Archive for domingo, fevereiro 07

  • Afro Samurai

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    Afro Samurai
    Okazaki Takashi - Gonzo
    Anime - Filme
    2007
    5 em 10

    Tinha este filme na Plan to Watch e como sabia com Samuel L. Jackson faz uma das vozes, queria imenso vê-lo com o Qui. Foi um desapontamento total.

    Este é um filme que serve quase como homenagem a um género americano, onde se incluem temas como Shaft, que fala sobre a cultura negra underground e perigosa. Só que em anime. Com samurais. Afro Samurai é o número 2 no que respeita a ser forte e a lutar muito. Isto tudo por vingança a seu pai. Então, acontecem muitas coisas e muitas lutas e ele começa a perseguir a ideia de ser o número 1.

    É um filme que vive exclusivamente do estilo e das cenas de acção. A história é básica, sendo que a narrativa muitas vezes não está bem estruturada: envolvem-nos em demasiados flashbacks, muito longos, que tiram o foco principal e quase nos fazem esquecer do que estávamos a ver. Também os personagens são vazios e unidimensionais, coisa que apenas é salva pela qualidade da dobragem (apesar de Samuel L. Jackson não ter captado bem a ideia de que é suposto falar quando a boca dos personagens se mexe)

    O foco principal é, então, a arte e a animação. O estilo é forte, em tons escuros, quase um preto e branco. E as cenas de acção estão excelentemente animadas, sendo um prazer vê-las. No entanto, são tantas e a violência é de tal forma gratuita, que acabam por se tornar indiferentes à medida que vamos vendo o filme.

    A banda sonora é muito boa, com vários temas de hip-hop muito interessantes, mas está mal usada: muitas vezes a música acaba por ser anti-climática e chega a ser um pouco ridícula (como na cena erótica)

    Um filme que tinha tudo para ser excelente, mas que não se liberta da mediocridade.

  • Cosplay Photoshoot #13

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    Cosplay Photoshoot #13
    Evento
    Mais um ano, mais uma Photoshoot! Desta vez, não fiquei doente e, portanto, consegui aparecer para as actividades normais deste evento. Como sabem, trata-se do "meet" mais antigo do país e conta sempre com uma gigante foto de grupo, o ponto focal inicial. Falemos, então, deste dia!

    O Qui tinha feito aniversário no dia anterior (digam parabéns para o Qui) e portanto estava instalada na Margem Sul. Fantasticamente, conseguimos acordar bem cedinho, pelo que foi só questão de vestir o meu fato e pegar no carro para ir para o Parque das Nações. Lá chegados, após café, aguardei que a casa de banho terminasse a sua manutenção para poder colocar a minha peruca e o meu encantador chapéu quentinho. Este tempo de espera foi pontuado por diversas senhoras muito revoltadas, pois - pelos vistos - todas as casas de banho do Vasco da Gama estavam em manutenção ao mesmo tempo. Mas lá nos deixaram entrar e acabei por encontrar algumas pessoas logo nessa situação tão inusitada.

    Na rua, já grande multidão se ajuntava. E eu olhava para toda a gente e cada vez mais me sentia feliz dentro do meu fatóide: foi o fato mais quente que alguma vez concebi! A personagem era a Maetel, de Galaxy Express 999, apenas mais uma viajante do comboio do espaço. Poderão conhecer mais sobre este fato no meu post do blog sobre cosplay, mas também na minha novíssima página do Facebook, que está urgentemente necessitada de mais laikes para eu me sentir famosíssima. =D 

    Fui tirando umas fotos por aqui e por ali. Não muitas. Não sei o que se passa com a minha pessoa ultimamente nos eventos, sinto-me tímida perante tanta gente que eu desconheço e acabo por ter vergonha de pedir fotos. O que nem sequer faz sentido, porque o pessoal vai lá precisamente para estes pedidos! De resto, eu devia estar com um trombil de meio metro porque devo ter assustado as pessoas e quase ninguém me pediu fotos a mim. Ou se calhar estava simplesmente horrorosa, o que também é uma possibilidade válida. Tenho pena, porque este fato só pode mesmo ser usado no pico do frio inverno, sob o risco de morrer assada se o usar sob outras condições climatéricas menos adversas.

    Encontrei muitas pessoas conhecidas e amigas que, entre críticas tecidas à parte peluda da Maetel (não é o que pensaram, não), deram para um excelente cunbíbio e partilha de informações valiosas. Entre estas encontra-se um spoiler sobre o ECG, sobre o qual esperarei anúncio oficial antes de espalhar as brasas pelo planeta.

    A fotografia de grupo foi conseguida imediatamente, por milagre de deus ou algo do género, pois estava toda a gente reunida e não houve grandes atrasos. Desta vez consegui uma posição privilegiada no topo, porque graças à minha mala consegui abrir espaço e ficar com um vazio à minha volta. Ou então cheiro mal, o que não é mentira. No entanto, deu-me a sensação de que este ano estava muito menos gente. Já houve anos em que se ocupou a escadaria toda...

    Mas nem tudo são rosas nesta vida e, assim, terei de usar este espaço para relatar algumas críticas altamente destrutivas, horrendas, mal-dizentes e com cheiro a chulé. Primeiramente, este ano houve uma sensação generalizada (mais pessoas mo disseram) de que o Photoshoot foi organizado em cima da hora. O que deu este sentimento foi facto de o evento só ter sido anunciado com poucas semanas de antecedência em relação à data, o que gerou algum pânico perante a perspectiva de "se calhar este ano não vai haver". Mas tudo se conseguiu arranjar. Segundamente, não fiquei nada satisfeita com a ideia de cortarem com o concurso de fotografia este ano e, em vez disso, o substituírem por um vídeo. Também este sentimento me pareceu mais ou menos generalizado. Isto porque, segundo fui captando das conversas que tive, o conceito de "photoshoot" é precisamente a fotografia, sendo que com o vídeo se perde um pouco a ideia conceptual. No meu caso, até deu jeito porque o Zé Gato, o génio da fotografia, estava indisponível para ir à Photoshoot. Mesmo assim, a ideia do vídeo poderia ter sido um pouco mais bem estruturada. Foi divertido, mas tirou o foco da fotografia de grupo, pois estava muita gente à espera de ser chamada para que aparecessem. Para mais, desejavam que todos soubéssemos a coreografia, pelo que houve repetidos ensaios e grande perda de tempo. Pensava eu que num vídeo LipDub uma pessoa poderia fazer o que entendesse...? Mas eu também não sei, porque vi muito poucos.

    Mas bem, foi o que eu fiz! Apesar de não apreciar a escolha da música (sou de opinião de que deveríamos ter escolhido uma música portuguesa), o Zé Gato mostrou-me o clip e convenceu-me a participar. Fiquei rendida à parte final, em que as pessoas dançam como eu sei dançar: que é a abanar os bracinhos para cima e para baixo e simulando ataques do plexo nervoso braquial. =D Idealmente, eu teria aprendido a coreografia, mas isso para mim não é de todo possível, porque eu não tenho sincronia móvel. No entanto, o LiveeviL teve a delicadeza, candura e disponibilidade mental para me deixar fazer a minha pequena dança em separado das outras pessoas. :) Obrigada amigo! Desculpa ter feito uma dança anormalética! É o que eu sei fazer.... D:

    De resto, quanto ao vídeo, eu tinha um certo receio de que fosse um evento pouco inclusivo de todos os cosplayers (pois, ao contrário das fotografias que cada um tira, era necessário estar em sítios específicos a certas horas e falar com as pessoas certas), mas revelou-se precisamente o contrário. Os elementos que organizaram o vídeo estiveram sempre disponíveis para todos nós e acredito que tenham feito o máximo dentro das suas possibilidades para gravar material com toda a gente presente. Nesse aspecto, tenho evidentemente de parabenizar a organização, pois conseguiram renovar o evento de certa maneira. Ainda assim, espero que para o ano considerem o regresso do concurso de fotografia.

    Depois desse curtíssimo momento de gravação, partimos de volta à Margem Sul. Ainda falei com muita gente que me perguntava pelo vodka (tinha ficado em casa) e para onde ia eu de viagem.... Afinal, tinha um malão enorme, emprestado pelo meu pai, que é o que este costuma levar para o Brasil. :p

    Mas foi um momento muito agradável e uma óptima estreia no calendário de eventos! Estar presente neste evento, ou "meet", ou como queiram chamar, deixou-me muito motivada para o que vem aí este ano, com vontade de melhorar e com vontade de manter estes contactos.

    Portanto, obrigada por tudo e espero que se tenham divertido!

    Deixo-vos, então, a parte mais importante, que são....

     As Fotos












    O Qui também gravou um pequeno vídeo, que eu vou por na minha página. É de pessoal a mexer-se (lá em cima poderá ver um preview da minha pequena dança)

    E assim foi o dia! Muito bem passado, sem altos nem baixos e, no final, uma festa pequenina! :) Vemo-nos no próximo evento, ok? :) 
  • Anomalisa

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    Anomalisa
    Charlie Kaufman & Duke Johnson
    2015
    Filme
    8 em 10

    Gosto de ver os nomeados para Óscar de animação. Os outros é-me indiferente, mas para mim a animação é importante. Tendo isto em conta, vimos este filme nomeado e foi uma experiência maravilhosa e espectacular.

    Um escritor de auto-ajuda vai a outra cidade dar uma palestra. Mas ele tem um problema: para ele, todas as pessoas têm a mesma voz. São todos iguais. Os seus amigos, a sua mulher, o seu filho, são todos a mesma pessoa. Claro que isso deixa uma pessoa um pouco insatisfeita com a vida em geral. Mas, subitamente, ele ouve uma voz diferente! E encontra uma mulher chamada Lisa.

    A narrativa é muito forte, apesar de ser rápida. Tudo se passa num único dia. É uma história humana e intimista, um relato da depressão e da incapacidade de lidar com o mundo que nos rodeia. E isso não seria possível sem duas personagens fortíssimas, que se encontram e desencontram num momento muito intenso, um momento de amor puramente efémero porque nada pode vencer o estado catatónico em que o homem se alojou.

    Para além disso, temos uma animação revolucionária e puramente brilhante. Para começar, temos um elemento de stop-motion com marionetas feitas por impressão 3D, uma coisa nova. Mas estes bonecos estão integrados com um elemento digital tão forte como discreto. Isto faz com que as expressões e os movimentos do corpo sejam altamente realistas, de uma forma que chega a impressionar pelo grafismo perfeito (que só tem a melhorar quando versões de melhor qualidade forem lançadas). Para mais, todos os cenários são altamente detalhados, criando um mundo altamente realista e enquadrado nas coisas que realmente existem. Existem algumas sequências surrealistas muito intensas, que acrescentam mais densidade emocional à história e, para além disso, estão tão bem executadas que reflectem a qualidade técnica da animação.

    Também temos uma banda sonora exemplar, muito bem enquadrada com cada cena mas com peças únicas e memoráveis.

    Já vimos o filme há uns dias, mas ainda não deixo de pensar nele. Se este filme não ganha o óscar de animação, significa que Hollywood não está preparado para filmes desta magnitude.

  • A Lição de Anatomia

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    A Lição de Anatomia
    Philip Roth
    1983
    Romance

    Livro que me foi oferecido pelo meu aniversário, provavelmente tendo em conta que chumbei mil milhões de vezes a anatomia antes de conseguir passar a essa disciplina maléfica.

    Conta a história de um escritor famoso que se vê atormentado por uma dor física incapacitante. Este homem, um judeu odiado pelos seus pares devido àquilo que escreveu, está a sofrer bastante e tenta encontrar coisas que o libertem desta dor nas costas. Essas coisas são o vodka e as ganzas, assim como o entretenimento fornecido por um harem de quatro mulheres muito diferentes umas das outras.

    O romance tem uma estrutura muito sólida e a narrativa progride de forma lógica, pontuado por vezes por alguns flashbacks que explicam elementos como a relação que o personagem tem com a figura feminina. Este desenvolvimento dado às mulheres acaba por ser um pouco fastidioso, assim como o discurso pornográfico do fim do livro, em que o personagem desiste de ter lógica e cede a uma loucura psicológica iminente.

    A forma como o personagem tenta mudar de vida, como meio de se libertar da dor, é quase inspirador, excepto que é inconsequente. Nunca sabemos se o personagem vai conseguir ser uma pessoa saudável, emocional e físicamente. Isto deixa água na boca para saber um pouco mais, coisa que não acontece e pode ser um pouco frustrante.

    De resto, o livro está escrito de forma excelente e é uma leitura altamente viciante. Também tem algumas imagens bastante belas que tornam a narrativa bastante intensa em certos momentos. Gostei imenso de o ler!

  • A Última Tentação de Cristo

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    A Última Tentação de Cristo
    Martin Scorcese
    1988
    Filme
    7 em 10
    Confesso que este espaço anda um pouco descurado. Este filme já foi visualizado a semana passada mas, não sei, tenho andado tão ocupada com minhas novas tarefas que acho que me esqueci de escrever. Talvez também tenha sido por essa inactividade que agora somos menos três pessoas observando atentamente todas as coisas que se fazem quando não apetece estudar...

    Mas o filme! O filme! Estávamos no café quando o Qui diz que há um filme sobre Cristo em que este escolhe uma vida normal a ser o salvador. Achei piada ao conceito, então fomos vê-lo para casa.

    Desde o início que o filme se estabelece como uma fantasia, o que me parece ter sido um erro. Porque a história poderia realmente ter acontecido desta forma. Jesus vive atormentado, fabricando cruzes para a execução de outros judeus, sempre perseguido por vozes e visões divinas que não o deixam sossegar. Por isso, afastou todas as pessoas que acreditam que ele tem a função de salvar o povo judeu e, consequentemente, toda a humanidade. Perdido nestas visões, Jesus começa a fazer discursos que aparentam ser apenas um reflexo da sua loucura. Não tanto mensagens de deus, mas sim alterações psicológicas que afectam grandemente o seu comportamento.

    E assim prossegue a narrativa, cheia de elementos místicos e simbólicos que pegam em menções artísticas desta figura e a transfiguram para esta realidade alternativa. A narrativa envolve um confronto entre o desejo humano e o desejo divino o que, no fundo, acaba por ser a clássica luta entre o bem e o mal.

    No entanto, toda a estrutura narrativa associada à imagética violenta tornam o filme numa viagem quase surrealista numa realidade alternativa de uma história que todos conhecemos tão bem. E a conclusão é que Jesus não deixa de ser homem e que o seu sacrifício pode deixar dúvidas em relação à mensagem que deus gostaria de passar. Porque não sabemos se depois há milagre ou se tudo não passa de uma imaginação pérfida e frenética associada a todo o sofrimento.

    Um filme que se tornou um clássico e que certamente vale a pena ver.
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