Archive for segunda-feira, abril 20

  • House of Sand and Fog

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    House of Sand and Fog
    Andre Dubus III
    1999
    Romance

    E, este sim, foi o último livro da Convenção do BookCrossing 2013 que recolhi e li, para depois voltar a libertar. Ufa! Finalmente!

    Este é um romance extremamente profissional, que rapidamente cai no vulgar. São-nos, inicialmente, apresentadas duas personagens: Behrani, um antigo coronel iraniano que teve de fugir para os EUA com a sua família, e Kathy, uma alcóolica em recuperação. Kathy perde a sua casa, que é comprada por Behrani num leilão. E ela quer recuperá-la. Para isso, faz muitas coisas. Todas elas inconsequentes. A narrativa só toma algum sentido nos momentos finais da segunda parte, em que realmente acontecem coisas relevantes, todas elas trágicas.

    Muito ênfase é dado à caracterização das personagens, com recurso a flashbacks por memórias. Para mais, cada capítulo tem uma linguagem distinta, conforme é narrado por uma personagem ou outra ou é dada uma mudança de perspectiva, a partir da segunda parte. Neste aspecto, a leitura tem algum interesse. No entanto, os personagens têm por vezes atitudes confusas. Por exemplo, Behrani apanha Kathy à sua porta e leva-a para casa como "um passarinho". Mas no momento seguinte, já a chama de prostituta. Isto não faz muito sentido.

    O Qui disse-me que existe um filme, sendo que provavelmente este tipo de história funciona melhor nesse meio.

  • Big Eyes

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    Big Eyes
    Tim Burton
    2014
    Filme
    7 em 10

    Ultimamente, tinha deixado de gostar muito do Tim Burton. Parecia que os filmes dele se limitavam a um grande guarda roupa e a uma constante estranheza perante as situações, todas elas passadas em universos fantásticos com características do gótico clássico. E isto era muito repetitivo. É neste contexto que aparece um novo filme, Big Eyes ("Olhos Grandes"). E desta feita, pareceu-me que Tim Burton voltou a ser ele próprio.

    Este filme conta a história real de uma pintora que viu a sua obra ser vendida pelo seu marido como se tivesse sido este o autor. É uma história simples, com um toque de comédia, cujo elemento gótico que caracteriza a obra do autor se encontra no mote para a história: os quadros. Estes quadros teriam sido um sucesso na sua época e têm em si um certo toque de bizarro. Percebe-se desde logo a razão pela qual o autor gosta deles. A forma como as personagens dentro do filme lidam com os quadros, do comércio à própria crítica de arte, é em si mesma uma espécie de homenagem à autora real, que ainda se encontra viva e a pintar por aí.

    Mas este filme distingue-se pelo cuidado dado à caracterização e desenvolvimento dos personagens e ao excelente trabalho de actor que lhes deu uma vida única e real. De um lado, temos uma mulher ingénua, com pouca experiência de vida que, ao acreditar no charme de um charlatão, se vê envolvida numa mentira que a consome, perturba e enlouquece. Isto força-a a crescer enquanto personagem, com ajuda da filha (que poderá mesmo ser considerada apenas um mecanismo narrativo, mas que tem muita importância), de forma a poder combater contra o seu nemesis. Este, o tal charmoso charlatão, possui uma dicotomia de sentimentos, em que acabamos por perceber que cai na sua mentira como forma de escape por nunca ter obtido respeito enquanto artista, se é que ele se pode considerar um artista. Nas suas cenas finais, isto toma contornos muito dinâmicos, em que o personagem é tido como louco e toma realmente atitudes que se enquadram nessa palavra. É uma relação muito interessante e o desfecho não podia ser melhor.

    Todo o filme tem uma certa aura surreal por causa da variação da paleta de cores. Todo o filme parece demasiado luminoso para o contexto, e em oposição aos quadros. Isto oferece ao visionante um ambiente de quase sonho, em que se torna difícil de distinguir o que é mentira do que é verdade, contribuindo para a nossa compreensão dos dilemas dos personagens.

    Em termos musicais, temos um tema recorrente muito interessante, mas podemos dizer que a pior parte do filme foi a intervenção de Lana delrei, ou como se escreve, que nos apresenta duas músicas desinspiradas e aborrecidas, que não se coadunam com o resto do ambiente do filme.

    Mas no geral gostei muito: há muito tempo que não encontrava um personagem que odiasse tanto logo desde o início. :)
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