Archive for quarta-feira, junho 15

  • Hyouge Mono

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    Hyouge Mono
     Mashimo Koichi - Bee Train
    Anime - 39 Episódios
    2011
    6 em 10

    Também há algum tempo que não falava de animus, mas a verdade é que me demorei bastante neste... Simplesmente, nunca me apetecia vê-lo. Não que tenha sido excepcionalmente longo, 39 episódios não é nada, mas... Não me apetecia vê-lo.

    Então e porquê?

    Este anime é passado na época dos samurais, com suas guerras e seus problemas, mas com uma pequena variante: o personagem principal gosta de chá, de fazer chá e de coleccionar artigos relacionados com chá. Fora isso, foi dos animes mais aborrecidos que vi ultimamente. O que me choca, porque a maioria dos meus amigos lhe deu um sólido 10/10, que eu não consigo compreender de forma alguma.

    Para começar, estes personagens falam. Falam e falam. Passam o anime inteiro a falar. Falam de quê? De nada que interesse. A sua caracterização perde-se pelo meio de milhares de palavras que, para mim, não fizeram sentido algum. Os diálogos eram ininteligíveis e nada ajudados por um conjunto de vozes perfeitamente desapropriado. Todos os personagens pareciam falar de todos os assuntos com uma pontada de ironia cómica, que ficaria bem se se tratasse de um anime de comédia mas que acaba por ficar contra-natura num anime que tem intenção de ser um relato mais ou menos regular da vida e obra de um personagem em particular.

    O mesmo acontece com as expressões dos personagens. Dentro do contexto, aparecem absolutamente descabidas. As personagens, juntamente com o design, aliadas às vozes, tornam este anime de conversação numa experiência absolutamente bizarra, porque as coisas não jogam umas com as outras de forma alguma.

    Se temos um conjunto de designs fiéis à época que se pretende retratar, temos também alguns momentos de animação digital que, estando bem feitas, não estão integradas no resto do anime e destoam em absoluto. Mais um elemento que torna este anime de chá numa verdadeira sopa fria.

    E o facto final que se adiciona a este cozido de nhanha é a música. Certamente que em alguns contextos históricos a utilização de música pop funciona pelo contraste. Mas aqui é simplesmente anti-climática. As peças, individualmente, são bastante interessantes. Mas dentro da série não têm nada a ver com nada.

    Assim, este anime poderia ter sido excelente se, simplesmente, fosse completamente diferente. Parece-me a mim que, na minha opinião, falharam em juntar todo um conjunto de aspectos que, separadamente, funcionariam bem. No entanto, acredito que para os meus amigos do 10/10 seja precisamente este facto que os fascinou.

  • As Minhas Lembranças Observam-me

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    As Minhas Lembranças Observam-me
    Tomas Tranströmer
    2012
    Auto-Biografia 

    Pela primeira vez, participei numa BookBox no BookCrossing! Consiste no seguinte: existe um conjunto de livros que vão de pessoa para pessoa. Uma pessoa tira um e mete outro (ou mais). Eu tirei este e pus dois. Não conhecia o autor, um poeta sueco, mas como gostei do título achei que este seria um bom livro.

    É um livrinho simpático, que fala da infância do poeta e da forma como ele foi divergindo os seus interesses até chegar ao ramo da poesia, sendo que aparecem aqui alguns poemas inéditos, os seus primeiros. Para quem não conhece o autor, como é o meu caso, o livro acaba por servir mais como uma pequena forma de caracterizar a vida e a sociedade na época da segunda grande guerra.

    É um relato único dos sentimentos de uma criança filha de pais divorciados nesta época, da forma como ele se sentia diminuído perante os colegas mas também da forma como acabou por ultrapassar este elemento.

    Achei muito engraçado o seu interesse inicial pelo mundo da biologia, o que mais uma vez prova que a vida animal e vegetal é do interesse de (quase) todas as crianças (sendo que é raro manter-se na vida adulta, haha)

    Quanto aos poemas, são realmente poemas da juventude, mas remetem-nos para temas modernos para uma pessoa desta idade. Fiquei com vontade de ler os poemas que mereceram o prémio Nobel.

    Agora irá viajar até outras paragens! Obrigada! :)
  • 86ª Feira do Livro de Lisboa

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    86ª Feira do Livro de Lisboa

    Por estes dias, fomos também à Feira do Livro. Como já se sabe, é coisa que eu não posso perder, porque eu me alimento de livros e não posso morrer à fome (apesar de ter um stock de livros infinitos devido ao meu pai, que tem uma tara semelhante à minha)
    Fomos de autocarro até lá e a primeira coisa que reparei é que aquela zona está toda em obras. O que acaba por ser um pouco desagradável. Para além disso está cheia de autocarros cheios de turistas, o que ainda se torna pior. No entanto, a Feira em si até estava bastante vazia, pelo que foi fácil movimentar-nos e não morremos de calor e cansaço como das últimas vezes.

    O nosso circuito foi do lado direito para o esquerdo, depois subir o esquerdo e descer de novo pelo direito. Assim vimos tudo. E eu queria comprar tudo, mas eu tinha uma quota a cumprir que era a de cinco livros. O Qui teve de me agarrar por diversas vezes para que eu me conseguisse controlar, sempre com argumentos como "tu não queres esse" ou "o teu pai tem esse" ou "aouarrgh". Apesar de me ter sugerido um, o Dune, dessa vez fui eu a dizer "o meu pai tem esse". :)

    No entretempo, tirámos algumas fotografias para recordar e bebemos uma imperial. Depois, lanchei um gelado (um perna-de-pau), porque tenho andado fascinada com a ideia dos gelados.

    Os livros que obtive foram, então:

    - Lord Jim (Joseph Conrad) - tinha visto este livro numa lista de recomendações que partilharam no BookCrossing que nos tornariam pessoas melhores; assim, acabei por o adquirir. Mas não foi uma boa compra, porque o livro foi muito caro para o estado em que se encontra
     - The Hitchiker's Guide to the Galaxy (Douglas Adams) - uma versão que tem os cinco livros num único volume
    - Bestiário (Júlio Cortazar)
    - Contos (Anton Tchékov) - já li um deles, mas como tem muitos mais para além desse decidi comprá-lo, pois adoro este autor
    - Manual de Escrita Criativa - para ver se escrevo melhor

    Reparei que, este ano, os livros estavam muito mais caros. Não cheguei a encontrar nenhum que custasse menos de cinco euros, o que para alguns títulos me pareceu um exagero. Fiquei fascinada na banca da Europress, mas estava quase no fim da minha quota e decidi guardar a BD para quando for a um evento de anime (fica a dica para meterem mais BD tuga nos eventos de anime!).

    Fique também nota para as casas de banho que, apesar de serem portáteis, até estavam bastante aceitáveis no nível de limpeza.

    E assim, foi uma tarde muito simpática. Deixo-vos uma fotografia com o meu primeiro livro, dentro de um saquinho muito tradicional :)


  • Em teu ventre

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    Em teu ventre
    José Luís Peixoto
    2015
    Romance

    Recebi este livro pelo BookCrossing, a propósito de um ring. Demorei a chegar a ele pelos motivos anteriormente referidos, relativos a um livro gigante.

    Neste livro, é-nos relatada uma diferente versão do milagre de Fátima, da perspectiva da pequena Lúcia e da sua mãe. Infelizmente, o romance não está estruturado devidamente, o que torna a leitura confusa, maçuda e muito pouco conclusiva.

    Por aquilo que entendi, o autor relembra o dito milagre como se este tivesse sido apenas uma invenção de criança (Lúcia), possivelmente com intenção de chamar a atenção da mãe que se sente divida por uma série de filhas e um filho. Esta invenção sai fora de proporção e a cada novo mês Lúcia tem de colocar novas palavras na boca da Maria para que não aconteça o caos nem a maltratem mais. No entanto, nada disto parece agradar à mãe, que não acredita na história.

    A escrita é simples mas, como digo, a estrutura deixa muito a desejar. Parece ter sido um romance escrito sem rumo e em cima do joelho, com cada capítulo um pouco ao improviso. Nunca é esclarecido se o que eu acabei de dizer era o verdadeiro sentido do livro ou não, tal como nunca é esclarecido quem é o narrador das letras pequeninas (penso que seja deus?)

    Também não é um livro que caracterize bem a vida da época, sendo que para quem não sabe a história é muito difícil de localizar esta narrativa no tempo e no espaço. Uma pessoa não familiarizada com a cultura portuguesa achará este livro muito confuso.

    Foi um pouco desapontante, mas apreciei a leitura de qualquer forma.

  • Os Bandidos do Tempo

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    Os Bandidos do Tempo
    Terry Gilliam
    Filme
    1981
    6 em 10

    Tinha requisitado ao Qui um filme com piada para vermos e ele trouxe-me dois. Acabou por escolher para mim este, que vimos primeiro (o outro veremos assim que possível). Infelizmente, fiquei um pouco desapontada: com Terry Gilliam e actores dos Monty Python esperava realmente algo um pouco diferente.

    Um miúdo fascinado pelo passado e pelas guerras do passado vive com os pais que estão obcecados pelos últimos gritos da tecnologia dos electrodomésticos. Até que um dia, um grupo de anões sai do seu armário e ele descobre que, através de um mapa que indica as portas entre o espaço-tempo, ele pode viajar por todas as eras que sempre o fascinaram. No entanto, estes anões desejam apenas roubar as riquezas do passado: por isso são os Bandidos do Tempo.

    O nosso grupo viaja por várias eras, sendo que alguns momentos acabam por ter a sua piada (como o do Napoleão, que gosta de coisas pequeninas a baterem umas nas outras). No entanto, a caracterização de cada era está demasiado amadora para o contexto do filme e acaba por parecer quase pouco fantasiosa. Em momento algum conseguimos realmente acreditar que eles viajaram realmente no tempo e que isto não se trata de um simples filme (tal como é). Apenas nos momentos finais, com o casal de ogres, o aspecto recupera um pouco daquilo que se propunha a ser.

    Apesar de ser bastante curioso ver tantos anões juntos no mesmo filme, para mais com papéis tão preponderantes (muito bem interpretados, diga-se de passagem), a caracterização dos personagens acaba por parecer curta, sendo que há demasiadas pessoas neste filme para que qualquer uma delas seja digna de nota. Para além disso, o momento final torna toda a narrativa totalmente inconsequente, pois o miúdo acaba por não aprender nada com a sua aventura e não cresce enquanto personagem.

    Foi um filme pouco satisfatório, mas ainda assim patenteia o estilo do autor.

  • As Benevolentes

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    As Benevolentes
    Jonathan Littell
    2006 
    Romance

    Estive este tempo todo sem falar sobre livros porque me remeti a um grande projecto: meu pai ofereceu-me este livro da sua colecção pessoal pelo Natal, leitura que fui adiando devido ao imenso volume que contém. Afinal, são cerca de 900 páginas. 900 páginas de puro terror.

    Jonathan Littell é Americano mas escreve, segundo consta, em francês. Este livro será a sua grande obra-prima, contendo um relato muito detalhado dos acontecimentos da segunda guerra mundial, como vistos por um major das SS. O livro compõe-se de várias partes nominadas após temas de peças de música erudita. Isto acaba por caracterizar perfeitamente cada uma das partes deste romance gigantesco e, assim, falarei delas separadamente.

    Após uma breve introdução em que o personagem fala um pouco da sua vida actual, em que se encontra como líder de uma grande fábrica de têxteis e tudo é mais ou menos pacífico, o autor remete-nos para uma parte inicial da guerra. Assim começam as Allemandes 1 e 2. Nesta secção, o personagem inicia-se enquanto soldado e é enviado para a Polónia, onde assiste a uma série de horrores cometidos sobre o povo judeu. A partir deste momento é-nos clarificado que quase ninguém neste universo de guerra aprecia realmente matar as pessoas e apenas o faz por obrigação judicial e (quase) moral. No entanto, em todo o lado há loucos. É perdido nessa loucura que ele tenta fazer prevalecer uma opinião superior. Conhece várias pessoas, com as quais trava relações de amizade ou de competitividade, o que vem a ter as suas consequências nos capítulos seguintes. Esta secção introduz-nos a alguns conceitos relativos ao nacional-socialismo vigente na época (o tal nazismo hitleriano) e revela-nos que o ódio perante os judeus não é especificamente dirigido a este povo em particular, mas a todos aqueles que possam diminuir a "qualidade da raça". As opiniões do nazismo são plenamente justificadas através de grandes momentos de debate e discussão entre os personagens. Estes momentos estão presentes ao longo de todo o volume, sendo que o autor revela aqui um grande sentido de pesquisa bibliográfica, de forma a manter um realismo pleno e quase brutalizante. É também curioso observar, através deste livro, o quão desinformados estão os nossos fascistazinhos da época actual (por exemplo, no nacional-socialismo original a comunidade muçulmana é vista como uma espécie de colaborador). Também é introduzida uma das facetas do personagem que virá a ter grandes repercussões no seu futuro: a sua homossexualidade.

    Seguidamente, após diversos desentendimentos, Aue (o personagem principal) é enviado para a frente de Estalinegrado. Aqui chamamos de Courante. Aqui, sofre horrores físicos e emocionais que seriam indescritíveis se não estivessem explicados ao longo da narrativa. Existe um elemento constante, que é o mal-estar físico relacionado com problemas gastro-intestinais. Isto fez-me alguma impressão, porque não é de todo agradável ler descrições detalhadas de diarreia e vómito, mas sugeriu-me o meu pai a ideia de que este elemento seja uma personificação, ou objectivização, do mal-estar emocional do personagem. Nesta secção, Aue foi muito mau para mim e pegou-me uma infecção no ouvido: a descrição foi tão horrenda para mim que, pelos vistos, me contaminou e fiquei com dores no mesmo ouvido durante algum tempo. Existem várias descrições de sonho que, progressivamente, se acabam por misturar com a realidade. Assim, ao longo de grande parte da narrativa, deixamos de saber o que é realmente verdadeiro e o que foi apenas mais um dos pesadelos de Aue.

    Após ficar ferido em combate por sua própria irresponsabilidade, é tempo de descanso e de Sarabanda. Aqui, encontramos um elemento novo: a irmã gémea de Aue. Ele nutre por esta um sentimento quase patológico de admiração e obsessão sexual, que acabará por levá-lo a uma quase loucura no futuro. Nesta secção, tratamos dos aspectos burocráticos da guerra. Repare-se também que existe uma analogia ao regime soviético, sendo que muitos dos personagens mais extremistas admiram Estaline enquanto líder e gostariam que ele se remetesse para o nacional-socialismo alemão ao invés do socialismo russo: quase como se ambos fossem versões diferentes da mesma coisa (se calhar...?)

    Regressamos aos terrores e ao pesadelo constante em Minuet (em Rondós). Desta vez assistimos à parte mais famosa do extermínio judeu durante este regime: os campos de concentração. Apesar de o personagem não visitar o mais famoso dos tempos de hoje, ele relata com muito detalhe a vida nestes lugares, tanto para os residentes como para o corpo policial. Fala da selecção das pessoas e do porquê: estes nacionais-socialistas procuram, por um lado, destruir todos os judeus que possam perturbar a sua pureza de linhagem mas, por outro lado, necessitam de uma força de trabalho constante e saudável que lhes possa construir as armas que necessitam para combater na frente russa. Assim, são eliminados todos aqueles que não podem trabalhar. Isto é, quem pensa que os campos de concentração foram sobretudo difíceis para as crianças, como tantos dos nossos filmes romantizam, pode ficar informado que crianças era coisa que não havia. Eram logo eliminadas, assim como mulheres grávidas (imagem que muito impressionou o nosso Aue), idosos, doentes e todos aqueles que aparentassem ser moderadamente fracos. Ora, apesa de haver esta selecção as condições seriam tão atrozes que nenhuma destas pessoas ficava habilitada para trabalhar após poucas semanas. Aqui está a ironia da coisa, que Aue se esforça ao longo do capítulo para reduzir, encontrando obstáculos na corrupção da sua própria estirpe.

    Depois de um momento de doença, Aue refugia-se na abandonada casa da irmã, na Pomerânia, onde se entrega ao Air, num processo de autodescoberta física em que ele expande os horizontes das suas fantasias sexuais solitárias. Acaba por ser uma secção interessante, não tanto pelas descrições horrivelmente detalhadas dos seus actos masturbatórios, mas pelas discussões imaginárias que ele tem com uma série de pessoas, nomeadamente a irmã. Entretanto, havia ocorrido um crime na casa da sua mãe e existe agora um sentimento constante de paranóia perante a perspectiva de ser acusado desse acto.

    Finalmente, em Giga, assistimos à destruição final de Berlim e do ideal nacional-socialista. É-nos também explicada a horrível forma como Aue escapa para França e a razão pela qual ele agora tem uma boa vida.

    O livro é uma sucessão de imagens grotescas, horrivelmente irónicas. Há sempre um sentimento de terror, de pesadelo, que chegou a transmitir-se aos meus próprios sonhos (o que foi bem chato). Tudo isto pontuado por momentos de grande discussão filosófica acerca das origens deste massacre. É toda uma nova perspectiva sobre a guerra, perfeitamente enquadrada dentro dos acontecimentos reais, que não romantiza, não embeleza, apenas relata com toda a brutalidade o que é o terror de viver isto, quer se esteja do lado dos bons ou do lado dos maus. "As Benevolentes" são apenas referidas na última frase e são, realmente, a figura mitológica apropriada para esta ocasião.

    Um livro que não me deu qualquer prazer na leitura, mas que não posso deixar de recomendar. Simplesmente, demasiado bom.
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