Archive for domingo, julho 26

  • Dead Leaves

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    Dead Leaves
    Imaishi Hiroyuki - Production I.G 
    Anime - Filme
    2004
    5 em 10

    Para terminar a noite, um pequeno filme (menos de uma hora), numa onda cartoonistica e estilizada que a Production I.G. gosta tanto.

    Um casal acorda nu em frente de uma grande cidade, procedendo a cometer vários crimes. Depois são presos e tentam fugir da prisão, de forma bastante espectacular. A narrativa é muito simples, assim como os personagens, que têm muito pouco por onde pegar, baseando-se então o filme numa série de gags escatológicos e sexuais que se prolongam muito para além do que é preferido. Talvez este tipo de humor não seja realmente a minha praia... Para mais estava a jantar e fiquei mesmo enjoada com o teor das piadas, ainda tenho o estômago às voltas.

    Enfim, o humor é - como sempre - relativo.

    Falemos da animação. O estilo é uma escolha e funciona bastante bem dentro do contexto, mas a animação em si é pouco detalhada e induz o espectador em erro: por debaixo de algumas cenas aparentemente bem coreografadas, com muitos tiros e rotativos e perseguições de motas, estão personagens secundários mal animados (ou parados de todo) e cenários pouco imaginativos.

    A música é explosiva mas bastante repetitiva.

    Um filme um pouco oculto que tem o seu valor pela originalidade, apesar da qualidade não estar nada por aí além.
     


  • Last Exile

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    Last Exile
    Chigira Kouichi - Gonzo
    Anime - 26 Episódios
    2003
    8 em 10

    Sem dúvida um dos animes mais interessantes que vi nos últimos tempos. Last Exile é um raríssimo exemplo de utilização de um ambiente e tema steampunk em anime, que nos leva até um universo único onde podemos assistir ao desenrolar de uma guerra entre oponentes de peso.

    Claus e Lavie são uma espécie de senhores-do-correio: na sua vanship, uma espécie de passarola movida a vapor, entregam cartas e recados variados a todos os cantos da sua terra. As suas aventuras começam quando, enquanto participam numa corrida de vanships, são interceptados por uma nave que está a cair e decidem ir ajudar. É-lhes confiada, então, a missão de levarem Alvis, uma menina, até à grande nave Silvana, que colabora com o exército de forma pouco legal. A história demora a desenvolver-se, sendo que se adicionam cada vez mais camadas na narrativa, que se atam todas num final que, sendo pouco surpreendente, foi perfeitamente satisfatório. Se a meio da série começamos a pensar que se esqueceram de personagens anteriormente introduzidos, chegamos rapidamente à conclusão de que isso não é verdade: todos têm o seu papel e tudo está interligado. Assistimos então a uma sucessão de estratégias, motivadas pelas duas partes, que são simplesmente apaixonantes.

    Já que falávamos dos personagens, devemos considerar que nem todos são aproveitados da melhor forma, apesar de todos terem uma participação importante. A alguns é dada pouca importância quando estávamos curiosos sobre eles. A outros acontece exactamente o contrário. Mas o grupo principal é explorado de forma exemplar e temos assim um grupo de personagens muito realista dentro do contexto, ao qual acabamos por nos afeiçoar e que se tornam parte integrante do nosso visionamento. A caracterização é única para cada um, sendo que se tornam pessoas vivas e mutáveis dentro do plano narrativo, que leva ao seu desenvolvimento que, apesar de ligeiro, é muito importante e uma grande motivação para nos agarrar à série. São todos pessoas muito diferentes, com passados mais ou menos misteriosos, mas com futuros que esperamos continuar a seguir. Gostei sobretudo de Al, que é desde logo apresentada como uma menina doce e sentimental mas com muita fraqueza interior, mas que cresce para ser uma personagem poderosa e mecanismo narrativo essencial.

    Outro aspecto que adorei de paixão foi a arte e animação. É um dos raros exemplos em que a animação digital funciona realmente bem. Com uma paleta de cores enferrujada, o que nos remete para o tal ambiente steampunk, toda a maquinaria e cenas aéreas estão animadas com uma renderização digital um pouco arcaica mas feita de tal forma que se torna muito realista. Isto é sobretudo agradável nas cenas de perseguição e luta, com explosões opacas que parecem realmente ter sido filmadas ao vivo. Também os desenhos do céu e nuvens fazem uso deste tipo de textura, fazendo com que todo o anime tenha um certo aspecto de quadro antigo.

    Finalmente, não podemos descurar a música. Misteriosa e evocativa, estabelece desde logo o ambiente de toda a série, adaptando-se perfeitamente às cenas e acabando por se tornar bastante memorável.

    Uma série que me deu um prazer imenso ver e que recomendarei.
  • When Marnie Was There

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    When Marnie Was There
    Yonebayashi Hiromasa - Studio Ghibli
    Anime - Filme
    2014
    6 em 10

    À terceira tentativa, finalmente consegui ver este filme, a última criação da Ghibli. Da primeira vez apanhei legendas em chinês, da segunda apanhei um ficheiro corrupto. À terceira é de vez!

    Este filme fala sobre a adaptação das crianças a situações diferentes e novas maneiras de fazer amigos. Anna é uma menina inadaptada numa grande cidade, onde sofre com asma e ataques de ansiedade. É enviada para uma vila muito calma, com outros familiares, para que recupere. Lá, descobre uma grande casa desabitada. Mas... Parece que vive lá alguém! Esse alguém é Marnie, uma menina da mesma idade que, tal como Anna, se sente solitária. Tornam-se amigas imediatamente, mas Marnie está envolta em mistério.

    Apesar da narrativa apelar para os valores da amizade feminina, como qualquer outro filme familiar, desenvolve-se de forma extremamente previsível e existem alguns pontos erróneos ao longo da progressão. Para começar, como é que Anna não estranha que Marnie esteja a viver numa época diferente? O que nos leva a pensar: se Marnie sabe quem é ela própria, porque é que age permanentemente como se não soubesse? Se ao início a poderíamos considerar fruto da imaginação, quando chegamos ao final só podemos concluir de que se trata de uma memória perdida que *sabe* que não existe. De resto, Marnie desaparece e aparece constantemente, sem que a sua existência nunca seja posta em causa. Pareceu-me também haver um excesso de monólogos internos pela parte de Anna, sendo que as cenas poderiam ter tido muito mais impacto se tivessem sido simplesmente retirados. Para além disso, os próprios diálogos são estranhos, parecendo haver um certo inuendo erótico por detrás das palavras de Marnie (o que é motivado também pela voz que lhe deram, demasiado madura) que não faz sentido dentro do contexto do filme. Por fim, quando Anna faz uma amiga na vida real, pareceu-me haver um desenvolvimento demasiado rápido de todas as relações, havendo uma imediata aceitação dos erros pela parte de toda a gente, o que não corresponde à vida tal como ela é.

    Apesar da rotunda falha na construção narrativa, temos de admitir que a arte é espectacular. Detalhada, quase fotográfica, dá azo a cenas muito bonitas envolvendo paisagens aquáticas e vida selvagem, um ambiente bastante original. A utilização de cores está perfeita e o traço é muito agradável. Não existem grandes cenas de acção para demonstrar uma animação perfeita, mas nos momentos em que existem movimentos complexos, ela está exemplar.

    A música é pouco memorável. Acredito que se o tema principal (a canção de embalar) tivesse sido repetido mais vezes, teria tido mais impacto.

    Assim, temos um filme que, apesar da mestria técnica, é bastante mediano nos outros aspectos. Passou ao lado de muita gente e assim continuará.

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