Archive for quinta-feira, junho 11

  • O Zahir

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    O Zahir
    Paulo Coelho
    2005
    Romance

    Recebi este livro pelo BookCrossing, num RABCK em cadeia no qual participei. Fiquei um pouco desapontada: por norma evito livros do Paulo Coelho. Houve uma época em que li bastantes e cheguei à conclusão de que este tipo de misticidade é algo que não aprecio em literatura. Apesar de tudo, decidi dar uma oportunidade ao livro. Já que mo tinham enviado, teria sido por terem gostado dele e quis saber então o que realmente tinha como conteúdo. Revelou-se um livro simples, cativante à sua maneira, com uma aura mística que é própria do autor (como me lembrava), mas que não era tão horrível como tinha pensado.

    Conta a história de um homem que é deixado pela mulher. Ele torna essa ausência num "Zahir", algo que não pode ser encontrado e pelo qual criamos uma certa obsessão. Por influência de um jovem emigrado do Cazaquistão, ele começa uma viagem de procura espiritual e emocional, na qual se livra do estigma do "Zahir" e encontra nova disponibilidade para amar.

    A escrita é simples, directa, por vezes um pouco irónica, o que acaba por ser bastante agradável. Por vezes existem passagens, mais ou menos longas, de textos que apelam à nossa espiritualidade e ao significado de vários conceitos, nomeadamente o "amor" e a "ausência do amor". Infelizmente, o livro peca pela falta de conteúdo no respeitante à caracterização dos personagens: o personagem principal aparenta ser um decalque do próprio autor, devido a todas as características (como, por exemplo, ser um autor famoso e escrever sobre os mesmos temas). Esther, a mulher que desapareceu, mantém-se como uma ausência misteriosa que acaba por pouco ou nada influênciar a viagem espiritual, que foi feita precisamente por causa dela.

    As descrições poderiam ser muito mais ricas e detalhadas, o que daria toda uma nova energia à narrativa. Senti especialmente falta disto quando viajaram pela estepe, que é um ambiente inerentemente belo e que foi pouco aproveitado.

    O autor inicia também uma espécie de crítica social da juventude, mas as situações são tão abstractas e pouco detalhadas que isto acaba por não funcionar.

    No geral, um livro simples e agradável de ler, mas que realmente não tem o conteúdo suficiente para ser considerado uma obra maior. Segundo o meu pai, isto é um sintoma permanente em todos os livros do autor.
  • 85ª Feira do Livro de Lisboa

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    85ª Feira do Livro de Lisboa

    Mais um ano que passa, mais uma Feira do Livro! Como sempre, no Parque Eduardo VII, em Lisboa.
    Confesso que ainda não li todos os livros que comprei na última Feira do Livro... Mas livros nunca são demais! Desta vez coloquei um limite a mim própria: 100€ ou 7 livros, o que quer que atingisse primeiro. Não atingi nenhum dos dois, para minha grande alegria. :)

    Fomos ontem, que era feriado, pelo que o espaço estava cheio de gente, uma quantidade de gente que não cabia na cabeça de ninguém. Foi um pouco difícil percorrer o espaço e ver tudo... Para mais, mais uma vez, decidi colocar as minhas melhores farpelas para ir muito linda mas (!) ignorei os sapatos. Ao fim do dia tive de os descalçar e andar pela relva só de meias, o que é uma coisa estúpida e perigosa porque nunca se sabe se há vidros partidos. Mas estava totalmente em desespero com dores nas minhas patinhas...

    Quanto à Feira em si, tinha ouvido falar que a grande diferença era que havia muito mais comida. Na verdade, não reparei muito nisso. Havia comidas bastantes, é verdade, muito mais roulottes gourmet em comparação com roulottes badalhocas. Mas nenhuma delas me chamou à atenção e estavam todas muito inflaccionadas. 5€ por uma sandes é um bocado demais... Assim, acabámos por ir jantar ao Burger King, que eu adoro e que estava mesmo ali ao lado.

    No respeitante a livros, pareceu-me haver um pouco menos de variedade. Encontrei uma revista de Ranma 1/2 num alfarrabista que ia comprar e depois desisti (o que foi um pouco má onda para o vendedor), mas fora isso poucas coisas que estivessem em bom estado, com bons preços e que fossem interessantes para mim. A quantidade de gente presente não ajudou. Tanto na Leya (ondeia comprar um livro de Coetzee e uma edição baratíssima do Dom Quixote) como na Bertrand (onde ia comprar o Matadouro 5) desisti de me colocar na caixa pela quantidade copiosa de gente que lá estava. Não tive paciência para esperar... Mas acho que vou lá voltar de propósito parta comprar aquele Dom Quixote, que é um livro que quero ter e que o meu pai apenas tem numa edição especial ilustrada que é muito pouco prática para ler (o tipo de edição que é apenas para ter na prateleira e olhar para ela)

    Enfim, o resultado final das compras foi o seguinte:

    • "A Conspiração dos Antepassados" (David Soares) --> Um autor que adoro de paixão e um livro do qual andava à procura há milénios, valeu a pena a visita à Feira só para o conseguir
    • "To Kill a Mockingbird" (Harper Lee)
    • "Barry Lyndon" (W.M. Thackerey)
    • "O Beijo da Mulher Aranha" (Manuel Puig)
    • ´"Manazuru" (Hiromi Kawakami)
    Repare-se que muitos destes livros foram comprados por sugestão o influência dessa pessoa que é o Qui. Este, vinha especialmente à procura da nova edição da Babel da colecção das "Aventuras Fantásticas", que encontrámos mas que não tinha o único livro que lhe falta (o último, a "Maldição da Múmia". Se alguém conhecer quem tenha e venda, por favor que nos avise ;) )

    Para além disso, reparámos na quantidade de pessoas que, devido a lançamentos ou outros, estavam a dar autógrafos. Desses, apenas o Nuno Markl tinha uma fila de pessoas à espera de uma assinatura. Ele parecia estar ocupado e stressado, mas bem disposto como sempre (sou fã do senhor :) ). Todos os outros, estavam sós, cheguei a ver um senhor a ler um livro, coitadinho. Vi uma autora que pertence ao BookCrossing e olhei fixamente para ela porque sabia quem ela era, mas por força das circunstâncias não tinha livro para ser assinado e decidi não fazer conversa...

    Mas bem, foi uma tarde muito bem passada! Felizmente o tempo estava nublado, não fazia demasiado calor, e correu tudo bem. Estou muito contente por ter todos estes novos livros que gosto imenso e procederei a lê-los em breve. Até ao fim do ano tenciono ter todos os meus livros físicos livros e arrumados, mas pelo meio ainda voltarei ao Kobo (não se vá estragar por falta de uso...)

    Portanto, Feira do Livro, vemo-nos para o ano! =D
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