Archive for sábado, janeiro 13

  • Monumentos de Portugal: Leiria

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    Monumentos de Portugal: Leiria
    José Saraiva
    1929
    História

    Uma nova edição de antiga colecção sobre os monumentos portugueses. Este volume dedicado a Leiria.

    Só que o livro não fala exactamente dos monumentos de Leiria. Isto é, descreve-os mais ou menos e tem diversas ilustrações, mas no fundo no fundo, o que o autor realmente queria e gostava e efectivamente faz, era provar definitivamente que Alexandre Herculano escreveu tudo errado sobre o castelo de Leiria.

    Portanto, dedica grande parte deste livro, pretensamente educativo, a deitar por terra os dados históricos apresentados pelo dito, tendo como base científica e prova evidente alguns documentos que só ele sabe quais são (o livro não tem exactamente bibliografia). Portanto, este livrinho trilingue, que poderia ter sido tão interessante, acaba por se tornar em mais uma reportagem em tom conspiratório do canal História.

    Não vale a pena.

  • O Segredo de Joe Gould

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    O Segredo de Joe Gould
    Joseph Mitchell
    1964
    Reportagem

    Este livro compõe-se de duas reportagens escritas para jornal por Joseph Mitchell, repórter durante os anos 30 em Nova Yorque. São dois "retratos", ou "perfis", de um vagabundo boémio da cidade nessa época, Joe Gould. Este "Professor Gaivota" era uma figura recorrente nos bares e nos lugares de cultura, onde fazia novos amigos e conhecidos e lhes pedia dinheiro para uma série de necessidades básicas.

    O autor fala-nos da sua experiência com Gould e a sua impressão pessoal da realidade em que vive esta pessoa. O retrato, assim, acaba por ter um cunho pessoal muito activo, que culmina na teria sobre o livro nemesis do vagabundo: "A História Oral do Mundo". 

    Esta é suposto ser a obra prima de Gould, que já vem em milhões de palavras divididas por uma série de cadernos escolares que estão perdidos por diversos cacifos e armários por toda a cidade.

    Acaba por ser uma obra interessante, mas perde um pouco a sua relevância. Penso que a maioria das pessoas pensaria que Gould é um tipo cómico, um tipo engraçado que não existe senão na fantasia do autor. Mas considere-se que ele existiu na realidade e o relato é muito triste, um pouco desrespeitoso e muito deprimente, pois ninguém deveria viver desta forma degradante.
  • Um Desastre de Artista

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    Um Desastre de Artista
    James Franco
    2017
    Filme
    6 em 10

    Foi por esta razão que vimos o The Room. Porque fomos ao cinema ver um filme sobre como esse filme aconteceu.

    Baseado no livro escrito pelo outro interveniente do The Room, este filme conta a estranha amizade entre Tommy e Dave, que se conhecem num curso de teatro e decidem que irão viver o sonho. Mas Tommy vem-se a revelar uma pessoa bastante estranha e misteriosa. Para começar, tem dinheiro infinito. Não sabe falar inglês convenientemente. E o seu sonho é estrelar num filme. Vendo-se recusado em todo o lado, o que há melhor do que fazer o seu próprio filme?

    No entanto, esta obra acabou por me desapontar um pouco. Eu estava sinceramente à espera de que o filme fosse mais dedicado à gravação do The Room. Eu queria saber mais detalhes sobre o caos absoluto que aquilo deve ter sido e queria rir-me com isso. Mas não foi esse o foco principal. Na verdade "Um Desastre de Artista" é menos sobre o desastre e sobre o artista e mais sobre a relação de amizade fraterna entre os dois jovens que têm um sonho em comum e a forma como o The Room influenciou a sua relação.

    Também não achei que o trabalho dos actores fosse excepcional e digno de prémio. Na verdade, acho sempre um pouco estranho quando o actor interpreta uma pessoa que está, efectivamente, ainda neste mundo e entre nós. E resta saber onde o trabalho deixa de ser pura imitação e passa a ser uma vivência pessoal: o transformar da pessoa em personagem.

    Apesar de tudo, um filme divertido, apesar da experiência cinematográfica em si não ter sido das melhores aqui por razões...

  • Viola Delta XXXIII

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    Viola Delta Volume XXXIII
    Edições MIC
    1978
    Poesia

    Estranha edição fascicular que encontrei na minha lista de leitura corrente, com um poema de um familar de um familiar.

    É uma antologia de poesia moderna, para os anos 70, na maior parte das vezes altamente politizante e surreal. A qualidade é bastante variada, pois temos autores muito diversos, sendo que alguns têm uma voz um pouco infantilizante enquanto que outros se imergem em imagens altamente sensuais e muito violentas.

    É um livro bastante curioso devido à sua estrutura e ao seu conteúdo, que tem um contexto histórico altamente relevante no universo da edição independente e da zine enquanto publicação regular. Gostaria muito que este tipo de revista ainda fosse relevante nos dias de hoje.

    Um excelente achado, do qual vos deixo a fotografia de um lindo poema, que se chama "Fase Oral":


  • A Idade do Ferro

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    A Idade do Ferro
    J.M. Coetzee
    1990
    Romance

    Com uma impressionante capacidade literária, Coetzee volta a surpreender-me com um livro tão violento como altamente viciante.

    Uma senhora idosa na África do Sul acolhe sob sua protecção um sem-abrigo. Juntos, irão assistir a uma série de injustiças cometidas contra os seus amigos, companheiros e empregados negros, que estão a viver momentos de puro terror nos seus bairros isolados e cercados por uma autoridade corrupta e falível.

    Este livro não é apenas uma análise social da época vivida na África do Sul. É também um excelente estudo de personagem, em que o autor penetra nos segredos mais profundos destas pessoas e lhes dá uma voz tanto emocional como altamente lúcida e coerente.

    As imagens de terror que pontuam o livro atingem-nos com todo o detalhe, mas o facto de a narrativa ser a visão pessoal de uma personagem que está tão perdida como as vítimas torna-as ainda mais violentas. Afinal, esta velhinha encontra-se no meio de um problema que ela não pode controlar e vê-se desrespeitada por todos aqueles em quem confiava, acabando por transferir o seu voto de amizade ao sem-abrigo desconhecido que se protege no seu jardim.

    Um livro excelente que me ficará na memória.

  • Expiação

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    Expiação
    Ian McEwan
    2001
    Romance


    Como terão reparado, ultimamente tenho lido alguns livros deste autor. Com este chego à conclusão de que são todos mais ou menos iguais, o que me causa uma certa comichão.

    Neste aqui temos uma família de gente bem da Inglaterra rural que é visitada por uns primos e por um irmão mais velho que trabalha longe, para grande prazer da "criança" de 13 anos que, sendo muito infantil e criança (é uma criança afinal de contas, uma criança infantil de 13 anos muito criançosos), acaba por acusar injustamente um amigo de família de cometer um crime. Portanto, depois de uma primeira parte dedicada a descrever as relações familiares de toda esta gente e a estabelecer definitivamente que a criança é uma criança (apesar de ter 13 anos) temos uma parte dedicada à vida diária do jovem incriminado a matar pessoas na guerra e a vê-las morrer.

    Tudo isto seria especialmente impressionante se o autor não insistisse em usar o seu fascinante "sentido de humor" para nos contar as imagens horrendas da guerra, que acabam por se tornar engraçadas em vez de chocantes. Já os personagens, nunca reagem conforme as suas respectivas idades e não têm atitudes lógicas para a época em que vivem.

    A pesquisa histórica do autor é bastante limitada, diga-se de passagem.

    Portanto, temos mais um livro igual a todos os outros do autor, que em nada acrescenta ao nosso prazer literário. Um desapontamento.
  • The Room

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    The Room
    Tommy Wiseau
    2003
    Filme
    ? em 10 

    A propósito de irmos ver ao cinema um filme sobre um certo filme, decidimos ver o original primeiro. E trata-se de épica película amada por todos: The Room.

    Este filme começou em baixo, mas ao longo do tempo veio a tornar-se um filme de culto nas sessões da meia-noite dos Estados Unidos. Afinal, temos aqui alguns momentos cujo absurdo nos tira o foco, abando-se tornar em minutos de pura comédia (não intencional).

    Johnny (Tommy) Wiseau é um empresário de sucesso que é muito, muito, muito, mas mesmo muito querido e tem uma noiva que, por razões inexplicáveis, decide abandoná-lo e traí-lo com o seu melhor amigo, Mark. Este, após alguns minutos de resistência, acaba por ceder à sedução de Lisa, levando Johnny ao desespero.

    Tudo isto parece muito bem, mas a verdade é que no contexto do filme não faz qualquer tipo de sentido. A cronologia dos eventos é estranhíssima e os personagens desenvolvem-se da forma mais convenientemente possível para o estrelato do gary-stu Johnny. Mas não faz mal, porque a qualidade terrível dos actores, dos cenários, da edição, bem... De tudo... Torna o filme numa experiência quasi-surrealista em que rapidamente percebemos que não vale a pena levá-lo sem ser a rir.

    Existe o cúmulo de termos cenas desfocadas. O cúmulo de, naquelas cenas de sexo horrendas com uma musiquinha sem sentido, protagonizadas por um queijo-fresco, haver cenas que são recicladas de umas para as outras.

    Portanto, este filme é inclassificável. Não tenho coração para dar uma nota negativa a este filme, porque foi feito com todas as boas intenções. Mas não se pode dar uma nota positiva porque a qualidade da obra é um pesadelo.

    Acho que este é um caso de ver para crer.

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