Archive for domingo, março 31
Hakkenden: Touhou Hakken Ibun
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Hakkenden: Touhou Hakken Ibun
Yamazaki Mitsue - Bandai Visual
Anime - 13 Episódios
2013
5 em 10
Estava eu passeando pelos fóruns da Aarinfantasy (onde lurko regularmente mas já não digo grande coisa, deixei de ter coisas para dizer) quando vejo um tópico sobre este anime. Mmmm, mangaka de BL, deve ser fixe. E passei a season a vê-lo. Muito defeituoso, infelizmente.
A história não está bem contada. É sobre uma guerra entre a igreja, que domina as coisas normais, e os yokai, um bando de anormais. Como todas as guerras, é muito complexa. Mas em vez de simplificarem a narrativa de forma a percebermos bem o nível de conflito em que estas pessoas vivem, eles bombardeiam-nos com personagens até ao fim. Personagens é o que esta série tem mais. É mesmo muita, muita gente (muitos gajos giros) e destes só... Três? Quatro? Parecem ser importantes para o que se está a passar. O único que apreciei foi o que se transformava em cão, porque tinha uma personalidade muito canina e eu gosto de cães. Além disso a história não é original da autora e já tinha sido animada antes. A história original é literatura clássica e é ""Nanso Satomi Hakkenden", por Bakin Kyokutei Takizawa. Fiquei com certa curiosidade em lê-la, o que pode contar como aspecto positivo. Se alguém conhecer uma tradução em formato físico por favor informe (não em formato digital. Nunca!)
Animação e arte muito fraquinhas. Temos ênfase em cenas de acção, mas elas não estão assim tão bem feitas. Os designs não fazem grande sentido, sobretudo no que respeita às roupas. Em que época é que estas pessoas vivem para usarem fardas de segunda guerra, quimonos e t-shirts tudo ao mesmo tempo? A música também não ajuda em nada, porque não podia ser mais vulgar. Não adiciona mistério nem suspense e passa completamente ao lado.
Ficou muito por explicar, porque foram 13 episódios a apresentar personagens, mas já foi anunciada uma segunda season. Não tenho grande vontade de a ver, mas sinto-me na obrigação de dar uma oportunidade a esta história, por causa do cão.
By : ladyxzeus
Tamako Market
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Tamako Market
Yamada Naoko - Kyoto Animation
Anime - 12 Episódios
2013
6 em 10
Ao que parece no Japão existem estes bairros com comércio, galerias comerciais ao ar livre. Aqui em Benfica só há o mercado e umas galerias comerciais que vão dar ao outro lado da rua. Tamako é uma moça que vive num destes bairros, é a filha da loja dos mochis (umas cenas que são boas). Um dia ela encontra Dera, uma catatua falante vinda de uma ilha tropical em busca de uma esposa para o seu príncipe. Adicto a mochis, engorda e vai ficando. E é só isto. Queriam alguma coisa mais? Vejam o Rei Leão, ou assim.
´É um anime sem qualquer tipo de conteúdo. Mas tem uma coisa: tem um sentimento. Acredito que este anime tenha por objectivo não as aventuras das personagens no seu dia a dia, como todo o fatia-de-vida, mas sim a caracterização da galeria comercial e das várias personalidades que vivem nela. São pessoas muito curiosas, pela sua simpatia fulminante e contagiante.
A série tem um certo ambiente nostálgico, catalizado por uma banda sonora de um pop simples quase clássico. São músicas muito coloridas e ficam muito bem numa galeria comercial ao ar livre. Aliás, se eu as ouvisse no café acho que ia ficar a gostar mais do café.
Além disso temos Dera, uma catatua gorda. É ele que trás o espírito à série e torna tudo muito mais engraçado.
É um anime muito simples, mas que é agradável. Não nos lembraremos dele, mas foi bom enquanto durou.
By : ladyxzeus
Major
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Major
Kasai Kenichi - Shogakukan Productions
Anime - 26 Episódios
2004
6 em 10
Mais um anime sobre baseball, esse chato desporto. Diz que este é dos melhores, mas ainda assim não toca nos calcanhares de Touch.
Goro é um menininho de cinco anos órfão de mãe que tem o sonho do baseball. O pai dele é pitcher, o sonho do baseball! Porque é que todo o anime de baseball é sobre o pitcher? Porque não sobre o catcher ou sobre um centerfield? Enfim... Bom, digamos que o anime não é de todo desinteressante, porque está a lidar com os dramas do pai, que tem uma lesão, e os dramas do filho, cujo pai tem uma lesão. Mas depois, tragédia.
Spoiler: o pai morre com uma dead ball atirada por um gajo americano.
Três anos depois está Goro a jogar baseball na little league. Adoptou-o a educadora de infância. Esta personagem.... Isto é, aparentemente ela conheceu o pai do Goro uma semana e meia antes dele ter morrido. Mas a paixão era tão grande que ficou com o filho dele. E como tem um fetiche por gajos com grandes tacos acaba por se casar com o melhor amigo do gajo (isto é spoiler, desculpem). Mas que badalhoca mais sem sentido!
O problema deste anime é que a partir da little league se transforma num vulgaríssimo anime de baseball. Excepto que com crianças de nove anos em vez de adolescentes de dezassete. Não que isso faça uma grande diferença, porque estas crianças de nove anos é como se tivessem dezassete. Não lançam uma bola de 150 km/h, mas estão lá quase. Apaixonam-se tal qual adolescentes e não têm atitudes de criancinhas, como deveriam ter se isto obedecesse à lógica.
A arte é vulgar, às vezes mete nojo. Estamos em 2004, já devíamos saber desenhar caras com um certo nível de simetria! Sobre música não posso dizer grande coisa, já que apanhei uma versão com as OPs e EDs cortadas. Mas as do parênquima não são nada de especial e parecem recicladas de outros animes de desporto.
Os jogos até são engraçados, mas nada que não tenhamos visto antes. Claro que depois de ter visto tantos já sei as regras do baseball e já consigo mais ou menos apreciar um jogo destes, apesar de ser um desporto cheio de complicações que eu não veria voluntariamente no caso de estar a dar na Sport TV. Isto se eu tivesse a Sport TV. A minha irmã gostava de a ter, para poder ver os jogos do sporting.
By : ladyxzeus
Carne Trémula
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Carne Trémula
Pedro Almodovar
Filme
1997
7 em 10
Agora já estamos na fase do digestivo e eu grito "um filme do Almodovar!" Vamos ver este, diz que é trágico e tem rabos na capa.
Não é trágico. Ou melhor, é trágico mas à Almodovar. Tudo começa com um filho da puta (literalmente) que nasce dentro de um autocarro. A vida dá muitas voltas e vinte anos depois (em francês, para o estilo) ele está em casa de Elena, uma carocha, a tentar convencê-la a ir para a cama com ele. Dois polícias, um dos quais com duas garrafas de whisky em cima, invadem-lhes a privacidade, acontece um tiro. Seis anos depois (em francês) Victor - o nosso filho da puta - está fora da prisão, o polícia que apanhou o tiro está agora na equipa de basket dos paralímpicos (como este actor aprendeu a andar tão bem de cadeira de rodas é um mistério fascinante. A menos que ele tenha mesmo ficado paraplégico entre a primeira parte do filme e esta) e está casado com Elena. E a partir daqui desenvolvem-se uma série de casos amorosos com muitos rabos, numa composição estranhamente humorística como só o Almodovar sabe fazer.
É um filme que trata de relações. Relações de índole sexual, sobretudo. Que é um tema que sinceramente não me agrada por aí além. Mas está feito com tanta graciosidade que não me importei. O comportamento dos personagens pode parecer errático por vezes, mas é justificado pelos seus íntimos desejos, que nunca são revelados directamente.
Um filme sensual, para acompanhar licor de maracúja.
By : ladyxzeus
Merry Christmas Mr. Lawrence
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Merry Christmas Mr. Lawrence
Nagisa Oshima
Filme
1983
9 em 10
Sei lá, às vezes os filmes valem a pena pela experiência de os ver e pelas pessoas com quem os vemos. E depois há aqueles que além disso têm o Bowie.
Lawrence é um soldado inglês que, como outra meia dúzia de centenas de soldados ingleses, foi capturado pelos japoneses durante a segunda guerra. Ao contrário dos outros, Lawrence é fluente em Japonês. Por isso, até se dá bem com os seus captores e serve de mediador entre eles e os seus companheiros, no caso pouco frequente de haver problemas. Porque todos obedecem aos japoneses. Porque eles têm espadas e uma maneira de viver mesmo estranha, matam-se por tudo e por nada. Até ao dia em que aparece o Bowie (Cellier de seu nome, mas Bowie). E este gajo não é como os outros. Primeiro porque é maluco. E depois porque desafia a autoridade. A autoridade é personificada por Yonoi (o pianista Ryuuchi Sakamoto), que é um gajo tradicionalmente mau. E por Hara (Takeshi, grande nome do cinema japonês do qual eu nunca tinha ouvido falar. Santa ignorância!) que é um gajo mau que às vezes é simpático e que gosta muito do Lawrence.
São estas as relações do filme e o filme é todo sobre elas. Porque não são relações quaisquer. São relações dotadas de uma força sentimental exuberante e trágica, de uma mobilidade quase homoerótica. A caracterização das personagens dá profundidade fractal aos sentimentos que os personagens desenvolvem e o seu culminar é ilustrado por algumas cenas curtas mas muito fortes. Comer flores, os beijinhos, as borboletas, a canção de natal. Isto não podia acontecer se não houvesse um trabalho de actor intenso por detrás desta construção, muito evidente em todos os quatro actores. Mas sobretudo no Bowie, porque ele naturalmente já tem o ar de demónio que os japoneses lhe atribuiram.
Em contraste com a negatividade destas relações o colorido do filme é muito leve, uma ilha quase paradisíaca onde toda a gente é bem tratada, apesar de uns serem os prisioneiros e os outros serem os aprisionadores. As cenas de flashback da cabeça do Bowie estão muito bonitas e filmadas de forma a que tudo pareça estar, efectivamente, dentro de uma memória. E isto tudo é coroado por uma banda sonora infalível, autoria do nosso amigo Yonoi (ou Sakamoto). São músicas alucinantes que trazem um ambiente estranho e surreal às situações, nada adequadas à época mas muito próprias do local imaginário para onde nos remetem.
E depois tem o Bowie. É naquela...
By : ladyxzeus