Archive for terça-feira, novembro 25
Space Battleship Yamato 2199
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Space Battleship Yamato 2199
Izubushi Yutaka - Xebec
Anime OVA - 26 Episódios
2012
7 em 10
Izubushi Yutaka - Xebec
Anime OVA - 26 Episódios
2012
7 em 10
Saberão certamente que eu, pessoalmente, não gosto muito de comparar animes com outros animes. Ou com o que quer que seja. No entanto, hoje será necessário. Pois isto trata-se de um remake da série de 1974, por Leiji Matsumoto, Space Battleship Yamato. Poderão ler a minha opinião sobre ela aqui.
Quase trinta anos depois, a forma de celebrar uma das grandes Space Operas da história do anime talvez seja, realmente, fazer um OVA em que voltamos a tratar da história, mas com algumas melhorias que apenas seriam possíveis com a evolução da indústria e das técnicas. As minhas impressões primárias foram "está tão diferente!", seguidas de "afinal está muito parecido...", finalizando com "é completamente diferente". Isto é bom é certa medida, mas noutros aspectos o anime original é bastante superior.
Para começar, temos uma melhoria flagrante no que respeita à arte. Desta feita temos uma grande dedicação aos cenários espaciais, que são extremamente bonitos, e na concepção de cidades alienígenas, aspecto que não tinha sido tocado no original. Muitas cenas são puramente digitais, com um uso de CG exacerbado, sobretudo na estrutura da nave espacial Yamato. Se isto joga bem com o aspecto geral do anime, muito moderno, brilhante e limpo, não posso deixar de recordar com carinho a granulosidade do anime original, que tinha aquele groove dos 70s que torna tudo sempre mais engraçado.
Quanto à história, ao início é bastante semelhante: a Terra está prestes a ser destruída e a única forma de a salvar é conduzir Yamato até ao planeta Iscandar e obter a peça essencial para evitar o apocalipse. Durante a primeira metade do anime, a série seguiu em linhas gerais a mesma estrutura narrativa do original, com algumas variações importantes, sobretudo no respeitante aos personagens. Falaremos disso mais tarde. A partir da segunda metade, há já algumas variações que me desagradaram bastante. Para começar, o inimigo Gamiliano (as pessoas azuis) é apresentado como uma força muito mais poderosa do que no original. E para além disso perdeu-se completamente o facto de os Gamilianos, apesar de diferentes no aspecto, serem portadores de uma grande humanidade. Na verdade, são apresentados como uma força antagonista puramente maligna, sendo que o anime mostra muitas vezes provas de que são um povo conquistador e injusto, em que há facções motivadas para a revolta. No original, a guerra Gamiliana contra a Terra era muito mais simples e pura: queriam simplesmente salvar o seu planeta. Não tinham intenção de conquistar pelo puro prazer de aumentar o seu território e, no fundo, eram pessoas tão boas como nós. Também no final da história há uma variação na parte mais comovente da narrativa, que trata da chegada a Iscandar e das revelações feitas ao personagem principal.
Falando dos personagens, há uma diferença muito evidente, bastante positiva. É um sinal dos tempos, na verdade. Nesta versão da história, há muito mais mulheres. Na verdade, o elemento positivo é essencial, desenvolvendo-se histórias amorosas paralelas à narrativa principal. Isto é de certa forma importante para trazer um realismo próprio à situação. Se nos 70s seria normal que um grupo de homens fosse para o espaço apenas acompanhado por uma enfermeira, nos 10s é evidente que a equipa é constituída em partes iguais de homens e mulheres. Existem variações ligeiras em quase todos os personagens, mas as mais evidentes são naqueles que anteriormente eram o alívio cómico e que hoje em dia são tão considerados como os outros: o médico e o robot. Não só os seus designs estão mais realistas como a ambos é dada uma função importante no seio de Yamato, que não tinham anteriormente. Tive pena de, desta vez, o gato não ter ido a Iscandar. Com todas estas diferenças, mais ou menos importantes, é natural que o decurso da história se tenha tornado um pouco diferente. Agora temos grandes paixões e o arquétipo da equipa shounen está diluído. Isto torna todo o anime um pouco mais directo para o espectador, mas retira grande parte do charme que existia no original. Também os antagonistas, que não tinham muito tempo de antena, sofrem algum desenvolvimento, o que é uma coisa boa. Mas considerando que este se baseia bastante numa história amorosa, acaba por cair dentro da normalidade (que era uma coisa que o Yamato original não tinha: normalidade)
Musicalmente, há um piscar de olho muito simpático à banda sonora original, sendo que são utilizadas novas versões, remasterizadas, das músicas que já todos conhecíamos. Para além disso, há uma grande variedade nos temas utilizados, sendo que todos e cada um representam algo bem bonito. Em termos de efeitos sonoros, estão bem utilizados de forma geral, trazendo um bom grau de emoção às situações.
Vi este anime agora porque apareceu no meu clube habitual para discutir. No entanto, acho injusto que tenha sido este o escolhido, ao invés do original. Esta é uma boa série, uma boa homenagem, e está muito apropriado à sua época, trazendo modernidade a um franchise que sofreu bastante com a evolução da inústria e rapidamente se tornou obsoleto. No entanto, no aspecto emocional e humano a série original é bastante superior. Por isso, irei recomendá-la primeiro. Depois, se tiverem interesse, vejam esta versão.
By : ladyxzeus
Pacific Rim
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Pacific Rim
Guillermo del Toro
Filme
2013
6 em 10
Pelos vistos o Guillermo del Toro é fã de mechas, portanto porque não fazer um filme de mechas virado para o mercado ocidental?
Neste universo, a civilização está a ser atacada a partir de dentro: uma fissura no Oceano Pacífico anda a libertar monstros, os Kaiju, e há duas opções para defender a humanidade. Robôs gigantes, os Jaeger, e uma parede. Não funcionando a parede, vamos aos robôs. Sobram poucos, é verdade, mas ainda servem.
Para conduzir o robô principal, que se vem a revelar essencial, chamado Gypsy Danger, temos dois pilotos com traumas na vida passada, que se vão conhecendo, apreciando e apoiando até conseguirem vencer todas as forças do mal.
O filme tem claras influências do anime Japonês e tokusatsus, da sua concepção à estrutura. As relações entre os personagens são muito previsíveis, apesar de serem emocionantes e de, no final, trazerem um sorriso.
A melhor parte do filme foi sem dúvida o alívio cómico (nome que passarei a dar a "comic relief"), protagonizado por dois cientistas meio malucos, que aparecem como antagonistas um do outro ao início e que - também de forma previsível - se unem para chegar a conclusões. É graças a eles que ficamos a conhecer mais sobre os Kaiju, que é a parte sobre a qual estava mais curiosa (o que são e ao que vêm). Se bem que segundo as suas explicações não faria sentido haver um Kaiju grávido. Mas acho que se perdoa.
Temos uma grande riqueza em efeitos especiais, que são apenas perturbados pela flagrante evidência da animação digital. De certa forma, acho que o filme teria funcionado muito melhor se tivessem sido utilizadas marionetas, fatos e maquetes. Mas isso gastaria mais dinheiro, certamente.
Mas é um filmezinho divertido. Boa pipoca.
Nota: para mim o nome será sempre o Rim Pacífico. Por outro lado temos o Rim Agressivo. Os dois juntos fazem o Sistema Renal Passivo-Agressivo.
By : ladyxzeus
A Most Wanted Man
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A Most Wanted Man
Anton Corbijn
Filme
2014
6 em 10
Para a segunda double session começamos com este filme.
O derradeiro filme de Phillip Seymor Hoffman, falecido recentemente. O actor interpreta um investigador de actos terroristas, em Hamburgo, que se envolve num complicado caso em que tem tanto que salvar um emigrante ilegal checheno como prender um famoso muçulmano que, advogando pela paz no exterior, trafica fundos para comprar armas para a guerra islâmica.
O filme tem uma narrativa bastante simples e é baseado num livro do famoso escritor de policiais John le Carré. Nunca li um livro do senhor quadrado e agora também não desejo ler. Pois a história, como aqui demonstrada, está básica demais e não capta o meu interesse com suficiente intensidade.
Assim, o filme vive muito das suas personagens, nomeadamente o protagonista - Günther. Este personagem tem as suas camadas de complexidade e está perfeitamente interpretado, embora este papel não seja o trabalho definitivo do actor. Aliás, nota-se - aliado ao personagem - uma exasperação e cansaço, que já poderiam predizer o estado mental do actor e as consequências decorrentes. Quanto aos outros personagens, nenhum deles é interessante o bastante, estando muito presos a dramatizações e esperanças adolescentes.
Não direi que o final fosse previsível, mas faz bastante sentido. Fiquei bastante feliz por não terem continuado com a história para além do que já foi dito, pois tornaria o filme desnecessariamente longo.
By : ladyxzeus