Archive for sexta-feira, novembro 11

  • Alma

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    Alma
    Voltaire
    1776
    Ensaio Filosófico

    Há já algum tempo que desejava experimentar um pouco de filosofia. Para além disso, nunca tinha lido nada de Voltaire, portanto pensei... "Porque não?" :)

    Neste curto ensaio (cerca de 40 páginas), o autor debate consigo mesmo as várias perspectivas histórico-filosóficas do conceito de "alma". Assim, coloca várias questões, tentando respondê-las citando filósofos mais antigos: o que é a alma? Quem tem alma? Os animais têm alma? As plantas têm alma? As crianças têm alma? A partir de quando? Um débil mental tem alma?

    São tudo questões muito válidas. Curiosamente, tendo em conta a perspectiva histórica do autor (afastado da religião, um pouco anti-semita...), este cita demoradamente passagens bíblicas do antigo testamento, para além de filósofos nitidamente cristãos. Isto faz com que o debate apresentado esteja um pouco enviesado.

    Finalmente, Voltaire não chega a nenhuma conclusão por si próprio, após toda a pesquisa. No meio disto tudo, ele coloca as questões mas nunca chega a respondê-las com a sua própria opinião. É como aqueles estudos científicos que no final dizem "inconclusivo". Assim, a leitura não foi especialmente satisfatória.

    No entanto, fiquei com vontade de filosofar um pouco mais, pelo que colocarei esses livros (que tenho no Kobo) semi-prioritários. :)

  • Gabriela Cravo e Canela

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    Gabriela Cravo e Canela
    Jorge Amado
    1958
    Romance
    Este livro foi um pouco custoso e ler. Não exactamente pelo seu conceito ou forma de escrita, até porque é mais um de Jorge Amado, sempre divertidíssimo, mas mais exactamente pelo tamanho das letras, que eram diminutas e eu sou muito pitosga. 

    Tornado famoso pelas múltiplas novelas e adaptações para filme, teatro e dança, este livro fala de uma pacata cidade, Ilhéus, e as pessoas que lá vivem. Quando o árabe Nacib fica sem cozinheira, acaba por contratar Gabriela, que veio de terras secas para esta cidade próspera em cacau. Daí se desenvolve uma história de amor, intercalada com outros amores de outras personagens.

    Estes estão bem construídos, embora não haja aqui tanto detalhe como seria de esperar. A caracterização principal é feita à cidade em si, com seus hábitos, cores e cheiros. Trata-se de um romance de costumes, que pretende mostrar como uma cidade pode mudar as suas concepções através das pequenas atitudes de cada um dos seus habitantes.

    No entanto, não gostei muito da causa destas transformações. Isto é, se era aceitável no passado um marido traído matar tanto mulher como amante, será que é aceitável não os matar mas enchê-los de pancada? O livro parece ser bastante apologista da violência em relação à figura feminina, sobretudo porque esta não abandona de imediato a fonte de violência e continua a ela apegada até ao final.

    Ainda assim, é bastante divertido acompanhar estas pequenas histórias. Pena as letras serem tão canochas.

  • Captain Fantastic

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    Captain Fantastic
    Matt Ross
    Filme
    2016
    6 em 10

    Sabemos todos que existem, espalhadas pelo mundo, comunidades de pessoal hippie e freakalhóide que vivem em contacto com a natureza, educando assim as suas crianças. Este filme é precisamente sobre uma dessas famílias, um conjunto de pai, mãe e cinco crianças que vivem isolados na floresta praticando os seus talentos físicos e intelectuais através de uma educação tanto rígida como libertária.

    Mas o que acontece quando eles têm de ir ter com a cidade, com o "mundo real"? Motivados pela morte da matriarca, procuram ir ao seu funeral para a salvar de ser enterrada (já que é budista). Será que as coisas vão correr bem?

    O filme tem os seus momentos engraçados mas, no fundo, trata-se de uma história familiar em que a figura paterna é confrontada com os seus ideais em termos educativos pelos seus próprios filhos. Os seus hábitos e celebrações são diferentes, mas a pouco e pouco vão acontecendo pequenas revoltas e fica demonstrado que podem saber tudo sobre a soma de integrais mas não saber nada acerca do mundo real, do convívio com pessoas, das reacções a ter quando em determinadas situações. Assim, o filme é um pouco agridoce, pleno de momentos cómicos mas também cheio de pequenos detalhes que demonstram o quão terrífico pode ser o isolamento social.

    A história acaba por pecar um pouco devido à profusa quantidade de personagens: nem todas estão bem caracterizadas e o autor dedica-se mais a explorar os detalhes de três das crianças, quando elas são seis ao todo. As raparigas, por exemplo, ficaram bastante esquecidas.

    O final é ambíguo e acabamos por não perceber o que realmente se passou com esta família. Ficam realmente todos juntos? É apenas alucinação? De qualquer forma, a celebração final é bastante bonita.

    Um filme sobre famílias diferentes e como elas podem ter um lugar no mundo.

  • Ghost in the Shell (2015)

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    Ghost in the Shell (2015)
    Nomura Kazuya - Production I.G.
    Anime - Filme
    2015
    7 em 10

    Tendo em vista o visionamento do filme live-action que vai sair brevemente, decidi ver este filme com o Qui, de forma a mostrar-lhe o que fizeram com Ghost in the Shell, isto é, o reboot que deram à série e a nova perspectiva dada aos personagens, conforme conhecemos em Arise.

    Todos estão mais jovens: este filme passa-se ainda antes da formação da Section 9 como todos a conhecemos. A Major Motoko Kusanagi e a sua equipa investigam o caso de uma bomba que explodiu nas mãos de um poderoso político, com todas as consequências que isso poderá ter na resolução da guerra que acabou de terminar. No processo, debate-se alguns assuntos relacionados com a manutenção das "shells" (os corpos mecânicos das pessoas) e a existência dos ghosts. O debate em si não é muito dedicado, acabando por insistir demasiadamente nos mesmos pontos. No entanto, a caracterização dos personagens está bem feita dentro do contexto: nesta fase, cometem muitos erros, são precipitados, isto é, não possuem a experiência necessária para acompanhar o desenrolar do mistério de forma totalmente eficiente.

    Nesse campo, segundo o trailer que já nos foi mostrado, talvez o live-action nos venha a mostrar coisas muito interessantes.

    A animação está bastante boa, com cenas de acção dinâmicas e bem coreografadas, assim como um conjunto de cenários muito atractivo. Existe alguma utilização de meios digitais tridimensionais, mas estão muito bem integrados e apenas um olho mais atento os irá reparar. Em termos de designs, parece haver aqui tecnologia demasiado avançada para um início da série, sendo que esse elemento acaba por estar um pouco desiquilibrado: algumas pessoas são apenas marionetes, enquanto que outras têm pleno acesso a meios muito avançados.

    Finalmente, uma nota para a música: composta por Cornelius, mestre da electrónica actual, tem muito que se lhe diga, com peças sonantes, viciantes e perfeitamente enquadradas na acção que pretendem representar.

    Recomendo o visionamento deste filme para todos os que têm interesse no live-action e conhecem pouco da série. Assim, estarão melhor preparados para o que aí vem.

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