Archive for sexta-feira, abril 29
O Amante Japonês
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O Amante Japonês
Isabel Allende
2015
Romance
Este livro foi-me oferecido pela minha mãe pelo Natal do ano passado. Já há muitos anos que não lia nada desta autora e, por isso, não me recordava bem do seu estilo. Assim, não tinha muitas expectativas em relação a este novo romance. Na verdade, acabei por o consumir avidamente num único dia, sem nunca o largar! Absolutamente viciante!
Este livro conta a história de um amor que ultrapassa gerações, misturando histórias sobre histórias em diversas camadas narrativas, mas de uma forma tão directa e simples que não deixa de ser apaixonante. Tudo começa quando uma rapariga, que tem os seus próprios segredos, começa a trabalhar num lar de idosos. Lá, conhece Alma e o seu neto. A partir da recolecção das memórias desta velhota, descobre o seu principal segredo, sendo que - ao explorá-lo - encontra uma história muito diferente do que lhe contam as fontes oficiais.
Este livro toca em assuntos diversos e, por vezes, difíceis de confrontar. Para começar, o racismo: a história de como a comunidade Japonesa nos EUA foi erradicada para campos de concentração durante o final da Segunda Grande Guerra. Depois, conta-nos um pouco da diferença entre classes. Também nos fala de abusos sexuais, de homossexualidade... No fundo, toca em todos os assuntos que podem ser fracturantes na relação interpessoal de uma comunidade. Talvez isto faça com que o livro se perca um pouco do arco narrativo principal.
O final é bonito, mas um pouco místico demais para o resto do contexto da história.
De qualquer forma, gostei imenso! Tanto que irei fazer um Ring, para o partilhar pelo BookCrossing :)
By : ladyxzeus
As Noites das Mil e Uma Noites
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As Noites das Mil e Uma Noites
Naguib Mahfouz
1982
Romance
Recebi este livro pelo BookCrossing, no primeiro ring de um novo membro. Como era um novo membro e o livro parecia muito interessante, não pude deixar de participar :) Embora a edição que tenha recebido seja diferente da desta imagem que encontrei.
Naguib Mahfouz é o único prémio Nobel de língua Árabe até agora. E ele tem realmente uma mestria absoluta enquanto contador de histórias. Neste pequeno livro, ele conta-nos o que acontece depois de Xerazade terminar a sua milésima primeira noite. Tudo está bem quando acaba bem, mas será que na cidade deste sultanato tudo vai ficar como esperado?
Através da acção de diversos génios, com mais ou menos maldade dentro deles, os vários habitantes desta cidade encontram problemas que os confrontam com a linha entre o bem e o mal. E é a decisão que têm de tomar perante estes que define o futuro da sua vida e, consequentemente, o futuro desta cidade e deste bairro.
Cada história, de cada personagem, é mística e misteriosa, recriando um ambiente fantasioso árabe que apenas conseguimos encontrar nessas antigas histórias e que, parece-me, se perdeu um pouco com os acontecimentos recentes. Este livro faz-nos ganhar uma fascinação pelo ambiente, mas também um certo respeito pela religião muçulmana, que é relatada sempre como uma crença que procura a paz e o entendimento e, sobretudo, fazer o bem. Quando o bem não é feito, qualquer que seja aquilo em que acreditamos, há sempre um castigo divino operado pela mão humana. Que sempre é violento.
Isto acaba por ser, de certa forma, irónico. Deus é paz, mas também é violência. Talvez isto seja a confrontação entre o bem e o mal que os personagens encontram ao longo dos seus percursos.
De resto, fiquei muito curiosa com este autor e espero ter a oportunidade de ler outras obras.
By : ladyxzeus
Purple Rain
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Purple Rain
Albert Magnoli
1984
Filme
6 em 10
Este 2016 tem sido um ano trágico para as vidas famosas, pelo menos da música. Desta vez, a vítima foi um artista que eu conhecia pouco: Prince. Assim, em celebração da sua obra, passámos o fim de semana longo a ouvir os seus sons e aproveitámos para ver também o filme que o lançou no mundo do cinema, granjeando-lhe também um óscar para melhor banda sonora.
No entanto, não se pode dizer que o filme seja especialmente bom. Prince estrela como The Kid, o problemático líder de uma alternativa banda que toca numa discoteca todas as noites para ganhar a vida. The Kid tem problemas diversos: a sua família está quebrada, a sua banda está prestes a separar-se, a sua namorada torna-se competição artística... Será que ele vai conseguir criar uma música suficientemente especial para se redimir e para se encontrar com os corações das pessoas?
Infelizmente, este personagem está construído de tal forma que é impossível para qualquer pessoa num estado normal identificar-se com ele. O pobre Prince dá o seu melhor para interpretar uma personagem tão terrível, uma pessoa violenta que apenas aprende mais violência a partir do seu exterior, para quem a apoteose final parece não revelar nada sobre a sua evolução e apenas uma dedicação inusitada à figura paterna que, para mais, é horrível. Talvez o melhor actor seja este, na verdade. Quanto à rapariga, parece estar ali apenas para tirar a camisola e aparecer com lingerie terrívelmente datada.
Sem dúvida que o valor do filme se encontra, em exclusivo, na banda sonora. Toda ela composta (e praticamente toda) e interpretada por Prince, estabelece uma sonoridade pop revolucionária para a época. As cenas dos concertos também são muito interessantes, devido à originalidade do público e à intensidade das performances, que nos remetem para esse local e para essa época.
De resto, é um filme noveleiro e bastante medíocre, que não faz jus ao artista que lançou.
By : ladyxzeus
Brasil
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Brazil
Terry Gilliam
1985
Filme
7 em 10
Segunda noite em isolamento e vamos ver um filme completamente louco, realizado pelo senhor que animava os bocadinhos dos Monty Python (e também com alguns deles).
Este filme é a verdadeira acepção do termo cyberpunk. Como sabemos, toda a ficção científica é adaptada à sua era. E, neste caso, está intimamente ligada com os aspectos relativos aos anos 80. Todo o ambiente tem uma aura de falsidade, sendo que todos os objectos (tubos, paredes, etc.) aparentam ser feitos do mais simples cartão. E isto, além de poupar dinheiro, conjuga-se perfeitamente com o tema do filme.
Um homem é escravo de um universo burocrático, onde vive e do qual se alimenta, não desejando nada mais do que a simplicidade da vida. Não procura sucesso nem felicidade, não tem qualquer tipo de ambição. No entanto, tem um sonho... No dia em que é visitado por um revolucionário que arranja esquentadores ilegalmente (isto é, sem passar pelo processo burocrático) a sua vida vira-se ao contrário e ele vê-se envolvido numa conspiração, entre as autoridades e terroristas. Mas será que até a conspiração é um sonho?
Todo este universo é recordatório de Kafka: a luta pelo espaço no universo de papelada impossível, a procura de uma autoridade que nunca existe e que nunca o pode atender, o facto de estar perdido num local incompreensível mas que ainda assim é perfeitamente conhecido.
Assim, o filme é uma intensa experiência imaginativa, cheio de detalhes preciosamente hilariantes com os quais não podemos deixar de gargalhar.
Finalmente, diga-se que o filme não tem nada a ver com o Brasil, sendo que este é apenas o título da canção recorrente (Brasil, Brasil, lalalalalala, tão a ver?) Também dizem que tem este título devido ao fim da ditadura militar nesse país, mas não vejo a relação com o tema em questão.
De qualquer forma, recomendo vivamente, é uma experiência muito interessante!
By : ladyxzeus
Hail, Caesar!
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Hail, Caesar!
Ethan & Joel Coen
2016
Filme
6 em 10
Finalmente este filme apareceu por aí numa qualidade aceitável, então aproveitámos a nossa viagem ao mundo do campo para o vermos. Foi assim a primeira noite. Infelizmente, houve um erro com as legendas e não tínhamos internet para tirar umas novas, portanto teve mesmo de ser visto sem elas. Eu tive alguma dificuldade, porque praticamente todos os personagens têm um cerradíssimo sotaque, o que para mim é um pouco complicado de compreender.
Adiante.
Este filme fala sobre a época dourada do cinema, mas de uma maneira que não a torna nada dourada. Vários personagens estão concretizando uma série de filmes, mas acabam todos por se encontrar em conclusão. E, no fundo, os nossos Irmãos Coen tecem aqui uma crítica cerrada aos acontecimentos cinematográficos dessa época, retratando tudo como ridículo, exagerado e estupidamente brilhante, em contraste com as pessoas envolvidas que são todas incapazes e, como dizia um crítico qualquer, "bovinas".
No entanto, este aspecto bovino dos personagens acaba por se desvanecer com o seu desenvolvimento que, sempre puxando o lado cómico de todas as coisas, se revela subtil e orquestrado de tal forma que as mudanças próprias dos personagens se diluem nas mudanças do cinema da época: através destes personagens podemos observar as alterações que se seguem na indústria, prevendo os dias de hoje.
De resto, talvez um dos filmes mais hilariantes destes autores!
By : ladyxzeus
Coleccíon Masaveu
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Coleccíon Masaveu
Museu Nacional de Arte Antiga
Exposição Temporária
A expoisção já terminou há algumas semanas, sendo que eu e o Qui fomos precisamente no último dia. Mas só agora me sentei para falar um pouco sobre ela. Achámos por bem ir porque uma amiga estava a trabalhar como guia da exposição e, assim, era uma boa ocasião para lhe dar um oi :) Acabou por nos fazer uma espécie de tour privada, explicando os quadros um a um (excepto um deles, classificado como "Boring"), o que foi uma ajuda preciosa para compreender o que se estava a passar por aqui.
Esta colecção é o conjunto privado de uma série de quadros, coleccionados por uma família de senhores espanhóis importantes, dedicados a fábricas de cimento e outras coisas, que - pelo sinal - têm montes de papel. Assim, coleccionaram ao longo de três gerações um conjunto de preciosos elementos do mundo artístico espanhol, sendo que alguns foram reunidos nesta exposição temporária no Museu Nacional de Arte Antiga. Repare-se que a maioria destas obras vieram de casas privadas e escritórios, onde as pessoas têm a (relativa) sorte de as poder ver todos os dias.
Tudo começa num tempo longínquo, na época medieval, em que os artistas se dedicavam a pintar cenas religiosas escabrosas, decorando-as com picotados típicos das obras do país. Adiante, começamos a ver cenas da vida normal e naturezas mortas, mas sempre tudo muito pegado aos santos, aos Jesuses, às Marias e a essa gente toda. A parte que mais me assustou nestes quadros foi o facto de muitos dos santos e Marias estarem a elevar-se rodeados de cabeças de crianças com asas, o que é perturbador como tudo.
Claro que havia por aqui alguns quadros impressionantes, mas desta secção o que mais gostei foi uma pequena estátua, tão detalhada que até tinha a textura da barba do senhor representado.
Depois há uma mudança radical! De repente, passamos para uma arte um pouco mais moderna, introduzinto o famoso Goya com alguns pequenos desenhos que pintou ao longo da sua vida. Aparentemente, esta é a secção da colecção que começa a ter mão do filho, que aprecia menos temas religiosos e mais temas da nossa vida real. Há alguns quadros com uso extremo da luz solar, que transmitem um calor de pavor, mas o que eu gostei mais foi este, que passo a citar:
Também gostei muito de um que tinha crianças a nadar, porque tinha uns truques muito giros com a luz que transmitiam perfeitamente a textura da água. Mas esse não acho imagem para por aqui.
Enfim, agora já não posso recomendar que vão à exposição, mas estou ansiosa por ver outras, fiquei mesmo motivada para este universo da arte pictórica! =D
Para a próxima, lá estarei!
By : ladyxzeus

