Archive for terça-feira, junho 13

  • O Porquê da Vida

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    O Porquê da Vida
    Léon Denis
    1885
    Ensaio

    Como sabem, na minha visita a São Miguel tive uma "conversa fraterna" com um membro da Sociedade Espírita de Ponta Delgada. No final, ele ofereceu-me este livro, com uma grande dedicatória que ainda estou a tentar compreender (caligrafias difíceis...), dizendo que me iria dar mais algumas luzes sobre a perspectiva espírita da vida.

    Devo confessar que... Não. Não me deu nada de novo.

    Este livro é estranho porque, afirmando que vai dar soluções para as questões essenciais da vida, não passa de um resumo da matéria dada por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos. As próprias frases estão estruturadas de forma tão semelhante que quase se assemelham a uma cópia. O senhor Denis parece não ter tido nenhum contacto que lhe permitisse dar-nos novidades sobre o estado da arte desta corrente espiritual.

    Além disso, esta edição está recheada de estranhíssimas ilustrações, quase todas as páginas, que consistem em grandes planos de um mapa dizendo o lugar onde o autor nasceu e depois veio a falecer.

    Fiquei realmente desapontada.
  • História de Um Cão Chamado Leal

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    História de Um Cão Chamado Leal
    Luís Sepúlveda
    2015
    Novela
    Havia oferecido este livro à minha irmã a propósito do Natal do ano passado, sendo que o encontrei agora quando buscava mais livros para compor a minha nova TBR (falando nela, já tenho uma nova! Vou demorar algum tempo a deitá-la abaixo, desta vez, hahaha ;))

    Este é um conto, novela infantil em que o autor revela a sua paixão pela cultura do Povo da Terra, o povo Mapuche que foi expulso (e continua a ser) das suas terras pelos colonizadores. Afmau é um cão pastor alemão que é encontrado por um jaguar, que depois o leva para junto das pessoas, onde cria laços com uma nova família. Quando os colonizadores chegam, raptam este animal e, mais tarde, forçam-no a perseguir o seu próprio povo. Será que ele vai poder conseguir operar algum tipo de vingança?

    Não se diria que é uma vingança, pois os cães não possuem esse tipo de discernimento, mas a verdade é que as contemplações de Afmau revelam muita amizade e lealdade perante o povo que o acolheu. O cão relata os momentos e eventos culturais do seu povo, a forma como este se liga com o mundo que os rodeia e se integra na natureza. Isto teria tido muito mais beleza se o autor não fizesse uma sucessão de palavras em mapuche, em que o livro quase se torna num glossário em vez de uma narrativa.

    Também não gostei do final, porque o homem poderia ter optado por salvar Afmau em vez de se tratar a si próprio primeiro. De certa forma, dá uma má imagem ao Povo da Terra.

    Este livro é rico em ilustrações que, sendo vectorizadas, acabam por trazer muita dinâmicao à narrativa e uma certa textura naturalista.

    Lê-se numa hora e é divertido!
  • Merde Actually

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    Merde Actually
    Stephen Clarke
    2006
    Romance

    Recebi este livro numa BookBox do BookCrossing. Escolhi-o pois o pessoal do fórum tinha estado a falar dele há algum tempo. Afinal, descobri mais tarde, falavam de "One Year in the Merde", que é a prequela. Este aparece em sua continuação, mas não se perde nada se for lido sozinho.

    Um jovem inglês que vive em Paris decide escrever um livro a contar as suas experiências estranhas com o povo francês, que é mal-educado e difícil de compreender para a perfeitamente sã mente inglesa. Este livro conta a forma como Paul, o personagem principal, acaba com a sua namorada que é maluca e tem uma família maluca, abre um café inglês em que todos são malucos, dá umas trancadas em outras francesas malucas e acaba por encontrar o amor da sua vida, que por sinal também é uma francesa maluca.

    Isto é, é toda a gente louca menos ele.

    Ou será que, afinal, o personagem não passa de um idiota? Isso parece-me muito mais provável.

    As situações inusitadas perdem, então, a piada: o personagem é um idiota. Internacionalmente idiota. A forma como os franceses são vistos é ofensiva, redutora e insuportavelmente pedante. A forma como os ingleses são vistos em comparação não é muito melhor.

    Um livro em que o autor manifesta o seu absoluto desconhecimento pela sociedade alheia e demonstra uma falta de abertura e integração abismal. Fazer disto um livro parece-me um  belíssimo golpe de mau gosto.
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