Archive for sexta-feira, janeiro 13

  • O Infinito num Junco

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    O Infinito num Junco
    Irene Vallejo
    2019
    Não-Ficção


    Ofereceram-me este livro no Natal e como já tinha ouvido falar TANTO dele (via BookCrossing) passei-o logo para a frente da minha pilha TBR.

    Por um lado gostei, por outro fiquei desapontada. A autora tenta, neste livro, explorar a história do livro enquanto objecto, começando no mundo do papiro e terminando no universo do papel. No entanto, ela não o faz de forma cronológica, o que acaba por ser bastante confuso.

    Para além disso está constantemente a misturar histórias da sua própria vida, que não me interessam nada, para tentar ilustrar o quanto ama e gosta de livros, o que para todos os casos também não interessa.

    Devido à estrutura confusa do livro, que mistura a Babilónia com o Holocausto, a leitura é difícil e por vezes aborrecida. Felizmente temos muitas curiosidades interessantes e estranhas sobre o mundo da antiguidade para nos entreter.

  • Broker

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    Broker
    Hirokazu Koreeda
    2022
    Filme
    5 em 10


    Fomos ver este filme no cinema. Foi muito chato.

    Uma mulher abandona o seu bebé numa caixa de bebés de uma igreja local da Coreia. A criança é levada por um funcionario, para que - com o seu parceiro - seja vendida a uma família que não possa ter filhos. Quando a mulher regressa para recuperar o bebé forma-se uma espécie de família quebrada que vai numa roadtrip em busca das pessoas ideais para a adopção.

    Este filme tem uma série de camadas sobre as personagens que me pareceram absolutamente inúteis para o desenvolvimento da história. Para mim não era necessário ter uma perspectiva do passado de cada personagem, com excepção talvez da figura feminina, sobretudo porque o filme tenta justificar com isso o injustificável (roubar e vender bebés, ie. tráfico humano)

    Podia ter sido muito mais curto e muito menos chato se tivessem cortado uma série de elementos que me pareceram superficiais.

    Não gostei.

  • The Assistant

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    The Assistant
    Kitty Green
    2019
    Filme
    5 em 10


    Um filme indie que vimos pela actriz protagonista, Julia Garner, de quem gostámos muito na série "Ozark".

    Uma anónima assistente de uma grande empresa de Hollywood trabalha que se farta e não vê reconhecidos os seus esforços. Um Chefe também anónimo domina todas as conversas nesta empresa, e ele é uma pessoa difícil e violenta. Quando a assistente repara que o Chefe utiliza a sua influência para conquistar incautas raparigas e aproveitar os seus desejos de fama para fins sexuais, coloca-se em conflito. Mas valerá a pena?

    O filme é muito estranho porque esta empresa gigante parece estar parada algures em 2002. Os telefones são velhos, os computadores são modernos, as fotocopiadoras são antigas, a copa tem um design old-school. Então parece que estamos encapsulados numa empresa fantasma pavorosa, da qual não podemos sair sem dar cabo da saúde mental.

    Apesar de a actriz ser muito boa, a sua personagem também não revela grande densidade, pois foi escrita quase para provar um argumento, um subtil momento de "MeToo" que acaba injustiçado e frustrado.

    Foi interessante, mas será rapidamente esquecido.

  • Sasaki to Miyano

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    Sasaki to Miyano
    Kananiwa Kozue - Studio Deen
    Anime - 12 Episódios
    2022
    5 em 10


    Para variar um pouco, uma história de BoysLove.

    Miyano é um fudanshi, rapaz que gosta de livros BL. Sasaki pede-lhe uma recomendação de manga e começa a gostar destes romances. E, com isso, no meio de muitas dúvidas e tabus, eles apaixonam-se.

    É um anime de romance muito simples, com vários elementos slice of life escolares, e momentos típicos deste tipo de narrativa. As personagens são simpáticas e o seu conflito sexual é algo pouco abordado em animes BL, que usualmente se remetem a uma grande fantasia social.

    Infelizmente temos uma animação praticamente inexistente, e uma banda sonora incapaz de nos atrair para a beleza do romance.

    Por isso, é um anime simpático mas muito pouco criativo.

  • Inu-Oh

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    Inu-Oh
    Yuasa Masaaki - Science SARU
    Anime - Filme
    2022
    6 em 10


    Estamos na época Heian e as performances que toda a gente quer ver são os relatos da guerra do clã Heike. E se essas performances fossem na verdade.... Glam Rock?

    O conceito é muito engraçado e temos momentos de animação genial, em que se transmite o sentimento de concerto de massas para um contexto antigo e deslocalizado. No entanto, rapidamente as músicas se tornam repetitivas e cansativas, sendo que o filme acaba por parecer um videoclip de uma hora e meia para uma música... De uma hora e meia.

    Os designs são muito interessantes e, como digo, temos alturas de beleza pura. A história é, no fundo, a fantasia do que poderia ter sido a ascensão de "Inu-Ou", um dos artistas mais influentes na época. Mas o contexto musical é tão aborrecido que não posso dar melhor classificação a este filme.

  • Glass Onion

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    Glass Onion
    Rian Johnson
    2022
    Filme
    6 em 10


    Benoit Blanc, o maior detective de sempre, volta para um novo mistério. Um milionário envia um misterioso convite aos seus amigos para se juntarem a ele na sua ilha privada. Irão participar num jogo: descobrir quem é o culpado pela sua própria morte.

    O filme está dividido em duas partes distintas: a apresentação dos personagens e da situação do mistério; e a resolução do mistério em que revemos todas as cenas essenciais mas de outra perspectiva. Na verdade, todos os dados para resolver o mistério estão presentes a todo o instante, nós é que não reparamos neles porque não temos o olho apontado para aí.

    O filme é altamente irónico, e faz uma crítica mordaz às grandes figuras influentes da nossa época: o ultra-milionário ignorante e mimado; o político corrupto; a socialite burra; o influencer machista. É o conflito entre todas estas personalidades que nos oferece momentos de pura comédia, mas também um mistério interessante e bem feito.

    No fundo, este filme funciona mais como crítica social do que como policial per se, mas foi bastante divertido.

  • A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça

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    A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça
    Tim Burton
    1999
    Filme
    6 em 10


    Apanhámos este filme na televisão e ocorreu-me uma memória antiga: a primeira vez que fui ao cinema com a turma, há estes anos todos, o objectivo era ir ver este filme. Mandámos os rapazes que pareciam mais velhos (o filme era para maiores de 14) comprar os bilhetes, comprar 20 e tal bilhetes. É óbvio que não lhos venderam, e por isso tivemos de ir ver "O Lago".

    Adiante.

    Um polícia interessado na mais moderna forma de resolver assassinatos, através de patologia e exames químicos (mas que tem muito nojo de coisas mortas), é remetido para uma aldeia remota em que - misteriosamente - estão a acontecer assassinatos. Uma coisa em comum entre todos eles: as vítimas são encontradas sem cabeça. E toda a aldeia sabe quem é o culpado: o fantasma do Cavaleiro Sem Cabeça.

    Se ao início o filme é muito científico, com toda uma estética steampunk engraçada, rapidamente se transforma num delirante relato de bruxaria e invocação de forças maléficas. A trama policial está bem feita, mas acaba por ser ligeiramente confusa.

    A parte mais interessante é sem dúvida toda a abordagem técnica aos assassinatos.

    Pensando nisso, com a idade que tinha talvez me impressionasse grandemente se visse este filme no cinema.

  • Do I Have to Wear Black?

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    Do I Have to Wear Black?
    Mortellus
    2021
    Paganismo


    Li este livro a propósito do Book Club do Refúgio da Bruxaria, e trabalhei durante vários meses a convencer toda a gente para que fosse nomeado.

    Algo que me tem perturbado ultimamente é o que fazer, enquanto pessoa pagã, num funeral normativo. Este livro, infelizmente, não responde a essa questão, mas tem uma análise importante sobre o que é a morte no contexto pagão e alguns dados sobre o funcionamento de funerárias (nos EUA).

    O seu foco principal é a descrição de ritos e sugestões de textos e músicas para utilizar em cada tipo de funeral pagão. No entanto pareceu-me mais um conjunto de instruções sobre "como nos comportar num enterro diferente do habitual" do que um poço de ideias para planearmos o nosso próprio fim.

    Temos ritos para todos os contextos, desde a morte de um animal até à de crianças pequenas.

    É um livro cheio de compaixão, mas que me desapontou um pouco. Talvez estivesse com uma expectativa demasiado alta.

  • The Menu

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    The Menu
    Mark Mylod
    2022
    Filme
    6 em 10


    Um grupo de pessoas vai a um restaurante altamente exclusivo, do melhor Chef de sempre, com um preço exorbitante. Um dos casais presente é curioso: um rapaz fanático por alta cozinha e uma acompanhante que nem sabe muito bem o que está ali a fazer.

    À medida que pratos cada vez mais elaborados vão surgindo começamos a perceber que se passa algo de errado. Estes cozinheiros estão a gozar com os seus clientes, mas porquê?

    É um filme que fala do conflito entre classes sociais, usando para isso um conjunto de obras culinárias performativas, cada uma mais perturbadora que a outra. Quando começamos a perceber que o prato final é a morte de todos os intervenientes, tudo começa a ficar mais aflitivo.

    Filme divertido e mordaz, gostei sobretudo das partes da confecção dos alimentos (usaram actores com formação em culinária para fazer estas cenas) e da interpretação do Chef, que está plena de sarcasmo e - ao mesmo tempo - de razão.

    Um filme que dá fome, mas que depois deixa de dar.

  • Wonder Egg Priority

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    Wonder Egg Priority
    Shin Wakabayashi - CloverWorks
    Anime - 12 Episódios + 1 OVA
    2021
    7 em 10


    Com este anime chego a uma pedra basilar dos meus visionamentos, sendo ele o meu 2000º anime. Viva eu!

    Este anime tocou-me especialmente, por causa do seu tema principal e recorrente: o suicídio adolescente. Tendo eu própria sido uma adolescente suicida, este tipo de assunto marca-me (embora no meu caso eu não tivesse nenhuma amiga à minha procura por mundos e fundos). Cada episódio traz-nos um grande desenvolvimento de personagem, e cada uma das quatro protagonistas tem uma personalidade distinta e poderosa que nos faz querer acompanhá-las até ao fim.

    Também a animação tem momentos de grande brilhantismo, com cenas de acção coloridas, designs bizarros e perturbadores, e uma boa fluidez.

    Infelizmente o OVA que deveria concluir a série foi um desapontamento: metade dele é um recap, e a outra metade pouco ou nada acrescenta.

    De resto, recomendo bastante a season original.

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