Archive for quarta-feira, outubro 26

  • Plantas Inspiradoras Plantas Inspiradas

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    Plantas Inspiradoras Plantas Inspiradas
    Exposição
    Ficámos com um pouco de tempo no dia de hoje, portanto decidimos ir à Casa da Cerca ver uma exposição que tinha visto no guia da cidade de Almada. Conforme a descrição no site:

    As plantas do Chão das Artes – Jardim Botânico, tais como o girassol, a papoila, o lírio, a rosa, o cravo, o trigo, o nenúfar, a amendoeira, a romanzeira e o amor-perfeito, que serviram de inspiração a vários artistas ao longo da História da Arte, dão o mote a uma exposição documental.
     
    Através das reproduções de algumas das mais emblemáticas obras de arte refere-se a relação com as artes plásticas enquanto fornecedoras de matérias-primas para a sua realização, mas também os seus usos na alimentação ou medicina e curiosidades com elas relacionadas.
     
    Estas plantas existentes do Chão das Artes são igualmente inspiração para uma coleção de flores cerâmicas que, ao longo do ano, serão colocadas nos canteiros da Estufa. Estas «flores artificiais» foram criadas por grupos de alunos de cerâmica de várias instituições de ensino convidadas a integrar este projeto.
    Portanto, lá chegados, começamos por ver a exposição do artista residente do momento, que consistia numas folhas com riscos que, penso eu, pretendiam simular umas estruturas ondeadas que estavam no chão.
    Depois fomos ver as plantas. Nos canteiros onde costumam estar as flores da estufa, estavam flores de cerâmica, cada canteiro com uma espécie. Para além disso havia uns quadros informativos onde mostravam as plantas em diversos quadros. As cerâmicas foram concretizadas por alunos de várias escolas (de secundárias à Belas-Artes) e eram bastante divertidas! Tirei foto-foto :)






    Depois ainda vimos uma outra exposição de uma artista mais consagrada, Maria Beatriz. O nome da exposição era "Trabalho de Casa" e trata-se de uma colectânea de colagens e outros desenhos de muito interesse, percorrendo décadas desde os anos 60 à actualidade. São imagens um pouco brutalizantes de pessoas nuas e bastante horrendas, mas algumas eram muito interessantes. Gostei sobretudo das tapeçarias e da última sala que tinha alguns temas mais pop.

    Assim foi a nossa tarde. Estas exposições ainda estarão por mais algum tempo na Casa da Cerca, portanto, porque não visitá-las? :)
  • O Pintor Debaixo do Lava-Loiças

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    O Pintor Debaixo do Lava-Loiças
    Afonso Cruz
    2011
    Romance

    Este novo autor português tem vindo a tornar-se famosíssimo porque tem piada e aparece na Time Out. Mais tarde ou mais cedo haveria de o ler e a verdade é que estava ansiosa por saber como era a sua escrita. Este primeiro romance que me calhou, graças a um RABCK no BookCrossing, desapontou-me de sobremaneira.

    A história é sobre um pintor que passou uma bela infância e depois abandona a sua terra natal para ir para os Estados Unidos. Quando deflagra a segunda guerra mundial, volta para Praga para ir buscar a sua mãe, que tinha deixado num asilo de loucos, mas acaba por ficar retido em Portugal, a viver debaixo do lava-loiças de um fotógrafo (que seria, conforme as informações do posfácio, o avô do autor).

    Ora tudo isto seria muito bom, se Afonso Cruz se tivesse dado ao mínimo trabalho de pesquisar quem era o pintor da sua história e a tivesse contado. Tudo isto é uma invenção sem precedentes baseada, provavelmente, na página da wikipedia. Isto torna-se flagrante quando há descrições dos espaços (isto bem se podia passar em Trás-os-Montes em vez de na Checoslováquia) e, sobretudo, nos momentos de guerra. O personagem não é de todo emocionante ou cativante porque não faz mais nada sem ser desenhar olhos, sendo que não há qualquer descrição das outras obras que fez para além destas. Porquê? Porque o autor não pesquisou.

    A linguagem é desadequada para a época e para os locais onde estamos, sendo corriqueiramente infantil ao longo de todo o livro. Porquê? Também porque o autor não pesquisou.

    Fiquei desapontada e sem vontade de ler mais da sua obra.

  • Tonio Kröger

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    Tonio Kröger
     Thomas Mann
    1958
    Romance

    Finalmente, o último livro que recebi no meu aniversário, desta feita cortesia da minha irmã e da minha mãe (a prenda é da primeira, mas foi a segunda que o foi comprar e escolher) :)

    Um dos primeiros romances do génio de Thomas Mann, fala sobre as complicações da vida de um rapaz que anseia ser escritor e acaba por se tornar um deles. No entanto, ele continua sempre a ser um burguês, pelo que para se afastar desse conceito acaba por se ir isolar numa estância de férias na Dinamarca. Lá, é mais uma vez confrontado com os desejos do seu passado.

    Escrito com grande mestria, este curto livro tem muita força pelo seu personagem principal. DE certo modo, identifiquei-me muito com ele. É um personagem pleno de dúvidas e questões sobre a sua existência, no mundo e em sociedade, e qual o lugar que pode encontrar para si próprio num universo onde tudo sobre ele é estranho e onde ele próprio se sente uma criatura bizarra e diferente, perante o fascínio que sobre ele exercem as "pessoas exemplares" que imagina na sua cabeça.

    Assim, temos uma dicotomia entre o que é real no personagem e aquilo que ele procura tornar-se através da sua escrita. Sai frustrada sua tentativa?

    Terão de ler para saber. :)
  • Cinco Esquinas

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    Cinco Esquinas
    Mario Vargas Llosa
    2016
    Romance

    Segundo livro que me ofereceram pelo aniversário, desta vez presente do Rui :) Trata-se deo último romance do nosso grande amigo Vargalhosa.

    Infelizmente, fiquei com a sensação, ao longo de todo o livro, de este não era o Vargalhosa conforme o conheço. A história, o desenlace, tudo me pareceu um pouco amador. A história é aquela de várias personagens intercruzadas. Um milionário dono de minas, a sua esposa, amante da mulher do melhor amigo do primeiro, o jornalista que revela fotos escandalosas desse, a sua ajudante... E, por trás de tudo isto, o misterioso "Doutor", adido do presidente.

    A história passa-se numa Lima, Peru, imaginária, aterrorizada por ataques terroristas e raptos. No entanto o autor não explora isto de todo, preferindo a história da vida diária das pessoas acima enumeradas. Quando acontece um crime, várias coisas acabam por ser reveladas. Tudo isto seria muito bom, se os personagens fossem efectivamente cativantes. Existe um trabalho sério de caracterização de todos eles, mas o estrato dos "ricos" não é de todo realista, sendo que as cenas sensuais entre as duas amantes parecem estar ali mais para impressionar do que para dar força à história.

    Apesar de tudo, está bastante bem escrito e é um livro que se lê muito bem.

  • Samurai Champloo

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    Samurai Champloo
    Shinichiro Watanabe - Manglobe
    Anime - 26 Episódios
    2004
    8 em 10

    Já tinha visto este anime há muito tempo e agora revi-o juntamente com o Qui, que vem gostando de trabalhos deste realizador e animador. :) E, mais uma vez, Watanabe não desaponta!

    Esta é a história de três pessoas que se unem em busca de um misterioso homem, depois de uma série de contratempos. Juntos, sempre prestes a separar-se, vivem aventuras diversas, sempre salvos pelo poder da espada. Na sua viagem encontram coisas cada vez mais bizarras e, também, mais perigosas. Será que vão conseguir safar-se?

    A história é semi-episódica, com alguns arcos de dois a três episódios, relatando o caminho diário destas três pessoas, Fuu, Mugen e Jin. Há muita crítica social e muita diversão à mistura, mas quando falamos de coisas sérias também há uma lógica dentro do arco e conseguimos manter sempre o foco no objectivo final, o de encontrar o samurai que cheira a girassóis. Nesta secção, o autor explora um assunto sério e que vemos pouco no anime: o tratamento dado aos cristãos no Japão na época Edo. Muito original e bastante bem concretizado.

    Mas o realmente cativante deste anime são as personagens. Cada um deles tem uma história pregressa que os tornou tal como são hoje, mas nem por isso deixam de evoluir, individualmente e, sobretudo, uns com os outros enquanto companheiros e amigos. A caracterização é perfeita, sendo que não se deixa de parte um certo traço cómico em cada um, e o desenvolvimento também não lhe fica atrás: os personagens que conhecemos no início já são outras pessoas daquelas que vemos no final da série.

    A animação é feita com poucos recursos, sendo evidente que o nível de produção não é especialmente alto (sendo que existem muitos flashbacks repetidos, por exemplo). Com os possíveis, foram feitas sequências com resultados impressionantes. Não é todos os dias que vemos uma luta de samurais em break-dance!

    Finalmente, a música. Trata-se de uma banda sonora com 4 volumes e é das minhas preferidas dentro do universo dos animes. Hip-hop instrumental, alguns sons spoken-word e muita música tradicional japonesa com respectivos instrumentos. Uma variedade brilhante com alguns temas absolutamente memoráveis, obra de Fat Jon e o saudoso Nujabes.

    Uma série que foi um gosto rever e que recomendo vivamente a todos!

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