Archive for segunda-feira, dezembro 01
Patema Inverted
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Patema Inverted
Yoshiura Yasuhiro - Studio Rikka
Anime - Filme
2013
6 em 10
Este é o último filme de anime que tenho para ver, o que marca o fim de uma era. A partir de agora verei filmes de pessoas à noite até, bem, deixar de ter filmes para ver.
Neste mundo existem dois tipos de pessoas. Aquelas em que a gravidade os manda para baixo. E aquelas em que a gravidade as manda para cima. As segundas vivem em túneis debaixo da terra. As primeiras, sob um regime religioso totalitário. Quando dois elementos destes dois mundos se encontram, o que farão?
É uma história bastante simples e simpática, que fala de como duas pessoas diferentes se podem reunir e tornar-se amigas, de forma a enfrentarem um inimigo comum e lutarem contra o sistema. Ainda assim, há algumas falhas de lógica na narrativa e na forma como a visão do filme está construída. Para começar, o regime não está bem desenvolvido, parecendo resumir-se apenas à visão de um homem completamente demente, ao qual todos obedecem sem razão aparente. Depois, a forma como o realizador optou por contar a história torna-se bastante confusa para os olhos e cérebro. Em minha opinião, deveria ter optado por mostrar as coisas sempre variando a perspectiva, para não sermos forçados a ver tudo ao contrário tão frequentemente: dá dores de cabeça coléricas.
Em termos de animação, temos movimentos bastante simples, em que não nos devemos deixar impressionar pelo facto de as coisas estarem invertidas (o que é realmente uma coisa simples de fazer). Temos alguns cenários interessantes, se bem que não aparecem por tempo suficiente para atentarmos ao detalhe neles inserido.
Musicalmente, temos um tema central interessante, mas pouco mais a apontar.
No geral, um filme como seu quê de agradável, mas altamente cefaleico devido à perspectiva em que ocorre.
By : ladyxzeus
A Alma Encantadora das Ruas
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A Alma Encantadora das Ruas
João do Rio
1904-1908
Reportagens e Reelatos
Recebi este livrinho como presente no BookCrossing. Escolhi-o porque gostei bastante do título e porque literatura brasileira nunca é demais. Este livro, num formato muito engraçado (pequenino e gordinho), trata-se de um conjunto de reportagens, relatos e ensaios sobre as ruas do Rio de Janeiro, por um autor que passa ao lado de muita gente mas que teve a sua importância, o dandy João do Rio (pseudónimo e personagem).
Na introdução, há referência à vida do autor, relatando que foi um percursor da literatura homoerótica brasileira. Depois de ler estes relatos, que nada têm de homoerótico, fiquei muito curiosa em ler o resto da sua obra. Pois tudo está escrito com uma graça, na gramática e vocabulário que, apesar de o tema (as ruas) não ser especialmente interessante, adorei ler este livro.
Existem relatos sobre vários assuntos, mas a maioria aborda a decadência e a pobreza da população da cidade do Rio de Janeiro, sendo o livro um bom marcador dos hábitos e elementos da época em que foi escrito.
A minha parte preferida foi sem dúvida a utilização das palavras, que por vezes são estranhas e cujos significados nem sempre eu conhecia. Ainda assim, há tantas palavras bizarras que a leitura é extremamente divertida. Pegando em exemplos aleatórios ao longo das páginas, ficam aqui algumas:
- Pernóstico
- Reviravolteiam
- Molambeiro
- Alarma
- Piche
- Discrômico
- Reisado
- Charivari
By : ladyxzeus
Toradora!
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Toradora!
Nagai Tatsuyuki - J.C. Staff
Anime - 25 Episódios + 1 OVA + 4 Specials
2008
7 em 10
Tudo o que eu tinha ouvido sobre este anime se resumia a "tem uma tsundere". Portanto, não o vi com grandes esperanças. Por isso, surpreendi-me bastante pela positiva!
Ryuji tem um problema: tem cara de mau. Portanto, todos têm medo dele, apesar de ele até ser boa pessoa. Está apaixonado pela Minori, mas não tem coragem de o confessar. No dia em que conhece Taiga, tudo muda. Taiga é como um tigre em miniatura: feroz, facilmente irritável, mas muito baixinha. E gosta do melhor amigo de Ryuji. Então, os dois unem-se para aprenderem a confessar o seu amor pelas pessoas respectivas. No processo... Bem, logo verão!
É uma história de amor, um quadrado amoroso que se vai desenvolvendo delicadamente, dando muitas oportunidades ao espectador para imaginar o que vem a seguir. A relação entre os dois personagens é simplesmente deliciosa, simplesmente porque ambos estão muito bem construídos. Ryuji não se limita a um jovem incompreendido pelo seu aspecto, tal como Taiga não se resume a tsundere. Ambos são desenvolvidos com especial carinho, na sua relação um com o outro, na sua relação com a família e com os amigos. Juntos, aprendem mais sobre viver com as outras pessoas, criam fortes amizades e laços afectivos e acabam por formar algo entre ambos, terminando assim a série num toque positivista.
A animação não tem muito de especial, mas as cores são vivas e os movimentos fluídos.
Fique uma nota positiva para as vozes, que são extremamente expressivas em todas as ocasiões, trazendo realmente uma vida própria aos personagens. Em termos musicais, o anime é ilustrado por um pop suave que fala de histórias de amor impossíveis e agridoces, o que se relaciona muito bem com o tema do anime.
No geral, é uma excelente história de amor com personagens muito bons. Recomendo.
By : ladyxzeus
A Vida de Brian
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A Vida de Brian
Monty Python
Filme
1979
8 em 10
Há comédias. Depois, há boas comédias. Para além disso, há ainda grandes comédias. Em qual se insere este filme?
Brian teve a pouca sorte de nascer no mesmo dia que Cristo, mas no estábulo ao lado. Os Reis Magos enganaram-se e foram ter com ele. A partir daí, a sua vida torna-se numa série de mal entendidos, em que ele se torna o messias sem saber e sem querer. Todos os seus esforços de convencer as pessoas do contrário se revelam frustrados e ele acaba a ver o lado bom da vida na pior situação possível.
Este filme é simples e vive, simplesmente, da força dos diálogos entre os elementos do grupo, que fazem todas as personagens (ou quase todas). Estes diálogos são tanto engraçados como filosóficos, baseando-se em conceitos absurdos, coisas simples mas das quais ninguém se lembraria. Não consigo dizer qual a minha parte favorita, mas digo desde já que a meio do filme já estava a chorar de tanto rir e a partir daí foi uma luta com os meus óculos, que estavam sempre a ficar embaciados :)
Os actores são extraordinários e era assim que eu gostava de ser como pessoa do teatro. A sua capacidade de improviso é fascinante e o facto de terem escrito todos os diálogos e os interpretarem tão bem é muito valioso. Para mais, a sua capacidade de transformação nos diversos personagens, cada um com a sua voz, os seus tiques, o seu modo de andar, é maravilhoso.
Portanto, é assim que eu quero ser quando for grande. :)
By : ladyxzeus
O Reino dos Gatos
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O Reino dos Gatos
Morita Hiroyuki - Studio Ghibli
Anime - Filme
2002
6 em 10
Depois do excelente evento, é tempo de ver o filme que obtive no prémio. O primeiro da double session.
Da Ghbli, restam-me já poucos filmes que ainda não tenha visto. Este era um deles. Infelizmente, aparenta o facto de que quando não é o Sr. Miyazaki a dirigir o filme, a coisa nunca corre tão bem. Este filme pega em duas personagens do filme anterior Whisper of the Heart, dois gatos.
Esta é a história de uma menina que não tem muito que se lhe diga. Depois de salvar um gato, é levada para o Reino dos Gatos, onde acontecem muitas coisas felinas e uma história de amor. O grande problema é que a personagem não foi bem caracterizada ao início, portanto a sua mudança não parece ser a pretendida. No final do filme, ela aparenta tornar-se uma maluquinha que recebe a pensão dos maluquinhos, em vez de uma pessoa mais adulta e madura, como seria a intenção.
O conceito do filme é muito fofinho. O Reino dos Gatos é onde estão todos os gatos da nossa imaginação, desde gatos que vemos todos os dias, a gatos que nos marcaram e desapareceram e até mesmo figuras de gatos, como estátuas e imagens. Lá, eles são reais.
Infelizmente, a execução não está primorosa como seria de esperar de um filme da Ghibli. A animação não tem nada de extraordinário e os cenários e imagética deste reino encantado são muito pouco distinguíveis, sendo que a arte cénica está apenas mediana.
Assim, temos um filme bastante normal, bom para crianças, sobretudo aquelas que gostem de gatos. Talvez veja este filme no Natal com a minha família, dado o facto de a minha mãe ser super-fã de gatos.
By : ladyxzeus
Nihon Sekai 2014
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Momento de me vestir. Por alguma razão, depois de insistências diversas, disseram que nos era permitido trocar de roupa nos bastidores mas só a partir das três. Ora, eu queria mudar de roupa antes, portanto fui para a casa de banho. Que era mista, gelada e horrorosa. Enfim, ignorando o pobre rapaz que se esforçava para tirar tinta azul da cara, mudei de roupa muito rápido, para ninguém me ver num estado menos vestido. Que frio! Que frio nos pés! Que chão horrível! Iuca!
Sabendo que era muito pouco provável que me tirassem fotografias, pois levava um cosplay de uma personagem obscura, numa versão ainda mais obscura da personagem, fui para o terraço beber imperiais. Foi nesse momento que descobri que tinham fechado o terraço ao resto do evento, motivo pelo qual ainda estava mais cheio! Percebe-se mais ou menos, que estava toda a gente a ir para lá jogar às cartas mas que ninguém consumia. Mas mesmo assim, muito má onda. E os preços das coisas! Café a um euro e meio, imperial a dois euros e meio... Perguntei à antipática da empregada se aquilo era assim todos os dias. "Somos uma esplanada, praticamos preços de esplanada!" Minha menina, praticamos preços de esplanada abusiva ao pé do rio dirigidas à classe média-alta de turistas britânicos e pessoas pseudo-posh. Aqui na minha zona a imperial tá a cinquenta cêntimos. .____.
Entretanto, duas mocinhas tiraram-me uma foto. :) Fiquei muito feliz, se bem que não tenho esperanças que esse par de fotos apareça no mundo virtual.
Enquanto esperava pelo concurso, assisti ao que se passava no palco. Passei por uma demonstração de artes marciais, mas que não captava muito a concentração do público pois a música não era animada o suficiente. Depois, vi umas moçoilas a dançar uns bailados coreanos. Acho bem que se dance e tudo o mais, mas - pessoalmente e *sem intenção de ofender ninguém* - não gosto das músicas. Mas sim, dançavam bem, isso não se coloca em questão. Entretanto as coisas estavam meio atrasadas, portanto o apresentador tinha por força que entreter um público ávido de palminhas, coisa que foi obtida por um par de jovens que tinham uns moves dançáveis muito interessantes e esqueletónicos. :3 Durante este tempo vim a confirmar, mais uma vez, que já não gosto de OPs de anime e que as acho a todas vulgares e chatíssimas. Confirma-se: eu não tenho piada.
Encontrei uma moça que encontro sempre e que trás sempre a t-shirt do YFC e a quem digo sempre a mesma coisa. A tua t-shirt é linda. Eu estive lá e eu compreendo a beleza interna da tua t-shirt. Tu és uma pessoa maravilhosa por teres essa t-shirt. Viva YFC! E eu digo sempre a mesma coisa porque é verdade. :)
Começa o concurso. Descalço-me. Chão frio. E agora vem um momento altamente explicativo.
Quando vi as regras do concurso, não gostei delas. Achei que estavam demasiado detalhadas para um concurso de pequena envergadura e que davam pouca liberdade de escolha se uma pessoa quisesse realmente ganhar. Mas eu não quero realmente ganhar. Eu quero fazer coisas. Então, decidi participar de forma a que fosse muito difícil de me avaliarem, se não impossível. Para começar, não levei um fato complexo. Levei o fato mais simples que tenho, caracterização mínima, sem props. sem nada. Depois, como skit, decidi fazer algo extremamente parvo.
Para começar, trabalhei com o meu amigo R. para produzir uma música inesquecível, uma cover vanguardista do senhor que mais contribuiu para o espalhar das oliveiras em Portugal e arredores. Depois, fiz uma performance baseada nessa música com conotações altamente obscuras e representativas do nada. Isto, no fundo, para dizer que um actor não precisa de nada para fazer teatro, para além de público. Não é preciso guarda roupa, não é preciso cenário, não é preciso efeitos visuais, não é preciso sequer um bom texto. Porque sim, é possível fazer teatro baseando-nos inteiramente numa música tão idiota, ridícula e sem significado como a Cabritinha do Quim Barreiros.
E eu realmente não sei o que aconteceu. As pessoas riram-se, apesar da minha baixa forma (já da última vez que tinha utilizado este cosplay estava doente) a coisa correu bem, mas isto foi totalmente inesperado! Porque eu fiquei em Terceiro Lugar! Fiquei super-hiper-mega-ri-contente e muito motivada para ir tirar umas fotos com este fato e fazer outro skit absurdo em breve! Muito obrigada! Espero que tenham gostado, pois no fundo, apesar de todas as coisas anti-sistema que este skit significava, o objectivo era entreter e mostrar algo diferente ao público. Gosto muito de vocês, público. :)
Com o prémi, cinco euros na Loja Neko, comprei o DVD "O Reino dos Gatos", do Studio Ghibli. Podia ter comprado cinco autocolantes ou dois porta chaves, mas achei melhor dar outros cinco euros e ficar com um DVD de um filme que ainda não tinha visto.
Consegui despedir-me do pessoal decentemente desta vez e para despir o fato e colocar-me à civil de novo deixaram-me ir para os camarins. Lá, estive à conversa com a Cátia - que fez o excelente trabalho de organizar este concurso, em que correu tudo nos eixos. :) Só não consegui encontrar as moças do Monte da Caparica para ir de barco com elas, desculpem... :<
Assim, no geral, pareceu-me um excelente evento. O espaço era muito bom, se bem que a inesperada enchente de pessoas o tornou muito pequeno. Mas o facto de ter estado tão cheio significa que foi um sucesso e que para o ano teremos de ter um Nihon Sekai num lugar muito maior. Foi bom para encontrar pessoas, conversar, fazer um skit bizarro, comprar uma linda camisola, ver a vista... Enfim, foi só o início de um fim de semana maravilhoso!
Portanto, obrigada e até à próxima! Agora, o que estavam todos à espera....
Nihon Sekai 2014
Evento
Tinha ido a este evento há dois anos. No ano passado não pude ir pois estava no Porto, mas a memória indicava-me que tinha sido bem divertido portanto este ano não o iria perder! Sabia que não iam lá estar as mesmas pessoas de há dois anos e que já não ia ser num lugar recôndito como a Azambuja, mas porque não? No entanto... Durante toda a semana passada estive doente com uma ligeira gripe, alguma febre e muita, muita tosse. Será que ia conseguir fazer a minha performance em condições? Será que conseguiria sobreviver ao evento e depois ainda ir de fim de semana para casa do Qui? Será que tudo isto iria ser possível?
Será como veremos.
Este ano o evento foi no Clube Ferroviário de Santa Apolónia, um bar onde há frequentemente eventos e concertos, associado ao pessoal ferroviário da estação ferroviária. Santa Apolónia. Acordei bem cedo para chegar a horas do primeiro workshop e desloquei-me com a minha maleta cor de rosa quadrúpede pelo sistema de transportes subterrâneo e autocarros. Depois, caminhei. Diziam que o local era a 700 metros da estação de Santa Apolónia mas a mim, doente como estava, pareceram-me 70 kilómetros. Cheguei lá acima deitando os bofes pela boca. Encontro uma fila e pergunto qual é a ponta. Ninguém sabe. De repente, a fila desaparece. E lá na ponta, rodeada por uma aura de luz azulada, qual Santa Senhora do Ó abençoando as pedras da calçada, estava a Ana-san.
"Deixa-me entrar..."
sussurrei com a voz que me restava.
E ela deixou-me entrar. Obrigada, Santa Senhora Ana, que abres as portas dos eventos e me permites dar entrada neles. ;___________;
Lá chegada, ainda não tinham aberto as portas oficialmente, já o evento estava composto. Numa primeira observação, vi um grande auditório com muitas bancas bastante bem organizadas em filas horizontais, permitindo passagem em dois largos corredores e uma parte à frente de um palco bem simpático. Antes disso, um pequeno foyer com sofás onde se podia jogar algo em televisões e um bar. Desloquei-me até ao local indicado no mapa (que se veio a revelar inútil, pois a organização física do espaço era muito diferente da esperada) onde deveria estar o bengaleiro. Ora, ninguém sabia do bengaleiro. Depois de se descobrir que o bengaleiro era efectivamente ali, ninguém sabia dos papéis para se assinalarem as bagagens. Felizmente, o mastermind do bengaleiro é conhecido e amigo, pelo que arranquei um papel do meu bloco de notas, escrevi lá o meu nome e deixei aos seus cuidados a minha maleta cor de rosa quadrúpede e o meu casaco roxo que era da minha avó.
E fui tomar um café ao terraço. A vista dele é como a que se encontra na imagem:
Lá, estive à conversa com a Ana-san e um amigo dela que iria dar uma palestra sobre o Japão. Foi um aconversa muito interessante, pois o jovem - tendo vivido no Japão - tinha histórias para contar e locais de compras para recomendar. Gostaria de ser como ele e ter a capacidade de ler livros em Japonês. Assim, poderia ler a biografia do Gackt, que comprei há anos e nunca fui capaz de ler.
Seguidamente, o primeiro workshop! Um workshop de Magic!
Quando este jogo, Magic The Gathering, apareceu todos os miúdos da minha escola andavam malucos com eel. Eu adorava ver as cartas e ler as descrições, que sempre me pareceram bastante filosóficas. No entanto, eu tinha um problema... Eu sou uma menina. E as meninas, evidentemente, não podiam jogar Magic. Estava escrito nas regras inaudíveis das escolas. Muito insisti eu, mas tudo o que me permitiram foi jogar uma versão alterada em quem tivesse a carta mais forte ganhava. Portanto, nunca aprendi a jogar. Tudo mudou durante este evento.
Escolhi um baralho azul, caracterizado por ser sobre a inteligência, introspecção e sabedoria, mas que se revelou muito fraco. Aprendi as regras e experimentei jogar. Peço desde já desculpa ao jovem com quem eu estava a jogar, pois essencialmente ele tinha de jogar por mim também, pois eu só fazia coisas parvas. Ainda assim consegui bloquear a carta mais maligna dele com um Claustrofobia e só isso já me deixou contente. Não sei se voltarei a jogar ou se passarei a fazê-lo frequentemente, mas o jogo até é bastante simples e com treino acho que chegava lá! :) E fiquei com o baralho, cujo conteúdo era uma montanha de ilhas e uma montanha de dragonetes e uma nuvem com ar maligno!
Fica a primeira nota, dirigida a todos os jovens que joguem Magic comigo, de que eu não sou um você. Eu sou um tu.
Qaundo saí do workshop, tudo tinha mudado... O evento, que estava composto, estava neste momento a rebentar pelas costuras. Como o workshop de cosplay das Kurinhas tinha sido adiado para as duas da tarde, decidi ir almoçar para ver se depois de almoço a coisa acalmava e podia tirar umas fotos e comprar umas coisas. Decidi não mais ir ao workshop de cosplay, pois estragava os meus planos de me vestir com tempo e paciência (vestir o cosplay, não é que estivesse sem roupa este tempo todo).
Como abomino conscientemente todo o conceito de noodles automáticos cancerígenos, perguntei ao segurança que estava à porta onde se comia por ali perto. Ele indicou-me um cruzamento e encontrei um magnífico restaurante onde por cinco euros me enfardei de pastéis de bacalhau e de imperial. Chamava-se "O Freixo" e foi excelente, pois a comida veio boa e rápida. Antes de voltar, decidi ir à estação de Santa Apolónia levantar dinheiro. E nesta ida e vinda aconteceu a parte mais desagradável, em que sem dúvida posso ter contribuído. Mas foi sem má intenção. Passo a relatar:
No restaurante estava um grupo de jovens pertencentes ao evento, que foram levantar dinheiro. Como fui também levantar dinheiro nessa altura, caminhei sempre uns passos atrás deles. Ora, um dos jovens era um rapaz que estava muito bem pintado com eyeliner e batom, com uma bandelete na cabeça muito bonita. Na verdade, o jovem estava muito bem vestido, mas percebi que era um rapaz porque tinha a sombra da barba. No caminho de regresso, um grupo de miudagem atrevida começa a gritar "És gajo ou gaja?" E realmente o rapaz ficou desconfortável. Eu, na minha vontade de o defender, sussurro para os putos, de forma audível "É um gajo pá!" Mas só depois de o dizer é que me cai em cima a realidade de que eu não sabia com que género o jovem se identificava. Portanto mais valia ter ficado calada, pois o que eu disse poderá ter sido mais ofensivo do que os putos a gritar. Mas, fique sabendo o jovem, que a minha intenção não foi maléfica e que achei realmente que o seu outfit estava muito interessante (e que era por isso que estava sempre a olhar para ele no restaurante). Fiquemos todos amigos :)
No regresso tentei tirar umas fotografias e comprei alguns objectos. As fotografias... Foi complicado. É que não havia espaço de manobra suficiente para pedir às pessoas que se afastassem cinco passos de mim para que eu tirasse uma foto! Assim, tenho muito poucas e a maioria são cândidas. Coloca-las-ei no fim do post, portanto mantenham-se atentos! Quanto às compras, o evento estava muito completo em termos de bancas de artistas (e os artistas são bons artistas), havendo apenas uma loja de merchandising. Assim, o meu loot do evento foi:
- Uma camisola La Cerise
- Um autocolante do Zorro que ganhei numa rifa (se vissem a minha histeria quando vi um autocolante do Zorro...)
- Um baralho de iniciantes de Magic The Gathering, azulinho
- Um DVD da Ghibli (já saberão por quê)
Sabendo que era muito pouco provável que me tirassem fotografias, pois levava um cosplay de uma personagem obscura, numa versão ainda mais obscura da personagem, fui para o terraço beber imperiais. Foi nesse momento que descobri que tinham fechado o terraço ao resto do evento, motivo pelo qual ainda estava mais cheio! Percebe-se mais ou menos, que estava toda a gente a ir para lá jogar às cartas mas que ninguém consumia. Mas mesmo assim, muito má onda. E os preços das coisas! Café a um euro e meio, imperial a dois euros e meio... Perguntei à antipática da empregada se aquilo era assim todos os dias. "Somos uma esplanada, praticamos preços de esplanada!" Minha menina, praticamos preços de esplanada abusiva ao pé do rio dirigidas à classe média-alta de turistas britânicos e pessoas pseudo-posh. Aqui na minha zona a imperial tá a cinquenta cêntimos. .____.
Entretanto, duas mocinhas tiraram-me uma foto. :) Fiquei muito feliz, se bem que não tenho esperanças que esse par de fotos apareça no mundo virtual.
Enquanto esperava pelo concurso, assisti ao que se passava no palco. Passei por uma demonstração de artes marciais, mas que não captava muito a concentração do público pois a música não era animada o suficiente. Depois, vi umas moçoilas a dançar uns bailados coreanos. Acho bem que se dance e tudo o mais, mas - pessoalmente e *sem intenção de ofender ninguém* - não gosto das músicas. Mas sim, dançavam bem, isso não se coloca em questão. Entretanto as coisas estavam meio atrasadas, portanto o apresentador tinha por força que entreter um público ávido de palminhas, coisa que foi obtida por um par de jovens que tinham uns moves dançáveis muito interessantes e esqueletónicos. :3 Durante este tempo vim a confirmar, mais uma vez, que já não gosto de OPs de anime e que as acho a todas vulgares e chatíssimas. Confirma-se: eu não tenho piada.
Encontrei uma moça que encontro sempre e que trás sempre a t-shirt do YFC e a quem digo sempre a mesma coisa. A tua t-shirt é linda. Eu estive lá e eu compreendo a beleza interna da tua t-shirt. Tu és uma pessoa maravilhosa por teres essa t-shirt. Viva YFC! E eu digo sempre a mesma coisa porque é verdade. :)
Começa o concurso. Descalço-me. Chão frio. E agora vem um momento altamente explicativo.
Quando vi as regras do concurso, não gostei delas. Achei que estavam demasiado detalhadas para um concurso de pequena envergadura e que davam pouca liberdade de escolha se uma pessoa quisesse realmente ganhar. Mas eu não quero realmente ganhar. Eu quero fazer coisas. Então, decidi participar de forma a que fosse muito difícil de me avaliarem, se não impossível. Para começar, não levei um fato complexo. Levei o fato mais simples que tenho, caracterização mínima, sem props. sem nada. Depois, como skit, decidi fazer algo extremamente parvo.
Para começar, trabalhei com o meu amigo R. para produzir uma música inesquecível, uma cover vanguardista do senhor que mais contribuiu para o espalhar das oliveiras em Portugal e arredores. Depois, fiz uma performance baseada nessa música com conotações altamente obscuras e representativas do nada. Isto, no fundo, para dizer que um actor não precisa de nada para fazer teatro, para além de público. Não é preciso guarda roupa, não é preciso cenário, não é preciso efeitos visuais, não é preciso sequer um bom texto. Porque sim, é possível fazer teatro baseando-nos inteiramente numa música tão idiota, ridícula e sem significado como a Cabritinha do Quim Barreiros.
Podem ouvir a música aqui em breve.
E aqui, em breve, a versão Uncut, também conhecida por Jam.
Claro que isto tudo, apesar de estúpido e ridículo, tem uma explicação altamente filosófica por trás. Na verdade, na inscrição pediam que explicássemos o nosso skit. A explicação que mandei foi a seguinte:
Antes de mais, é importante contextualizar a personagem. O manga e anime
de origem apareceram na vanguarda dos anos 70, num Japão cada vez mais
feminizado que procurava o lugar da figura feminina na sociedade. Assim,
aparece este anime, que fala sobre a luta de uma rapariga em se tornar
numa actriz reconhecida, fazendo uso dos seus talentos e aprendizagem
nesse campo. Portanto, consideremos: a
personagem é actriz. E para se fazer teatro são necessárias duas coisas:
actor e público. Assim, este skit aparece pegando nesse conceito. Para
ilustrar a ideia, produzi uma música original - juntamente com um amigo
que explora a música experimental - que se trata de uma cover
vanguardista de uma música tradicional sobejamente conhecida por todos. A
música trará reminiscências da vanguarda setentista, sendo que a letra
também aborda o papel da mulher da forma exactamente oposta à do anime:
nesta música a mulher é reduzida a espécimen e ridicularizada. Assim, a
personagem irá entrar numa espiral descendente, em que recebe o "leite"
metafísico, não da mãe mas sim do homem, denegrindo-se e humilhando-se
como ser humano, mas elevando-se como personagem social. Em termos
cénicos, dado adquirido de que o cenário não é condição necessária ao
teatro, decidi metaforizar os termos "peito", "mama" e "leite",
representando cada "animal" (homem) em pacotes de leite, orientados no
espaço como quadrantes cardeais, com uma significância absurdista com
influências de Ionesco. Para representar o final "a cabra", aquilo que
oferece o "leite primordial", o mais importante, utilizarei uma caneca
tradicional (assim unindo os pontos vanguarda e tradição portuguesa) das
festas da cidade de Tomar, contendo o branco representativo. No final, o
efeito pretendido será o espanto, absurdidade e incoerência,
transportando o skit de cosplay para o campo do teatro do absurdo, minha
preferência como actriz. Assim se espera um skit de pouco efeito
cómico, pouco compreensível para o público, mas com interesse teatral
mínimo, para adição ao portfolio daquela que vos escreve.
E eu realmente não sei o que aconteceu. As pessoas riram-se, apesar da minha baixa forma (já da última vez que tinha utilizado este cosplay estava doente) a coisa correu bem, mas isto foi totalmente inesperado! Porque eu fiquei em Terceiro Lugar! Fiquei super-hiper-mega-ri-contente e muito motivada para ir tirar umas fotos com este fato e fazer outro skit absurdo em breve! Muito obrigada! Espero que tenham gostado, pois no fundo, apesar de todas as coisas anti-sistema que este skit significava, o objectivo era entreter e mostrar algo diferente ao público. Gosto muito de vocês, público. :)
Com o prémi, cinco euros na Loja Neko, comprei o DVD "O Reino dos Gatos", do Studio Ghibli. Podia ter comprado cinco autocolantes ou dois porta chaves, mas achei melhor dar outros cinco euros e ficar com um DVD de um filme que ainda não tinha visto.
Consegui despedir-me do pessoal decentemente desta vez e para despir o fato e colocar-me à civil de novo deixaram-me ir para os camarins. Lá, estive à conversa com a Cátia - que fez o excelente trabalho de organizar este concurso, em que correu tudo nos eixos. :) Só não consegui encontrar as moças do Monte da Caparica para ir de barco com elas, desculpem... :<
Assim, no geral, pareceu-me um excelente evento. O espaço era muito bom, se bem que a inesperada enchente de pessoas o tornou muito pequeno. Mas o facto de ter estado tão cheio significa que foi um sucesso e que para o ano teremos de ter um Nihon Sekai num lugar muito maior. Foi bom para encontrar pessoas, conversar, fazer um skit bizarro, comprar uma linda camisola, ver a vista... Enfim, foi só o início de um fim de semana maravilhoso!
Portanto, obrigada e até à próxima! Agora, o que estavam todos à espera....
FOTOS!!
By : ladyxzeus
