Archive for segunda-feira, janeiro 12
Blue Drop
0
Blue Drop
Ohkura Masahiko - Gonzo
Anime - 13 Episódios
2007
5 em 10
Este anime propõe-nos um misto de fatia de vida com ficção científica, em que acompanhamos o desenvolvimento da relação entre duas raparigas numa escola com internato feminino.
Mari é a única sobrevivente de um desastre em que toda a sua cidade foi dizimada. Quando a sua avó a envia para uma escola feminina, não se sente muito motivada. Lá, faz amigos e descobre uma relação especial com uma rapariga, que se vem a revelar uma entidade alienígena enviada para saber mais sobre a espécie humana, Qual a relação disto com os acontecimentos que levaram à destruição da cidade de Mari?
Infelizmente, o anime falha nas duas preposições sugeridas. Em termos de fatia de vida (ou slice of life) não há muitos elementos coerentes com o género. A vida na escola não está bem detalhada ou ilustrada, sendo que a acção principal se dá na tentativa de criação de uma peça de teatro para o festival da escola. As personagens secundárias não estão estabelecidas de forma a que o interesse seja captado para esta vertente da história. Do outro lado, temos um pouco de ficção científica, em que existem relações entre personagens um pouco mais fortes. No entanto, também não há grandes explicações sobre quem é esta gente e o que querem de nós.
A animação tem traços simples, que por vezes são suficientemente expressivos, misturados com maquinaria em CG que calha realmente muito mal. Este misto de técnicas não funciona bem e acaba por aparentar estar a mais, sendo que não se percebe realmente a necessidade de mostrar a tecnologia alien, pois pouco se fala dela.
Existe um ponto positivo, que é a música. Peças contemplativas ajudam-nos a entrar num universo calmo e de poucas expectativas.
O final é bastante interessante, mas dá a sensação de que este anime tem algum tipo de seguimento (talvez no manga?) e que serve como prequela a alguma coisa.
Uma série que não capta a atenção.
By : ladyxzeus
Kaguya Hime no Monogatari
0
Kaguya Hime no Monogatari
Takahata Isao - Studio Ghibli
Anime - Filme
2013
7 em 10
Este filme da Ghibli baseia-se numa história do folclore Japonês, a história do apanhador de bambu. Conta essa lenda de que um apanhador de bambu, velhote, encontrou uma criança dentro de um pau de bambu. Essa criança cresce para se tornar numa princesa, mas depois - no dia 15 de Agosto - tem de partir para de onde veio: a lua.
É bom saber desde logo a história, porque este filme apenas a conta insistindo com algum detalhe na vida diária da Princesa Kaguya. Não existem grandes variações e as personagens continuam bastante simples, de uma maneira verdadeira para com a lenda original. Apenas Kaguya, a princesa, encontra dentro dela uma certa dúvida: ela ama a natureza e deseja viver livre, ao contrário dos seus pais adoptivos que se convencem que ela merece ser uma princesa de riquezas incomparáveis.
A história pode dividir-se em duas partes: a infância e a vida adulta. Durante a infância, vemos as maravilhas da natureza e o filme é bastante leve e alegre. O peso vem na segunda parte, em que a princesa vive encerrada num palácio. De todas as formas, ficamos a conhecer bastante a vida na época Heian, tanto no meio urbano como rural. Causou-me impressão, no entanto, a linguagem utilizada que - apesar dos meus parcos conhecimentos de Japonês - não aparentava ser nada apropriada à época retratada no filme.
O ponto forte da película é a arte e animação. É muito, muito simples, com traços directos e aguarelas, o que pode tornar-se um pouco cansativo. No entanto, existem algumas cenas, nomeadamente quando a mente da princesa foge para o campo, em que a animação se torna bastante experimental e numa visualização bastante curiosa e expressiva.
Noutra nota, aponto para a música. O mesmo tema é repetido em variações diversas, utilizando um instrumento de que gosto muito, o koto. É raro ouvi-lo no contexto de anime, pelo que a sua interpretação se torna dinâmica e refrescante.
Não é um filme que recomendaria à primeira, mas acho que não se perde nada em vê-lo.
By : ladyxzeus
The Book of Life
0
The Book of Life
Jorge R. Gutierres
Animação
2014
8 em 10
Tinha curiosidade em ver este filme porque andava a ver muita gente por aí com desejos de fazer cosplay destes designs. No final, revelou-se uma aventura e pêras e um excelente filme de animação.
Pegando nas lendas mexicanas do Dia de los Muertos, que é o nosso Dia de Todos os Santos, seguimos uma aventura sobre a descoberta de si próprio de um trio de personagens fantástico. Duas entidades relacionadas com o mundo dos mortos fazem uma aposta: qual dos rapazes, Manolo ou Joaquin, será escolhido por Maria para se casarem. Eles crescem e tornam-se pessoas muito diferentes. Manolo é treinado para ser toureiro, mas o seu sonho é tocar guitarra. Joaquin é o novo herói da cidade. E as figuras místicas interferem com as suas vidas, de forma a que viajamos também ao mundo dos mortos, daqueles que são lembrados e daqueles que são esquecidos.
Isto é um tema que me fascina, isto da morte. E os universos estão feitos de tal forma que não parece nada mau estar lá. Pelos vistos, segundo as lendas mexicanas, morrer é apenas ir para uma festa! A animação cheia de luz e cor ajuda a recriar este ambiente. Falando na animação, fica também uma nota para o design dos personagens. Baseando-se na estrutura de bonecos de madeira, todos eles primam pela facilidade de movimentos e detalhe na sua criação.
É um filme muito musical, que pega em músicas que todos conhecemos da nossa cultura pop-rock. Se o tema final, o dueto, não tem graça nenhuma e acaba por parecer pouco em comparação com o resto do filme, existe um manifesto anti-tourada de extrema beleza. Todas as vozes estão muito apropriadas, com o sotaque espanhol misturado no inglês.
É um filme cheio de graça, uma caricatura simpática da ideia que um americano pode ter da cultura latina e mexicana. Os detalhes das piadas são apoiados por uma série de personagens secundários muito fortes e, no geral, é uma bonita história de amor e de crescimento pessoal.
Recomendo vivamente!
By : ladyxzeus