Archive for quarta-feira, agosto 02

  • O Hotel New Hampshire

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    O Hotel New Hampshire
    John Irving
    1981
    Romance

    Este é um romance sobre uma família em crescimento, em que vemos a perspectiva de um dos irmãos do meio perante as coisas estranhas que acontecem a todos.

    Se ao início este livro estava a ser muito interessante, a partir da brutalíssima cena de violação ele vai por água abaixo numa corrida. O autor confunde-se consigo próprio e com as suas ambições, escolhendo para os seus personagens as opções convenientes para estas, tão convenientes que nunca poderiam ser fruto do acaso.

    Ora bem, tudo nesta história tem uma ligação: hotéis, ursos e cães. Há o tema recorrente da violação enquanto violência para o feminino, mas a abordagem é pouco correcta na medida em que os problemas de sexualidade são resolvidos também de formas sexuais, sendo que toda a gente desta história é mais ou menos tarada. É especialmente prático para o personagem principal, apaixonado pela sua própria irmã, que toda a competição em volta dele desapareça: matam-se todos os personagens que poderiam competir pela atenção da irmã.

    A resolução é também estranhamente conveniente ("e então ficámos todos ricos"), juntando as pontas de uma forma por demais evidente.

    Um livro longo, por vezes aborrecido, que se pensa mais do que é realmente.

  • Dunkirk

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    Dunkirk
    Christopher Nolan
    2017
    Filme
    6 em 10

    Fomos ao cinema ver este filme, para manter a tradição de ver todos os filmes deste realizador nas grandes salas. Infelizmente, este título em específico foi tão ruidoso como desapontante.

    Baseado numa história verídica, conta o resgate de 400.000 soldados ingleses que estavam cercados na praia de Dunquerque, perto do canal da mancha, pelo exército alemão. Com três linhas temporais distintas, mostra-nos a perspectiva dos soldados desesperados por entrar num barco para atravessarem o canal e voltar para casa; a visão dos marinheiros amadores e não militares que entram no jogo para os salvar; e o pessoal que está nos aviões a tentar protegê-los.

    O grande problema deste filme é que, apesar de termos uma história em potencial muito boa, não faz uso dela. Os personagens são insuficientemente caracterizados (quer no plano individual como no plano físico), pelo o que lhes acontece se torna absurdamente indiferente, a menos que tenhamos uma costela nacionalista a desejar que sim, que se salvem todos. Tendo em conta que se torna irrelevante o que acontece aos personagens ao longo do filme, o interesse nos trinta por uma linha que fazem para se salvar torna-se um impeditivo à narrativa.

    É certo que temos uma técnica de filmagem soberba, com um excelente uso de modelos em mix com o digital, abusando de forma muito positiva de todos os truques de perspectiva que as situações nos oferecem. Achei apenas que as cenas nocturnas eram demasiado escuras e, assim, muito pouco claras, sobretudo considerando que a maior parte se passa dentro de água.
     
    A banda sonora é muito boa individualmente, mas dentro do contexto do filme dá-nos sempre uma sensação introdutória, como se tudo o que estamos a ver fosse apenas um prólogo para a verdadeira acção, que nunca chega a acontecer (fora o momento épico do salvamento final, que me pareceu de um mau gosto terrível)

    Assim, é um filme que se valoriza pela acção e pela técnica, mas que em termos de conteúdo não se ultrapassa.

  • Memória de Peixe

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    Memória de Peixe
    Concerto
    Inserido no projecto "Concertos ao Pôr do Sol", da Casa da Cerca aqui em Almada, fomos ver mais um concerto de uma dupla portuguesa. Desta vez era uma banda que eu não conhecia, mas de que gostei do nome: "Memória de Peixe". Como o Qui já tinha ouvido o seu álbum de estúdio, havia a previsão de que seria uma coisa boa.
     
    Foi uma coisa surpreendentemente boa!
     
    Um som de post-rock, mas um post-rock bem disposto. Estes dois passaram o concerto todo a levar-nos para um mundo de histórias maravilhosas, apenas com uma bateria marcando ritmo e uma guitarra cheia de sons diferentes a servir de palavras. Talento inegável, foi com toda a fluidez que passeámos de acordes para samples e de samples para outros samples, de forma a criar uma música colorida e cheia de texturas, como um arco-íris todo às bolas.
     
    É uma música reminiscente de uma alegria perdida, mas também com um sentimento aquático que apenas encontramos na pura electrónica.
     
    Gostei muito e fiquei muito curiosa para ouvir os álbuns com mais atenção!

  • Os Comedores de Pérolas

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    Os Comedores de Pérolas
    João Aguiar
    1992
    Policial

    Este é um policial muito viciante e divertido (mas não exactamente engraçado), passado no Macau que olhava o mundo antes da sua anexação pela China.

    Um jornalista e escritor é convidado a ir para essa região para organizar os documentos de um nobre Chinês, avô de um poderoso magnata industrial. à medida que se vão revelando os documentos, Adriano - o jornalista - começa a descobrir coisas que não devia, tornando-se o ponto central de uma trama de muito mistério e espionagem.

    O livro está muito bem escrito porque se torna absolutamente necessário lê-lo todo de sguida logo Às primeiras frases, apesar de a história não ser nada de extraordinário e, muito menos, nada de realista. No entanto, é muito giro ver como há problemas de comunicação entre chineses, macaenses e portugueses, sendo que isso dá azo a muitas coisas que fazem a progressão da narrativa.

    O personagem principal também é um ponto de interesse, pois a sua caracterização está bastante bem detalhada, embora rapidamente ele se torne num típico "herói improvável".

    De todos os modos, gostei bastante!

  • Kite Liberator

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    Kite Liberator
    Umetso Yasuomi - Arms
    Anime OVA - 1 Episódio
     2007
    6 em 10

    Este filme, lançado directamente para a venda ao público, aparece como uma sequela directa no universo de Kite, hentai dos anos 90 que ficou muito conhecido enquanto filme de culto. Esta sequela não faz uso de quase nenhum dos conceitos do original, sendo até bastante diferente.

    Tudo começa no espaço, o que torna tudo logo mais estranho. Enquanto isso, uma rapariga tímida e mal-jeitosa revela ser uma assassina contratada com muito jeito para o negócio. Quando vêm do espaço umas criaturas monstruosas, será sua função destruí-las.

    Este filme não tem muito desenvolvimento de narrativa e personagens, sendo que existem muitos pontos que poderiam e deveriam ter sido explorados, como a definição do papel de alguns intervenientes e qual a sua relação com a história anterior. Para além disso, os elementos de ficção científica calham muito mal, como se alguém tivesse ficado sem ideias coerentes para fazer uma história sobre uma assassina.

    A animação está bastante bem feita, apesar dos frequentes momentos digitais muito primitivos. Ainda assim, as cenas de acção são muito envolventes e temos coreografias agradáveis aos olhos. Musicalmente não há nada a apontar.

    Se quiserem entrar no universo de Kite e não vos apeteça ver hentai, sugiro esta sequela. Supõe-se que farão a sua continuação algures em 2018, mas quem sabe...

  • A História do Senhor Sommer

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    A História do Senhor Sommer
    Patrick Süskind
    2003
    Novela

    Um livro muito curtinho que se lê numa hora que é absolutamente pleno de encanto.

    O autor revela as suas reminiscências de infância através de uma série de aventuras protagonizadas por um rapazinho (que poderá, ou não, ser o próprio autor) numa pequena vila germânica no pós-guerra. Sempre presente está uma curiosa figura: o Senhor Sommer. Este homem acaba por representar as várias fases de desenvolvimento pessoal e emocional do narrador, que passa por muitas coisas divertidas mas nem sempre prazerosas.

    É um livro com que é fácil de nos identificarmos, já que a infância de uns pode ser gheneralizada a todos. Pessoalmente, envolvi-me muito na pequena história da aula de piano, porque as minhas aulas de piano às vezes também eram assim. :p

    Esta edição também tem ilustrações muito suaves que ajudam a caracterizar muito bem o ambiente.

    Um livro giro para miúdos mas de que todos iriam gostar!

  • Pelo Bem Comum

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    Pelo Bem Comum
    Arundhati Roy
    2001
    Ensaio

    Este é um livro de não-ficção da famosíssima autora do "Deus das Pequenas Coisas". Livro que, por sinal, não gostei. De todos os modos, não me impedi de experimentar este livrinho, que se lê num par de horas.

    Nesta obra a autora esforça-se por denunciar a injustiça decorrente à construção de uma série de barragens de grandes dimensões por todo o território indiano, mostrando-nos a corrupção que está por dentro dos relatórios do estado relativamente às condições em que estas são construídas e às consequências para os povos que vivem nas suas imediações.

    Infelizmente, a autora não se mantém de todo neutra na sua exposição. O seu tom é de revoltya e o discurso é de ódio. Considerando que este livro é uma enumeração de factos e números, tal qual uma reportagem, este tom soa muito mal e parece mostrar apenas um lado da questão.

    Para além disso, para quem afirma ter feito tanta pesquisa no terreno, o livro não nos dá as vozes das pessoas afectadas.

    Não gostei, definitivamente.
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