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Hallucination from the Womb
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Hallucination from the Womb
Kitoh Mohiro
Manga - 7 Capítulos / 1 Volumes
2003
6 em 10
Do criador de Narutaru, segue-se um curto volume com sete histórias bastante pequenas. Através destas histórias confirma-se que o autor (cujo estilo artístico se pode idenficar imediatamente) gosta de desenhar sexo com miúdas pequenas.
Numa cidade composta por níveis (claramente inspirada na estrutura de Blame!, mas sem a complexidade associada, quer na emoção quer na arte), dois agentes de qualquer coisa que não se percebe investigam estranhos casos de teor policial. Estes casos exploram a vida nesta cidade, a Shell City, dando-nos a conhecer mais sobre os vários tipos de habitantes, clones ou outras coisas.
Cada história é individual, mas dado que os designs das personagens - sobretudo os das meninas - são muito parecidos é difícil ao início de compreender que as histórias não têm qualquer relação umas com as outras, com excepção dos dois agentes que são recorrentes.
As histórias não são especialmente originais, utilizando elementos que já vimos uma e outra vez em todo o tipo de ficção científica e cyberpunk, mas pelo menos uma (a das meninas raptadas) tem um laivo de imaginação inspirada. Daí a nota mediana, e não abaixo da média, que lhe dei.
Em termos artísticos, nota-se uma evolução no que respeita ao detalhe dos cenários, mas acho que teria sido melhor aplicar uma atmosfera mais negra (ou pelo menos cinzenta) de forma a fomentar a estranheza na cabeça do leitor. Os personagens são todos demasiado iguais uns aos outros sendo, como dito acima, difícil distingui-los. Alguma maquinaria, nomeadamente o monociclo segway, tem o seu interesse.
Mas não custa nada ler este pequeno livrinho, já que tem apenas sete capítulos.
By : ladyxzeus
Solanin
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Solanin
Asano Inio
Manga - 28 Capítulos / 2 Volumes
2005
7 em 10
Esta é uma história para pessoas crescidas. Meiko é uma jovem, pouco mais nova que eu (que sou uma velha horrível, cansada e acabada), que foi trabalhar para um escritório assim que acabou a faculdade. Vive com o namorado, que trabalha em part-time. Ambos detestam o seu trabalho. Até que Meiko, num laivo de lucidez ou de loucura, não se sabe muito bem, decide desistir de trabalhar por uns tempos. E é nesses tempos que a história se passa.
Vive-se um drama muito humano com que todos nós, os jovens do milénio, nos podemos identificar. É difícil arranjar trabalho, muito mais difícil é arranjar um trabalho de que se goste e em que nos sintamos plenamente satisfeitos e realizados. Eu cá tenho muita sorte, mas irá acabar em breve... E nessa altura, tal como a Meiko, ficarei presa a uma rotina de tédio e desocupação, que leva sempre a um ligeiro estado de depressão. Assim, este manga é um retrato da realidade e da maneira utilizada para ultrapassar esses dilemas que, na história, são exacerbados por uma tragédia ocorrida no final do primeiro volume e que apenas contribui para aumentar o estado de alienação dos personagens.
Algo une estes personagens: a música, o rock. Não há muitas referências, porque o manga é muito curto, mas a imagem dada deste campo social, desta matilha urbana, é vívida e exacta. É a música que acaba por os salvar e os levar a dar novas oportunidades à vida. Com a música, há a libertação desses factos trágicos que tanto os magoaram. É uma moral: existe sempre algo a que nos podemos agarrar para lutar, mesmo que não seja essa a nossa intenção, e mudar de vida.
A arte é original. Os designs dos personagens são muito únicos, com uma expressividade latente. São realistas, apesar de terem um traço muito específico de autor. Os fundos serão, quase todos, cópias de fotografias. Assim, é num ambiente extremamente realista que esta história se passa. Estes personagens são pessoas como nós.
Seria um manga muito difícil de adaptar ao anime com qualidade, pois os momentos chave estão dependentes de uma música que cada um imagina como quer. Ouvi-la diferente daquilo que imaginamos, poderia ser tanto fantástico como desapontante. Fica a nota para que leiam este manga, sintético e directo ao assunto. Pode ser que se identifiquem também.
By : ladyxzeus