Archive for quinta-feira, setembro 01

  • O Segredo de Cibele

    0
    O Segredo de Cibele
    Juliet Marillier
    2007
    Romance Fantástico

    Esta foi a minha leitura de praia. Prova de que o Kobo resiste à areia. :)

    Com a leitura deste livro, apercebi-me que era uma sequela. Felizmente, já havia lido o primeiro volume da série (parece-me que são três ao todo), chamado "A Filha da Floresta". Tinha adorado na altura e foi por isso que escolhi ler este livro: porque era da mesma autora. Não estava nada à espera que fosse uma sequência ao outro que havia lido há tantos anos. Nesse primeiro volume, para termos um pouco de  contexto, um grupo de cinco irmãs na Transilvânia entrava num mundo mágico, sendo que uma delas ficava por lá a viver. "O Segredo de Cibele" acompanha as aventuras de uma das irmãs mais novas na Turquia, em que ela tenta desvendar os segredos de uma estátua de uma deusa antiga, cujo culto tem vindo a renascer secretamente.

    O universo fantástico apenas se revela no último terço do livro, sendo que até lá decorrem aventuras insignificantes na cidade de Istambul. No fundo, esta primeira secção parece servir apenas para apresentar os dois homens que irão lutar pelo coração da nossa heroína, numa estrutura em tudo igual a qualquer livro de fantasia para adolescentes. Para além disso, há uma caracterização bastante redutora do ambiente da cidade e da cultura muçulmana em geral.

    Após revelações em que nem tudo é o que parece (e o contrário), a heroína e os dois apaixonados entram realmente no universo da magia, o "Outro Lado". Lá, resolvem uma série de problemas, mas acabamos por não perceber exactamente qual o papel dos personagens (nomeadamente o da irmã desaparecida no livro anterior) no meio disto tudo. Apesar de tudo, as descrições são encantadoras.

    O final foi bastante chocho e absolutamente previsível. No final, é claro que ela vai escolher um deles, não é?

    Foi um livro divertido que me cativou, mas sem dúvida que me esquecerei brevemente dele. Não me marcou como o primeiro volume.

  • A Serious Man

    0
    A Serious Man
    Ethan Coen & Joel Coen
    Filme
    2009
    6 em 10
     
    No terceiro e último filme das micro-férias, assistimos a mais um trabalho dos irmãos Coen, dupla de que gosto imenso. Esta é uma película sobre a tradição judaica, sempre presente nestes filmes.

    Um homem vive uma vida normal, até ao momento em que surgem problemas atrás de problemas. A sua mulher troca-o por um estranho amigo com uma atitude demasiado positiva, o seu emprego na faculdade está em risco depois de ter chumbado um aluno asiático, os seus filhos preocupam-se com coisas que não interessam a ninguém... E no meio disto tudo ele começa a questionar a sua fé. Assim, dirige-se a vários rabinos, que lhe contam histórias curiosas mas que não o ajudam em nada.

    No fundo, o filme quase que diz que as histórias e o método destes representantes religiosos são perfeitamente inúteis para os problemas do dia a dia. E o homem acaba por não descobrir nada de interesse que o possa ajudar.

    Infelizmente, neste filme, os personagens acabam por não estar propriamente caracterizados. As suas figuras aparecem apenas como retratos de uma situação e os momentos reveladores das suas personalidades são insuficientes. Sobretudo no caso da filha, que parece apenas preocupar-se em lavar o cabelo, sendo que teria sido interessante termos também essa perspectiva.

    A parte que gostei mais do filme é que finalmente há uma conversa sobre a cultura judaica sem entrarmos numa profusão de auto-comiseração e perseguição emocional.

    Finalmente, não gostei nada do final. O filme parece estar incompleto, porque a verdade é que não se chega a lugar nenhum.

    Desapontou-me.
  • Behind the Candelabra

    0
    Behind the Candelabra
    Steven Soderbergh
    Filme
    2013
    6 em 10

    Este filme tem uma história curiosa. Nenhum estúdido de Hollywood lhe pegou. "Muito gay", diziam eles. Então, acabou por ser feito para a televisão (o canal HBO). Teve lançamento nos cinemas europeus. Mas como pode um filme ser assim tão gay? Porque trata da homossexualidade. Entre dois homens. Um dos quais um famoso ídolo dos casinos até aos anos 80.

    Liberace era o seu nome e eu não sabia nada sobre ele até ver este filme. Era um homem que, graças ao seu virtuosismo no piano, se tornou famoso por demasia e muito, muito rico. Caracterizavam-no as roupas espectaculares e grandes entradas em palco, para além da espectacular técnica pianística. Para além disso, coisa que só se soube (em definitivo) após a sua morte... Era gay. E tinha amantes. Esta é uma das suas histórias de amor, uma das últimas. Tem uma força extraordinária.

    O filme serve como biografia e retrata com exactidão todos os momentos gráficos da vida do artista. As roupas, a casa, o espectáculo. Mas também nos mostra muito da sua intimidade e a forma como se relacionava com as pessoas. São estes momentos que tornam o filme quase comovente, embora a progressão da paixão seja previsível como todas, sempre dependente das personalidades características dos seus intervenientes.

    Talvez o filme tenha sido considerado "gay" demais porque tem cenas de erotismo. Mas que são estas perante um universo de Hollywood que tudo mostra? Pareceram-me, sobretudo, realistas.

    Foi um filme que passou ao lado de muitos, mas que vale realmente a pena. Ficamos a conhecer muito de uma pessoa que foi muito importante no seu tempo e temos também um retrato fiel da sociedade popular da época. Ainda bem que não desistiram de o fazer!

  • Full Metal Jacket

    0
    Full Metal Jacket
    Stanley Kubrick
    Filme
    1987
    7 em 10

    Primeiro filme das micro-férias. :) Já tinha tentado ver este filme uma vez, mas estava tão cansada que tive de ir dormir. Ficou em stand-by até esta altura.

    Este é mais um filme sobre os horrores da guerra do Vietname. No entanto, não podemos dizer que seja "só" mais um filme. Porque, afinal, este trata do assunto com semelhante crueza e humor negro que nos mostra uma faceta completamente diferente sobre o tema.

    Tudo começa no campo de treino para novos soldados. Lá, eles são atormentados por um sargento com contornos psicóticos, que os maltrata ao ponto de rotura. Será que acontecerá realmente essa rotura? Um dos cadetes é uma vítima especial e não está a conseguir lidar com a situação. As consequências disso irão ter repercussões naquele que se revelará ser o personagem principal.

    Numa segunda parte, completamente distinta, seguimos esta pessoa pelo meio da guerra propriamente dita. Aqui, Joker (é o seu nome) é um correspondente de guerra. No entanto, seja da sua própria personalidade ou parte da lavagem cerebral que lhe infligiram enquanto cadete, o seu maior desejo é matar. "Nascido para matar" é o seu mote, para além do título do filme em português. Assim, ele procura encontrar os momentos mais perversos para relatar, fotografar e, eventualmente, neles participar activamente.

    É um filme cheio de um humor pervertido que pode mesmo chegar a chocar quem não esteja preparado para o autor. Também é um filme que, através destes momentos, nos relata uma guerra pavorosa. Não precisa de mostrar nada de gráfico, nem pregar sustos nem dar a ver tragédias. O próprio ambiente do filme nos mostra aquilo que se passa e o quão loucas estavam todas estas pessoas.

    Mais uma vez, Kubrick não desaponta.

  • O Amante de Lady Chatterley

    0
    O Amante de Lady Chatterley
    D. H. Lawrence
    1928
    Romance

    Olá pequenas melancias! =D Estava com saudades de todos vós! Foram umas semanas bem loucas, entre micro-férias e mega-trabalhos, mas nunca deixou de não me apetecer estudar... Então, aí vêm as consequências de tanto tempo em silêncio! =D

    Comecemos por um romance no início do século XX, "O Amante de Lady Chatterley"

    Uma mulher que poderia ser considerada interessante, se bem que fora dos padrões de beleza da sua época, vê-se casada com um homem numa cadeira de rodas. Evidentemente que isto a chateia um pouco, sobretudo porque as capacidades sexuais do seu marido se encontram absolutamente congeladas. Assim, ela trata de se libertar e acaba por arranjar um amante muito improvável, pelo qual se apaixona perdidamente.

    No geral, o livro acaba por se perder em demasia em discussões sobre a natureza dos sexos e das relações sexuais, que são descritas de forma detalhada mas tão antiquada que se torna um pouco aborrecida. Para além disso, a dependência da personagem pelo seu amante é exasperante, na medida em que o marido não tem culpas no cartório. Confesso que estive o tempo todo a torcer pelo marido e que o final me desapontou muito.

    Ainda assim, trata-se de um clássico do erotismo e, por uma razão puramente histórica, vale a pena lê-lo.

  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan