Archive for terça-feira, fevereiro 11

  • A Cidade

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    A Cidade
    Frans Masereel
    1925
    Banda Desenhada

    Recebi este livro num BookRay do BookCrossing, internacional. O livro veio da Argentina! Mas pode ser internacional porque não tem palavras.

    Não sei se pode ser considerado banda desenhada, graphic novel, porque o conteúdo é estranho, sem uma narrativa concreta. Essencialmente, através de xilografia a preto e branco, o autor mostra pequenos detalhes da vida íntima numa grande cidade. Cada painel, uma página inteira, mostra uma situação, um evento.

    Começamos por conhecer a cidade, o ambiente hostil e poluído, cheio de gente, desconfortável. Depois, passamos para coisas mais específicas, coisas que acontecem todos os dias em todas as cidades. Há um claro contraste entre as pessoas ricas, distraídas com compras, bacanais e espectáculos; e entre as pessoas pobres, que fazem tudo isto mas numa escala muito menor. No entanto, sejam pobres ou ricos, há a denúncia de uma fragilidade, aquela comum a todos os seres humanos. Os painéis que gostei mais (e que não posso partilhar, à falta de scanner ligado ao meu computador aqui no trabalho) demonstram precisamente este ponto.

    Um deles mostrava um homem, numa casa cheia de livros e ornamentos, enforcado. O banco negro ao seu lado passa desapercebido no meio de tantos detalhes, mas quando reparei nele a imagem ganhou uma nova força. O outro mostrava uma escadaria, numa casa também ornamentada, completamente vazia, na noite, apenas iluminada pela lua. Completamente vazia com excepção de um gato branco, que desce a escada, solitário e independente, com certeza dirigindo-se aos seus afazeres nocturnos.

    Não dou nota porque, como todos conhecem, não sei avaliar banda desenhada ocidental. Mas recomendo que visitem este autor, porque foi uma experiência muito interessante.
  • A Vida Inútil de José Homem

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    A Vida Inútil de José Homem
    Marlene Ferraz
    2013
    Romance

    Um livro do BookCrossing que me despertou curiosidade pelo título. Revelou-se um belo livrinho, de que gostei imenso.

    José Homem é um velho que, zangado com a vida, se está a desfazer das memórias. Uma grande biblioteca que pertencia ao seu pai. Um dia, conhece Antonino, um menino de Angola com uma perna de madeira. O livro conta a história desta amizade.

    O desenvolvimento das personagens é sólido e patente. José Homem, à força de tanto conviver com o miúdo, acaba por se libertar do passado, coração de pedra que acaba por amolecer na forma de uma dedicação à educação de Antonino. Este, por sua vez, acaba por esquecer os horrores da guerra e até o gosto pelos horrores da guerra. Ambos crescem, mas um com o outro.

    A prosa é bonita e plácida, por vezes poética. Ao início fez-me uma certa confusão os diálogos em itálico, fez-me sempre parecer de que estavam a falar muito ao longe. Mas depois habituei-me a essas vozes. Não gostei muito que houvesse notas de rodapé a explicar situações e referências, pareceu-me inútil.

    Também achei que soube a pouco, o livro queria continuar mas não o deixaram. Afinal quem foi o autor do crime? E o que vai acontecer a Antonino e aos órfãos? Foram estas as questões que eu gostaria de ter visto respondidas.

    De qualquer forma, um livro muito agradável, que recomendo.
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