Archive for sexta-feira, março 19

  • Nona Florescente

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    Nona Florescente
    Iny Cristy Lima
    2020
    Poesia

    A autora deste livro ofereceu-nos lá na clínica e, obviamente, fui eu quem ficou com ele. A capa é giríssima, mas atentando melhor vemos "Chiado Editores" ali no canto, portanto não tinha grandes expectativas.

    Tinha razão.

    A imagética é muito contemporânea e interessante, com alguns elementos curiosos e surrealistas. Mas as rimas... São tão... Más. Poemas inteiros terminam na mesma sílaba, a autora rima coisas que não fazem sentido, o livro está cheio de gralhas.

    Enfim, é uma experiência curiosa e recomendaria a algum fã de poesia, mas não me caiu no goto.

  • Tempos Duros

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    Tempos Duros
    Mario Vargas Llosa
    2019
    Romance

     Começo a convencer-me que o objectivo de vida do meu querido Vargalhosa é escrever um romance sobre cada uma das ditaduras da América Latina. Isto é um tema que é interessante ao início mas, após várias leituras sobre o mesmo assunto, acaba por fartar um pouco.

    Não é que o livro seja mau: não é. Está muito bem escrito, tem um ritmo fantástico e fala de assuntos difíceis mas de uma forma directa e bem-humorada. Apenas o tema podia ser outro completamente diferente. A escrita seria a mesma.

    Aprendi muitas coisas sobre a Guatemala e a República Dominicana, mas isto é um conhecimento que - no contexto deste livro - não nos ajuda a compreender a realidade actual. Assim, senti este livro como desnecessário e mais um a adicionar a esse tal projecto bizarro.


  • Never Rarely Sometimes Always

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    Never Rarely Sometimes Always
    Eliza Hittman
    2020
    Filme
    6 em 10

    Uma rapariga de um estado interior descobre que está grávida. Não lhe permitem fazer um aborto no seu estado então, juntamente com a sua prima, viaja até Nova Yorque. Este filme mostra a sua aventura de poucos dias nesse estado, e como se processa este procedimento de aborto.

    O filme quase não tem diálogo, sendo que os elementos de caracterização e de narrativa passada são dados de forma muito discreta. Ainda assim, é um filme bastante forte e agressivo, que expõe a situação pela qual muitas raparigas têm de passar, assim como a culpabilização e emoções dolorosas.

    Como progride de forma lenta, sendo que a maior parte dos intervenientes são homens que assediam e abusam, o filme talvez peque por exagero. Apesar de a segurança das raparigas e mulheres ser muito relativa, este filme faz crer que todo o homem é um abusador, o que não corresponde totalmente à verdade. Talvez fosse importante ter um elemento apaziguador dentro deste contexto.

    Ainda assim, um filme importante nestes tempos em que vivemos.


  • A Sun

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    A Sun
    Chung Mong-Hong
    2019
    Filme
    4 em 10

    Uma saga familiar passada em Taiwan.

    Um jovem vai para o reformatório depois de participar numa amputação do membro de um conhecido. O seu pai despreza-o e considera-se como parente apenas de um dos irmãos, o bem sucedido aplicante a estudante de medicina que faz tudo bem. Entretanto, surge uma rapariga grávida. A família tem de se unir, mas o pai mantém-se firme na sua posição. E depois, a primeira das tragédias.

    Talvez este filme tivesse funcionado melhor se fosse uma série, pois cada um dos arcos se demora em muitos detalhes, tornando a narrativa extremamente longa e, assim, extremamente aborrecida. A qualquer momento, no final de cada arco, eu esperava que o filme terminasse.

    Apesar de termos uma mensagem bela, acerca do "sol" enquanto elemento físico e humano, esta acaba por se perder na narrativa extremamente detalhada que nos apresentam, com muitos elementos que me pareceram inúteis e indesejáveis.

    Não recomendo.

  • Os Marginais

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    Os Marginais
    S. E. Hinton
    1967
    Romance

    Este foi o outro livro resgatado e, por razões cronológicas, talvez o tivesse lido primeiro. Mas bem, não me fez diferença.

    Um grupo de jovens entre os 13 e os 20 anos tenta viver a sua vida sem problemas, mas estão constantemente marginalizados. Eles sabem que não são "normais", nunca poderão ser como os miúdos ricos que os atormentam, gozando com as suas roupas e cabelos e maltratando-os sempre que possível. Quando ocorre uma desgraça, o seu problema agrava-se ainda mais. 

    Neste livro, o personagem principal tem um discurso mais adequado à sua idade, o que torna a leitura muito interessante, apesar de bastante juvenil. Ele fala-nos da sua família e da sua família alargada, e acabamos por conhecer cada um dos personagens como se tratasse de um amigo. Assim, torcemos por eles incondicionalmente, apesar de sabermos que nem sempre as suas atitudes são as correctas.

    A autora também cria uma caracterização para o grupo dos atacantes, demonstrando que todos e cada um também são pessoas, com vidas, com sentimentos, com medos, com sonhos. E, para mim, talvez isso seja o mais importante.

    Recomendo!

  • Indiana Jones e a Última Cruzada

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    Indiana Jones e a Última Cruzada
    Steven Spielberg
    1989
    Filme
    6 em 10

    E agora para o último filme da saga de Indiana Jones. Desta vez conhecemos um pouco da sua infância e da sua família: o seu pai. E o duo dinâmico é mesmo giro!

    Agora, Indiana Jones tem de procurar o último cruzado e descobrir o Santo Graal, antes que (outra vez) os nazis o encontrem. Nem tudo lhe corre bem e, pela primeira vez, temos uma personagem feminina que - sendo forte - também não é o que aparenta. Os efeitos continuam fantásticos, agora com uma maior produção e maior componente digital, que para a altura é bastante boa.

    Os detalhes históricos são muito interessantes e a química entre os actores vence tudo. É um filme com situações negativas, mas também cheio de humor. Mais uma vez, um verdadeiro filme de aventura!

    Esta trilogia é essencialmente um perfeito representante desses filmes e desse género dos aventureiros que tanto nos cativou como crianças. Teria sido muito feliz (ou talvez muito assustada) em vê-los na infância!

  • Rumble Fish

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    Rumble Fish - Juventude Inquieta
    S. E. Hinton
    1975
    Romance

    Estes livros estavam perdidos e foram resgatados (este e outro da mesma autora) e agora por mim lidos. Salvadores de livros... Em acção!

    É um pouco estranho descobrir que S. E. Hinton é Sue, porque o livro é extremamente masculino. Fala de um rapaz muito jovem, mas já delinquente pela força da vida que o rodeia. Fala das suas relações com amigos e relações familiares, uma mãe perdida e um irmão idolatrado.

    É um livro muito simples, escrito de forma directa e com um discurso juvenil muito interessante, mas que por vezes pode ser um pouco confuso, na imagética do som e das cores. É um relato de uma juventude americana perdida, mas de certa forma pouco detalhado e pouco verosímil.

    Ainda assim, li-o numa viagem de autocarro e gostei bastante.

  • Indiana Jones e o Templo Perdido

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    Indiana Jones e o Templo Perdido
    Steven Spielberg
    1984
    Filme
    6 em 10

    Passamos ao segundo filme da saga de Indiana Jones, em que este - depois de atribulações na China - se encontra perdido na Índia e se remete a buscar uma pedra mágica que foi roubada por um culto maléfico.

    Este filme assustou-me para cacete. Tem insectos, demasiados insectos, e morri de medo e gritei imenso. No me gusta isso, non. De resto, este filme é bastante mais negro, com elementos assustadores e violentos, sobretudo dirigidos a crianças. Não é um filme que pudesse sair em 2021. Os efeitos práticos continuam fantásticos, desta vez com alguma integração de meios digitais, bem capazes para época.

    As personagens são diferentes neste filme e temos uma personagem feminina absolutamente oca e incapaz, e uma criança que não traz grandes mais valias à narrativa (talvez porque o filme tem muitas crianças).

    Enfim, nunca esperei que um filme de aventura fosse tão assustador. Acho que afinal não quero ser arqueóloga.

     

  • Os Salteadores da Arca Perdida

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    Os Salteadores da Arca Perdida
    Steven Spielberg
    1981
    Filme
    7 em 10

    Acreditam que eu nunca tinha visto um filme do Indiana Jones? Bem, com este primeiro fiquei apaixonada!

    Doutor Indiana Jones é professor de arqueologia na universidade e, também, um aventureiro. Incubem-lhe a missão de salvar dos nazis uma arca perdida, que supostamente contém as tábuas dos dez mandamentos e um poder incomparável que não pode cair nas mãos dos malévolos fascistas. E assim começa uma aventura apaixonante, cheia de acção e de humor.

    Os efeitos especiais e práticos são fabulosos, o humor cativante e as personagens apaixonantes. Talvez a figura feminina seja um pouco fraca, pois necessariamente tem de ser salva por Indiana Jones. Os actores têm papéis bastante simples, mas interpretam-nos de forma muito eficaz e humorística.

    Um verdadeiro filme de aventuras, que me deu vontade de largar tudo e ser arqueóloga! Mal sabiam os miúdos dos anos 80 que ser arqueólogo inclui saber todos os detalhes de osteologia e que isso, meus amigos, isso é uma valente seca!

  • Falcó

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    Falcó
    Arturo Pérez-Reverte
    2016
    Romance

    Há muito tempo que não lia um romance de espionagem, então este soube mesmo a ginjas. Um verdadeiro page-turner, que li num único dia simplesmente porque não o conseguia largar!

    Falcó é um espião franquista, um sedutor e um aventureiro, sem filiação política apesar de estar do lado dos maus. Aliás, é algo que me fez grande confusão, ele estar do lado dos fascistas. No entanto, ele tem um sentido de justiça apurado e irá lutar por aquilo que acha correcto.

    As voltas e reviravoltas são apaixonantes e viciantes. Talvez o único defeito do livro seja a caracterização de Falcó, que apesar de estar sempre a conquistar belas damas não aparenta ter uma personalidade definida, e demonstra muitas vezes momentos de fraqueza que não correspondem ao que imaginávamos.

    De resto, recomendo bastante, lê-se num instante!

  • A Rapariga que Inventou um Sonho

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    A Rapariga que Inventou um Sonho
    Haruki Murakami
    2006
    Contos

    Ofereceram-me este livro no Natal e mais tarde lembrei-me que já o tinha lido. Foi o primeiro livro de Murakami que comprei e li. Não surpreendentemente, não me lembrava de grande coisa. Ainda assim, não foi uma leitura especialmente agradável.

    Murakami tem um problema na sua estruturação que o torna bastante medíocre. Observemos: o conto começa com um relato de si próprio ou de outra personagem. Depois essa pessoa começa a falar de um acontecimento da sua vida, contando uma história sem qualquer relação com os primeiros elementos. Assim, acabamos por não chegar a conclusão nenhuma.

    A tradução da Casa das Letras continua a ser atroz, com o abuso da horrível expressão "acto contínuo".

    Espero que não me ofereçam mais livros do Murakami.

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