Archive for segunda-feira, novembro 09
Strings
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Strings
Anders Rønnow Klarlund
Animação
2004
7 em 10
Um filme de animação em stop motion em que os intervenientes são... Marionetas!
Num mundo cheio de analogias para a realidade, vivem estas pessoas que, por sinal, se movem pelo intermédio de fios. Os fios ligam-nos à vida e, assim, eles podem viver muitas aventuras. Mas nem tudo é assim tão simpático... Duas facções estão em guerra e tudo dá a entender que a situação não vai melhorar. Poderá o príncipe salvar os dois países?
A história é bastante simples e bastante negativista, o que torna este filme muito pouco infantil. Existem momentos muito trágicos e de elevada violência emocional, sendo que o ambiente é negro e altamente melancólico. Para mim, a parte mais interessante do filme foi a criação de todo um folclore, mito e religião sobre os fios que ligam as pessoas ao céu e, consequentemente, à vida. É um mundo extremamente rico e detalhado.
A animação é complexa e tem um toque digital na iluminação que torna as situações bastante belas. Existe detalhe nos cenários, que nos permitem uma visualização deste universo de forma abrangente. No entanto, fiquei sem ter a certeza se as marionetas eram realmente movidas pelos fios ou se os seus movimentos eram puramente animados. Dependendo de uma situação ou de outra, o filme poderá ser extraordinário ou simplesmente original. Assim, não me senti capaz de lhe dar uma classificação superior.
Temos temas musicais variados, mantendo-se em linha com o espírito melancólico da narrativa, que adicionam grande beleza e delicadeza a algumas cenas. Também a música está relacionada com os fios, o que é um aspecto muito interessante. Assisti a uma dobragem em Inglês, pelo que não me irei alongar sobre as vozes.
Um filme escandinavo muito original, que poderá levar a uma lágrima no fim.
By : ladyxzeus
Som de Cristal
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Som de Cristal
Bruno Nogueira
Série - 10 Episódios
2015
Como poderão constatar pelo conteúdo deste espaço, eu não sou muito de ver séries com pessoas. E como também puderam constatar anteriormente, era tudo menos fã do Bruno Nogueira. No entanto, apanhei por acidente uma repetição televisiva do primeiro episódio desta série. E é algo de surpreendente.
Numa estética semelhante a outros programas de comédia com famosos, Bruno Nogueira convida diversos artistas para passeios de carro e jantares regados a vinho tinto e a cervejas. No entanto, que artistas são esses? Tratam-se, exactamente, de alguns dos nomes mais famosos da música popular Portuguesa, também conhecida como "pimba".
Neste programa ficamos a conhecer um pouco da vida íntima destas pessoas, entrando nas suas casas, visitando as suas aldeias, assistindo aos seus concertos. Tudo tem um toque de cómico dado pelo anfitrião, mas também existem muitos momentos tocantes e trágicos. Porque Bruno Nogueira, apesar de comediante conhecido pro gozar com tudo e com todos, não troça dos artistas, não os provoca e, sobretudo, não os desrespeita. Assim, o programa faz um retrato muito humano destas pessoas a quem, normalmente, não damos qualquer atenção e que muitos de nós considera quase como criminosos e assassinos da boa música.
Ficamos a conhecer os seus medos e os seus sonhos, a sua origem e o seu futuro. Ficamos a conhecê-los melhor enquanto artistas, enquanto força trabalhadora, enquanto pessoas que se dedicam a fundo aos seus projectos, por mais parolos que nos pareçam. E ficamos a conhecer os seus fãs e as multidões que movem. Pois é, apesar de tantos de nós dizermos "não gosto, faz-me doer os ouvidos, isso não é verdadeira música", há pessoas que adoram, há uma imensidão de gente que vive para assistir a estes concertos. E se não respeitarmos isso, não há mais nada que possamos fazer.
Com efeitos de montagem interessantíssimos, o programa acaba por tornar estas conversas informais e partilhas de momentos em segmentos que podem chegar ao surrealismo abstracto, a um puro non-sense que dá azo a gargalhadas incontidas. É uma sucessão de momentos estranhos, desde o Roberto Leal bezano a assinar t-shirts, ao copo de bagaço do Marante e até mesmo ao histerismo das fãs açoreanas do Saúl.
Também é boa oportunidade de ficar a saber quais as novas facetas artísticas destes cantores que conhecemos à tanto tempo. Podemos pensar que continuam ligados à sua estética do antigamente, como uns eternos anos 90, mas a verdade é que continuam sempre em evolução.
Um programa extraordinário, que só peca por ser tão curto. Gostaria de ter visto outros artistas com a coragem de se mostrarem perante o público desta forma.
By : ladyxzeus
