Archive for quarta-feira, fevereiro 18

  • Zettai Karen Children

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    Zettai Karen Children
    Kawaguchi Kaiichiro - TV Tokyo
    Anime - 51 Episódios
    2008
    6 em 10

    Há algum tempo que não via uma série tão longa. Porque norlmalmente séries deste tamanho acabam por ser bastante medianas e com pouco interesse. Esta não varia muito desse parâmetro.

    Num universo onde há "espers", pessoas com poderes especiais como o teletransporte e a telequinese, três meninas são do mais poderoso que há. Por isso, lutam contra as forças do mal, todos os episódios. O problema aqui é que os poderes dos "espers" não se limitam a poderes psíquicos no geral, mas passam por toda uma gama de super-poderes e super-vilões que fazem tudo e mais alguma coisa. Assim, o conceito acaba por se tornar num inimigo-da-semana perfeitamente vulgar, um qualquer shounen de batalha com o seu quê de comédia à mistura. Não achei graça.

    Temos um trio de personagens que começa por ser interessante, pois são crianças. No entanto, não estão caracterizadas como crianças, transformando-se muito convenientemente em adultas mamalhudas conforme é necessário fazer as pessoas rirem-se ou não. Para mais, como em todo o trio num shounen em anime, só a que está no meio quando se faz a pose é que é importante. É ela a especial, a que tem os poderes mais fortes, de tal forma que sem ela as outras não se lembram de usar os seus próprios poderes. Isto é, se tens o poder do teletransporte, porque vais a correr atrás do mau em vez de... Te teletransportares? Existe um antagonista que aparece logo ao início e que está simplesmente ali, quer do lado certo quer do lado errado, sem muita coisa a prendê-lo à terra. Passa por pouco convincente e apenas como mecanismo narrativo, já que a história acaba por se limitar em "como a miúda do meio tem mais poderes que toda a gente".

    Em termos de animação, temos episódios em que mal se repara nela e outros, aqueles com lutas mais importantes, em que é bastante boa. Os cenários não são muito detalhados, mas o design dos personagens está realista dentro do contexto.

    Musicalmente, temos muito pouca coisa com OPs e EDs muito dentro do género.

    Mais um anime igual a todos os outros.
  • Tales of the Street Corner

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    Tales of the Street Corner
    Osamu Tezuka - Mushi Productions
    Anime - Filme
    1962
    7 em 10
     
    E para finalizar, um pequeno filme um pouco mais antigo. Aqui, acompanhamos a vida dos personagens que habitam um beco sem saída, entre postes de electrecidade e posters que estão na parede.
     
    Desenvolve-se entre todos eles uma série de histórias, histórias de sobrevivência, histórias de amor, que são interrompidas pelo aparecimento de um poster um pouco maligno, muito parecido (coincidência ou não) com o Estaline. Com a mudança dos posters na parede, vemos a evolução de um regime e de repente situamo-nos dentro de uma guerra da qual será muito difícil escapar, seja-se rato, traça ou urso de peluche.
     
    Com algumas cenas de animação delicadamente tocantes, de uma fluidez que ainda hoje parece ser difícil de obter, o foco principal deste anime são os vários desenhos dos posters, que são muitos e estão sempre a dançar. A imaginação que foi necessária para criar tantas imagens, cada uma delas única e altamente detalhada, é um ponto a valorizar bastante.
     
    A paleta de cores é bastante escura e limitada, sendo que não há muito uso de sombras. Dentro da opção estilística aqui apresentada, é algo que faz bastante sentido e acaba por funcionar muito bem, embora a menina - única pessoa verdadeira que aparece - necessitasse de algo que a diferenciasse um pouco dos outros personagens.
     
    Apesar do final trágico, de morte e destruição, esta curta metragem traz-nos mais uma vez uma mensagem de esperança ambientalista. É um anime marcante para a sua época, altamente moderno até para os conceitos de hoje em dia, que deve ser visto por todos aqueles com interesse na história do anime.

  • Legend of the Forest

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    Legend of the Forest
    Osamu Tezuka - Tezuka Productions
    Anime - Filme
    1987
    7 em 10
     
    Seguidamente, avançamos um pouco no tempo para ver uma animação experimental com uns toque de modernidade. O tema é a natureza e a sua destruição pela parte do homem, mas também como esta dá sempre a volta e é impossível destruí-la totalmente.
     
    Ao som de Tchaikovski, vemos duas histórias distintas. Primeiramente, acompanhamos a história de um esquilo que, ao perder a sua árvore de residência, é criado por uma outra árvore. Ao crescer, descobre que pode voar, pois é um esquilo voador. O estilo de animação varia entre algo que poderia ser considerado um desenho técnico, numa cena espectacular de fuga e sobrevivência, passando para uma opção estilística muito mais ocidental, numa mistura de Looney Toons e Disney. No entanto, a narrativa não se conjuga em nada com a destes dois estilos. É como se fosse um Bambi em que tudo corresse ainda pior, de forma realista, emocionante e até tocante. À medida que o nosso personagem cresce, também o seu desenho vai mudando, até atingir uma certa maturidade que é necessária para o desfecho moral da história.

    Na segunda parte, um ditador em tudo semelhante ao Fidel Castro destrói a floresta com a sua maquinaria. As pessoas da floresta, entre animais, fadas e cogumelos que andam (!), têm de tomar uma decisão em relação ao que hão-de fazer. Acabam por decidir por uma via pacífica que, ao não funcionar, acaba por levar à vitória da natureza. Também esta secção tem influências ocidentais, com um grande toque de Fantasia nos elementos feéricos. No entanto, a caracterização moderna do ditador como elemento destruidor, não só da humanidade mas de tudo o que a rodeia, é um toque que faz toda a diferença.

    Esta curta metragem poderá passar um pouco desapercebida pelo seu estilo admitidamente ocidental, mas sem dúvida que vale a pena dar-lhe uma olhadela.

  • Pictures at an Exhibition

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    Pictures at an Exhibition
    Osamu Tezuka - Mushi Productions
    Anime - Filme
    1966
    8 em 10

    Como estive doente, as celebrações do Dia dos Namuraduhs, também conhecido por SãoValentimerda, foram transladadas para a noite entre segunda e terça feira de Carnaval. Para uma noite calma, sugeri vermos este pequeno filme, que tinha sido sugerido pelo meu clube. Como me esqueci de o levar, vi-mo-lo no Youtube, onde está juntamente com uma série de outros (que vimos a seguir)

    Osamu Tezuka, o pai do manga tal como o conhecemos e também do anime, passou os seus anos 60 trabalhando numa série de animações experimentais, exercícios de imaginação e técnica que não podem passar desapercebidas a qualquer fã de anime. Utilizando a animação como ferramenta de crítica social, Tezuka mostra-nos o melhor que a época tinha para dar, com resultados que ainda hoje são espectaculares.

    Neste pequeno filme, vamos visitar uma exposição ao som de música clássica (se bem que um pouco vanguardista). Passamos por quadros diversos, muitos deles que mostram pessoas famosas, cada um com um estilo distinto, e de repente podemos olhar para alguns em específico e imaginar a história que está por trás deles. Criticando todas as coisas, modernas para a época mas ainda actuais, desde a destruição da natureza à cirurgia plástica, passando por uma sequência impressionante sobre a guerra, podemos ver curtos momentos de animação sublime, diferente, sem regras e fazendo uso de toda uma imagética que viaja por todos os estilos comuns da altura.

    A história que mais me impressionou foi a do jardineiro do jardim electrónico que, com um toque da infantilidade que os desenhos animados tinham como estigma, aborda o assunto de forma poética e com um toque de sadismo.

    As sequências são muito vivas, embora a paleta de cores seja reduzida, o que faz todo o sentido tendo em conta o período histórico em que se insere.

    É um filme que todos podem ver e que vale realmente a pena, tanto em termos históricos como em termos artísticos propriamente ditos. A genialidade de Tezuka não se encontra na popularidade dada por animes como Astro Boy ou o Kimba, mas nestas pequenas coisas que, estando livres das convenções televisivas e censura, ultrapassam as barreiras do políticamente correcto e criam algo fundamentalmente único.
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