Archive for quarta-feira, março 08

  • Yuusha Tokkyuu Might Gaine

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    Yuusha Tokkyuu Might Gaine
    Takamatsu Shinji - Sunrise
    Anime - 47 Episódios
    1993
    4 em 10

    Este é um anime tão reminiscente dos mechas dos anos 70 que parece ter mesmo sido feito nos anos 70. Uma qualidade fraquíssima, uma história sem jeito e sempre o final objectivo de se venderem muitos brinquedos.

    Numa nova Tóquio muito linda (que não aparece em qualquer tipo de cenário, pois toda a cção parece decorrer em sítios inóspitos), um comboio luta contra as forças do mal. Este comboio transforma-se num robot. Quando é necessário, junta-se a outros comboios para que se façam robots maiores. E lutam contra um inimigo semanal, cada vez maior e mais poderoso, até à apoteose final de cada episódio. Não existe uma história estruturada e a motivação para que se avance de episódio em episódio fica reduzida ao mínimo assim que se percebe que são todos iguais.

    Em termos de personagens, temos o maquinista do comboio robot, um rapaz assim em jeito de Batman, muito rico, muito secreto, com muitos poderes robóticos. O comboio tem inteligência artifiial e fala com ele, mas as suas conversas não envolvem nada de interesse. Para acompanhar este pseudo-herói, temos uma fonte de paixão e um melhor amigo e um criado (mais Batman?), que também não sofrem qualquer tipo de caracterização e muito menos desenvolvimento.

    A animação é de tão fraca qualidade que até merece uma nota de pena. Para os anos 90, tudo isto é terrível, com sequências de animação recicladas em todos os episódios, design de maquinaria obsoleto e inexistência de fluidez ou coreografias nos momentos de acção.

    Musicalmente, temos sons característicos do género e pouco mais.

    Apesar de tudo, até foi ligeiramente divertido ver isto, porque nunca se sabe quando uma coisa má pode ainda ficar pior.
  • Fortaleza Digital

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    Fortaleza Digital
    Dan Brown
    1998
    Romance

    Na altura do pico de popularidade deste autor, prometi a mim própria, após uma leitura em diagonal de uma edição francesa dos seus livros, que nunca lhe iria tocar nem com o cabo de uma vassoura. Mas entretanto parece que o cabo de vassoura se tornou no cabo de um piaçaba, porque não cumpri a promessa: dentro dos livros furtados à minha irmã estava este e não resisti a lê-lo.

    De leitura simples, este é um romance sobre a paranóia dos segredos digitais (mais tarde revelados verdade pelo Sr. Snowden), cheio de acção e muitos twists para resolver. Infelizmente, tudo é bastante previsível e simplificado, uma espécie de Umberto Eco para as crianças (digamos assim).

    Os personagens são, para começar, demasiado perfeitos. Inteligentíssimos, brilhantes, bonitos, atraentes, tudo têm de bom. E a verdade é que não ficam nem melhores nem piores, porque são completamente estáticos na sua caracterização.

    Depois, os mistérios e a forma de resolução são tão previsíveis como pouco coerentes. Como é que a mestra dos anagramas e da criptografia tem de ser ajudada pelo seu noivo para resolver o problema. Para mais, há um denegrir da figura feminina ao longo de todo o livro, em que estas figuras são sempre tomadas como o elo mais frágil da cadeia, não demonstram qualquer tipo de personalidade nem movimento em relação à acção que se desenrola.

    Apesar de ser um livro enorme, lê-se num instante, como um qualquer blockbuster de cinema.

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