Archive for sábado, setembro 19

  • Quando Fores Mãe Vais Ver

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    Quando Fores Mãe Vais Ver e Outras Pérolas do Folcore Materno
    Ana Saragoça
    2012
    Livro

    Depois de Todos Os Dias São Meus estava muito excitada para ler o outro livro de Ana Saragoça, nossa querida coleguinha do BookCrossing. Este livro foi-me emprestado pela mesma pessoa, obrigada! :)

    Com muito humor e candura, a autora conta-nos um pouco sobre aquelas frases feitas que todas as mães usam mais tarde ou mais cedo ao longo do seu percurso materno. Coisas como "Aqui está a chover imenso!" ou "Estás tuberculosa!", pequenos momentos que todos os filhos ouvem de suas mães em qualquer altura da sua vida. Assim, segue-se um relato das aventuras e desventuras de infância, sempre recheadas de preocupações diversas e todas as reclamações que um filho tem todo o direito a fazer. Pois, está claro, embora sejamos adultos as nossas mães continuam a falar desta maneira, como se fôssemos pequeninos.

    De certa forma senti que o livro era bastante pessoal e houve algumas coisas que me passaram ao lado, simplesmente porque não conheço as pessoas em causa e é, para mim, difícil de as visualizar. Não me consegui identificar plenamente com a posição de filha reclamante, porque a minha mãe nunca diz a maioria das coisas que as mães dizem neste livro. Isto parece-me mais uma mãe de uma outra geração, que não a da minha, que não se adaptou aos tempos modernos como... Bem... A minha. Ainda assim, é uma leitura leve e engraçada, que deu para grandes momentos de riso intenso e, sobretudo, muitos sorrisos rasgados. :)

    Tomei também conhecimento que a autora do livro é minha confessa arqui-inimiga, pois andou nos Maristas de Carcavelos (eu andei nos de Lisboa, muahahahaha)

    Apesar de ter gostado mais do livro anterior, este também é muito engraçado e vale a pena dar-lhe uma olhadela. Nem que seja para recordarmos coisas para nunca dizermos aos nosso filhos, num futuro muito longínquo. =D

  • Paprika

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    Paprika
    Satoshi Kon - Madhouse Studios
    Anime - Filme
    2006
    7 em 10

    Estávamos a ver uma lista de filmes de animação desconhecidos e encontrámos lá este. Que para mim não é assim tão deconhecido, já que é a terceira vez que o vejo. :v

    Do autor do afamado Perfect Blue, Paprika é uma história que podia muito bem acontecer, caso a tecnologia evoluísse bastante. Neste universo, foi inventada uma maquineta que permite a que se entre dentro dos sonhos das pessoas, de forma a que se possam partilhar entre amigos e, mas importante que tudo isso, fazer uma psicoterapia dirigida e ajudar as pessoas. Infelizmente, essa tecnologia cai nas mãos erradas e o mundo poderá ser destruído a qualquer momento. Entre realidade e sonhos está uma mulher: Paprika. Ela tem o poder de manipular a sua forma dentro dos sonhos das pessoas e ajudá-las e o seu trabalho será essencial para vencer esta força maléfica que se apoderou dos sonhos das pessoas e os tranformou num aterrorizante pesadelo colectivo.

    A narrativa é simples, sem mistério, sem suspense. Os momentos mais estranhos estão na mistura das duas realidades, mas tudo é claramente explicado ao longo do filme, de forma muito acessível e sem deixar lugar para dúvidas. Polvilhada com uma querida história de amor muito improvável, a narrativa baseia-se então - sobretudo - nas acções e desenvolvimento dos personagens. Isto é bastante satisfatório, pois vários sonhos se misturam e através deles conseguimos interpretar um pouco sobre cada uma das personagens e ficar a conhecê-las um pouco melhor. Cada uma é única e apaixonante, caracterizando elementos da sociedade japonesa do "agora" sem temores nem papas na língua.

    Outro aspecto muito interessante e querido é a homenagem ao universo cinematográfico. Satoshi Kon parece ver os sonhos como uma espécie de "filme" e discorre sobre as técnicas que poderia usar se eles fossem passíveis de ser filmados de forma muito apaixonada e dedicada.

    A animação é bastante boa, com muita fluidez e muitas cores, até ao momento em que aparecem cenas repetidas, uma cópia total, sobretudo nos momentos da parada dos objectos e dos electrodomésticos. De resto, fique uma nota para a intro que caracteriza perfeitamente a personagem de Paprika. Até faria cosplay dela, com todo o gosto, mas não gosto da sua outra faceta.

    Musicalmente, temos um curioso uso desse instrumento que é o "Vocaloid". As músicas são inteiramente digitais, o que transmite um ambiente muito moderno mas ao mesmo tempo surrealista e perturbador.

    Um filme que poderei recomendar como um dos melhores exemplos do autor, mas que não ultrapassa o sempre fantástico Perfect Blue.


  • A Peregrinação do Rapaz Sem Cor

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    A Peregrinação do Rapaz Sem Cor
    Haruki Murakami
    2013
    Romance

    Recebi este livro no aniversário do ano passado e só agora o li... Sendo que está quase de novo no meu aniversário, lol

    Para mim, Murakami deixou de ser um autor preferido. A sua escrita é muito contraditória, por vezes errática, muito inconsistente. Assim, tive um certo medo quando iniciei esta leitura, medo de não gostar, medo de me chatear de vez com o autor. Felizmente, isso não aconteceu, embora este romance esteja longe de ser o livro perfeito.

    Um rapaz muito igual a todos os outros, tem quatro amigos em Nagoia, terra onde sempre viveu. Estes anigos têm nomes de cores e por isso Tsukuro, o nosso personagem principal, sente-se "sem cor", como se fosse invisível. Subitamente, expulsam-no do grupo. Ele tenta esquecer o que se passou, mas uma nova namorada motiva-o a, dezasseis anos depois, procurar o grupo e perceber o que aconteceu. E assim Tsukuro, o "rapaz sem cor" inicia uma viagem em que também busca o auto-conhecimento.

    É uma escrita leve e fluída, embora as descrições dos momentos sensuais sejam bastante frias e afastadas da realidade, sendo que os sentimentos do personagem em relação a elas (e são deveras importantes) limitam-se um pouco a "ficou perturbado". Temos alguns momentos gráficos muito interessantes, com descrições vívidas de paisagens, urbanas e rurais. A narrativa em si tem muitos pontos de interesse, sobretudo no respeitante à caracterização das personagens, que são únicas e muito vívidas, apresentando-se numa realidade tangente em oposição ao mundo irreal dos sonhos e das histórias do passado.

    No entanto, fiquei com o sentimento de que toda esta "peregrinação" acabou por ser inconsequente, pois demasiadas perguntas ficam por responder. E confesso que estava realmente curiosa em saber estas respostas. O final aberto, o assassinato inconclusivo, os simbolismos que aparecem mas que nunca são explicados, tudo isto deixou-me com água na boca e o resultado foi muito insatisfatório. Foi como se o autor nem sequer tivesse pensado que estas perguntas se colocariam, não pensando muito sobre elas.

    Ainda assim, não é um mau exemplo para a literatura do autor. Mas, mais uma vez, não o apontaria para o Nobel.
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