Archive for terça-feira, julho 02

  • Suisei no Gargantia

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    Suisei no Gargantia
    Urobuchi Gen - Production I.G.
    Anime - 13 Episódios
    2013
    7 em 10

    Para mim o melhor anime desta temporada. Na sua génese está o criador das nossas famosas Megucas, mas este anime não tem nenhuma pretensão a deconstrução. É simplesmente um conto de ficção científica passado num imaginário extremamente bem concebido e muito original.

    Comecemos pelo início, que é o melhor sítio para começar. Algures no meio do espaço, está um soldado (Ledo) dentro de um mecha (Chamber) a lutar contra umas anémonas espaciais (Hideauze). De repente, é absorvido por um wormhole e vai parar a um planeta a milhares de anos luz de distância. Esse planeta está coberto de água e os seus habitantes vivem em navios que formam ilhas flutuantes com a sua própria civilização. Esse planeta é o planeta Terra. Pois é, depois de mais uma idade do gelo, sobrou um planeta coberto de água e os seres humanos tiveram de se adaptar.

    Ao início o anime explora as diferenças entre os dois universos, a Terra e a confederação artificial onde vivia Ledo. Existem diferenças na língua (o que é sempre uma coisa extraordinária) e dos hábitos e vemos Ledo a conformar-se e a adaptar-se ao novo universo em que se encontra. Mais tarde ele encontra umas criaturas parecidas com os Hideauze, a que eu chamo de Balulas (Baleia + Lula) e aí a história dá uma volta, mas sem nunca se desencontrar do objectivo inicial de explorar as diferenças.

    Temos personagens variados e todos eles têm uma certa evolução, mas sobretudo Ledo e Chamber. Eles estavam habituados a uma sociedade autocrática e de repente Ledo vê-se confrontado com uma realidade em que viver é mais do que lutar contra seres aquáticos do espaço. O próprio Chamber, sendo uma inteligência artificial, adapta as suas decisões ao universo novo em que se encontra, sendo que o climax é atingido com a sua realização. De entre os outros personagens, apenas Pinion tem uma certa evolução, passando de convencido insuportável a mais ou menos humilde insuportável. Todos os outros aparentam estar lá como decoração ou como mecanismo para o avanço da história, sobretudo Amy.

    A arte é deveras linda. Deveras lindíssima. Para um mundo todo coberto de água, temos uma variação de cores, nela e no céu, brilhante e bela. Os barcos, Gargantia sobretudo, estão desenhados com extremo detalhe. É um anime muito bonito e a paleta de cores trás uma vibração positiva. Existe algum CG, sobretudo no design dos mechas, mas está bem integrado com o resto do ambiente e acaba por não destoar.

    O mesmo se aplica à música, isto da positividade. Olhando bem, não é nada de especial, mas adiciona bem-estar às situações.

    Infelizmente temos alguns episódios, sobretudo na primeira parte, que parecem não estar ali a fazer nada. Nomeadamente o episódio da praia (que não é bem uma praia, mas tem fatos de banho) e o episódio das danças dos ventres. Senti-os mais como episódios de serviço inusitado, ali postos às três pancadas para ocupar o tempo e para tentar dar alguma densidade aos personagens femininos (que não a têm). Talvez também para aumentar o sentimento "feel good" de toda a parte inicial da série. 

    De resto, um anime muito original e muito bonito, com a sua dose de piada, que vale a pena ver.
  • Aku no Hana

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    Aku no Hana
    Nagahama Hiroshi - Starchild Records
    Anime - 13 Episódios
    2013
    6 em 10

    Certamente um dos animes mais bizarros da season. Aliás, dos que vi o mais bizarro. Segue a vida de Kasuga, um rapaz que gosta de ler As Flores do Mal (Aku no Hana) de Baudelaire. Num momento da sua vida, furta a roupa de ginástica da sua musa e amada, Saeki. É visto por uma maluca, Nakamura, que faz um contrato com ele e lhe atormenta a vida.

    Mas isto evolui. Kasuga evolui muito enquanto personagem, apesar do resto do trio ficar para trás. Ele admite que não percebe Baudelaire. Achei, por isto, que este anime foi uma análise estruturada da solidão adolescente, do facto de alguns adolescentes (eu inclusa) se acharem especiais ou melhores que os outros. Esta foi só a primeira parte: eles deram-nos uma noção do que vai ser a segunda parte (e esperemos que ela venha a existir efectivamente) e ao que parece vai ter sangue, suor e lágrimas. Na segunda parte eles vão admitir que estão perturbados e realmente começar a fazer coisas perturbadas, para gáudio e felicidade de toda a gente.

    Falando em toda a gente, toda a gente detestou a arte e animação. Efectivamente, é diferente. É realista e feia, o que acaba por demonstrar que esta cidade é feia, que estas pessoas são feias e que é tudo, como dizem os personagens, uma grande merda. Assim, creio que funciona muito bem. Mas não está muito bem feita. Logo ao primeiro episódio, vistas as diferenças entre o anime e o manga (vide abaixo), gritaram "rotoscópio!". Bem, eu sou uma pessoa muito ignorante por isso não sabia o que era um rotoscópio. Fui procurar. E aqui está a página da wikipedia. Então, por aquilo que eu percebo, eles fizeram isto com actores e depois desenharam por cima. É isso? Parece difícil, coordenar tanta gente só para fazer uns desenhos animados. O resultado acabou por não ser muito agradável à vista, mas - como disse antes - é funcional dentro do contexto.

    É grande a imagem, huhu

    A música trás grandes efeitos e adiciona tensão nos momentos certos, nomeadamente as grandes caminhadas que estes personagens fazem pela cidade terrível. Uma grande variedade de OPs, uma para cada um dos personagens do trio, pelo menos. E uma ED inesquecível, simplesmente porque é tão perturbadora.

    Gostaria de lhe dar uma nota melhor, mas a animação vale o que vale e achei que foi um pouco de mais termos tantos episódios para introduzir a história, sendo que ela agora só vai aquecer numa segunda parte que poderá ou não existir-
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