Archive for sexta-feira, maio 15

  • Non Non Biyori

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    Non Non Biyori
    Kawatsura Shinya - TV Tokyo
    Anime - 12 Episódios
    2013
    7 em 10 

    Foi sugerido pelo meu clube. Na verdade, tinha as expectativas muito baixas. Quando olhei para o cartaz e li a sinopse, fiquei um pouco de pé atrás. Mas logo aos primeiros minutos juntei-me de novo ao clube do "nunca tenhas expectativas sobre nada", porque percebi logo que ia gostar. :)

    Este anime conta a vida diária, uma fatia de vida, de quatro meninas numa aldeia isolada nos confins do Japão rural. Elas, mais um rapaz que não tem relevância para a história (infelizmente) são os únicos alunos da escola da aldeia. A sua vida processa-se de forma muito calma, com pequenas coisas que a distinguem de outros animes do género passados em meios urbanos, desde as paisagens ao comportamento dos personagens.

    Estas, são simples mas caracterizadas de forma a podermos identificar os seus traços gerais, cada uma com um dilema específico e factores que as distinguem facilmente das outras. Assim, a sua interacção torna-se bastante interessante e é uma experiência relaxante assistir às suas conversas e brincadeiras que, no fundo, são apenas jogos de crianças. Aliás, a criança presente está muito bem caracterizada como tal, o que é uma coisa bastante rara. Talvez o design não tenha sido apropriado, sobretudo nos episódios em que as roupas são mais justas, mas acho que se pode perdoar isso tendo em conta os elementos emocionais constantes no resto da abordagem.

    A arte é um dos melhores aspectos: brilhante, detalhada, de uma beleza extraordinária no que respeita a fundos e cenários. É ela o espelho da vida rural no Japão e o que demonstra que viver aqui pode ser uma experiência de pura paz e felicidade.

    Finalmente, também não podemos descurar a música. Com peças muito bonitas, por vezes melancólicas, com um toque de solidão, encerram em si o ambiente bucólico e afastado da realidade presente em todo o anime.

    Apenas gostaria que, talvez, tivessem insistido mais nos problemas decorrentes deste isolamento social, que certamente existe nestas aldeias tal como existe nas nossas. De resto, um anime excelente que merece a minha recomendação.
  • Universus da Poesia

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    Universus da Poesia
    Vários
    2014
    Poesia

    Poderei alongar-me um pouco, portanto vou dividir esta postagem em quatro partes. :)

    Parte 1 - Como vim parar a este livro

    Dos vários grupos a que pertenço, alguns são de literatura. Também recebo notificações de vários concursos no meu e-mail, fazendo esforço por participar, mais por exercício mental de escrever sobre um determinado tema do que para ganhar o que quer que seja (o que, sendo improvável, já aconteceu uma vez ou outra). Assim, recebi o convite para participar nesta antologia poética sob a chancela UniVersus, com o tema "Universus da Poesia". Escrevi um poema a propósito e pediram-me mais, pelo que escrevi mais uns dois ou três e juntei outros que tinha guardados do passado. Acabaram por ser escolhidos esse escrito de propósito e uma letra que tinha escrito para o projecto musical Ocaso, do meu amigo R.

    Claro que depois houve um dilema enorme, pois a editora desejava que eu falasse sobre mim e eu sou o tipo de pessoa que não tem nada de interessante para contar. Lá inventei uma coisa qualquer, de relativa piada. Também queriam uma foto e a primeira que mandei não foi aprovada por não considerarem "apropriada". Vejam lá e digam-me se é desapropriada!





    Enfim, acabei por mandar um retrato que um artista Japonês me fez uma vez e que é o meu avatar em alguns locais.

    Tendo tudo isto em conta, ainda era necessário pagar o livro. Aí está uma condição curiosa: para se participar tem de se comprar pelo menos um livro, caríssimo por sinal! Mas pensei "olha, é agora ou não é agora, boraí que se calhar vale a pena" Será que valeu... Fico à espera de outras opiniões. Bem, mais uma publicação com o meu nome escrito na prateleira...

    Parte 2 - Coisas que eu acho sobre a poesia e essas cenas

    Eu não sou grande apreciadora de poesia, admito desde logo. Quando era muito pequena, era o que eu gostava de escrever. Mas houve algum ponto de viragem, algures na minha vida, em que de repente me tornei senhora da prosa e passei a só gostar de escrever historietas. Ainda assim, vou lendo poesia de vez em quando e, ainda mais raramente, vou escrevendo um poemita ou outro.
    Ao longo deste tempo, acabei por desenvolver uma teoria sobre a poesia. Há dois tipos de poesia: a inocente e aquela que sofre. A inocente é aquela que escrevemos quando somos adolescentes e pensamos que estamos a sofrer imenso. A que sofre é aquela que dói para nascer. Neste livro, a grande maioria é da primeira categoria. Isso não é uma coisa má, cada um escreve aquilo que sente e aquilo que lhe parece bem. Mas, pessoalmente, gosto mais da segunda. 

    Apesar de tudo, houve algumas passagens duvidosas, que me fazem duvidar da capacidade de selecção da editora. Coisas como "aves aladas" e assim (todas as aves têm asas...). Para mais, estranhei as pequenas notas biográficas dos autores, que na maioria pareciam uma enumeração de palmarés ganhos e publicações o que, dentro do contexto, não deixa de ser irrelevante. Interessa saber que ganharam a Menção Honrosa do Clube Caminho Fantástico? Eu podia ter posto isso....

    Mas fica a nota, a nota muito importante, de que o artista é um bom artista. Portanto, todos os poemas desta antologia têm o seu valor, independentemente de eu ter gostado ou não deles. Gostaria de dar os parabéns a todos.

    Parte 3 - Sobre o trabalho editorial

    Isto sim, deixa muito, muito, MUITO a desejar. Primeiramente, a edição está cheia de gralhas. Por todo o lado. Depois, como participei, sei perfeitamente que nem contactaram os autores a propósito de uma eventual edição do texto. O que me pareceu foi que simplesmente fizeram um cópia-e-cola dos ficheiros word enviados: ninguém reparou (nem eu) que no poema da "Dança" falta uma vírgula e a formatação do poema da lua está completamente disforme, sem separação entre as estrofes - o que tira um grande significado à coisa.

    As fotografias dos autores são pouco claras, havendo até uma (coitadinha da senhora) que está totalmente pixelizada.

    Assim, UniVersus, mesmo que eu tivesse dinheiros para que me publicassem, não ia deixar.

    Parte 4 - Um poema de que gostei

    Entre uns e outros, houve poemas que gostei bastante e outros que gostei menos (até alguns que não gostei mesmo nada). Gostaria de citar o que me marcou mais. :)

    Banco de Jardim
    de Rui Machado

    Foram muitas bocas a fazer chegar aos meus ouvidos
    de que nunca se deve voltar
    aos lugares onde fomos felizes.
    Não acreditei.
    Essas mesmas bocas já se tinham aberto antes,
    para me dizer que o Amor era lindo.
    Bocas que vomitam sílabas luminosas de mentira,
    línguas que se movem como a vida nos desertos,
    lábios que sabem a veneno doce.
    São o maior perigo dos que precisam ouvir o Amor.
    Para lá do bater do coração dos abralos,
    para lá dos gemidos dos lençóis,
    para lá dos olhos que incendeiam.
    Hoje, senti bem cedo que o dia era traiçoeiro
    para quem traz ainda estilhaços de Amor no corpo.
    Sou um deles,
    veterano de uma guerra
    onde a cada Amor que fazia
    ia adiando o hastear da bandeira branca dos fracos;
    adiando a cada promessa,
    a cada beijo o teu desembarque final,
    o teu ataque cruel,
    a tua desleal emboscada.
    Ainda não sei bem o que fizeste acontecer.
    Soube apenas que tinha acontecido coisa feia,
    quando me deixaste derrotado,
    estendido,
    sem tratado de paz,
    herói de nada,
    peito sem condecorações de metal,
    dilacerado pela pólvora das palavras,
    estropiado de Amor
    e abandonado ao desprezo
    da ausência de um golpe de misericórdia.
    Devaneio maior dizer-se que o Amor é lindo.
    Devaneio supremo falar-se ou achar-se
    que do Amor se possui alguma sabedoria.
    Dele nada se saberá nunca,
    tudo se sentirá sempre.

    Incauto, por ventura,
    para superar a saudade
    que rasgava o avesso de mim,
    voltei àquele jardim
    Fui pisar-lhe o chão para me segurar ao mundo,
    proteger-me na sombra das memórias que queimam,
    fui rebentar um mar de saudada nas rochas duras da vida
    que teima em não seguir caminho.
    Procuro o nosso banco,
    lugar do nosso Amor
    onde a vida ganhou asas.
    Procuro o lugar onde já fui feliz, sim.
    Sem medo,
    sem coragem,
    incompleto, 
    quase vivo,
    urgente.
    Encontro-o.
    Não me sento nele, 
    não sou tolinho de todo.
    Sento-me no banco da frente,
    num dia de semana
    que esvaziou quase tosos os bancos daquele jardim.
    Sem que quisesse desdobro,me por magia da nostalgia
    que pede para voltar o que já esqueceu caminho.
    Vejo-me no nosso banco,
    estou feliz,
    tenho na cara os olhos que te aguardam
    e a boca que te deseja.
    Espero-te pelas vezes que visito o relógio no meu punho.
    Uma espera feliz, sei que nãom tardarás.
    Curvam-se então os meus lábios,
    num sorriso que inventei para te dar as boas vindas.
    Chegas,
    e antes de te sentares,
    beijas-me.
    Sentas-te, cheiras bem.
    Não sei se é o cabelo,
    a pele
    ou a roupa,
    que está a mais.
    Enquanto nos bservo a olharmo-nos,
    a trocar palavras,
    beijos e toques,
    assombro-me;
    estou louco e encantado com isso.
    A loucura devolve-nos às tábuas daquele banco de jardim,
    palco do nosso Amor que em tantas matinés de Domingo,
    enchemos de inveja os que passavam.
    Vejo-me, 
    peghar numas chaves
    para ferir o banco com os nossos nomes.
    Enquanto gravo os nossos nomes na madeira,
    tu ris e pedes-me para parar,
    mas eu sei que é para continuar e continuo.
    Termino.
    Entre os nossos nomes deixo um coração.
    O nosso.
    Tu olhas, sorris e abraças-me.
    Eu não me consigo deter e levanto-me para ir de encontro a nós, 
    ao nosso banco.
    Corro até nós e antes de chegar,
    explodimos como bolas de sabão.
    Voltei a ser só eu. 
    Maldita poucura que não dura.
    Olho o banco onde há pouco me via a escrever.
    Não está lá nome nenhum,
    nem o meu, nem o teu;
    só metade do que parece ter sido um coração.
    Sou metade de qualquer coisa que não tem nome sequer.

    Nota:

    Se tiverem interesse em ler as coisas que escrevo, consultem o meu deviantArt (estranhamente, tem muito pouco cosplay): http://ladylouve.deviantart.com
  • As Pequenas Memórias

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    As Pequenas Memórias
    José Saramago
    2006
    Autobiografia

    Quando estive no Porto da última vez, na sempre fofinha companhia do Qui, quis muito passar na famosa Livraria Lello. E o que melhor para trazer de recordação do que um livro? Escolhi este pelo título. Afinal, também eu estava produzindo "pequenas memórias"...

    Foi com alguma surpresa que o descobri como uma espécie de autobiografia, sem ordem cronológica, apenas relatos de pequenos momentos da infância deste autor, que gosto imenso, um amor de paixão. São minúsculas narrativas inseridas num passado esquecido, pelos olhos de um adulto que agora avalia o que foi ser criança numa época de pobreza e dificuldades. Ainda assim, com momentos de alegria, momentos de brincadeira. Mas digamos que os eventos tristes são bastante mais frequentes.

    A imagética relatada, as descrições de paisagens, do sol, das terras, do céu, das pessoas, tudo isso remete-nos para um lugar que, tendo existido realmente, parece que saiu da fantástica imaginação do autor. Tudo isto regado com aquela pequena ironia que tanto o caracteriza, trazendo à tona a realidade das situações que, sendo por vezes terríveis, acabam por se tornar um pouco indiferentes: apenas memórias.

    Também podemos debater qual o funcionamento real das nossas memórias. Saramago diz muitas vezes que não sabe se o que escreve são memórias verdadeiras ou falsas, coisas que existiram mesmo ou que se calhar ele inventou com o passar do tempo. Isto levou-me a pensar nas minhas próprias lembranças e foi um exercício muito interessante.

    É um livro para ser lido apenas para quem ama este autor e queira saber um pouco mais sobre ele.
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