Archive for sexta-feira, maio 03
Gyo
0
Gyo
Hirao Takayuki - ufotable
Anime - Filme
2012
6 em 10
Quanto coloquei online a review de Hideout recebi Gyo como recomendação de um trabalho em terror e absurdo perturbador. Mas acho que devia ser o manga, porque o anime não é nada do outro mundo.
Aparecem-nos uns peixes com pernas que estão infectados com um vírus (ou bactéria, eles não têm a certeza) que provoca gás. A nossa heroína vai à procura do namorado dela e tem de fugir dos peixes e das pessoas infectadas, que ficam cheias de gás também. Andam nuns aparelhos com perninhas.
Enfim, a história tem bastante para ser esquisita, mas simplesmente não consegue. Houve apenas um momento em que fiquei realmente para lá de Bagdad (em Ahgrabah, portanto), que foi quando apareceu aquele circo vindo do nada. Isto é, a história tem potencial, mas os personagens não apoiam esse potencial e tornam-na num lugar comum, pois todos eles e suas relações são pura vulgaridade.
A arte também não ajuda. Acho que o terror surtiria mais efeito se as cores fossem mais escuras. O efeito animado do fundo, com o gás "no ar" não transmite nada sem ser irritação. Não passa para este lado o tal mau cheiro, o cheiro a morte, de que tanto falam. Também a música não trás nada de novo.
E ficam muitas questões. No final é dado a entender que este gás tem pensamento próprio e que provavelmente é alienígena, mas o que me ficou realmente atravessado é... Como é que os aparelhómetros das perninhas aumentam de tamanho para se adaptarem a criaturas cada vez maiores?
Enfim, acho que este não me vai causar pesadelos esta noite.
By : ladyxzeus
White Album
0
White Album
Shioya Yoku - Seven Arcs
Anime - 13 Episódios
2009
6 em 10
Aqui está um anime para o qual tinha expectativas muito baixas e que me surpreendeu pela positiva. Pelo que entendi da sinopse, tratava-se de um harem. E um harem é sempre uma coisa chata. Pois que em White Album há um personagem principal rodeado de meninas mas que não se comporta como o típico líder de harem. E isso trás frescura à nossa vida!
Fujii-kun é um jovem universitário que tem uma namorada. Infelizmente, essa namorada - Yuki - é uma estrela pop em ascensão, uma idol, uma aidoru. Após uma série de desencontros, a pressão da sua ausência acaba por se abater sobre as relações sociais que ele mantém com outras mulheres. No meio disto está Rina, uma outra aidoru, que quer ajudar a que o casal se mantenha e os tenta ajudar, se bem que me parece que pode haver outros interesses por trás disto. Isto dá uma história interessante e diferente do típico harem, um pouco novelesca mas ainda assim envolvente.
No entanto, talvez por esta ser apenas a primeira parte e ainda faltarem mais 13 episódios de uma segunda season, o comportamento dos personagens pareceu muitas vezes errático e com objectivos pouco claros. Isto atinge todas as personagens femininas, o que leva a que o seu desenvolvimento fique para trás.
A arte tem três fases distintas, que se intercalam em todos os episódios: a da arte dita "normal", a da arte dita "terrível" e a da arte dita "artística". Esta última é a que trás mais colorido à série, pois tratam-se de sequências em aguarela de linhas fluídas, que parecem representar a visão do sonho do personagem principal, a visão da "deusa do dia" que ele tem para todos os dias. Também há a utilização de uma estrutura narrativa com uso de palavras escritas nos painéis, que representam os pensamentos do personagem principal e que nos dão mais algumas luzes sobre o que se está a passar na cabeça dele.
E agora, uma parte interessante. Eu quando começo a ver séries dou muito pouca atenção aos voice actors, não acho que eles mereçam o estatuto de ídolo que têm no Japão e portanto não lhes ligo nenhuma. Mas, além do Seki Tomokazu (o meu actor de voz preferido e o único que consigo identificar se o ouvir), conheço um par de nomes. Dois deles são Aya Hirano e Mizuki Nana. Que por acaso dão voz às duas personagens principais. Ora, tendo duas actrizes conhecidas por cantarem a fazerem a voz de cantoras, seria de esperar que o anime tivesse muita música. Pois que não tem. O anime foca-se bastante na vida das cantoras enquanto profissionais, mas não enquanto artistas. De resto, a banda sonora... Mal se dá por ela. Por vezes pode aparecer um pouco anti-climática, mas nada de especial.
Fiquei convencida e já aí vem a segunda season a caminho para eu a ver.
By : ladyxzeus
Insegurança, Medo e Coragem
2
Insegurança, Medo e Coragem
Rafael Llano Cifuentes
1997
Ensaio
Isto é uma coisinha de 70 páginas que li enquanto estava à espera que chamassem a minha senha na secretaria da faculdade (tive de ir lá buscar um certificado de matrícula). Enfim, recebi-o num RABCK (Random Act of BookCrossing Kindness) do, evidentemente, BookCrossing. Como o livro que eu tinha escolhido, de um autor japonês, já não estava disponível, disse ao dador que escolhesse um livro por mim. Escolheu este. Será que isto é alguma insinuação? Tem uma nota na primeira página que diz que foi levado para um retiro em Fátima, o que achei fofo. Mas o livro não é nada fofo.
É um livrinho de catequização disfarçado de livrinho de auto-ajuda. O autor fala em como a insegurança e o medo advém de não admitirmos que somos originalmente pecadores (eu não sou! Ai!) e que a coragem advém de termos fé (ou então não! Ai!). Isto é, é uma meditação agradável para quem encontrou o seu caminho no deus dos Cristãos, mas eu não encontrei o meu caminho no deus dos Cristãos por isso estava permanentemente cheia de vontade de deitar o livro no ecoponto azul mais próximo. Não o vou fazer, vou abandoná-lo num sítio mais bonito, quiçá ali ao pé da igreja das testemunhas no fim da rua.
Porque eu sei que tenho inseguranças e medos, melhor do que ninguém. O senhor Cifuentes não me deu novidade nenhuma. E eu sei que se for procurar coragem, não vai ser nenhum deus que ma vai dar, ela vai estar dentro de mim. Porque o meu deus, a minha Deusa aliás, não se importa muito com as pessoas, tem de tomar conta do universo todo, é o universo todo (e consequentemente, nós também somos parte). Mas isso são coisas que não vos interessam, a minha visão de deus e coiso, por isso vou deixar-vos sossegados. Suponho também que ninguém queira este livro, por isso também não o vou oferecer aqui.
Vou deixá-lo sossegadinho. Talvez ao pé da igreja de Benfica! Aliás, lá dentro! Yaay, sou uma grande encontradora de sítios para abandonar livros! =D
By : ladyxzeus
A Drunken Dream and Other Stories
0
A Drunken Dream and Other Stories
Moto Hagio
Manga - 10 Capítulos/1 Volume
1970-2007
7 em 10
Estávamos portanto a passear e pensámos "vamos à Fnac". Claro que fomos logo para a secção da Banda Desenhada, onde ele se embrenhou nos comics e eu fiz a mesma coisa com o manga. E vi este volume enorme, capa dura, lindíssimo. "Tem defeito, custa 10€" Claro que o vou levar! E, diga-se de passagem, não cheguei a encontrar o defeito.
Isto é uma colecção de histórias curtas, como eu gosto, encabeçadas (ou será que é no fim?) por uma entrevista intimista à autora e um pequeno artigo sobre a origem do género shoujo no manga, lá nos anos 70. Moto Hagio foi da geração fundadora deste género e na entrevista compreendemos as dificuldades e os entraves da indústria, liderada por homens de meia idade, durante a concepção e nascimento do género.
As histórias são muito variadas, sendo as minhas preferidas Hanshin e Iguana Girl. A primeira trata de duas gémeas siamesas, uma feia e inteligente e a outra muito bonita mas atrasada mental. Fala na perspectiva da irmã feia e sobre a sua dor por não ser aceite e por ter outra pessoa à qual é sempre comparada, apesar de ela acabar por se tornar nessa pessoa no final (mais não digo, porque o final é mesmo extraordinário). A segunda é sobre uma rapariga que é vista como uma iguana pela mãe e a sua luta diária contra o sentimento de inferioridade que tem em relação à irmã. Como podem ver, há nestas histórias um tema recorrente, que é o dos irmãos e das famílias que não aceitam os filhos tal como eles são. Isto parece ser algo pessoal da autora, confirmado por alguns trechos da entrevista em que ela fala sobre as dificuldades e incompatibilidades que tem com a mãe.
As outras histórias são muito variadas, sendo as primeiras muito avant-garde para a época, no que respeita aos sentimentos das personagens. Existe uma história a cores que é ficção científica com um toque de espiritualidade. Aparentemente a autora foi uma das revolucionárias da ficção científica em modelo manga, pois a maior parte das suas histórias mais longas são passadas em universos futuristas e fantásticos.
No entanto apenas aquelas duas histórias me moveram verdadeiramente. Além disso, não notei nenhuma evolução estilística ao longo de quase 40 anos, apesar de se ver evolução no uso das técnicas. E hoje em dia o estilo dos 70s acaba por não funcionar bem em comparação com os designs dos artistas mais jovens que vieram substituir esta geração.
De uma forma ou de outra, é um estudo muito interessante que nos revela bastantes coisas sobre a história do manga e como se fazia manga há tanto tempo atrás. Se encontrarem este volume, recomendo. Mesmo que não tenham o meu golpe de sorte de o encontrar "com defeito".
By : ladyxzeus