Archive for terça-feira, novembro 01

  • Neo Tokyo

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    Neo Tokyo
    Vários - Madhouse Studios
    Anime - 3 Episódios
    1989
    7 em 10

    Este filme com três "episódios" apanhou-me completamente de surpresa! Estava na lista de nomeados do meu clube e acabei por o ver sem saber nada sobre ele. Trata-se de um especial da Madhouse, já de tempos idos (final dos anos 80), em que três realizadores criam uma secção. São todas diferentes e a conclusão é um pouco bizarra. Vejamos.

    A primeira secção é do genial Rintaro e dá pelo nome de "Labyrinth Labyrinthos". Trata de uma menina que, com o seu gato, atravessa um espelho e se vê perseguindo um estranho palhaço por um labirinto pleno de coisas fantásticas. A animação é, simplesmente, brilhante. Extraordinária para a época, mostra coisas que nem hoje se vêm todos os dias.

    A segunda secção, de nome "O homem que corre", é realizado por Yoshiwaki Kawajiri (que realizou Ninja Scroll, a título de exemplo). Esta é a história de um homem que sofreu um acidente numa corrida de carros e do jornalista que o investiga. Os processos mentais pelos quais o "homem que corre" passa são extraordinários, havendo também uma animação exemplar, um pouco mais moderna, mas nem por isso mais original.

    Finalmente, na terceira secção - "Parar a Construção" - realizada por Otomo Katsuhiro (Akira) temos uma vertente um pouco mais humorística, com um homem enviado para uma cidade de robots para parar a construção da mesma mas que é impedido por estes. Os cenários são fabulosos e a história muito engraçada.

    Para mim, o grande defeito deste conjunto é que não há uma união das histórias no final. Este deixa um pouco a desejar, apesar de dar que pensar. Assim, acabei por classificar este anime com um ponto a menos.

    Ainda assim, recomendo-o vivamente, pois é uma espectacular experiência visual.

  • Shingetsutan Tshikihime

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    Shingetsutan Tsukihime
    Sakurabi Katsushi - J.C. Staff
    Anime - 12 Episódios
    2003
    6 em 10

    "Não existe um anime de Tsukihime", é o que dizem por aí. Segundo consta, esta adaptação da novel de Type-Moon seria tão má que nem sequer deveria ser considerada como existente. Mas como eu nada sei sobre a novel original, observo este anime como mais um que, vendo bem as coisas, até foi bastante interessante.

    Um rapaz teve um acidente e nada recorda dessa ocasião. Quando num acesso de loucura ataca uma rapariga e ela lhe aparece mais tarde, tudo começará a tomar forma. A narrativa é clara, mas ainda assim plena de mistério, introduzindo alguns temas curiosos, como uma estranha relação da igreja local (de crenças bastante bizarras) com uma mitologia vampírica que tem a sua própria estrutura.

    Os personagens estão bem concebidos, sendo que a sua relação acaba por evoluir a velocidade cruzeiro. No entanto, talvez o culminar desta relação tenha sido um pouco exagerado, sendo que também aparenta haver um excesso de meninas que, por vezes, não actuam de nenhuma forma sobre a evolução do personagem principal.

    A animação é típica da sua época, mas ainda assim um pouco fraca. É defeito pessoal, mas não gosto muito do estilo do início dos 00s. Considerando o que vai por fora disto, deve dizer-se que as cenas de acção não estão especialmente fluídas e há uma evidente falta de orçamento em alguns momentos, que poderia ter sido melhor aproveitado. A paleta de cores é escura e um pouco monótona, sendo os tons mais sombrios difíceis de distinguir.

    Talvez a melhor parte deste anime tenha sido a música, que pode ser considerada um percursor da genial banda sonora de KnK.

    Portanto, para mim sim: existe um anime de Tsukihime. Não está nada mau!


  • Nós, os Marcianos

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    Nós, os Marcianos
    Isaac Asimov
    1955
    Contos

    Antes de mais, um anúncio importantíssimo! Terminei a minha pilha TBR! A física, pelo menos. :p Portanto, regressei por enquanto ao meu Kobo, onde iniciei a leitura de um pouco de ficção científica. Este meu primeiro livro de Isaac Asimov fala de viagens espaciais e dá-nos uma perspectiva muito humana sobre o que poderá ser o nosso futuro.

    São quatro histórias que falam sobre as vivências humanas no espaço e o nosso convívio eventual com formas de vida inteligentes alienígenas. Os contos estão plenos de uma ironia muito inocente e o desfecho de cada uma das histórias é surpreendente. No segundo conto, devo dizer, fartei-me de rir com a conclusão.

    Tudo isto nos mostra que, num futuro distante, tudo será muito mais pacífico do que poderíamos pensar à primeira vista. Eu também partilho dessa teoria: se os aliens são suficientemente evoluídos para chegar aqui, porque nos haveriam de fazer mal? Não terão eles tanto medo de nós como nós deles?

    Para mais, repare-se o ano de publicação desta colectânea. Os anos 50 já foram há muito tempo! Quão prodigiosa seria esta imaginação para perespectivar um futuro tão longínquo com tanto detalhe?

    Mas repare-se: apesar de as histórias serem sobre aliens, foi uma pessoa a escrevê-las. Há sempre um viés algures aqui escondido. ;)

  • Plastic Neesan

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    Plastic Neesan
    Mizushima Tsutomu - TYO Animations
    Anime OVA - 12 Episódios 
    2011
    5 em 10

    Estes doze episódios vêem-se em 20 minutos: cada um tem 2. Trata-se de uma comédia muito simples, que segue as aventuras e desventuras de três mocinhas que pertencem ao clube de modelismo.

    Mas pouco se fala de modelismo e as piadas são aquelas que já vimos na maior parte dos animes do género. Em dois minutos não é possível haver uma boa caracterização dos personagens, mas há um esforço por estabelecer, pelo menos, algumas personalidades distintas. Infelizmente, o anime não pega nas situações em que se poderia distinguir e ser único (por exemplo, falar de modelismo) e limita-se a percorrer um leque de graças que se tornam rapidamente repetitivas.

    Para um anime lançado directamente na internet (um ONA em vez de OVA), a animação não está totalmente incapaz. Os níveis de produção são baixos, mas o tema do anime também não pede muito mais que isso. Assim, acaba por ser aceitável e ter uma boa relação qualidade-tempo, embora não seja a última bolacha do pacote.

    Musicalmente, não há nada de mais a apontar, com OP e ED vulgares e vozes que se coadunam bem com o espírito da coisa.

    É o tipo de anime que poderia ter sido muito melhor se tivesse seguido por um caminho completamente diferente.

  • Encerramento do Mês da Música

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    Encerramento do Mês da Música
    Recital
    tinha visto um recital para violino e piano no guia da cidade e fui lá ver com o Qui. Foi a primeira vez que fomos juntos a algo relacionado com música erudita e foi imensamente divertido!

    O programa desfazia-se em elogios aos dois executantes, conforme referenciado na imagem:


    A entrada era gratuita e descobrimos depois que o programa seria dedicado a Fernando Lopes-Graça e seria comentado, pelo pianista e maestro João Paulo Santos.

    Pois bem, o que dizer do programa? Eu não conheço muito bem este compositor, mas sei que o senhor era revolucionário e comunista e que, por isso, teve uma vida bastante difícil, sendo que as suas obras foram proibidas durante uma série de tempo. As peças escolhidas são todas de reduzidas dimensões, sendo a maioria delas com uma vertente pedagógica bastante marcada. No entanto, podemos ouvir que este autor tem muito sentido de humor, lançando-nos notas aparentemente sem sentido mas que fazem lançar uma boa gargalhada. A minha pecinha preferida foi o Ditirambo.

    Foi muito engraçado também ver as explicações sobre cada peça, que nos clarificaram bastante alguns significados e texturas que, à primeira vista, passam bastante desapercebidas.

    Quanto aos executantes, não corresponderam em nada à expectativa que a descrição do programa tinha dado. O violinista, que deveria ser a estrela do espectáculo, deixou-se dominar completamente pelo acompanhante. Este, estava simplesmente a fazer uma leitura da peça. No fundo, quase parecia que estavam numa aula, em vez de num recital com público. Para além disso, podia ouvir o violinista a respirar (eu estava na segunda fila), o que me fez grande confusão. É a prova de que a sala tem uma acústica excelente!

    Uma experiência para repetir!
  • After Dark

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    After Dark
    Haruki Murakami
    2004
    Romance

    Também recebi este livro na BookBox referida anteriormente, curiosamente enviado pela mesma pessoa. :) Foi mais uma tentativa com Murakami e... Ainda não me convenceu.

    Mas repare-se que esta tradução em inglês dá um estilo completamente distinto ao autor, um pouco mais irónico. Apesar de tudo o "then" (ou "acto contínuo) continua presente em todas as ocasiões, sendo um vício imperdoável.

    Este livro fala de uma rapariga que fica na cidade depois do último comboio e a quem acontece uma série de coisas menos normais. Para além disso a sua irmã está em casa a dormir há semanas, sem acordar, e podemos vê-la dentro de uma televisão.

    O grande problema deste livro é que, mais uma vez, é totalmente inconsequente. As personagens não parecem aprender nada sobre si próprias ou sobre a sua relação com os outros e o autor aparentemente esquece de concluir algumas secções, sendo que há muitas pontas soltas que ficam por explicar. Se isto é propositado, digamos que não funciona nada bem.

    Para além disso, o livro está escrito como se o objectivo fosse torná-lo um filme. Espero que tal nunca venha a acontecer, porque é de uma arrogância brutal.

    Mais um Murakami, mais um desapontamento. Continuo sem saber se gosto deste autor ou não.
  • The Painter of Battles

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    The Painter of Battles
    Arturo Pérez-Reverte
    2006
    Romance


    Recebi este livro através de uma BookBox no BookCrossing. Foi a minha primeira experiência com este autor uruguaio e devo confessar que não estava extremamente motivada. Mas acabou por se revelar uma boa surpresa.

    Um fotógrafo de guerra reforma-se para ir viver numa torre abandonada no sul de Espanha, onde está a pintar um gigantesco mural que relata todas as suas experiências na guerra. Subitamente, tem uma visita inesperada: um sujeito que havia fotografado há anos encontrou-o e procura, neste momento, matá-lo para se vingar pelas consequências que a fotografia teve na sua vida.

    O livro não tem momentos de acção e baseia-se na conversa entre estes dois homens, com muitos flashbacks que nos remetem a momentos terríficos de guerra e descrevem a forma como o personagem tiraria as suas fotografias. Nesse campo, o livro parece estar bastante exacto, já que esta era a profissão do próprio autor. 

    A forma da narrativa é também bastante original, sendo que existem muitos diálogos imersivos que não fazem uso de travessão ou outra grafia. As imagens são de pavor, de terror e provam, mais uma vez, o quão terrível pode ser uma guerra.

    Os personagens estão também bastante bem caracterizados, mesmo aqueles que só aparecem em memórias.

    Fica a nota para a tradução, que me pareceu terrível. O estilo do livro deverá ser único na sua língua original, mas esta tradução para inglês fá-lo ser apenas mais um romancezeco-thriller-policial-das-cenas. Estes americanos devem gostar de ter os livros todos iguais.
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