Archive for quarta-feira, abril 13
One Punch Man
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One Punch Man
Natsume Shingo - Madhouse Studios
Anime - 12 Episódios
2015
7 em 10
Vou dizer já, logo no início, para estarem todos mentalmente preparados: não achei este anime uma coisa assim tão especial.
Já estou de braços abertos, à espera que me preguem na cruz, obrigada.
Mas vamos começar pelo início. One Punch Man conta a saga de um jovem que, depois de se ver em dificuldades com um monstro, decide fazer ginástica suficiente para se tornar no homem mais forte do mundo. Conseguindo-o, a força do seu murro tem a capacidade de desfazer até os mais poderosos e horrendos monstros. No entanto, quando se inscreve para ser um herói oficial, ninguém lhe liga nenhuma...
A história tem uma natureza muito engraçada e completamente transviada da realidade. No entanto, a interacção dos heróis uns com os outros e dos monstros terríveis que aparecem (e a forma como são derrotados) da azo a algumas gargalhadas. Não muitas, no meu caso, mas algumas. No entanto, nem só de piada vive um anime: as personagens de OPM são completamente destituídas de tudo o que as possa caracterizar, para além do elemento gag. Assim, toda a sua caracterização existe em função da piada seguinte e, desta forma, acabamos por ter um anime bastante vazio em termos de desenvolvimento narrativo.
Este aspecto é compensado por uma animação espectacular. Os aspectos relativos à história e tudo isso ficam escondidos por trás de cenas de lutas brilhantes, bem coreografadas, com linhas cinéticas cheias de energia, com cores variadas e um mix de explosões e brilhos que se pegam aos nossos olhos e não nos largam. Por isso esta série acaba por ser viciante, porque a animação está tão viva que não conseguimos deixar de lhe dar um segundo de atenção!
Torna isto a série numa obra-prima da modernidade? Não me parece.
Em termos musicais, achei a OP pouco inspirada e a ED pouco apropriada. No parênquima nada de especialmente cativante.
Assim, temos uma série que vive praticamente da sua animação e dos gags de super-heróis que espicaçam um pouco o mote para as lutas. Mas que é praticamente destituída de fio narrativo e de desenvolvimento. Portanto, fica nota 7 pelos pontos bons e por me ter apanhado. Mas fique a nota de que não é o cristo redentor de todos os animes.
By : ladyxzeus
Lupin III (2015)
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Lupin III (2015)
Yano Yuuchirou - TMS Entertainment
Anime - 24 Episódios
2015
7 em 10
Após ter visto alguns animes desta instância, pensei que não poderia perder uma nova série dedicada a Lupin! Esta série teve lançamento também na Itália (até mesmo antes do lançamento Japonês), local onde o anime é passado.
Foi uma excelente aventura ver este anime e, para mim, foi o melhor da sua season. Talvez mesmo o melhor do ano!
Lupin e seus amigos mantém-se muito semelhantes àquilo que conhecemos. Nesse aspecto, achei que a série manteve uma pureza fantástica, obrigando-se à reinvenção para se manter íntegra com as experiências passadas. Os nossos personagens continuam plenos de inteligência e bom humor, sendo que o resultado não podia ser melhor: em cada episódio (ou par de episódios) nos é mostrada uma diferente história, uma diferente aventura que Lupin e a sua pandilha vivem, a forma como se metem em problemas e, sobretudo, a maneira cheia de esperteza com que se safam sempre.
Existem alguns personagens novos, é verdade, mas não achei isso um problema. Na verdade, achei mesmo vantajoso pois foi uma forma simples e livre de ardores de dar algum tipo de modernidade à série, introduzindo novos conceitos que nos anos 70 eram pouco comuns, como diferentes armas, efeitos biológicos, diferente tipo de instrumentos. Tudo isto traz uma nova vivacidade a Lupin, enquanto série, e é fonte de diversão absoluta.
Ajuda muito a arte que, detalhada e com uma paleta de cores vibrante - apesar de escura - nos mostra uma série de paisagens e objectos que quase que servem como spot turístico para os locais. Quase que nos dá vontade de visitar a Itália para podermos ver os lugares onde Lupin viveu as suas aventuras! A animação poderia, por vezes, ser um pouco melhor mas regra geral cumpre bem o seu papel, sendo que também nesta o estúdio colocou um pouco da sua descontracção.
A banda sonora, cheia de temas tradicionais, swings e reminiscentes dos anos 60-70, remete-nos para um ambiente de polícias e ladrões, de problemas e de soluções. A ED, especialmente, foi-me impossível deixar de a ouvir em quase todos os episódios!
Uma série divertida, descontraída e que leva Lupin, o personagem, a uma nova geração, tocando em temas actuais mas mantendo sempre a personalidade que todos amamos.
By : ladyxzeus
Poesia de Alberto Caeiro
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Poesia de Alberto Caeiro
Alberto Caeiro
Anos 10
Poesia
Finalmente, a última pessoa de Pessoa que me foi dada a oportunidade de ler. Alberto Caeiro é considerado, tanto como pelo seu nemesis como pelos seus pares, o mestre de todos os heterónimos. E neste volume é-nos dado a conhecer um pouco sobre ele.
Este volume compreende, então, "O Guardador de Rebanhos" (colectânea máxima do autor), "O Pastor Amoroso" e alguns dos "Poemas Inconjuntos".
Recordo mal o que aprendi no secundário sobre Caeiro, mas lembro-me de que me diziam que se tratava de um simplório naturalista fascinado pelo ambiente bucólico dos campos. Mais uma vez se confirma que o professor da altura sofria de acefalia, porque o entender sobre estes poemas que tive é totalmente diferente. Caeiro admira a natureza não pela sua beleza infantil mas sim pela sua capacidade de se manter sempre igual na mutabilidade que a caracteriza. Porque Caeiro não procura escrever sobre o belo nem sobre os elementos descritivos, mas sim sobre a sua visão da vida: a vida não é uma vida, porque simplesmente existe. É essa manifestação, o "simplesmente", afecta a vida desta figura nos seus mais variados aspectos: a admiração do mundo natural é apenas a constatação da passagem do tempo pela vida. Sentimentos como o amor reflectem-se na capacidade que temos de aceitar a nossa insignificância como elementos da própria natureza.
O resultado é simples, eficaz e muito belo. Também curioso e por vezes bem humorado, sobretudo nos momentos de reflexão sobre a religião.
Deixo-vos, então, aqui um par de poemas de que gostei bastante. O primeiro porque achei giro, o segundo porque concordo tanto que me fartei de rir =D
II
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...
A manhã raia. Não: a manhã não raia.
A manhã é uma coisa abstracta, está, não é uma coisa.
Começamos a ver o sol, a esta hora, aqui.
Se o sol matutino dando nas árvores é belo,
É tão belo se chamarmos à manhã «Começarmos a ver o sol»
Como o é se lhe chamarmos a manhã,
Por isso se não há vantagem em por nomes errados às coisas,
Devemos nunca lhes por nomes alguns.
A manhã é uma coisa abstracta, está, não é uma coisa.
Começamos a ver o sol, a esta hora, aqui.
Se o sol matutino dando nas árvores é belo,
É tão belo se chamarmos à manhã «Começarmos a ver o sol»
Como o é se lhe chamarmos a manhã,
Por isso se não há vantagem em por nomes errados às coisas,
Devemos nunca lhes por nomes alguns.
By : ladyxzeus
A Ratazana
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A Ratazana
Günter Grass
1986
Romance
Este livro foi obtido numa troca por um voucher que me ofereceram da minha livraria habitual (que, por sinal, é a Bertrand. Nada de alternativo por aqui) pelo meu aniversário. Quando li a sinopse na contracapa fiquei logo rendida à ideia: uma ratazana, representante da sua espécie, conta toda a história da humanidade pelos seus olhos, desde Noé até ao fim dos tempos.
Infelizmente, o livro não correspondeu propriamente à sinopse. Mas não deixou de ser muito interessante.
Um homem, o narrador, recebe pelo Natal aquilo que sempre desejou: uma ratazana de estimação. Esta ratazana, a Rata de Natal (pois...) começa a falar com ele num sonho em que o narrador se encontra amarrado a uma cadeira numa cápsula espacial e consegue ver o fim da humanidade como a conhecemos, por influência desta espécie de muscelídeos. No entanto, temos vários pontos narrativos que se interligam uns com os outros, para no final se juntarem todas as pontas nesse fim do mundo rático em que a espécie dominante são estes bicharocos.
Temos então a história das ratazanas propriamente dita; depois a história de um grupo de mulheres que conta medusas no oceano a bordo de um navio; a história de um realizador de cinema que visita a avó pelo seu centésimo sétimo aniversário; finalmente, a história dos contos de fadas do filme que este vai realizar.
Este conjunto de histórias pode começar por ser um pouco confuso, mas à medida que se vão reunindo todas as ideias no mesmo arco narrativo (o das ratazanas) começamos a perceber melhor a existência de todos estes pontos. Na verdade, o autor tece neste livro mais do que uma história mas sim uma crítica social contundente relativamente ao advento da tecnologia e à destruição da Natureza. Pois é devido a estes que a a humanidade acaba por perecer, sem sequer perceber muito bem como.
A escrita é bastante leve, apesar da narrativa ser complexa. Mas devo confessar que odiei a tradução: qual a necessidade do tradutor explicar palavra por palavra o seu significado na língua original?
Uma leitura um pouco difícil, que à primeira vista não recomendaria.
By : ladyxzeus