Archive for quarta-feira, janeiro 30

  • K-On! Movie

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    K-On! Movie
    Yamada Naoko - Kyoto Animation
    Anime - Filme
    2011
    7 em 10

    Há quanto tempo é que eu não via anime? Pois é, estou aqui com uma questão com o meu computador em que não devo ou posso sacar nada novo, então é assim...

    O filme de K-On fala-nos de uma secção da segunda season, a viagem de graduação da banda. Para quem já tenha visto esta season o filme acaba por não trazer muito de novo, sendo que a conclusão (que tanto me emocionou à primeira) sabe a pouco.

    Tendo isso em conta, é sempre um prazer ver mais aventuras deste grupo relaxado de meninas, desta feita em Londres. Assistimos a alguns momentos de concerto que nos enchem as medidas musicalmente e existe uma caracterização bastante interessante do ambiente musical londrino, embora sempre carregado de uma inocência infantil, o que sempre foi natural neste tipo de anime.

    Também a arte e animação são pontos a favor. Temos cenários detalhados, cada um quase fotográfico, e sequências de acção que se coadunam muito bem com o que está a ser apresentado. Sobretudo nos concertos, é dada uma especial atenção à banda, ao público e à relação entre eles, sendo estas cenas carregadas de bastantes detalhes.

    Gostei muito deste meu regresso ao anime. Agora estou imparável outra vez.
  • Stabat Mater | Paixão Segundo João

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    Stabat Mater | Paixão Segundo João
    Antonio Tarantino
    1997
    Teatro

    E como também ando a aprender mais sobre dramaturgia, emprestaram-me (obrigada) este mini-mini-livrinho com duas peças de um familiar do Tarantino, que pelos vistos também é maluco. :)

    Comecemos por Stabat Mater. É uma performance a uma voz, em três partes, em que uma personagem feminina está aos gritos com alguém, falando do filho que teve e do homem que a abandonou. Mas a forma como fala destas coisas é desregrada, de uma linguagem vernacular cheia de energia e cheia de expressões engraçadas. O texto é complexo e delirante, apesar de estar a contar uma história muito simples. Não fosse o seu tamanho, difícil de decorar, quase que tinha vontade de o interpretar eu mesma (huhuhu).

    Já a Paixão Segundo João é um outro tipo de exercício. Este texto é mais difícil de desfiar, estando pleno de significados e crítica social que poderão ser um pouco difíceis de contextualizar. Observamos um louco numa sala de espera e o seu acompanhante, que parece esperar que a esp4era do louco termine. O discurso é rápido, com energia vital. Imparável.

    São dois textos dramatúrgicos muito estranhos, mas ainda assim muito estimulantes. Obrigada!
  • Abismo

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    Abismo e Outros Contos
    Jean Meckert
    2013 (Antologia)
    Contos

    Tenho estado a aprender um pouco mais sobre contos, pelo que me emprestaram este livro como exemplo de contos integrais.

    Convém falarmos um pouco do autor. Este foi um daqueles escritores atormentados pelas dificuldades da pobreza, pela falta de emprego pela altura da Grande Depressão e pela guerra que espreitava por todos os lados. A sua infelicidade: constante busca por uma forma de vida que lhe permitisse manter um lugar onde viver e o que comer.

    Isto reflecte-se, sem qualquer dúvida, nos três contos contidos neste volume. No primeiro, conta como a sua aldrabice para conseguir uma comissão destruiu a vida a uma família. No segundo, remte-se a uma prisão e narra os pequenos acontecimentos do dia nesse local. O narrador oferece-se como uma entidade neutra, tão inocente quanto criminosa, o que transmite todo um aspecto tragicómico à situação. Nestas duas histórias, o autor também relata de forma paralela a pobreza que se vive por todo o lado, caracterizando muito bem a sociedade que o rodeava nessa época.

    Finalmente, o último conto aparece como um manifesto da tristeza, autor questionando tudo e todos se o podem compreender, se o podem ajudar e porque não fazem isso estando ele à beira do abismo. Depois dos primeiros contos, que no fundo quase são uma cronologia autobiográfica, este aprece como um murro no estômago.

    Uma excelente leitura, também muito rápida. Obrigada!


  • Ronin

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    Ronin
    Frank Miller
    1983
    Graphic Novel

    Comprámos esta Graphic Novel no AmadoraBD do ano passado. Uma leitura tão difícil como extraordinária.

    Um samurai sem mestre, Ronin, é amaldiçoado por um demónio. Renasce no corpo de Billy, um homem do futuro com poderes telecinéticos associado a um super computador. Aquarios, esta nova tecnologia, tem uma inteligência artificial suprema e uma capacidade de aprendizagem invejável. Mas a acção do demónio, que também renasceu, irá complicar as coisas.

    Se há coisa que impressiona desde logo neste livro é a arte. É uma arte complexa, cheia de traços e sombras que, pintado a aguarela numa paleta de cores vibrante e incompleta, transmite um conjunto de sensações visuais impressionantes. No entanto, tornam a leitura também muito confusa enquanto se tenta descortinar o sentido de cada acção que, de forma muito dinâmica, nos conta uma história plena de violência.

    A ideia por trás de Aquarius também revela uma grande originalidade no conceito, talvez com uma certa inspiração em Hal de Kubrick. O demónio sobrenatural, algo nada lógico nem científico, consegue enganar a máquina mais inteligente de que há memória, usando para isso o seu próprio mecanismo. Assim, o demónio e a máquina tornam-se quase como uma unidade.

    Vale a pena ler este volume pela sua importância histórica e pelo desafio de enfrentar o seu grafismo.
  • Sharp Objects

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    Sharp Objects
    Jean-Marc Vallé
    Série
    2018

    Esta é uma série baseada no livro "Objectos Cortantes", com argumento escrito pela própria autora. Assim, vi a série já sabendo o final e comparando mais ou menos os acontecimentos.

    É uma adaptação perfeita do livro, sem deixar nada de fora e acrescentando elementos que - não sendo essenciais - colaboram na caracterização das personagens. Estas, são interpretadas de forma surpreendente, plenas de realismo na dor que todas sentem. É uma série completa, suportada em muito pelas interpretações mas também pelo processo narrativo, que se desenrola de uma forma sensata e objectiva.

    A aura narrativa de toda a séria inspira ao terror e à ansiedade. Apesar de não ser uma história propícia a sustos, o espectador tende a sentir-se nervoso enquanto o mistério, cada vez mais complexo e com uma resolução inesperada (pelo menos para quem não tenha lido o livro). O ambiente retratado transmite alguma opressão, aquela característica das comunidades herméticas altamente tradicionalizadas dos estados unidos profundos.

    Talvez o único defeito que tenha encontrado tenha sido a própria caracterização do embiente. É suposto ser um Verão ardente, um calor insuportável. Mas não só a personagem principal, sempre tapada, parece não sentir isso como quase ninguém sua ou exaspera com o calor. As cores da imagem sugerem um ambiente húmido e nada solarengo.

    Fica a nota também para a banda sonora, que se enquadra de forma perturbadora às imagens e que coloca no centro alguma da música que melhor se tem feito hoje em dia.

    Uma série que ficará na memória.
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