Archive for quarta-feira, novembro 13

  • Final Feliz

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    Final Feliz
    Produções Acidentais
    2019
    Teatro

    Acabei agora mesmo de vir de o teatro, onde assisti a esta peça. Uma amiguinha dos Actos Urbanos era uma das actrizes, por isso estávamos todos ansiosos por a ver! :)

    As histórias infantis, romantizadas pela Disney e pelo beijo que indica um final feliz, nem sempre simbolizaram contos de amor e bondade. Na verdade, na sua concepção, incluem momentos terríveis, de dor e de violência, como que se a moralidade da história estivesse para além do seu encanto. Esta peça fala precisamente sobre o quão infeliz pode ser o final feliz, dependendo da perspectiva que se lhe dá.

    Gostei imenso deste texto e da maneira como foi interpretado. O texto, difícil, por vezes fechado sobre si próprio, coloca em comparação a figura da princesa (feminino) e do príncipe (masculino), rebaixando a fêmea a um ponto de consumo do macho, que beija para ter o reino, que beija pela consequência e não - ao contrário do que se poderia pensar - pelo próprio acto.

    Assim, temos momentos de uma violência extrema, embora discreta e disfarçada por todo o cenário colorido e idílico com flamingos cor de rosa. Apesar de a maior parte do tempo o público se risse sinceramente, não encontrei nenhum ponto de humor nesta peça: na verdade, a maior parte do tempo senti um puro horror pela ironia das situações.

    Fizeram todos um excelente trabalho e estão de parabéns!

  • O Médico de Córdova

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    O Médico de Córdova
    Herbert Le Porrier
    1974
    Romance

    O último livro da actividade BookCrossing "Livros Favoritos", em que todos os meses recebíamos o livro favorito lido em 2018 de um dos participantes, termina agora com "O Médico de Córdova".

    Trata-se de uma biografia ficcionada de um médico famoso, judeu, que viajou pela Europa e Médio Oriente até se estabelecer como médico pessoal e amigo do Imperador Saladino. Seguimos as suas aventuras desde a infância e adolescência e a forma como ele vai aprendendo a arte da medicina, sem nunca a separar da filosofia religiosa que muito regia a sociedade da altura.

    Este livro é também uma descrição sucinta da perseguição aos judeus, nessa época passada, por vezes descrevendo horrores e injustiças, outras vezes mostrando a capacidade de adaptação da comunidade e a forma como mesmo no meio da censura conseguiam manter os seus ritos religiosos e as suas crenças no deus uno.

    Para mim, o mais interessante deste livro foram as descrições sobre a arte da medicina e alguns momentos de contemplação sobre esta, que tinham por vezes um efeito muito belo em mim.

    Gostei bastante e já vai de volta ao seu dono.
  • Zapatos

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    Zapatos
    Teatro e Teatro
    2019
    Teatro
    Fomos ver esta peça inserida na Mostra de Teatro de Almada (em que, este ano, os Actos Urbanos não participam, por razões que poderão encontrar no blog do grupo ou na sua página do Facebook). Fomos porque um dos nossos coleguinhas fazia uma breve aparição nesta peça e queríamos muito vê-lo. :)

    Os sapatos são uma metáfora para as relações. Quem tem sapatos relaciona-se amorosamente. Quem está descalço é solteiro. Uma rapariga, Maria, tem uma mãe opressora e apaixona-se perdidamente por Fran, que na verdade é o autor da história de Maria. No entanto, ficou a dúvida: se os sapatos representam as relações, porque há pessoas aparentemente sozinhas que os usam? O símbolo torna-se confuso e, assim, toda a peça parece contar uma história novelesca.

    Achei também as escolhas de figurino e cenário um pouco desnecessárias e que poderiam ser melhoradas. Perucas menos brilhantes tirariam menos o foco dos cabelos para os actores, sendo que uma grande melhoria poderia surgir se fossem estilizadas para não cair na cara. A evidência dos lugares, sempre apresentados em vídeo, pareceu-me desnecessária e retirava um pouco o foco.

    Apesar de todos fazerem um bom trabalho, a história - longa, com muitos detalhes - não ajudou. Os vídeos eram refrescantes mas chegou a um ponto em que nem eles me impediam de pensar se tudo estava prestes a terminar ou não.

    Uma peça muito longa (mais de duas horas), com momentos que podiam ter sido evitados. Ainda assim, os meus sinceros parabéns por todo o esforço e pela produção!

  • Karakuri Circus

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    Karakuri Circus
    Maruyama Masao - Studio VOLN
    Anime - 36 Episódios
    2018
    5 em 10

    Este foi um anime que me deixou triste. Tinha imenso potencial na história, mas a sua execução foi simplesmente infeliz.

    Um homem que trabalha como palhaço salva um miúdo que está a fugir de uns terríveis adultos. Rapidamente se vêm envolvidos numa grande batalha entre hordas de marionetas racionais e os seus criadores, buscando com isso salvar Shirogane, uma boneca que foi feita - em várias versões - para proteger essa criança.

    Apesar de a narrativa ser um pouco confusa e parecer demorar-se bastante em detalhes que acabam por não ser de todo importantes para a conclusão, o conceito é bastante interessante e poderia ter dado azo a um excelente anime. Mas a narrativa improvável, plena de situações irrelevantes, com laivos de ficção científica absurdos que em nada se coadunam com o tema do circo, deixam tudo um pouco aquém das expectativas.

    Para além disso a animação não podia ser pior. Erros anatómicos, erros de perspectiva, caras das personagens desenhadas de esguelha e cenas de acção sem vigor e sem fluidez. O uso da imagem parada, recurso barato, não funciona de todo num anime que vive muito das lutas entre marionetas e os seus marionetistas.

    Assim, temos um anime que tinha tudo para vingar, mas que foi feito de maneira barata e pouco cuidada, perdendo assim todo o seu potencial.


  • Jojo's Bizarre Adventure: Golden Wing

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    Jojo's Bizarre Adventure: Golden Wing
    Tsuda Naokatsu - David Production
    Anime - 39 Episódios + 3 Specials
    2018
    5 em 10
    Passamos à quinta parte de Jojo e, neste momento, começo a sentir-me muito desapontada com este franchise. Foi sem dúvida o pior dentro do estilo até agora e espero que brevemente ele se recupere e a sexta parte seja um pouco melhor.

    Desta vez o envolvimento dos Joestars é mínimo, e a partir do momento em que há o seu afastamento parece que tudo se torna mais ou menos irrelevante. Acompanhamos a aventura de Giorno, o novo Jojo, um italiano que se envolve - juntamente com outros cinco tipos - com a máfia com o objectivo de salvar a filha de um grande chefe.

    Penso que o erro principal é termos demasiados protagonistas. Como são seis (mais uma) o desenvolvimento de cada um peca por defeito, não lhes sendo dado foco suficiente para que  sejam personagens pelas quais torcemos e que queremos que vençam. Para além disso, os seus stands tornam-se de momento para momento mais ridículos, sendo que as acções de cada um já puderam ser vistas uma e outra vez em seasons anteriores, parecendo que o autor simplesmente não sabia mais o que havia de fazer para por estas personagens a combater.

    A animação também é bastante fraca a comparar com seasons anteriores. Se os exageros anatómicos são uma característica de Jojo, desta vez aproximam-se mais do erro crasso do que de outra coisa. Sendo uma série um pouco longa, há uma notável falta de orçamento que torna a variedade de movimentos limitada. Não há as grandes poses e a paleta de cores parece desinspirada.

    Foi um anime que me deitou abaixo com o desapontamento.
  • Antologia Ficção Especulativa Queer

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    Antologia Ficção Especulativa Queer
    Vários
    Contos 

    Comprei este livro no Fórum Fantástico precisamente porque respondi à chamada de participações, apesar de não ter sido seleccionada. Enviei uma história sobre um succubus que se apaixonava por uma rapariga e fiquei desapontada por esta não ter sido escolhida. No entanto, agora que li os contos presentes na antologia, compreendo mais ou menos o porquê: escrevi uma história queer, mas uma história queer extremamente negativa, em que ser queer nada trazia de bom às personagens, tornando-as mesmo muito infelizes. Irei publicar o conto em formato ebook em breve, para quem o quiser ler. :)

    Adiante.

    Nesta antologia temos seis contos distintos, todos eles tendo como característica o envolvimento de personagens marcadamente separadas da heteronormatividade. Em todas as histórias, no entanto, é mais ou menos irrelevante a orientação sexual das personagens, o que torna o objectivo da antologia um pouco difuso. Claro que queremos tratar as pessoas LGBTQI+ como pessoas perfeitamente normais, mas sendo o tema o "queer" penso que poderiam ter feito escolhas em que o tema fosse realmente o foco principal das histórias.

    Achei dois dos contos (o do lagarto no planeta e o da nau fossilizada) muito originais e bem escritos, com momentos muito interessantes de construção do universo. Os outros deixaram-me um pouco diferente, embora a maior parte deles fosse bastante divertida e tivesse bastantes pontos positivos.

    Deixo a nota por um conto claramente escrito com a grafia brasileira, mas cujo tratamento editorial se mostrou insuficiente, pois tem imensos momentos em que mistura as construções frásicas do Brasil com expressões tipicamente portuguesas, o que torna tudo extremamente estranho.

    Foi uma leitura muito agradável e gostaria de a recomendar aos fãs de fantasia e ficção científica.. Tanto que já emprestei o livro! =D
  • The Art of Self-Defense

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    The Art of Self-Defense
    Riley Stearns
    2019
    Filme
    6 em 10
    É o início dos anos 90 e um tipo perfeitamente normal, dono de um cão, que está a aprender francês por uma cassete e é contabilista numa grande empresa, é atacado na rua por um gangue de motoqueiros. Nesse momento, decide dar uma volta à sua vida e juntar-se a um dojo de karaté, onde vai aprender a arte da auto-defesa. No entanto, o misterioso "sensei" que lhe dá as aulas tem alguns esqueletos no armário, que iremos descobrir.

    É um filme sarcástico e divertido, com boas personagens e um humor diferente do habitual. O nosso personagem principal cresce com o filme e acaba por encontrar dentro de si uma coragem que lhe era desconhecida, utilizando-a para enfrentar o grande problema que se põe e, assim, encontrar no karaté uma verdadeira filosofia de vida.

    Apesar de ser uma história muito simples, contada sem grandes detalhes e sem entrar numa profusão de cenas dramáticas, é um filme engraçado e estranho, que certamente ficará na memória, nem que seja por pouco tempo.

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