Archive for segunda-feira, julho 28

  • A Desumanização

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    A Desumanização
    valter hugo mãe
    2013
    Romance

    Depois da viagem à montanha, uma rápida leitura, um pouco mais leve, de um autor que tenho vindo a descobrir e de que tenho gostado muito.

    Numa aldeia nos confins da Islândia vive uma rapariga, que tinha uma gémea. Tinha: a gémea morreu. E esta história é a história da separação desta menina do seu ideal, a irmã, e do seu crescimento, tornando-se mulher mais cedo do que o esperado, com as consequências que isso pode trazer para ela própria e para os outros.

    Este livro tem dois temas principais, que são explorados numa linguagem poética e muito filosófica: o desflorar da puberdade feminina e a paisagem islandesa. No primeiro aspecto, isto é transmitido de forma muito exacta, com todos os momentos e pensamentos assustadores e com exemplos de pensamentos que estão entre o infantil e o adolescente e que têm imagens muito bonitas. Gostei sobretudo da ideia das "flores das mulheres" que achei muito bonita, apesar dos problemas que daí vêm mais tarde. No que respeita à tal paisagens, percebo porque é que este livro pode desapontar os fãs do país. Não há descrições de momentos naturais espectaculares, nem há uma pintura do ambiente que rodeia os personagens em termos exactos. O que existe, e isso eu gostei muito, é uma percepção natural, integrando os elementos do universo em que se vive na própria vida. Isto é, estes personagens são nativos deste país. Não faria sentido colocá-los a descrever grandes coisas, pois são vistas todos os dias.

    A história é triste e brutal, mas está escrita de forma muito bonita. Se por vezes o autor divaga um pouco nos pensamentos da personagem, isso pode ser tido como os momentos de dúvida e confusão da criança que cresce e, portanto, não necessariamente um erro.

    Gostei bastante e estou ansiosa por ler mais deste autor.
  • Omoide Emanon

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    Omoide Emanon
    Tsuruta Kenji e Kajio Shinji
    Manga - 9 Capítulos / 1 Volume
    2006
    6 em 10

    Manga muito curto, que se lê no instante. Adaptação de um livro, deixa vontade de ler o livro... Mas não é muito bom em si.

    Um jovem encontra-se num ferry a viajar entre duas ilhas do Japão e encontra uma bonita rapariga. À conversa, ela explica-lhe que tem todas as memórias desde o início da vida neste planeta. O conceito é excelente, mas peca pela falta de desenvolvimento. As explicações dadas são muito coerentes e dão que pensar, mas o que realmente gostaria de ter visto seria a vida da rapariga, Emanon, ao longo dos tempos e das eras, sob vários estados evolutivos, até chegar ao ponto em que se encontra. Quiçá, ver o futuro. Assim como está, não chegamos a nenhuma conclusão e sabe a pouco. É uma short story demasiado short, digamos assim.

    Vários pontos para a arte, que se apresenta muito limpa e original. O estilo é altamente detalhado, com traços muito rígidos e um brilho nos negros muito patente. Talvez o design dos personagens não se conjugue muito bem com os fundos cheios de técnica e de rectidão. Ainda assim, passam para o exterior como pessoas absolutamente normais, iguais a todas as outras (talvez tenham sido as sardas a dar essa sensação). As imagens a cores também são muito bonitas, assim como todos os cenários com o mar à noite, que nos dão uma sensação de eternidade que liga bem com o tema da história.

    Lê-se rápido, por isso... Porque não?
  • Only Lovers Left Alive

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    Only Lovers Left Alive
    Jim Jarmusch
    2013
    Filme
    7 em 10

    Quando se chega a casa de madrugada, ao invés de dormir, o que se faz? Ver um filme! Desta feita calhou-nos este, um filme sobre vampiros com um twist bem diferente.

    Adam vive numa cidade abandonada nos arredores de Detroit, fazendo música para si próprio e alimentando extrema negatividade para com a vida e todas as outras situações. Poderia dizer-se que tem até umas certas tendências suicidas. Eve vive em Tanger, aproveitando o melhor da vida. São um casal e, por sinal, são vampiros. Voltam a reunir-se quando Eve, preocupada, viaja até Detroit para colocar algum sentido na vida cansada de Adam. E tudo corre bem até à chegada de Eva, uma irmã maluca que lhes vem perturbar a paz.

    Para variar um pouco dos romances de vampiros, cheios de efeitos especiais e muito sangue, apresentamos este filme romântico e intimista, que mais explora sobre a condição humana do que o fantástico em si. Estes vampiros são, antes de mais, pessoas. Pessoas que já viveram muito tempo e que, portanto, estão cansadas. Já influenciaram muito da história, mas têm de viver sempre discretamente. E é essa frustração e tristeza que vive em constante oposição no filme, já que os personagens são polos opostos que, ainda assim, se amam e fazem um elemento único.

    De certa forma, os vampiros podem ser apenas um símbolo, uma representação do mundo da droga. Isto se formos pela reacção que acontece quando bebem sangue. Assim, o filme tem uma nota mais negra, mais deprimente, da relação do vício contra a tentativa de viver vidas normais e sossegadas.

    Para além de imagens muito bonitas e, sem dúvida, com um estilo muito moderno, temos uma banda sonora invejável. Estes vampiros vivem a música e, neste momento, vivem o rock. Temos momentos de concertos ao vivo, temos momentos de gravações caseiras, enfim, temos música por todo o lado. Isto dá um efeito ainda mais pessoal à narrativa, que nos faz sentir que estas pessoas poderiam ser apenas os nossos vizinhos (e estaria tudo bem, porque são perfeitamente pacíficos)

    Um filme que se vê muito bem e que tem a sua quota de humor negro para alegrar as nossas madrugadas.
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