Archive for quarta-feira, julho 04

  • A Cor do Dinheiro

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    A Cor do Dinheiro
    Martin Scorcese
    Filme
    1986
    6 em 10

    Após uma noite complicada, apanhámos este filme na televisão. Trata-se de uma sequela a um filme muito antigo, em que Paul Newman fazia de vigarista do bilhar. Agora, o mesmo actor tem um pupilo, sob a forma de Tom Cruise, que tentará ensinar a jogar para ganhar dinheiro. Não para ganhar a competição, claro. Para ganhar dinheiro.

    O filme trata da competitividade entre os jogadores e a forma como o jogo os faz tomar atenção ao ambiente circundante e a si próprios. A narrativa é a de uma luta e superação, da forma física e emocional, tentando dar aos personagens uma lição de humildade e de amizade.

    Isto funciona bastante bem no caso do jogador mais velho, mas o mais novo continua sempre a ser a criança insuportável e irascível que era ao início. A sua inocência torna-se tão mais irritante quanto a sua incapacidade de compreender que está a ser manipulado por tudo e por todos, acabando por ser um personagem quase raso e com muito pouco por onde pegar.

    De resto, temos uma técnica de filmagem impecável e não podemos pegar em nenhum defeito da realização.

    Um filme tecnicamente bom, mas que fica aquém das expectativas.

  • LCD Soundsystem

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    LCD Soundsystem
    Concerto
    Quando, no ano passado, vimos o anúncio para este concerto, pensámos logo que não o podíamos perder. No entanto, quase que o perdemos. A falta de orçamento fez com que falhássemos com as primeiras duas datas, que se esgotaram num instante. Felizmente, os LCD fizeram o favor de abrir uma data extra e foi a essa que fomos.

    Tinha estado a trabalhar, pelo que decidi apanhar um conjunto de barcos até Lisboa (o que se veio a revelar muito chato, como veremos mais tarde). Estava cheia de pressa e muito mal-disposta quando finalmente me encontrei com o Qui e o Zé Gato, que também vinha ao concerto nesta data. Felizmente, chegados ao Coliseu dos Recreios - local do evento - descobrimos que não havia grande fila. Um alívio!

    Entrámos, fomos revistados por uns seguranças muito simpáticos (que, por sinal, não quiseram ver a minha mala). Disseram-me que teria de guardar o guarda-chuva no bengaleiro, coisa que me parece perfeitamente lógica porque não dá jeito nenhum ver um concerto com a sombrinha às costas. Entretanto, descobriu-se que o Zé Gato não podia entrar. Isto porque o bilhete dele era uma fotografia do bilhete que havia comprado. O senhor da porta considerou que ele podia ter vendido o bilhete a alguém e fotografado de forma a entrarem duas pessoas. Referi que eu própria, com a impressão do meu bilhete, poderia ter impresso cinco mil outros bilhetes, enchendo assim a sala de espectáculos com uma só compra.

    Só mais tarde, após o início do concerto, a bilheteira imprimiu um novo bilhete para o Zé Gato que, assim, teve permissão para entrar.

    Lá em cima, pesquisamos o bengaleiro, obtemos uns drinks e ficamos cativados com a banquinha da merch. Fiquei cheia de vontade de comprar uma t-shirt que dizia "My middle aged friend went to LCD Soundsystem concert and only brought me this lousy t-shirt". Isso porqu eu me identifico com a parte do "middle-aged friend" xD

    E assim se inicia o concerto.

    Rodeados de alguns cotas estrangeiros, de outros cotas portugueses e de alguns jovens completamente histéricos, encontrámos um bom lugarzinho junto à saída, o que nos permitiu obter novos drinks. O concerto começa com alguns sons novos, que eu ainda não conheço bem, mas no seu âmago temos um revivalismo do passado, com as músicas que nos meados da outra década nos viciaram. Desta vez a banda está um pouco diferente: a primeira vez que os havia visto era tudo mais simples, menos maquinaria, menos pessoas. Agora, temos guitarras, baterias e muitas mesas de mistura que, no seu conjunto, dão uma outra textura aos sons.

    Textura mais acústica e menos artificial, mais ligada às origens e à terra, assim como o novo álbum se propõe. Será que isso funciona quando falamos dos sonoros antigos? De certa forma, acabou por ser um dado pouco relevante, pois a qualidade do som oferecida pelo Coliseu nunca foi das melhores, para que se possa fazer uma apreciação muito detalhada.

    O que interessava, no fundo, era dançar e evitar ser atropelado pelos outros dançantes. Uma grande bola de espelhos dava o mote à festa, embora o sistema de luzes fosse altamente básico e muito pouco estimulante. Valeu pela música e pelos músicos que, sempre em forma, não se coibiram de lançar uma frase feita ou outra para grande prazer dos ouvintes.

    Acabámos por ir embora a meio do segundo encore, pois eu tinha muito medo de perder o barco e depois só ter um às 2 da manhã. Afinal, tinha de trabalhar no dia seguinte... Causou uma certa infelicidade aos meus companheiros, coisa pela qual peço desculpa de novo.

    Foi um concerto excelente para dançar, mas penso que a magia da banda se perdeu um pouco para mim... Antes, tudo mais simples. Agora, o estilo mais clássico retira muito da revolução inicial. Vamos a ver o que o futuro nos espera.
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