Archive for quarta-feira, setembro 02

  • Kill Bill Vol. 2

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    Kill Bill Vol.2
    Quentin Tarantino
    Filme
    2004
    7 em 10

    Este filme não pode ser visto sem a primeira parte, nem a primeira parte sem este. Idealmente, terão de fazer o que eu fiz: ver os dois seguidos (e dormir às seis da manhã). Para saberem sobre a primeira parte, cliquem aqui.

    Nesta segunda parte, mais detalhes importantes são dados sobre a história, sobre as razões da "vingança". Isto é feito através de diálogos exemplares, que permitem o desenvolvimento das personagens e mais razões para todos odiarmos Bill. A acção brutal da primeira parte é substituída, então, por estas inteligentes trocas de palavras, em que ficamos a conhecer mais sobre Black Mamba, sobre Bill, sobre o seu passado juntos e sobre como cada um se tornou aquilo que é hoje. Também ficamos a saber um pouco sobre o que realmente se passou antes do "casamento" e o que levou os personagens a chegar aí.

    Para isto, o autor dá-nos momentos altamente intensos e extremamente impressionantes, em que a morte e a vida se confundem sem nunca haver, por um momento, a capacidade de perdão (excepto numa cena que tem tanto de terrível como de divertida, a da anunciação da gravidez). A obsessão da nossa personagem pela vingança é levada ao extremo, sendo que nem tudo corre de feição. Ainda assim, as soluções apresentadas estão muito bem pensadas, fazendo muito sentido tendo em conta os momentos de flashback que podemos ver ao longo desta segunda parte.

    Estes poderão ser, talvez, os momentos menos interessantes e menos credíveis, podendo até cair no exagero temático do primeiro filme. Ainda assim, contribuem muito para o desenvolvimento dos personagens e, só por isso, valem sempre a pena.

    Estas personagens não poderiam ter ganho vida se não houvesse por trás um excelente trabalho de actor. é momento para falar um pouco da actividade de Uma Thurman como Black Mamba: é perfeita. A actriz tem em conta o facto de a personagem ter saído de um coma, apresentando sempre um certo desiquilíbrio (explorado no esforço que ela fez para andar primeiramente, na primeira parte), misturado com a própria natureza de Black Mamba ser uma assassina perfeita. Assim, tão forte personagem tem sempre um elemento de fragilidade, explorado com grande subtileza, sendo o resultado extremamente fiel a esta realidade imaginada.

    Em conclusão, posso dizer que Kill Bill como um todo é um filme especial e único, mesmo dentro do universo Tarantino. No entanto, não foi dos meus preferidos e não sinto grande vontade de o rever em tempos próximos, assim como não me deixou memórias muito vívidas como o fizeram outros filmes do mesmo autor.
  • Kill Bill Vol.1

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    Kill Bill Vol. 1
    Quentin Tarantino
    Filme
    2003
    6 em 10

    Acontece que só me faltava ver um filme do Tarantino e calhou mesmo que fosse este, que está dividido em duas partes. Infelizmente, talvez tenha sido o filme do Tarantino que gostei menos. Debati-me um pouco sobre se havia de o comentar todo junto (volume 1 e volume 2 no mesmo comentário) mas depois dos argumentos do Qui achei por bem dividir.

    Se há coisa que o Tarantino sabe fazer é criar uma história fascinante. Neste filme temos uma história complexa, cheia de detalhes, que permite um desenvolvimento de personagens quase perfeito. Isto aplica-se às duas partes, sendo que a narrativa não possui um intervalo grandioso que nos permita separar perfeitamente a história num espaço-tempo. Uma mulher faz parte de um grupo de assassinos a soldo. Tudo começa com a sua "morte", no dia do seu "casamento". Na verdade, ela entra num coma, do qual acorda passados quatro anos. Quando acorda, só tem um desejo: Kill Bill. Bill foi o homem que orquestrou a sua morte e que ela amava. Para além de matar Bill, ela tem de percorrer um longo caminho e matar todos os outros participantes do espectáculo mórbido, os outros assassinos do grupo das víboras.

    Esta primeira parte tem um estilo muito kitsch. Trata-se de uma espécie de homenagem aos antigos filmes de ninjas e artes marciais. A nossa personagem obtém uma espada e usa-a para matar uma série de gente, em lutas espectaculares que servem como uma experiência, um teste à capacidade do realizador de formular coreografias complexas que envolvem uma série de artistas físicos. No entanto, pareceu-me a mim que esta homenagem acabou por falhar: senti que Tarantino pode amar este tipo de filme, mas que a sua interpretação moderna teve grandes falhas, acabando por troçar do género em vez de o elogiar.

    Contribuem para isto vários elementos. Para começar, há um uso um pouco horribilis de material digital, em CG que, apesar de moderno para a época, ficaria melhor se tivesse sido completamente evitado. Dá um aspecto irreal aos momentos, assim como todo o exagero das lutas, que são OTT numa escala pouco realista (dentro do imaginário destas lutas de espadas). O mesmo acontece com a caracterização dos personagens. Da mesma forma, as coreografias podem estar muito bem pensadas mas possuem um erro evidente: a perspectiva. Tudo está filmado da mesma perspectiva. Isto tira completamente o dinamismo das lutas e é como se o observador não estivesse realmente dentro da luta, mas sim admitidamente num cinema a ver um ecrã.

    O filme tem, no entanto, um elemento gráfico muito original: uma cena de animação produzida pelo estúdio Production I.G. que, não tendo um estilo puramente oriental, está muito bem animada e é, sem dúvida, o momento mais impressionante de toda esta primeira parte.

    Finalmente, pareceu-me também que a música foi muitas vezes anticlimática. As canções são, por si só, muito interessantes e originais. No entanto, a forma como estão usadas acaba por dar ao filme todo esse aspecto de gozo de que falei anteriormente.

    Vamos, de seguida, à segunda parte. Aguardem por mim. :)

  • Soukyuu no Fafner: Dead Aggressor

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    Soukyuu no Fafner: Dead Aggressor
    Habara Nobuyoshi - Xebec
    Anime - 25 Episódios (+ 13 Episódios)
    2004
    6 em 10

    Há algum tempo terminei este anime, mas só agora tenho tempo para escrever sobre ele. Felizmente estes tempos de ocupações infinitas terminarão em breve, mas enfim, isso não interessa muito. Interessa, talvez, dizer que se me ocorreu um acidente e vi a segunda season antes da primeira. Este comentário serve para as duas, qualquer que seja a ordem.

    Pois bem, numa ilha remota e paradisíaca um grupo de jovens vê-se com o problema de ter de conduzir robots gigantes para tentar lutar contra uma entidade maléfica invencível. Toda a ilha está preparada para lutar contra estas criaturas, o resto do mundo aparenta não existir... Mmm, parece haver aqui algo em comum com uma outra série... Pois é. E as semelhanças continuam. Assim, em termos narrativos e de desenvolvimento de personagem, esta série aparece como uma pálida imitação de outras do mesmo género, que se estabeleceram dentro do universo robot-orgânico como exemplares. Aqui o nosso Fafner não é exemplar precisamente por retirar demasiadas ideias de outras obras e transparecer pouca originalidade no respeitante ao contexto de história.

    Tendo isto em conta, a série poderia ter-se salvado se pelo menos os conceitos introduzidos fossem alguma coisa de verdadeiramente original. No entanto, Fafner apresenta uma série de termos e conceitos de rajada, que acabam por não fazer grande sentido e não têm qualquer tipo de consequência directa no desenrolar da história e no crescimento das personagens. Este é muito previsível, acabando por haver uma evolução um pouco errática: os personagens começam como miúdos normais e acabam por desenvolver uma espécie de carapaça em que tudo o que fazem deixa de ter qualquer tipo de objectivo ou sentimento.

    Artisticamente, temos alguns momentos bons, mas a grande maioria do anime é passado sem que a animação seja um elemento com importância. O design dos robots é estranhíssimo, o design do(s) monstro(s) não se coaduna com a explicação que é dada sobre eles. E o design das roupas dos personagens é pavoroso e não faz sentido nenhum (aqueles fatos de licra com o rabo à mostra...) De resto, as cenas de acção poderiam beneficiar de efeitos mais cuidados, sobretudo tendo em conta o elemento aquático sempre presente, que não tem grande fluidez.

    A música foi, para mim, aborrecida e repetitiva. O mesmo acontece com as vozes, sendo que todos passam a maior parte do tempo a gritar para devolverem coisas ou pessoas.

    Por isso se diz "sempre imitável mas nunca duplicável". Fafner depende demasiado do amor que temos pelos conceitos e tem muito pouco de si próprio.
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