Archive for sexta-feira, agosto 05

  • Em Busca do Tempo Perdido 4 - Sodoma e Gomorra

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    Em Busca do Tempo Perdido 4 - Sodoma e Gomorra
    Marcel Proust
    1921
    Romance

    Lá continuo eu em busca do tempo perdido. Ainda não o encontrei. Mas terminei o quarto volume  do conjunto, que apreciei muito.

    Após a morte de sua avó, que continua a ter repercussões na vida do narrador, este envolve-se num outro tipo de sociedade para além das dos Guermantes. Ao viajar, de novo, para a cidade veraneante de Balbec, encontra-se nas festas, encontros e reuniões de outras famílias, nomeadamente os Verdurin e os Cambremer. Mais uma vez, o narrador demora-se longamente a observar estas pessoas que são, de todos os modos, mil vezes mais interessantes que os Guermantes (que não davam uma para a caixa).

    Mas, neste livro, o autor começa a explorar um outro assunto que, suponho, era muito pouco tratado na época: a homossexualidade. O narrador vive num pânico constante que Albertina, a sua amada, se envolva tanto com homens como mulheres, sendo que relata alguns momentos em que desconfia que ela pertença à "tribo de Gomorra". Aparece também um novo personagem, o Barão de Charlus, que é abertamente homossexual. O narrador descreve, então, os seus hábitos e maneirismos, de forma a caracterizar, de certa forma, toda esta população.

    No entanto, não o faz de forma crítica ou rude. Como sempre, o nosso narrador é puramente um observador e não forma opinião sobre nada em especial. Ele apenas relata as coisas que acontecem e a forma como algumas delas o atingem emocionalmente, mesmo que isso acabe por - no final - não causar qualquer tipo de contratempo no seu convívio com a sociedade (da qual, volto a insistir, ele parece não gostar assim tanto).

    Agora estou ansiosa pelo próximo volume onde, suponho, o narrador começará a envolver-se realmente com Albertina e haverá algum tipo de união, relação, ou algo do género. Se bem que posso chegar ao volume 5 e nada disso acontecer, claro. Proust não é tão evidente como poderíamos pensar.
  • Yousei Florence

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    Yousei Florence
    Hata Masami - Sanrio
    Anime - Filme
    1985
    6 em 10

    Em oposição ao mítico "Fantasia", da Disney, todos os países se esforçaram por produzir algo semelhante em termos de conteúdo. O conceito é simples: como ilustrar com animação peças clássicas e eruditas por todos amadas e conhecidas? Yousei Florence (A Fada Florence) faz uma tentativa de explorar este conceito, mas acaba por falhar rotundamente naquilo a que se propõe por diversos motivos.

    A história de base é muito simples e não de todo necessária. Um oboísta gosta mais de flores do que do seu oboé. Um dia, conhece uma fada das flores que o leva a um mundo encantado cheio de magia. Nessa altura ele descobre que afinal gosta de música e torna-se um solista de sucesso. Isto é, a narrativa parece estar ali apenas para dar um "motivo" para as cenas de animação que irão aparecer ao longo do filme.

    Estas, infelizmente, roubam de tal forma as ideias ao "Fantasia" original que quase se poderia considerar um plágio! Algumas cenas de animação são copiadas ipsis verbus (no caso "ipsis imageticus") das cenas das flores do filme da Disney, sem sequer se esforçarem a darem a isso um toque diferente de originalidade. A animação não é de todo suficientemente boa para que possamos distinguir o anime em relação a isso: para 1985 está até bastante flácida e pouco detalhada, revelando um baixíssimo valor de produção.

    Acabo por lhe dar uma nota mediana, embora mais inclinada para uma inferior, porque vale sempre a pena ouvir este conjunto de peças. Apesar dos efeitos sonoros desnecessários que povoam todo o filme, aprecio sempre um pouco de música bonita.

  • Digimon Adventure Tri: Ketsui

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    Digimon Adventure Tri: Ketsui
    Motonaga Keitarou - Toei Animation
    Anime - Filme
    2016
    6 em 10
     
    Já tinha este filme há tempos para ver (bem, desde que saiu, em Março), mas só agora me motivei para entrar em regime de filmes. Um por dia, nem sabe o bem que lhe fazia! =D
     
    Este filme de Digimon pega exactamente onde o anterior nos deixou. Os digimons voltaram ao mundo real, pois o seu mundo digital está com um vírus que contagia estas criaturas e as torna maléficas e descontroladas. Entretanto, os digiescolhidos encontraram uma nova amiga que também tem um digimon. Este filme relata a forma como se tornam todos amigos e tentam resolver as quezílias entre eles. Apenas na última secção do filme existe um momento de acção e luta entre criaturas, assim como um ligeiro desenvolvimento na história em que nos começa a ser revelado o que se passa realmente para tornar os digimons maus.
     
    A parte que mais gostei deste filme foi como, tendo todo o tipo de oportunidades para investir em momentos ecchi, eles se escusaram a fazê-lo, mantendo-se sempre discretos e absolutamente familiares. Claro que isso se perde imediatamente aquando o aparecimento de Rosemon, uma nova digivolução.
     
    A animação está satisfatória, sobretudo nos momentos de acção, embora acabe por se tornar um pouco repetitiva na medida em que os ataques dos digimons são limitados e não há muito de original que se possa fazer com eles. Musicalmente, temos todos aqueles temas que nos apaixonaram nos anos 90, assim como outras peças que adicionam mais um pouco de vivacidade à narrativa, que é bastante redutora nos termos em que se compreende o desenvolvimento dos personagens.
     
    Estes parecem estar a ir por um bom caminho, apesar de tudo, já que têm uma idade diferente agora e problemas sociais que estão adaptados a esta situação.
     
    Este segundo filme da nova instância de Digimon parece, sobretudo, um filme de transição sem muito que possa adiantar à narrativa geral do arco. Esperemos para ver como será o próximo filme.

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