Archive for sexta-feira, setembro 23

  • Kore wa Zombie Desu ka?

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    Kore wa Zombie Desu ka?
    Kanasaka Takaomi - Studio Deen
    Anime - 12 Episódios
     2011
    4 em 10

    Este anime é muito famoso por uma razão: tem um bacano vestido de menina mágica. Oh! Mas que tão imensamente, profundamente, estilisticamente... CÓMICO! Oh sim.

    Ou não,

    Este anime foi a tentativa mais infeliz de fazer uma comédia que vi nos últimos tempos. Tudo se resume a "ah, sim, eu faço estas coisas porque sou um zombie". Depois temos uma história muito épica em que não se passa grande coisa para que tudo faça sentido. Excepto que essa história paralela é tão seca, que nem valia a pena terem-na posto lá. De resto, este anime consiste em meninas fofas com grandes olhos a fazerem compras e a experimentarem roupa.

    Os personagens são abstrusos. No fundo, ser "zombie" é razão para que todas as situações, por mais rebuscadas que sejam, possam acontecer. As meninas, nem podem ser consideradas como recortadas do cartão canelado. São mais recortadas de guardanapos de papel, porque não se pode dizer que tenham qualquer tipo de traço de personalidade que as distinga quer umas das outras quer do ambiente que as rodeia.

    A animação é terrível, com imagens tridimensionais absolutamente deslocadas do resto do cenário e cenas de acção animadas sem qualquer tipo de cuidado. Os designs não fazem sentido e estão desactualizados no seu pleno (suponho que as personagens procurem uma certa identidade "gótica", mas é tudo tão foleiro que nem sei o que dizer)

    A música é perfeitamente incapaz de fazer ressurgir algum tipo de sentimento no visionante. A OP e a ED são exactamente iguais a tantas outras que já ouvimos anteriormente.

    Enfim, um anime que espero esquecer rapidamente, porque os meus olhos gromitam só de pensar nele.
  • Shigatsu wa Kimi no Uso

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    Shigatsu wa Kimi no Uso
    Ishiguro Kyouhei - A-1 Pictures
    Anime - 22 Episódios
    2014
    7 em 10

    Estive sem net por estes dias, portanto vi este anime com a máxima atenção. Quando o inciiei, fiquei bastante feliz: um anime sobre música clássica! Logo agora que calha na época das finais do Prémio Jovens Músicos da Antena 2! Fiquei mesmo muito motivada para o ver.

    Um rapaz era considerado um prodígio do piano, até ao momento da morte da sua mãe. A partir daí, fica com um trauma, com o qual me identifico bastante: deixa de conseguir tocar. Na verdade, ele não se consegue ouvir a si próprio quando toca. Quando conhece uma talentosa violista e se torna amigo dela, tudo começa a mudar e ele encontra uma nova razão para tocar.

    A primeira parte do anime é muito interessante no desenvolvimento dos personagens e das suas relações. Também na forma em como a música pode aproximar as pessoas, mas também impedir que estejam juntas. Assistimos a alguns momentos musicais muito bem animados. No entanto, a partir da segunda parte aparece-nos uma doença fatal muito mal explicada que acaba por tornar todo o anime num melodrama de faca e alguidar. Os personagens começam a quebrar emocionalmente, perdendo bastante da sua caracterização e não demonstrando qualquer evolução face às adversidades. O final foi muito desapontante, pois não nos mostraram quaisquer consequências à evolução do pianista enquanto executante ou enquanto personalidade, pois não recebemos feedback do seu último concerto.

    Acabei por lhe dar uma nota um pouco mais alta devido à animação. Trata-se de um anime com designs de personagens cheios de brilho e beleza, sendo que também os cenários são altamente detalhados e plenos de belo. No entanto, pareceu-me que a partir da metade do anime houve menos cuidados neste aspecto. Para além disso, temos uma excelente mescla de animação digital em 3D, nos momentos de interpretação das peças, embora haja alguns momentos de repetição de animação.

    Quanto à música, foi outro aspecto que me desapontou. Quando vemos um anime sobre música clássica, esperamos uma excelente banda sonora: com música erudita. No entanto, optaram por fazer uns arranjos absolutamente absurdos. Se o Chopin ouvisse o seu Estudo com um remix de guitarras, acho que ressuscitava para chorar e depois morria de novo. Disse-me um amigo que "devem ter feito isso por causa dos direitos". Ora, todos estes autores estão mortos há um caquilhão de anos! Só o Shostakovich é mais recente, e ainda assim morreu há bué.

    Enfim, um anime que tinha tudo para ser excelente, mas que acabou por se tornar numa novela cheia de lágrimas.


  • A Cidade das Crianças Perdidas

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    A Cidade das Crianças Perdidas
    Marc Caro & Jean-Pierre Jounet
    1995
    Filme
    6 em 10

    Vimos um filme do realizador da famosa Amélie Poulan. No fundo, a estética é semelhante, apesar de o tema ser diverso.

    Num mundo distópico, em que toda a cidade é uma espécie de espectáculo circense, as crianças vêm desaparecendo. Porquê? Porque há um homem mau, sem qualquer tipo de sentimentos, que deseja sonhar. Assim, penetra nos sonhos das crianças que rapta para ver se consegue ter um sonho de algum tipo. No entanto, todas as crianças que adquire têm pesadelos. Quando o irmão mais novo do homem mais forte do mundo desaparece, este une-se a uma órfã muito esperta para o encontrar. Será que vão conseguir?

    O universo está muito bem recriado e conseguimos realmente ver como as pessoas vivem nesta cidade fantástica. O mundo como um circo é mais terrível do que se possa imaginar e muito menos divertido. A estrutura dos cenários, o guarda roupa e as próprias personagens dão-nos uma ideia muito forte do que se passa neste lugar, sendo que conhecemos vários momentos muito interessantes, desde o orfanato até um grupo de religiosos fanáticos.

    As interpretações são diversas, sendo que achei extraordinários os papéis das actrizes "siamesas". No entanto, as relações entre os personagens acabam por se tornar um pouco estranhas com a progressão do filme.

    A conclusão foi um pouco insatisfatória (será que ficam todos bem?), mas no geral o filme é bastante divertido. Para além disso, aparece um cão (apenas um figurante) muito parecido com o falecido Infeliz. :)

    Mais uma prova de que o cinema europeu sempre teve muito para dar.

  • Chuva

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    Chuva
    Kirsty Gunn
    1994
    Romance

    Há bastante tempo que nada recebia pelo BookCrossing. O meu regresso é então marcado por este pequeníssimo, mas excelente, romance de uma autora Neo-Zelandesa.

    É o relato da infância de uma menina de 12 anos e do seu irmão de 5, que se divertem numa casa de praia isolados de todos os adultos. Estes, entretém-se em festas muito barulhentas, cheias de fumo e álcool. E quando os dois universos se começam a interpolar, tudo pode acabar em tragédia. é a oposição entre o mundo da inocência e a transformação em adolescente, pontuada pela acção daqueles que, já tendo passado por tudo isto, têm atitudes que nem sempre são as mais correctas.

    O livro tem imagens fortes mas, ainda assim, muito suaves. Foi, para mim, reminiscente da infância em que eu ia com os meus pais a casa de seus amigos. Quase que podia sentir aquele cheiro no ar, de que me lembro bem, e aquela dor de cabeça causada pelo sono, cansaço e aborrecimento (e medo).

    O final foi um pouco aborrecido, mas ainda assim comovente. Sente-se que talvez haja aqui algo de autobiográfico, não tanto nas partes terríveis mas mais nas partes bucólicas de um ambiente veraneante.

    Foi também curioso passar de um livro na montanha, para este livro passado na praia, lol

    Agora, aguarda a sua vez para novas viagens! =D
  • Contos da Montanha

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    Contos da Montanha
    Miguel Torga
    1944
    Contos

    Com este autor, comecei tudo ao contrário. Havendo lido a sequela, encontrei-me agora a ler os originais "Contos da Montanha". Gostei ainda mais que do segundo livro!

    São contos sobre as pessoas que vivem no interior rural das regiões montanhosas de Portugal. Isto signiica que estas pessoas vêm o mundo de uma forma um pouco distinta, sendo que há nesta escrita toda uma força quase nacionalista (mas nunca fascista), na medida em que as pessoas aqui retratadas poderiam representar a pureza do povo trabalhador.

    São pessoas religiosas, que muito trabalham, mas que também têm muitas emoções diversas e, por vezes, surpreendentes. Os meus contos preferidos (já não recordo os nomes), foram os da criança que esperava uma prenda de Natal, o da senhora que pôs um casaquinho na estátua do santo e a do homem que matou a mulher.

    Entre muitos outros, claro, porque temos uma colecção de 23 contos (o que é bastante, apesar de todos serem bastante curtos)

    A escrita é intrincada e cheia de tradicionalismos que poderão ser difíceis de compreender à primeira. Mas a partir do momento em que nos engrenamos na leitura, tudo se torna absolutamente evidente.

    Mais uma vez, Miguel Torga não desaponta. Sinto-me tentada a maratonar toda a sua obra. :)

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