Archive for quinta-feira, novembro 20
Waga Seishun no Arcadia
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Waga Seishun Arcadia
Katsumata Tomoharu - Toei Animation
Anime - Filme
1982
8 em 10
Há bastante tempo tinha visto o anime de Captain Harlock, pelo qual não morri de amores. Assim, não alimentava grandes esperanças quanto a este filme. Mas fiquei muito surpreendida, e pela positiva!
Waga Seishun Arcadia, ou "A minha juventude em Arcadia", passa-se antes de Harlock ser um pirata. Na verdade, conta a história de como se tornou um, como perdeu o olho e como reuniu o grupo de pessoas que viriam a ser os seus amigos, companheiros e parceiros. É uma história dolorosa num ambiente de guerra muito semelhante àquilo que se vivia depois da Segunda Guerra Mundial, no Japão.
O filme explora diversos elementos neste cenário de guerra, em que no fundo Harlock consegue reunir um grupo de pessoas que estão contra o sistema e que desejam a serem livres de viver e de se expressar num mundo governado pela opressão. Não há histórias comoventes do passado, não há relatos das maldades cometidas para com estas pessoas. No entanto, os personagens revelam uma dor muito forte, expressada pela emotividade de cada cena. E, no meio disto, há sempre uma mensagem de esperança, uma mensagem de que a revolta pode realmente acontecer se nos reunirmos e acreditarmos que é possível.
Os personagens, dos quais não tinha gostado na série original, apresentam-se aqui muito mais humanos. Logo na cena inicial, falando da juventude passada em Arcadia, sobre como Arcadia é a nossa juventude, percebemos que estes personagens viveram algo inexplicável, inconcebível. E é isso que nos vão mostrar. São personagens que têm sentimentos muito fortes e que acreditam verdadeiramente naquilo porque podem lutar. O seu desenvolvimento é a descoberta: partimos de um ponto em que estão completamente indefesos, para ver como abandonam esses medos e percebem que podem, efectivamente, marcar uma diferença no panorama actual.
Se o design dos personagens varia um pouco do original, estando mais adaptado aos anos 80 (em que o filme foi feito), nem por isso deixam de ter variações muito interessantes, sobretudo no respeitante às expressões faciais. Em termos de maquinaria, existe uma atenção intensa no detalhe. A animação, não sendo soberba, está bastante boa para a época. Mas o que mais me impressionou na arte foram os cenários, sobretudo os espaciais, que são feitos num tom aquarelável e têm, por si só, uma intensidade fora do vulgar.
E tudo isto não seria possível sem uma banda sonora primorosa, feita de peças instrumentais que marcaram toda uma geração de animes. São estas peças que acrescentam a emotividade às situações, como falava anteriormente, sendo essenciais para que o espectador consiga captar com exactidão o que realmente os nossos personagens estão a pensar e querem dizer. No final, temos uma música característica da época e do género em que o anime está inserido.
Não posso deixar de recomendar este filme. Parece-me uma peça importantíssima no universo de Leiji (o Leijiverso) que deve ser vista por todos aqueles que tenham interessa na história do anime. E por todos aqueles que, simplesmente, gostem de anime!
By : ladyxzeus
David Bowie is...
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David Bowie is...
Documentário de Exposição
Isto foi uma experiência diferente, portanto o melhor é começar pelo princípio.
Eu costumo ler um blog, que sigo, chamado Sound+Vision. É administrado pelo João Lopes e Nuno Galopim que são, respectivamente, críticos de cinema e música. Ambos são fãs inveterados do David Bowie. Então, anteontem, apareceu um passatempo no blog, para ver o documentário de uma exposição que estava instalada no museu V&A em Londres, sobre a vida e obra de Bowie. O passatempo consistia em dizer em que cinema queríamos ir ver o filme, o nosso álbum favorito do Bowie e porquê. Eu escolhi aleatoriamente o Space Oddity e inventei um porquê, pois realmente não tenho um álbum preferido (gosto de todos). Ganhei os bilhetes e, assim, fui com um amigo.
A minha experiência com Bowie vem, desde o seu ponto inicial, da minha paixão por tudo quanto é belo, nomeadamente Gackt. Um dia, a minha mãe, ao ver-me em adoração ao meu altar de Gackt (sim, tenho um) comentou casualmente:
"Isso que tens por esse Japonês, é aquilo que eu tinha pelo David Bowie"
A partir daí, a curiosidade apareceu e imediatamente segui para ouvir a discografia completa. Fiquei maravilhada, pelos sons, pela imagem, por todas as coisas. Por isso, ter oportunidade de saber sobre um dos que se tornou artistas favoritos foi uma experiência única.
O dia foi estranho. Chovia torrencialmente, vi uma árvore a tentar atravessar a estrada (caindo, com um som "ploft" com toda a sua massa vegetal em cima da passadeira. Ainda bem que não estava a passar ninguém), a estrada ficou cortada por causa da árvore, etc. Comi, pela primeira vez, um frozen yogurt, que é delicioso. E, com isto, entrei na sala para ver o filme.
Antes do filme, os críticos ainda falaram sobre toda a discografia e videografia do artista durante um tempo que estava entre os trinta e os sessenta minutos (quarenta e cinco, portanto). Mostraram três videoclipes essenciais e falaram muito. Passado certa altura, confesso, já não os estava a ouvir. Finalmente, veio o filme.
Essencialmente, era a visita guiada à exposição, com comentários dos visitantes e com comentários de pessoas que conheciam o Bowie. Começavam pela infância, mostrando fotos de bebé nunca antes vistas e pedaços do trabalho prematuro de Bowie, que desde logo se interessou pelo aspecto gráfico da música e não só pelo facto de tocar e cantar. Depois, passou para toda a cenografia, incluindo os fatos e máscaras utilizados ao longo do tempo. Como eu não sou muito de ver vídeos, desconhecia a maioria deles. Realmente, o homem é dono de um estilo muito único, que veio a influenciar géneros, modas e atitudes de toda uma geração.
Falaram, também, de material como as fotografias e capas dos discos. Vi pela primeira vez a imagem completa da capa do álbum "Diamond Dogs", que é estranhíssima e fascinante. Vi também muitas outras fotografias que nunca tinha visto. A partir daí, passaram para o trabalho cinematográfico, que nunca pensei ser tão grande (vi apenas dois filmes). Falaram bastante de "Labyrinth", que nunca vi mas parece ter um estilo próprio, e do "Homem que veio do espaço", que é um filme bastante estranho e sobre o qual tenho sentimentos mistos.
De entre as pessoas que foram falar, estava um estilista Japonês que muito influenciou Bowie ("Bowie is Bowie, Kansai is Kansai"), um historiador de cinema, um coleccionador de memorabília que tinha a avaliação escolar do artista. Mas o mais interessante foi ver aquilo que os visitantes, fãs normais como nós, tinham a dizer.
Para concluir, o mote da exposição era "David Bowie is..." Isto porque, apesar de tudo, ninguém sabe exactamente quem ele é e o que é que ele é. Durante muito tempo a sua identidade estava presa a personagens, tendo renascido como uma versão integral dele próprio durante o período de Berlim e vagueando por aí até agora em que, no topo da sua maturidade, Bowie apresenta novos discos e novas músicas e novos vídeos, sempre frescos e excitantes. Portanto, o que é David Bowie?
eu tenho a minha resposta.
David Bowie is Love.
By : ladyxzeus