Archive for sexta-feira, agosto 25

  • Lord of Lords Ryuu Knight

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    Lord of Lords Ryuu Knight
    Kase Mitsuko - Sunrise
    Anime - 52 Episódios
    1994
    4 em 10

    É possível haver um anime tão genérico que fiquei convencida durante todo o tempo que já o tinha visto na televisão? Será que vi mesmo? Não faço ideia.

    Num mundo de fantasia um cavaleiro pateta encontra outros patetas e menos patetas e vão por aí a lutar contra as forças do mal. No meio disto tudo têm cartas mágicas que lhes dão acesso aos robots mágicos da magia mágica. Portanto, é um anime de fantasia medieval onde há robots. Em cada episódio se luta contra o mal e por cima disto tudo têm de encontrar um objecto poderoso que os irá salvar a todos. 

    Se a história é a coisa mais simples de sempre, os personagens também não lhe ficam atrás. Temos personagens de todas as categorias, do genki personagem principal, à inteligente princesa, passando pelo ninja irritável e ao protector calmo. Também temos umas maminhas idiotas.

    Mas está tudo tão mal desenhado! O valor de produção deste anime devem ter sido 500 paus, porque não existe uma única cena que esteja bem animada. Só no final é que parecem ter dado um pouco mais de atenção às cenas de acção, que estão ligeiramente mais interessantes.

    E a música, tenho a sensação que já a ouvi milhões de vezes!

    Um anime que se resume a ser igual a todos os outros.

  • Amor no Feno e Outros Contos

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    Amor no Feno e Outros Contos
    D.H. Lawrence
    1926
    Contos

    Durante o início da leitura, tive quase a certeza que este livro já me havia passado pelas mãos. Mas à medida que fui lendo cheguei à conclusão de que não me lembrava de nada, pelo que talvez não. :p

    Este livro compreende seis contos, alguns deles bastante longos, em que o autor nos fala da vida rural e burguesa de uma Inglaterra perdida na sua própria magnificência. Com estes contos há uma caracterização simples, directa e plena de sarcasmo dos vários tipos de pessoa que habitam esa biosfera de muito trabalho e pouco recompensa em oposição a pouco trabalho que gera pobreza. Os personagens têm uma caracterização aguda, no ponto certo, simples mas perfeitamente adequada para o contexto.

    O meu conto preferido foi "O Homem que Amava Ilhas". A sua estrutura é perfeita e a forma como o personagem se vai afastando cada vez mais da realidade humana para ser absorvido pela realidade do isolamento é absolutamente viciante.

    O que gostei menos foi, talvez, o último "O Homem que Morreu", porque o tema religioso e cristão - apesar das alterações inerentes e quase heréticas do conto - nunca me agradou especialmente.

    De todos os modos, recomendo bastante para quem quiser variar um pouco. :)

  • Dor

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    Dor [A Grief Observed]
    C.S. Lewis
    1960
    Ensaio

    C.S. Lewis é um autor de que gosto muito, embora apenas tenha lido as Crónicas de Nárnia (um dos meus livros preferidos, diga-se de passagem). Neste livro ele aborda a questão da dor, partindo de um momento de grande sofrimento na sua vida pessoal: a morte da sua esposa.

    O autor analisa as várias vertentes da dor emocional, sem tocar na dor física. Questiona-se se conseguirá ultrapassar a dor, de que forma o conseguirá fazer. Questiona-se se depois de ultrapassada, irá esquecer tudo sobre a pessoa amada e tornar-se indiferente em relação a ela. E, muito importante, questiona-se o porquê de deus, existindo, permitir este tipo de sentimento destrutivo e contundente.

    Depois de ler este livro, uma pessoa fica com estas questões dentro de si. Se as pessoas que amo desaparecessem, como um dia irão desaparecer (tal como eu própria) qual seria a minha reacção. Qual seria o meu sentimento? Qual seria a minha atitude?

    Será que conseguiria escrever sobre isso, como o fez Lewis? Espero que sim.

  • Amor Portátil

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    Amor Portátil
    Pedro Paixão
    1999
    Contos

    Conjunto de contos e micro-contos sobre o sofrimento do amor.

    Não conhecia nada deste autor, sendo que o meu pai me havia dito que gostava bastante dele. Estava muito curiosa por experimentar. Foi uma leitura um pouco estranha.

    Nestes contos curtíssimos o autor parece desenvolver uma certa obsessão pelo tema do abandono e do amor enquanto decepção. Em todos os contos se nos apresenta um narrador fragilizado, infeliz e muito paranóico, enquanto que ao mesmo tempo se apresenta completamente indiferente em relação à vida e ao mundo que o rodeia. Será este narrador um reflexo do autor. Se assim for, pobre triste!

    Sendo que o tema é recorrente e constantemente abordado em várias perspectivas, o livro acaba por se tornar ligeiramente cansativo, sendo que muitas vezes desejei que os contos fossem ainda mais curtos.

    Ainda assim gostaria de experimentar outros livros do autor, só para tirar as teimas. :)

  • 6º Manga and Comic Event (2017)

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    6º Manga and Comic Event (2017)
    Evento

    MCE. Manga and Comic Event. Um evento a que eu sempre quis ir e que nunca tinha ido. Entretanto os anos foram passando e já vai na sexta edição! E eu nunca tinha ido... Desta feita, calhou mesmo junto ao aniversário da minha mãe. Aliás, costuma calhar, mas por várias razões que envolvem sempre trabalho nunca tinha conseguido ir. Mas este ano... Ai este ano! Marquei férias e ala para o Algarve! =D

    Sexta feira, oito e um quarto da manhã. Estávamos nós no autocarro EVA, no máximo conforto, bem fornecidos com uma hospedeira (que não pode ser aeromoça. No caso uma terromoça?), para viajar até ao nosso destino: Monte Gordo. Devido ao filme que havíamos visto na noite anterior, as horas de sono não eram muitas, de todo. Portanto, adormeci profundamente durante todas as quatro horas e meia de viagem. Na bagagem? Fatos de banho, o meu cosplay e um desejo tremendo de me afastar em absoluto das preocupações. O meu prop havia ido para o Algarve de carro com a minha mãe, que já estava instalada na casinha de Monte Gordo há uns dias.

    À chegada, alimentámo-nos com a única refeição que a minha mãe sabe fazer no Verão: bifes de atum de cebolada. Eu, que nem gosto de bifes de atum, fiquei maravilhada com a sua frescura. E depois....? PRAIA.

    Assar, grelhar, derreter, chamem o que quiserem. Depois, mergulhar na água morninha, uma água vegan cheia de pequenos vegetais alguíferos. Causam-me grande horror, mas o Qui ajudou-me a ultrapassá-los para as zonas mais profundas da água. Água profunda e eternamente azul mortífero, água profunda que nos chegou sempre pela cintura. Ah, como eu gosto da praia de Monte Gordo!

    Nessa noite comemos hambúrgueres no recentemente estreado Burger Ranch da cidade, sendo que depois fomos ver o centro. Este ano apareceu uma coisa nova: uma passadeira de madeira que atravessa toda a praia, desde o parque de campismo até à Praia Verde, permitindo que nos transportemos de um lado para o outro sem nunca tocar na areia.


    Dia seguinte fizemos actividades totalmente diferentes. Após um café, uma cerveja e umas compras, dividimos todas as opiniões dos presentes e decidimos... IR À PRAIA. E derretemos e assámos e grelhámos mais e mergulhámos mais nas algas. Uma delas picou-me e fiquei com uma borbulha. Mosquitos aquáticos? Alforreca camuflada?

    Pelo jantar, o Qui fez bolonhesa e todos adorámos. Depois, encontrámo-nos com outros visitantes ao monte obeso: The Forge Cosplay, um fantástico duo dinâmico, estavam instalados na mesma cidade e decidimos ir beber um copo e falar um pouco sobre todas as coisas. Foi uma conversa muito surpreendente e agradável em que trocámos montes de ideias úteis e ficámos a saber muitas coisas que não sabíamos. Confesso que eu fiquei a saber mais coisas, haha Foi uma conversa inspiradora e esclarecedora e deram-me muitas ideias para um projecto que estou a desenvolver! Fica aqui o meu agradecimento público por me terem deixado estar perto de vocês e falar de coisas. :) Teremos de repetir numa outra ocasião!

    E, assim, chegou o momento pelo qual os presentes estão a ler esta postificação neste belogue:

    Manga and Comic Event 

    Vamos estabelecer desde já uma coisa: um dos factores que mais contribuiu para a minha vontade de visitar este evento foram os vários relatos de que era o evento mais relaxante do Verão em que toda a gente era boa onda e na generalidade todos estavam felizes. Enganei-me? Enganaram-me? Vamos ver.

    A minha mãe transportou-nos de Monte Gordo a Faro logo depois do almoço. Devido aos seus planos de praia, não nos era possível ir mais cedo. Devido ao facto de estarmos todos de férias e com o íntimo desejo de não nos preocuparmos, não nos preocupámos com isso. Lá chegada, já com o fato vestido e o meu prop enorme todo embrulhado em sacos do lixo, fomos simpaticamente recebidos por uma voluntária que me deu duas fitas para o pulso e um dístico de "Convidado" ao Qui. Enquanto esperávamos, muitas foram as pessoas que me tiraram fotos, ainda toda cheia de sacos e saquítulos. Nesse momento descobriu-se que a cola que usei para o meu botão, assim como a outra cola de alguns componentes do facto, não era especialmente resistente ao calor. O botão caiu para o chão a rebolar enquanto um senhor me tirava uma foto, para minha grande vergonha!

    Implorei por um pouco de cola, que me foi simpaticamente fornecida pela Associação de Cosplay, presente com o seu SOS e com os seus serviços voluntariosos. Depois, fomos ver o evento. Fomos à parte de fora, onde se iria iniciar uma das imensas actividades disponíveis, o "This is Sparta". Pelo que entendi consistia numa guerra entre armas de cartão e parecia muito divertido, embora o calor não ajudasse. Depois, vimos um pouco as lojas disponíveis. E nisto estávamos quando aparece um rapaz que me informa que tenho de, necessariamente, ir para o backstage para uma "reunião".

    Então fui.

    Pensei que fosse apenas algo para mostrar aos voluntários onde ficariam as nossas coisas em palco. Nunca pensei que se tornasse num pesadelo de espera infinita de que o concurso começasse e terminasse. Acabei por ficar as três horas seguintes dentro do backstage (que, felizmente, estava bem mais fresco que o resto do evento). E o concurso que eu pensava que ia ser alegre e calmo revelou-se um dos concursos mais competitivos em que estive nos últimos tempos. Os nervos eram palpáveis no ar. A ansiedade era generalizada. Pouca conversa houve entre os concorrentes. Comigo, a conversa limitou-se ao meu tema preferido de férias, que é trabalho (peço que detectem a ironia). Os voluntários, mal preparados e aparentemente mais importados com os seus desejos pessoais do que com o auxílio aos cosplayers. Deram-nos água, mas depois ignoraram-nos para sempre. Toda a gente muito simpática, o Algarve é amigo, mas toda a gente muito ocupada. E, no meio disto tudo, uma aura de stress que me deixou simplesmente estupefacta.

    Quanto ao concurso em si, pouco vi. Não nos deixavam ir para as bandolinas. A minha parte não correu especialmente bem, admita-se: percebi logo aos primeiros segundos que o meu skit era demasiado longo. As pessoas do público pareciam pouco motivadas e não engataram com os Gipsy Kings durante os dois minutos completos. Peço desculpa por este skit que acabou por se tornar aborrecido. No entanto, queria fazê-lo desde há muito tempo com esta personagem, portanto perdoem-me a prepotência. :< Ainda assim, fiquei bastante sentida quando o júri nem sequer quis ver o meu prop de perto, que deu muito, mas mesmo muito trabalho a fazer.

    Vencedores merecidos, previsíveis desde o momento em que entrei no backstage e os vi. Nesse campo, visionamento de coisas que talvez não devessem ter sido vistas, quem sabe o quê (pilinhas? =D) Parabéns às três e que continuem o bom trabalho! :)

    E depois....? Depois o evento acabou. Um rapaz muito simpático que gosta de Aria pediu-me para tirar algumas fotos com ele no exterior, o que foi uma coisa muito positiva para mim, que já me sentia exausta. Só aí é que vi como o espaço era engraçado: a Escola de Hotelaria e Turismo é um quartel convertido, com espaços muito amplos, limpos e bastante frescos, com áreas no exterior muito agradáveis. Fiquei com muita pena de não ter podido apreciar nada disso. Fiquei com muita pena de não ter ido ao refeitório comer, pois estava esfaimada.

    Queria ter muito visto a Artist Alley. Queria muito ter participado em outras actividades. Queria muito ter encontrado todas as pessoas conhecidas e dar um oi e tirar uma foto. Bem, queria ter tirado fotos às pessoas no geral. Mas não foi de todo possível.

    Devia ter ido mais cedo? Sim. Devia ter ido no Sábado? Sim. Mas este evento foi-me descrito como algo que se poderia fazer numa estadia no Algarve. Eu fui de férias, aproveitei e fui ao evento. Mas parece que o que queriam era que eu fosse ao evento, aproveitar e ir de férias.

    Tudo isto me deixa triste e um pouco revoltada, mas agora aprendi a lição. Vamos mas é ver...


    FOTOS
    (poucas)


     Ai que coisa fofa!



     O espaço!

     Bem giro, não? :)



     O backstage, que tinha este objecto estranho
     Chamo-me António




     E o palco? Jeitosinho também :)

     Esta foi a foto que tirei durante o sukito =D
     Esta foi a selfie que tirei durante o sukito! =D


    Portanto, em conclusão: voltarei a este evento com todo o gosto, até porque não vi nada e gostava de ver. Levarei fatos simples sem nada que saber e perontes. Fresquinhos, sobretudo (se bem que o fato da Akari é muito fresco e muito confortável!). Peço apenas à organização que atente nos detalhes referidos e não faça do concurso uma espera permanente... Tudo de boa, ok? :)

    Depois fomos jantar: estava a morrer com fome. Foi mesmo lá ao pé. A minha mãe ainda entrou no evento invocando que fazia parte dos acompanhantes de uma convidada (a minha mãe é estranha, desculpem). Achou tudo muito bizarro, como sempre. Comi um bife caríssimo e adormeci na viagem de volta. Depois, fomos para o boardwalk, onde no dia anterior havíamos visto uma estrela cadente. :)

    Segunda feira foi o dia de aniversário da minha mãe. Para o celebrarmos fomos à PRAIA. Desta vez a maré estava cheia, com ondas poderosíssimas que me teriam arrastado para os confins do mundo observável não fossem os meus incríveis e caninos dotes natatórios.

    Jantámos no restaurante "Vicius" de Monte Gordo, onde comemos muito bem e nos divertimos com minha mãe e seus primos que vieram de propósito ao aniversário. Depois fomos para o nosso bbar habitual, para nos despedirmos. Afinal, no dia seguinte seria dia de viagem.


    O último dia passou-se a comprar alguns souvenires e a chorar por dentro. A perspectiva de voltar ao trabalho enchia-me o coração da mais pura infelicidade. Mas lá teve de ser. E agora, aqui estou eu.

    Portanto, apesar de o evento não ter sido a coisa mais fascinante das minhas férias, foi uma boa experiência para saber como proceder numa próxima vez. Espero que todos se tenham divertido e feito novos amigos. Que tenham passado noites quentes e dias ferventes. Eu, por mim, tinha ficado mais umas três semanas! ;p

     ARRIVERDERCHI
    <3
  • A Velocidade do Amor

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    A Velocidade do Amor
    Antonio Skármeta
    1989
    Romance

    Entretanto fomos viajar (irei falar sobre isso daqui a nada) e li este livro na praia. Sempre interessante ler um livro erótico na praia, não é?

    Fala de uma paixão entre um médico de meia idade e uma tenista adolescente. Isto é narrado pelo médico e acabamos por nunca saber o que realmente pensam as pessoas à volta dele. O personagem tem uma vida conveniente, plena de luxo e sucesso. E o livro acaba por se assemelhar a uma cópia restaurada do "Lolita" de Nabokov, excepto que não foi o Nabokov a escrevê-lo.

    O autor torna-se irritante e impossível de se aturar logo às primeiras páginas. Porque todo o livro e todas as falas e tudo o que os personagens pensam é baseado em citações de ouros autores, de músicas e de filmes. É sempre giro apanhar uma referência, mas quando o livro é feito apenas de referências...?

    As cenas eróticas são absurdas, muito pouco claras apesar da definição anatómica constante e  muito aborrecidas: não conseguimos percepcionar os sentimentos dos personagens, apenas o sítio onde colocaram outras partes do seu corpo.

    Um livro desapontante e que muito me chateou. Definitivamente, fiquei sem vontade de repetir outro prato do autor.
  • One from the Heart

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    One from the Heart
    Francis Ford Copolla
    1981
    Filme
    6 em 10

    Pois que íamos partir de viagem e fomos para Lisboa para ser mais fácil apanhar o autocarro. Lá, encontrámos o DVD deste filme e decidimos vê-lo. Fique a nota que agora que tenho uma televisão super especial cheia de coisas especiais, ver um DVD numa televisão normal parece-se muito com ver uma gravação de VHS de um anima dos anos 80. :p

    Este é um filme sobre um casal que discute. Ele quer estabilidade. Ela quer algo diferente. Perdidos na noite de uma Las Vegas delirante, encontram outras coisas e acabam por se reencontrar.

    O filme tem algo de especial e extraordinário que não se pode ignorar. Todo ele foi feito em estúdio, com utilização de muito poucos recursos. Seguem-se quartos e salas que evidentemente são o mesmo espaço mas manipulado de tal forma que parecem sempre lugares diferentes. A rua também é um palco. As transições entre as cenas e entre os lugares são feitos com a máxima atenção ao detalhe, sendo que o efeito visual final é algo de muito cativante. Também a banda sonora contribui para este efeito multidimensional, remetendo-nos para um lugar de fantasia e sonho em que a realidade acaba por ser muito difusa.

    O problema deste filme encontra-se, essencialmente, nos personagens. A sua caracterização é muito limitativa, sendo que o desenvolvimento se revela injusto e bastante machista em termos morais. Para além disso, os personagens secundários são muito pouco explorados: todos queríamos saber muito mais sobre a rapariga do circo.

    No entanto, adorei os cenários e a forma como tudo está filmado. Precisávamos apenas de uma história melhor.
  • O Carteiro de Pablo Neruda

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    O Carteiro de Pablo Neruda (Ardente Paciência)
    Antonio Skármeta
    1986
    Romance

    Já tinha ouvido falar muito deste romance e do filme a que deu origem. No entanto, depois de ter feito aquela pequena maratona sobre Neruda, este livro empalidece perante a grandeza da sua inspiração.

    Neruda viveu, como se sabe, isolado no topo de uma ilha. Esta é a história do carteiro que lhe levava as cartas. Carteiro esse que não tinha mais ninguém a quem as levar. Assim se forma uma história de cândida amizade em que o carteiro tenta imitar o poeta e começa a compreender um pouco a poesia e tudo o que está dentro dela.

    Infelizmente, o livro faz recurso a diversos elementos históricos que, na realidade, não aparentam ter existido. A cronologia dos eventos não corresponde à realidade e, por isso, este livro passa de romance "histórico" a invenção absoluta.

    A escrita é muito simples, mas pouco convidativa de qualquer forma.

    Fiquei à espera de outros livros do autor para poder tirar uma conclusão.

  • Bem Julgar

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    Bem Julgar - Ensaio sobre o Ritual Judiciário
    Antoine Garapon
    1997
    Filosofia de Direito

    Este livro estava, casualmente, sentado na estante da nova TBR que estou a enfrentar. Parecia ser uma coisa horrível e fora da minha compreensão, mas muni-me de coragem e... Porque não?

    Surpreendentemente, este livro não é uma seca. Tendo por base a premissa de "bem julgar" o autor olha para os elementos de um tribunal e de um julgamento como figuras normativas de estética, que poderão ou não influenciar o próprio processo decisivo do julgamento propriamente dito.

    Assim, o autor analisa a forma e distribuição de funções no espaço da justiça enquanto "templo", fazendo uso de uma perspectiva histórica dos símbolos comummente utilizados. Analisa também as roupas dos intervenientes e as suas significações e a organização do espaço em que estes se encontram.

    Também faz uma comparação do modelo francês e americano, que conheço apenas de ver na televisão.

    O autor propõe o debate: será que o espectáculo judiciário é essencial para a tomada da decisão legal? A mim parece-me desnecessário, mas coloca-se neste livro a perspectiva de que não se pode viver sem esse elemento.

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