Archive for sexta-feira, junho 09

  • Sakamichi no Apollon

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    Sakamichi no Apollon
    Watanabe Shinichiro - Tezuka Productions
    Anime - 12 Episódios
    2012
    7 em 10

    Tempo de antena para um anime completamente diferente! Como alguns saberão, hoje em dia tenho vindo a explorar muito o jazz enquanto cultura e género musical, sobretudo através de programas de rádio que oiço nas minhas longas aventuras condutórias. Assim, um anime sobre jazz veio mesmo a calhar!

    Algum tempo depois do pós-guerra, no Japão, este género começa a insurgir-se entre a comunidade  e, claro, algumas pessoas querem mesmo tocá-lo. É isso o que descobre um jovem, um pouco inadaptado, estudante de piano clássico, que conhece um baterista que não se insere muito bem na sociedade por estar sempre do contra, nas lutas e a arranjar sarilhos. Começa a frequentar uma sala de ensaios onde este toca, fazendo novos amigos. Assim se começa a desenvolver uma história de amor e amizade, em que as pessoas e suas famílias se encontram ligadas por algo mais forte: a música.

    A história tem um desenvolvimento original na medida em que é perfeitamente realista. Os personagens são cativantes, sendo que cada um deles é um solitário à sua maneira mas acabam por descobrir algo que os une e que se pode transformar numa das suas "favourite things" Também é plausível e bastante comovente a forma como tudo acaba por correr mal, não apenas pela força do acaso mas pelas próprias acções dos personagens. O autor acaba por, no final, arrumar tudo num futuro que, não sendo risonho, nos traz forte melancolia e saudade pelo passado.

    Temos uma animação cuidada, sobretudo nos momentos musicais, em que os gestos dos personagens realmente correspondem ao que está a ser tocado. A paleta de cores é suave, com muitos castanhos, o que torna o ambiente deste passado perdido em algo remoto mas ainda assim facilmente identificável pelo espectador. Os designs são realistas e pouco dados a extremos, o que funciona muito bem dentro deste contexto.

    Finalmente, a música. Como não falar sobre a música? Com um conjunto de standards tocados de formas originais e muito pessoais e também algumas peças originais, este é um anime muito completo para todos os apreciadores do género musical. É muito refrescante ver como ao início nem todos são perfeitos nos seus instrumentos, sendo que a evolução é patente com o progredir do anime E as versões cantadas, apesar do fortíssimo sotaque nipónico, têm realmente muito charme.

    Gostei muito deste anime, relaxante, bem pensado e muito musical. Recomendo!

  • Watchmen

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    Watchmen
    Alan Moore & Dave Gibbons
    Graphic Novel

    Comprei este livro no passado Anicomics. O Qui sempre mo havia recomendado e achei que seria um óptimo volume para acrescentar à nossa crescente colecção. No entanto, talvez este livro tenha chegado às minhas mãos de leitora na altura errada, porque senti que não o apreciei devidamente.

    Este é um livro que fala dos super-heróis depois de deixarem de ser super-heróis. Num universo semi-distópico em que Nixon continua a ser presidente e a perseguição aos comunistas é cada vez mais acérrima, os super-heróis foram dispensados das suas funções de protectores da justiça, porque no fundo faziam mais mal que bem. Afinal, não passavam de seres humanos. Quase todos eles, pelo menos. Agora, desde o brutal assassinato de um veterano da equipa, Roscharsch - um dos heróis do passado que nunca revelou a sua identidade - procura descobrir o assassino e envolver os outors antigos amigos na sua busca.

    No entanto, há algo mais forte que eles que está sempre um passo à frente. E assim começa uma riquíssima análise pessoal de cada um dos intervenientes desta história, que sofrem uma caracterização e desenvolvimento raramente vistos neste formato de banda desenhada. Cada um deles tem os seus momentos de felicidade, os seus pequenos momentos de vida diária. Mas por trás de cada uma destas figuras, podemos analisar os problemas que vieram do facto de terem todos sido super-heróis, da incapacidade que têm de se afastar das suas personagens passadas e, sobretudo, dos problemas que têm na interacção com o mundo que os rodeia. Afinal, este mundo deseja que eles por um lado sejam pessoas normais e inseridas na sociedade, mas por outro lado ainda precisa de vigilantes que os protejam e ajudem.

    As revelações são surpreendentes e a cada volta que a história dá mais percebemos a ironia da construção de certas personagens, da loucura em oposição à moralidade e da perfeição física em oposição a uma crueldade crescente.

    As cenas estão desenhadas num estilo que não me agrada muito, num ponto de vista puramente pessoal, mas possuem uma dinâmica incrível, na medida em que não existem cenas de acção profundamente elásticas mas existem momentos de profundidade emocional que não poderiam ter o efeito desejado se não fosse a qualidade da arte.

    Existem cenas, também, que transmitem uma extrema beleza, nomeadamente as contemplações e divagações filosóficas em Marte e até mesmo a cena fatídica do final que, não sendo gráficamente brutalizante, é muito forte em termos de desenvolvimento e desfecho.

    Um livro que gostaria de ler numa outra ocasião, mais calma. Recomendo.
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