Archive for sábado, junho 29

  • Kamikaze Girls

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    Kamikaze Girls
    Novala Takemoto
    2002
    Romance

    Provavelmente a maioria de vós que segue este blog conhece alguma coisa da cultura pop Japonesa. Assim, já se terá deparado com um estranho filme sobre uma lolita, Kamikaze Girls. Ou quiçá com um manga. Eu deparei-me primeiro com o manga. Gostei tanto que fui ver o filme (que é um live-action, não é anime. E é estranhamente genial, à sua maneira). E agora, levada por uma inspiração que desconheço, li o livro. Decidi comprá-lo sem pensar e entre a edição mais barata - cuja capa está acima - e a edição especial em capa grossa.... Bem, fui pela mais barata.

    Já me devem ter ouvido dizer coisas sobre lolitas por aqui e ao vivo. Normalmente não são coisas muito positivas, pois a verdade é que é raro uma pessoa vestida com este ensemble me tratar bem. E a verdade é que alguns de vós saberão que eu tenho um sério qui-pro-quo com um elemento importante e famoso da comunidade lolita Portuguesa. História essa que já correu o mundo e já se transformou em rumor. Um rumor tão desenvolvido que envolve roubar e queimar vestidos, da última vez que eu o ouvi? História longa feita curta, sentimentos foram magoados e a pessoa que eu considerava a minha melhor amiga desapareceu da minha vida sem deixar rastro. As únicas coisas que sei sobre ela neste momento são as que oiço de amigos de amigos de amigos e as suas aparições em lugares de fama. Para que conste, as histórias que oiço de amigos de amigos de amigos são preocupantes. Mas é estranho, este sentimento, por um lado eu quero saber e preocupo-me, por outro lado digo "estou-me a cagar" e continuo na minha, sem fazer qualquer tipo de esforço para a encontrar, para falar com ela, para lhe dar novidades das outras pessoas que a consideravam como amiga. Isto se ela quiser saber, claro. A verdade é que foi uma pessoa muito importante para mim e que eu fiquei mesmo muito triste por ter desaparecido da minha vida. Talvez não pareça ser assim, porque eu sou o tipo de pessoa que guarda tudo bem guardadinho e faz piadas mórbidas sobre o assunto, que em vez de procurar a solução prefere embebedar-se e dizer merda sem sentido a seguir. Quem é a pessoa triste afinal, não é? :3 Enfim, se a lolita em causa ler isto ou se alguém que a conheça ler isto ou se um amigo de um amigo de um amigo ler isto, podia por favor dizer-lhe que eu gostava que ela me devolvesse os livros "As Crónicas de Nárnia" e "The One I Love", que tinha emprestado porque gostei tanto deles que os queria partilhar? E que, na devolução, até podíamos tomar um café e olhar para o passado e saber o que é que andamos a fazer das nossas vidas e para onde é que elas irão depois de terminar o café e o copo de água e quiçá uma imperial? Eu peço desculpa por estar a falar de um assunto tão estranhamente pessoal neste espaço, que na realidade é o comentário a um livro e tal, mas não vejo outra maneira de a encontrar. Perdi os contactos com o tempo (isto já foi há muito tempo) e não queria usar nenhum método de comunicação lolitoso para isto, porque não sendo lolita não me sinto no direito de o usar.

    Falando nisso, eu não me considero lolita mas a verdade é que até tenho um par de vestidos (e mais uma série de coisas que são offbrand e uma réplica de que já não gosto mas que gostava na altura). Mas isso não fará de mim uma lolita, se bem que o conceito do que é ou não uma rori é motivo de debate interno. Será que precisas de viver a vida como uma Momoko, personagem deste livro, ou será que usar os vestidos basta? De uma forma ou de outra, eu não os uso muito bem. A maquilhagem ainda é um mistério para mim e o meu cabelo é um desastre. Mas isso é outra história.

    Momoko é uma lolita e vive o rococo dentro dela. Mas a interpretação dela do rococo não é nada de inocente. A verdade é que ela vive a vida usufruindo dos prazeres ao máximo, de forma egoísta e indiferente. Está na sua, por isso usa os vestidos mais histericamente possíveis. E ela diz que é tudo uma questão de "mau gosto". A roupa é de tão mau gosto que dá a volta e se torna maravilhosa. É um exagero. E se olharmos para o estilo desta forma, chegamos ao âmago da questão: isto é uma moda de revoluções. É o punk ao contrário. Novala Takemoto é considerado uma das grandes autoridades do mundo da moda lolita (ou era, antes de ter sido preso) e se ele diz isto... Bem, é uma interpretação coerente que torna o estilo muito mais fascinante do que "vestidos com ovelhinhas que têm chapéus de palha". Recomendo a todas as pessoas interessadas neste estilo que leiam este livro ou que, pelo menos, vejam o filme. Porque a Momoko define-o de uma maneira muito interessante. Interpretações, cada um tem a sua, mas esta é a opinião do alter-ego do Novala. Acho que é importante, se bem que desactualizada. Bem, é importante em termos históricos.

    Este livro conta a história de Momoko que, por acaso do destino (ela precisava de dinheiro para comprar mais vestidos), se torna amiga (mais ou menos) do seu oposto diamétrico: Ichigo, uma yanki. Os yankis são aqueles mauzões, motoqueiros que andam em brigas e na estrada. O fascinante do livro é como elas as duas, sendo tão diferentes, se entendem e se aceitam sem nunca mudar as suas perspectivas da vida. É também muito interessante ver como elas são a antítese do estilo de moda que escolheram: a inocente lolita é uma pessoa fria (que vai ganhando sensibilidade e abrindo o seu coração pela interacção com Ichigo) e a perigosa yanki é correcta e bondosa (que vai ganhando individualidade e independência do grupo pela interacção com Momoko).

    É um livro muito interessante, mas que pode ser um pouco confuso para quem não tem conhecimento sobre o estilo lolita. A maioria dos fãs de anime pensa que é algo preto e branco cheio de folhos, mas esse tempo já passou. Se quiserem informações, recomendo o  site HelloLace, que tem uma biblioteca com os vestidos existentes e muitas fotografias de inspiração para perceberem o que é a lolita dos anos 10.

    Ah, e vou escrever uma carta ao Novala, ele tem a morada no site dele. Vou dizer-lhe para não se desmotivar por ter sido preso e continuar a fumá-las. E a agradecer este livro, que me fez compreender melhor um estilo de vestir e de viver. Depois de o ler, acho que estou preparada para enfrentar essa pessoa do passado e assinalar umas tréguas, deixar para trás esta minha atitude de cabra insuportável e olha, viver a vida!
  • Chihayafuru 2

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    Chihayafuru 2
    Asaka Morio - Madhouse Studios
    Anime - 25 Episódios
    2013
    6 em 10

    É certo que Chihayafuru tinha deixado na boca aquele gostinho de quem quer continuar. Precisávamos de uma segunda season e aqui está ela! Apareceu no Inverno de 2012, continuando-se por 2013 e terminando agora mesmo.

    É uma continuação directa e considero-a ligeiramente inferior à primeira season, quase uma season de transição. Pega no segundo ano dos nossos personagens e a segunda vez que aparecem no campeonato de Karuta. São introduzidos dois novos personagens na equipa, jogadores novatos que têm de aprender a jogar (e, assim, o anime dá-nos uma revisão das regras, para os que já se tinham esquecido). E também introduzidos novos oponentes.

    Infelizmente o anime torna-se um pouco repetitivo e cansativo: tem demasiados jogos. Aquilo que (eu) queria saber era como se desenvolvia a história do triângulo amoroso. Esta season não lhe toca: apenas é referida alguma coisa no último episódio, que deixa - mais uma vez - um gostinho na boca de quem quer uma terceira season. Uma coisa que me causa pena é estarmos sempre a acompanhar os jogos da Chihaya, que tem uma maneira um pouco desinteressante de jogar, mais física. Por exemplo, gosto muito mais dos jogos da Oe-san, porque ela chega às cartas pela interpretação e assim  ficamos a conhecer melhor os poemas e as cartas (gostaria de ler os poemas um dia, se conhecerem uma boa edição em papel com anotações por favor digam-me).

    De resto, mantém-se na linha da primeira season em termos de animação e sonoridade. Uma coisa que gostaria de saber é se estes leitores das cartas do karuta são realmente tão bons como eles dizem ou não. Realmente quanto apareceu aquela senhora, eu senti alguma coisa diferente, mas não sei se foi pela animação que vinha associada ou se pela voz propriamente dita.

    Ficamos à espera de uma terceira season. E que demore pouco a chegar!
  • Karneval

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    Karneval
    Suganama Eiji - Bandai Visual
    Anime - 13 Episódios
    2013
    6 em 10

    Continuando, estação da Primavera... Quem sou eu para recusar ver um anime cheio de entidades masculinas bonitas? Sou o eu de agora: a partir de Karneval vou passar este tipo de anime de agora em diante. Porque já não tenho vagar para estas coisas. E estas coisas são o chamado "fujoshi pandering". O que é este conceito? É quando um anime tem uma palete de gajos giros por onde escolher, que fazem coisas de gajos giros e têm uma certa tendência subliminar meio homoerótica (mas não completamente, muito discreto), mas que são giros e como são giros as gajas babam-se e as gajas gostam e as gajas papam. Pois que eu não seja gaja se vou papar isto! Porque depois de já ter passado toda a minha adolescência a papar isto e a delirar com isto e a babar-me para os gajos dos bonecos que são tão giros... Eu cresci e eu estou FARTA. Eu quero anime BOM. Se o anime for BOM e tiver gajos giros: ÓPTIMO. Yang Wenli todos os dias da minha vida. Kusuriuri aos fins de semana.

    Mas vamos ver, porque é que eu tenho esta opinião sobre Karneval se todas as reviews que tenho lido, com excepção de uma ou outra, lhe dão um retumbante dez em dez?

    Comecemos pela história. Confesso que me perdi, porque ela realmente não faz muito sentido. Então temos um gajo (giro) que está preso e outro gajo (giro) que o liberta, então vão juntos e são perseguidos, então vão parar a um sítio que os defende que é um circo e que tem coelhos e então eles lutam e procuram um outro gajo (que deverá ser giro) que está perdido, mas lutam contra o mal de qualquer forma, porque se são  os personagens principais (e são giros) é porque devem ser boas pessoas. Não, sentido está em falta, cadê sentido? Alô?

    Claro que isto poderia ser compensado com personagens fortes, que estariam no meio de uma história tão circense por mero acaso do destino. Não. Não é o caso. Todos os personagens, sem excepção, são uns coitadinhos. O das orelhas é um coitadinho, o ladrão é um coitadinho, as gajas são muita carismáticas mas continuam todas a ser umas coitadinhas, o médico é um coitadinho, toda a gente é coitadinha. Tenho tanta pena deles. Tanta. Imensa. Assim deste tamanho: (...)

    No parênquima sonoro nada que se distinga da normalidade. Vamos admitir que a OP está interessante e que se o anime correspondesse à animação da OP teríamos algo muito mais fascinante. E vamos admitir, vamos mesmo, porque é verdade, que a arte está bastante boa. É colorida, é vívida, os designs dos monstros e das roupas estão muito interessantes. E reparo com este anime que os 10s têm uma nova tendência no design shoujo. Observemos:

    Um coitadinho qualquer

    Cabelos separados em madeixas, cada uma com a sua sombra, pestanas longas (back to the 70s?) e olhos mais apertados em personagens adultas, nariz comprido e linha do maxilar longa e forte. Mãos típicas de BL, grandes e poderosas (ler com sotaque brasileiro).
    Não desgosto desta tendência, por acaso, só achei curioso e achei por bem reparar nela neste post.

    Enfim, Karneval pode ser medíocre, mas aprendi uma grande lição com ele: não mais ver anime quando a única razão para o ver é "tem gajos giros". Vamos ser um pouco mais selectivas, não vamos Lady? Afinal, se quiseres ver um gajo giro já não precisas de ver anime!
  • Hataraku Maou-sama!

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    Hataraku Maou-sama!
    Hosoda Naoto - Lantis
    Anime - 13 Episódios
    2013
    5 em 10

    Mais outro anime de Primavera que, para mim, possuía uma grande dose de potencial e que me desapontou.  Vejamos, o que é que eu pensava que isto ia ser baseada no primeiro episódio:

    O rei dos demónios e seu cúmplice são transportados para a dimensão onde se encontra o planeta terra. Evidentemente vão parar ao Japão, mas isso é o menos. Aquilo que eu pensava é que o demónio e seu sub-demónio iam ter aventuras pelo planeta Terra em que seriam confrontados com as diferenças ideológicas entre eles e as pessoas normais. E que isso seria cómico.

    e a verdade é que estava a ir muito bem. Até mais ou menos o meio da série. Em que... Pois... ACÇÃO. CENAS DE MOTHERFUCKING ACÇÃO. Acção essa perfeitamente inútil que desviou a história para mais um shounen exactamente igual a todos os outros. Adicionem-se gajas. Adicionem-se inimigos. Adicione-se mais acção. Tudo o que *as pessoas* gostam, mas que eu desprezo. E, com isto, a série morreu para mim.

    Não é que a animação esteja má, ela até está bastante capaz nas ~lutas~. Mas eram necessárias? Era necessário fazer de uma história tão engraçada uma coisa assim tão básica que se baseie em... ~Lutas~? É este o problema do anime dos tempos de hoje: tem uma história interessante, tem uma premissa muito gira, mas na execução decide sempre ir pelo caminho fácil, pelo caminho das ~lutas~, pelo caminho que Dá Dinheiro. O que era uma comédia hilariante ficou de uma vulgaridade fremente, tudo se tornou desinteressante. Mas enfim, a animação não está má.

    Não se pode dizer o mesmo da música. Tardou para a OP aparecer, mas aparecendo foi horrível. No entanto, estão interessantes as vozes e são elas que ainda conseguem trazer algum efeito cómico.

    Digo sempre que a comédia é difícil de avaliar porque é subjectiva. Hataraku falhou em fazer-me rir durante todo o tempo em que decorreu. Problema meu? Sim. Masacomédiaésubjectiva.
  • Devil Survivor 2 The Animation

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    Devil Survivor 2 The Animation
     Kishi Seiji - Manichi Broadcasting
    Anime - 13 Episódios
    2013
    4 em 10

    Em relação a este anime, season de Primavera de 2013, possuía algum tipo de expectativa, pois a sinopse parecia interessante. No entanto, a sinopse revelou-se um lugar comum logo ao segundo episódio.

    Essencialmente, esta juventude neste anime tem uma aplicação para o telemóvel que mostra como vão morrer. Super útil. Começou por aí, mas depois - de alguma maneira que não compreendo - passou para invocar uns bicharocos pelo telemóvel e usá-los para lutar contra outros bicharocos ainda mais feios. E, assim, um anime que tinha potencial para ser interessante, cai na infantilidade de monstrinhos contra monstrinhos. E porque é que os monstrinhos têm todos de ter os mesmos nomes em todos os animes é algo que me transcende. Todos os tigres brancos se chamam Byakko, pelo amor da santa.

    Enfim, em termos de história e de personagens temos pouco mais que nada. Todos os personagens são estereótipos, se bem que os seus designs se aproximam mais do ideal de shoujo do que do de shounen (nos masculinos) e o oposto nos femininos. Curioso. Resta-nos música e animação, que também sofrem a infelicidade de serem vulgaríssimos.

    A animação poderia ser bastante boa se não tivesse momentos de CG algo pavorosos. Se bem que, vamos admitir, o CG no anime de agora está bem mais bem disfarçado do que o do anime do antigamente. Temos muitas lutas e muita acção, com os bicharocos e tudo o mais, muitas explosões bichosas, etcoetera, mas nada de interesse.

    A música, a primeira vez que ouvi a OP pareceu-me um som da Hatsune Miku - o vocaloido - mas depois de a ouvir a segunda vez já não me pareceu, por isso não sei. De uma forma ou de outra, não era nada de especial. O resto do sonoro não se distingue do restante do género.

    Finalizando, acaba tudo em bem, graças ao poder supremo que todos os personagens principais possuem para vencer o terrível mal que nos assombra. Oh yeah.
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