a diferença com o seu próprio jeito.
  • O Príncipe da Avenida West End

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    O Príncipe da Avenida West End
    Alan Isler
    1994
    Romance
    Livro que me foi oferecido no aniversário, por sugestão de uma livreira local. Nunca visitei a sua livraria, a Livraria Escriba, mas tenho muita curiosidade! Até para agradecer as óptimas escolhas literárias que me vêm chegando às mãos. :)
     
    Esta é a primeira obra de um professor de 60 anos. Para mais, é uma obra fortemente abraçada ao um judaísmo pouco militante. O autor conta-nos a história de um velhote que, residente num lar para judeus idosos, escreve as suas memórias como forma de explicar ao mundo a origem do nome "dadaísmo", o qual ele afirma conhecer intimamente.
     
    Falamos do seu passado com os dadás e outros que tais, sempre pontuado por um excelente sentido de humor e uma cultura geral de grande interesse, que sempre nos dá algumas informações desconhecidas que são engraçadas. Enquanto isso, voltamos atrás no tempo e conhecemos as paixões antigas deste senhor e alguns dados mais tristes sobre a sua vida. Mas, ao mesmo tempo, no lar de idosos, estão a encenar uma peça, o Hamlet! E um mistério adensa-se entre os velhotes.
     
    Um livro muito engraçado, simples e divertido, com um toque de galanteria pela lingagem do narrador. Também alguns momentos menos alegres e alguns arrependimentos. De certa forma, é um personagem muito bem caracterizado, sólido nos seus pés e, apesar da prisão de ventre, alguém com que nos podemos identificar e conhecer a pouco e pouco.
     
    Uma óptima leitura!

  • Mobile Suit Gundam: The Origin

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    Mobile Suit Gundam: The Origin
    Yazuhiko Yoshizaku - Sunrise
    Anime OVA - 6 Episódios
    2015
    6 em 10

    Mais uma instância de Gundam, ao qual não posso resistir. Desta vez mantemo-nos em UC, o que é um alívio. E, ainda melhor, vamos explorar a história de Char e Sayla antes de a guerra começar. Esta é uma nova perspectiva no anime  e torna o entendimento da primeira saga de Gundam muito mais claro.

    Não me alongando muito na parte narrativa, que está excelente e cheia de detalhes deliciosos, devo dizer que este anime foi uma experiência estranha para mim. Se houve alguns momentos em alguns episódios que achei brilhantes, na generalidade é um OVA um pouco fraco e com muitos aspectos que poderiam ser melhorados.

    Para começar, existem alguns elementos que não fazem sentido, como existirem Gundams (quando sabemos perfeitamente que a sua estreia foi em UC 0079) e serem amplamente utilizados e por os Zakus serem mais fracos que estes. Outra coisa que me desagradou muito (mesmo muito) foi a utilização de um CG terrível, mal encaixado e com cores bizarras nos momentos de acção com robots. Isto tornou as batalhas em algo de muito ridículo e pouco emocionante.

    Por outro lado, temos uma trama política que poderá não aliciar alguns espectadores. Penso que este anime se torna sempre mais interessante tendo conhecimento de toda a saga UC.

    Foi um anime mediano, sempre salvo porque Char Aznable nunca é demais. :p
  • O Contrabaixo

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    O Contrabaixo
    Lagarto Amarelo - Associação Cultural/ Patrick Süskind
    2018/1981
    Teatro

    Despoi de ter lido alguns livros deste autor, estava ansiosa por saber como seria em teatro. Revelou-se um longo e complexo monólogo de um contrabaixista que nunca amou o seu contrabaixo.

    O contrabaixo. Esse instrumento absurdo, obtuso, excêntrico, gordo e gigantesco. Uma coisa horrorosa. Consequentemente, quem tocar esse bicharoco tremendo também será uma pessoa terrível. Este contrabaixista está certo dos seus talentos. Mas será que a sua vida é aquela que ele gostaria de ter? Será que há algo mais para a vida... Sem ser o contrabaixo?

    A relação do artista com a arte e do músico com o instrumento. A instrumentalização da arte e a sua transformação no desespero do quotidiano. O actor explora o som e o toque enquanto descreve a sua vida, fechada e remota, culpando o som grave do instrumento pela sua própria gravidade relativamente à vida.

    A admissão final de que o artista poderá não passar de mais um funcionário, de mais nada além de mais uma engrenagem no processo social. Uma pessoa sem identidade e sem ninguém. Que apenas pode amar-se a si mesmo e ao seu reflexo.

    Um triste, enorme e flácido contrabaixo.

  • A Travessia

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    A Travessia
    Samar Yazbek
    2016
    Não-ficção

    Apesar do seu exílio em França, esta é uma autora Síria. E, enquanto mulher Síria, ela vê a Síria de uma forma muito diferente de nós, os leitores. Através deste livro, a autora gostaria de nos fazer viajar tal como ela: através da fronteira e até aos cenários da guerra.

    Desta forma, ela deseja mostrar ao mundo que está muito enganado em relação ao que se passa naquela guerra. Que está a apoiar o lado errado e que existem muitas formas de resolver o problema, se a comunidade internacional assim o quiser.

    Os horrores contados no livro não me impressionam. Está escrito da forma jornalística habitual, odo jornalista enquanto herói, que torna esta história em algo longínquo, improvável e fantástico. é como se estivéssemos a ler um romance (e o ritmo rápido bem lembra o de um romance) "baseado em factos verídicos". Portanto,  para mim o valor deste livro não se encontra nem nas descrições, nem na qualidade da escrita, que não é especialmente forte, nem no tom geral de desespero.

    Para mim encontra-se num detalhe que pode ter falhado à primeira vista: no discurso político. A autora, ao entrevistar os rebeldes e todos os outros, mostra-nos que há uma política muito difgerente do que aquilo que poderíamos pensar: os rebeldes não são os terroristas. Os terroristas vêm de ouros países para se juntar aos rebeldes. Mas o que os rebeldes querem é libertar-se de Assad e nada mais. A obsessão religiosa vem, digamos, como complemento.

    A forma clara, embora discreta, como a autora afirma esta posição política é o que torna este livro numa leitura essencial.
  • Aos Teus Olhos

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    Aos Teus Olhos
    Carolina Jabor
    2018
    Filme
    6 em 10

    Aproveitámos o Ciclo de Cinema para os Direitos da Criança aqui na biblioteca para ver este filme que havíamos perdido (no Ciclo de Cinema Brasileiro da mesma).

    Um filme que se esforça por explorar uma série de conceitos mas que acaba por ficar incompleto e cheio de perguntas no ar, pontas soltas que ninguém se deu ao trabalho de reunir para uma narrativa sólida e coerente. Um professor de natação é acusado de beijar um dos seus alunos no esconderijo do balneário. O que se sucede é um linchamento e uma troca de acusações, em que procuramos culpados sem nunca os encontrar. A autora mantém-nos sempre na dúvida sobre o verdadeiro crime e acabamos por não conseguir compreender a perspectiva de nenhuma das partes.

    Se por um lado o professor tem todas as razões para ser acusado, devido aos seus comportamentos habituais, por outro lado faltou ouvir a voz da criança e da mãe da criança. Esta, no arco final do filme, exibe4 comportamentos que poderiam levar a narrativa a um plano diferente, mas nada disso é aproveitado.

    O filme aparenta ser apenas uma visão rápida do drama, sem entrar nele com grande profundidade. Salvam-no os actores e a cinematografia, que está sem dúvida muito bem conseguida. Os planos aquáticos e a utilização das cores transmite um ambiente um pouco ofuscante e opressivo que se liga bem com o tema em questão.

    Ainda assim, fiquei bastante desapontada.
  • Ilha do Sumiço

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    Ilha do Sumiço
    Teatro Ubu
    2018
    Teatro

    Mais uma peça inserida na Mostra de Teatro de Almada, cujo passe tenho aproveitado o máximo possível! Originalmente concebida para ser interpretada em espaços abertos, nomeadamente na praia, é uma reflexão hilariante sobre as habitantes originais da Costa de Caparica.

    São elas velhas, muito velhas e muitas velhas. Cá se vai andando, dizem elas, cá se vai andando mas está tudo um bocadinho mudado. Vêm os turistas e os banhistas, tiram-lhes casas, alugam-lhes casas, tiram a praia, alugam a praia, uma confusão. A menos que a Velha do Restelo tenha uma carta na manga...

    Se há coisa que tive pena nesta peça foi a sua curtíssima duração. Depois de me terem levado a dançar em palco (para minha grande vergonha), terminou logo e isso deixou-me triste. Porque é aquele tipo de peça que uma pessoa não deseja que acabe nunca!

    Com interpretações tão naturais como engraçadas, estes actores dão vida a um conjunto de velhas que, sendo todas iguais, não podiam ser mais diferentes umas das outras. As suas personalidades levam-nas em conversa por uma contemplação da vida dos pescadores da Caparica ao longo dos tempos. Rapidamente, vemos a vida e obra destas gentes e como tudo está a ficar para trás.

    Este tema foi complementado com uma explanação de um dos autores do texto. ~Infelizmente, baralhei-me e acabei por não assistir.

    Uma peça maravilhosa que gostaria de ver uma e outra vez!
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